Sonhos

22 Right Now


Notas iniciais
Opa, hoje o dia está melhor; mas por algum motivo minha escrita endureceu, vai entender. Anyway, espero que gostem, e leiam as notas finais, okay?

Lights go down

And the night is calling to me, yeah

I hear voices singing songs in the street

As luzes se apagam

E a noite está me chamando

Eu ouço vozes cantando músicas na rua

Nico quase nunca vivia em silêncio.

Apesar de assim parecer e assim falarem, o mundo dele não era silencioso. De nenhum filho de Hades é, a morte acaba falando mais que a vida, em sua própria maneira. Os fantasmas choram, cantam e falam, e tudo, absolutamente tudo, parece ter uma parte de si, morta, que grita.

Por isso era quase impossível de alcançar o silêncio total. Com o tempo ele tinha aprendido a ignorar o fluxo de clamores que o rondava, e só prestar atenção quando queria.

Los Angeles era ofensiva a noite, a maior parte da cidade chorava à noite, nem mesmo se Nico quisesse, conseguiria dormir direito quando as luzes caíam; naquele dia não era diferente. E nesse momento, a cidade parecia estar em um murmurar irritante de fofoca.

Os espíritos diziam que sangue ia cair e Nico quase conseguia sentir a raiva no ar. Não conseguindo mais suprimir a onda de infelicidade que o assolava, ele perguntou o que estava acontecendo.

As respostas, como sempre, vieram em línguas e sotaques. Ele focou em duas, as duas em inglês. Uma dizia que os monstros estavam se unindo e ganhando força, e a outra dizia que essa força iria atacar.

Se unindo? Nico pensou, já não bastasse os problemas que eles davam separados. Ele perguntou o porquê.

Vingança e proteção.

Contra quem? A resposta o assustou mais do que pensava que assustaria. Contra o filho de Júpiter.

Jason Grace.

Óbvio, deuses, como ele era idiota. Como ambos eram idiotas. Jason tinha aberto um negócio de destruição de monstros, na cidade que era a porta para o mundo inferior, os monstros mal saíam do inferno grego e tinham de voltar ao tártaro. Jason tinha conseguido fazer com que monstros de mais diferentes histórias se unificassem contra ele.

Era uma baita de uma realização, a mais estúpidas de todas, mas era incrível.

Ele viajou pelas sombras se dirigindo ao hotel que o loiro ficava, claro que Jason era forte o suficiente para lidar com alguns desses monstros, o maldito disparava energia dos céus, podia voar e tinha uma habilidade inacreditável em luta corpo a corpo. Mas contra dezenas, até quando esses poderes ajudariam?

Quando saiu das sombras, o quarto estava devastado, a janela destruída. Mas nenhum corpo, só poeira amarelada. Nico rangeu os dentes irritados, perguntando onde o filho de Júpiter estava e os espíritos o guiaram. A viagem nas sombras foi feitas com as vozes ressoando pelo interior dos ossos, o corpo pesado pela raiva que se acumulava em tudo.

Quando encontrou o loiro, ele estava encurralado em um beco; Nico teve de agir rápido, ele incitou os espíritos a ajudá-los, e a névoa da morte caiu. Eles rondavam por ali, desapercebidos pela maioria dos olhos, quando viajou e se materializou atrás de Jason, conseguiu evitar um corte que seria letal no loiro, mas teve o ombro sendo cortado em uma região perto do pescoço.

— Nico...

— Eu vou te tirar daqui. — No momento em que iria puxar o outro para as sombras, outros monstros atacaram unidos de novo. Tinha dezenas dele, e os fantasmas não conseguiam muito, Nico sentiu o ímpeto de raiva por deixar que aquilo acontecesse. Se ele tivesse pisado na cidade um dia antes, teria conseguido evitar.

Os seres mitológicos pareciam conhecê-lo e saber de seus poderes, já que não deixavam-no se aproximar do outro. Ele olhou o céu, sem nenhuma nuvem: Jason também não tivera tempo ao menos para conjurar sua tempestade. A arma mais forte do outro era seus raios, e ele não podia usá-la. O céu repleto de monstros voadores, que o impediam de voar.

Com o ombro ardendo como um banho de álcool após se barbear, ele puxou corpos mortos do chão de concreto, quebrando tudo como se fosse raízes; ele não tinha um controle tão grande sobre a terra, invejou Hazel por isso. Deixou as sombras engolir a ele e alguns monstros, alguns voltaram ao tártaro por viagens na sombra, ele logo se materializou ao lado de Jason, segurou firme o braço dele quando sentiu duas fincadas na cintura e em segundos tinham conseguido fugir.

— Grace, você conseguiu a proeza de unificar diferentes raças de monstros. — Ele murmurou fraco. — Merece um nobel da paz.

— Nico, você se machucou demais. — Jason disse enquanto observava as duas flechas fincadas quase no mesmo lugar da cintura.

Ele pensou rápido quando tudo começou a se apagar e o raciocínio virando uma névoa insossa de imagens em sua cabeça. — Jason, estamos em Nova Roma. E eu vou apagar, me leve à enfermaria daqui.

O filho de Júpiter o olhava assustado, as mãos tremendo e aquele azul elétrico tremulava em uma covardia recente. Que merda, aquele idiota deveria estar acostumado a essas coisas acontecendo, ele não foi praetor de um exército inteiro?

— Grace! Se controle, não vou te perdoar se me deixar morrer. — O loiro assentiu, ainda assustado; tentou segurá-lo de um modo que não fosse machucá-lo, mas era inútil, tudo doía, já.

Tudo foi virando cinza, e quase não sentia mais calor, mesmo assim sentiu-se confortável quando Jason o pegou nos braços, e sussurrou com uma voz baixa, mas mais firme que o olhar de antes. — Prometo que não vai morrer.

xXx

I wish you were here with me

But I know that I won't be on my own

Queria que você estivesse aqui, comigo

Mas eu sei que não vou ficar sozinho

Ninguém se assustou quando os dois saíram da sombra, e droga, Nico sentia falta desses pequenos sustos que ele dava nas pessoas.

Leo encarou triunfante Frank quando viu Nico e Jason lado a lado.

— 20 dollars, meu caro, Frank Zhang. — Disse cheio de si, virando-se para Jason naquele olhar maníaco de sempre. — Confiei que seu charme ia conseguir trazer o Nico; nunca fiquei tão feliz por seus olhos azuis hipnotizantes. — Quando todos o olharam estranhos, ele deu de ombros.

— Eu digo que é falta de rola, e ninguém me ouve. — Nico murmurou, fazendo alguns rirem.

— Nico! Você veio. — Hazel disse, passando entre Frank e Leo dando um leve tapa na cabeça dos dois. — Leo, devolve o dinheiro do Frank.

— Ah, cara, olha o tamanho dele, ele pode arcar com as dívidas dele sem a namorada ficar protegendo.

— Se você quer tanto dinheiro, eu posso te dar um diamante ou um rubi da terra, quer?

Leo pareceu ofendido e com medo. — Quero ver quando você vir pedir ajuda porque sua chapinha não tá funcionando. Liga pro 0800, eu vou falar.

Ela sorriu, se virando pros dois recém chegados. — Fico feliz que puderam vir. — Ela abraçou os dois, demorando mais em Nico.

— Nico, sua irmãzinha tá maior que você, cara. — Percy pontuou.

Hazel ficou ombro a ombro com o irmão, sorrindo feliz ao constatar que era verdade.

— Pelo menos ainda estou maior que o Valdez.

— O que vocês têm contra mim? — Leo perguntou. — Se continuar assim, vou arranjar um namorado para me proteger, mesmo. Reyna, Octavian ainda está livre?

Nem a própria Reyna conseguiu segurar a risada, a ideia de Octavian e Leo como um casal era assustadora e cômica demais para permanecer palpável no mundo real.

— Ah, cara, senti sua falta; você só saía com Nico. — Jason disse, passando o braço pelos ombros do filho de Hephaestus e foram até a cozinha.

— Seu namorado me ama, aceite isso.

Nico sorriu, indo sentar ao lado de Reyna. Os dois tinham uma compatibilidade incrível quando se falava sobre interação social e inteligência; ele olhou a taça que ela segurava, provavelmente vinho.

— Planejando em ficar bêbada de novo?

Ela torceu o nariz. — Céus, não. A última vez que eu fiquei, prometi a Annabeth deixá-la projetar uma ponte enorme e cara, em um lugar desnecessário. — Ela tomou um gole da taça. — Quero ver como vou explicar aquele rombo enorme nos cofres públicos.

Nico riu, aí estava a diferença entre os dois, ela tinha desejo por poder e por fazer a diferença, ele já achava difícil administrar a própria vida, para interferir nas dos outros.

— Você não odeia essa data e sua decoração ridícula? — Ela perguntou.

A casa em que estavam, era de Frank. Os praetores tinham alguns privilégios, entre eles uma casa própria, sem a necessidade de alojamentos militares. E Reyna negou a permitir que sua casa passasse por essa humilhação, enquanto Frank não decidiu nada porque todos sabiam que quem mandava de verdade era Hazel, e ele apenas aceitava.

Nico olhou os pisca-piscas envolvendo a sala em uma profusão de cores; mas viu que tinha alguns queimados, também. A árvore de natal brilhava, imponente, no meio da sala; era de plástico, porque Percy se negou, em honra de Grover, a aceitar uma árvore real cortada apenas para atender à essa necessidade capitalista inútil.

Vê, não era só ele que tinha ideologias de esquerda no grupo.

Olhando para a sala, ela parecia ricamente decorada. Tudo escolhido a dedo, as cores combinando em uma sincronia detestável.

Não tinha jeito de Frank ter decorado aquilo. O rapaz mal conseguia combinar as meias, quanto mais a decoração; aquilo tudo era a cara de Hazel e Piper. Até as cortinas e o sofá combinavam, ele sentiu-se nauseado, que elas nunca se atrevessem a mexer no apartamento dele.

Em algum canto de sua memória, algo se mexeu e ele sentiu-se subitamente deslocado e nostálgico.

— Odeio, ridícula. É.

Os dois suspiraram em uníssono, se afundando no sofá. Ela estendeu a taça para ele, puxando uma garrafa do lado do sofá, eles beberam sem nem ao menos sentir.

Leo voltou com Jason e Piper para a sala.

— Deuses, estão vendo a nuvem negra vindo dali? — Ele fez um raio com os dedos. — Sangue de Zeus tem poder, que Afrodite nos abençoe.

— Não, sério, não coloca minha mãe no meio, ou aí que fode tudo. — Piper disse. — Coloca Hades que é melhor.

Jason torceu o nariz para o palavrão, mas riu, porque de alguma forma ela estava certa. Hades era melhor e mais fácil de se lidar do que Afrodite.

— Nico, se você se alegrar eu prometo te dar um beijinho. — Leo murmurou fazendo um biquinho.

O filho de Hades se virou para Reyna. — Qual é a situação de Octavian, mesmo?

Jason se aproximou dele, passando o braço por seus ombros. E Nico descansou a cabeça em seu ombro, o que alertou o loiro que algo estava errado.

— Algo de muito errado, Nico?

Ele deu de ombros. — Essa época me lembra Bianca, Veneza fica linda no inverno.

Piper e Reyna desviaram o olhar, claramente desconfortáveis, Jason se desfez em uma expressão de desculpas por algo que ele não tinha a mínima culpa enquanto Leo o abraçou.

Ousado, como sempre, mas diferente de todas as vezes anteriores, e surpreendendo a todos até o próprio hispânico, Nico o abraçou fracamente de volta.

— Você é um bom amigo, Valdez.

O garoto em questão sorriu abertamente, daquele modo que dava até vergonha.

— Você é encantador, assim, de perto, Nico. — Disse sorrindo. — Que tal aquele beijinho?

Notas finais
Gente, amo diálogos, só isso. UAHUAHUAHA. Sentia falta de escrever tanto diálogo, assim. Desculpa pela demora para responder os reviews, eu leio todos, okay? Só sou enrolado. Qualquer erro digam, tá? Kissus, espero que tenham gostado, see you tomorrow.