Sonhos

4 Meu Erro


Notas iniciais
Ahhh, adoro essa música. Me faz lembrar meus treze e quatorze anos quando eu ouvia mais música brasileira do que qualquer coisa. Anyway, capítulo inspirado na minha interpretação de Meu Erro, dos Paralamas do Sucesso. Leiam as notas finais.

Quando Nico entrou no quarto, e viu o tamanho da mochila de Jason, não conseguiu segurar o comentário.

— Estamos nos mudando para lá? — Foi um comentário liberado com muita ironia, ainda que parecesse quase inofensivo.

Claro que não era incomum o humor de Nico estar ácido, depressivo, doloroso, ou qualquer outro adjetivo negativo, no entanto, nesse dia em especial, além de tudo, ele estava à flor da pele.

De repente, todo o ato de voltar ao acampamento meio-sangue parecia ofensivo demais, parecia demandar força e esforço demais. Ele não queria encarar Hazel e falar que por algum motivo estranho, preferia os meninos às meninas. Não queria encarar Percy, e falar que tinha tido uma “quedinha” por ele, que mais se assemelhava às cataratas do Niágara.

Mas ele prometeu, não foi?

Ele aceitava, com uma determinação quase militar, com uma bagagem simples, leve, como se fosse uma missão a ser cumprida. Como se ele tivesse que enfrentar tudo aquilo e sair vitorioso se quisesse ser feliz.

E talvez fosse por aí, mesmo.

Só que quando Jason o respondeu com aquelas palavras simples, ele se sentiu totalmente desarmado.

— Tem muita roupa, né? — Coçou a nuca, constrangido. — Acho que estou um pouco ansioso.

A determinação de Nico se dobrou em um sorriso quase tão constrangido quanto aquele coçar de nuca. — Você devia ter me falado que sentia falta do acampamento.

Jason deu de ombros, fingindo que não ligava muito, mas claro que o moreno sabia que ele ligava. Nico bagunçou os cabelos, sentindo que as coisas eram mais delicadas do que inicialmente tinha suposto: Andava em vidro.

— Você só vai com essa blusa, Nico? — Perguntou o loiro com um olhar genuinamente preocupado. — Está muito frio lá fora...

Deuses, como ele conseguia ser tão transparente? Como Jason tinha a tranquilidade e a coragem de ser tão sincero e simples? E pior, era incrível como os dois conseguiam se dar tão bem, já que Nico era acidez e complexidade na maior parte das vezes.

— Só. E não, já antecipando você, não quero uma blusa sua emprestada. Hades me livre de usar suas roupas.

Jason torceu o nariz.

— Qual o problema com minhas roupas? — Perguntou indignado.

—Bem... — O moreno parou para pensar. Jason só tinha, em geral, camisas xadrez, e camisetas polo. Seu guarda roupa era metade composto por isso. O resto era calças jeans velhas, e tênis com cores explosivas demais, para ele. — Nada, só não é meu estilo, okay?

O loiro assentiu, com um olhar suspeito no rosto. — Que seja. Terminei, vamos? — Certo, e agora era a hora que o filho de Hades sabia que a coisa ia complicar. — Vamos voando.

— Ér... Não.

— Como?

— Jason, você sabe que eu odeio voar. — E antes que Jason pudesse retorquir: — E pelas sombras é mais fácil, mais rápido.

O filho de Zeus pareceu ponderar por alguns segundos, antes de responder determinadamente: Não.

Claro, pensou Nico, ele não poderia esperar mais daquela cabeça de ar que era o Jason. Mas, no momento, não era uma discussão que ele queria levar adiante. O seu olhar brilhou, enquanto ele caminhou encurralando Jason na parede, seus lábios procurando pontos específicos e sensíveis, e a mão encontrando seu caminho por dentro de jeans que pareciam velhas e largas demais para o loiro.

Alguns minutos depois, Jason não ligou de ser puxado para as sombras sem dizer uma palavra.

xXx

Em questão de segundos, os dois já tinham cruzado metade do país, os campos de morango à frente, a colina meio-sangue no lugar de sempre. E a única coisa que Nico tinha como certa era: Estava frio.

— Viu, deveria ter pego outra blusa, Rudolph.

Nico lançou-lhe um olhar assassino antes de se abraçar, e lembrar com raiva de que, provavelmente, o seu nariz estaria tão vermelho quanto uma maçã, e que sim, Jason tinha o direito de zombar dele por isso.

Jason abraçou-lhe pelos ombros, lhe dando um daqueles sorrisos: eu-estou-aqui-pra-você, e ambos começaram a subir a colina.

Um passo à frente do outro, um à frente do outro. Seu corpo inteiro parecia pesar conforme subiam, e ele tinha certeza que não era por sua falta de preparo físico. E quando ele viu o topo do portão de entrada do acampamento, sentiu uma náusea de lugar nenhum subir por sua garganta.

Tremeu, mas a sensação passou um pouco quando sentiu os braços de Jason o apertar mais forte. E como resposta apertou o casaco do outro com força entre os dedos. Sentiu um leve choque, e sorriu com isso. Tinha dias que Jason acordava, literalmente, intocável. Liberando energia elétrica como se fosse um cabo de alta voltagem e os cabelos loiros parecendo os de um punk.

À frente, o acampamento ficava cada vez mais visível. E toda a atmosfera suave que rondava ele e o loiro, foi desfeita quando seus olhos se quedaram na entrada principal do acampamento, e lá, Leo junto a Percy. Percy...

A primeira coisa que fez foi tentar retroceder. Parou de andar, e tentou se virar para sair dali, mas os braços de Jason o impediram. Quando ele levantou os olhos, com raiva, foi um impacto ver decepção no azul elétrico do outro.

— Eu te conheço bem demais para saber que você faria isso. — O loiro disse, mordendo com força os lábios. — Nós somos iguais em alguns aspectos... E eu sei, por mais que eu odeie, que não basta estar a seu lado. — Ele respirou fundo, envergonhado e temeroso por ser tão incisivo. — Não me abandone, Nico. Mas se você for, não volte.

O ar congelou em volta deles, e Nico sentiu que sem Jason ficaria sozinho. Sozinho. O olhar grudou-se no chão e sentiu-se como uma criança perdida, procurando uma desculpa.

— N-não seja idiota, eu só torci meu tornozelo sem querer. — Disse com o rosto ficando tão vermelho quanto o nariz. — Você não vai sair do meu lado por um minuto, ouviu?

Jason sorriu abertamente.

— Sim, senhor.

O moreno tentou segurar na manga da blusa do outro, mas foi repelido por uma pequena descarga elétrica de novo, o loiro o olhou culpado.

— E não seja idiota, eu escolho você, Pikachu, não o Squirtle. — Brincou tentando amenizar o clima pesado demais. —É claro que você é o bastante.

E por mais que fosse a declaração mais idiota e infantil do mundo, Nico sabia que era o suficiente para o outro. Sabia que era o suficiente para Jason o perdoar por sua covardia, sabia que era o suficiente para mostrar que ele queria que tudo funcionasse entre eles. Era tudo o que ele mais queria.

Notas finais
Confesso que tenho certas dúvidas de como esse capítulo terminou. É muito confuso escrever um capítulo por dia. Anyway, mesmo esquema, se achar algum erro, me avise, por favor. Espero que tenham gostado. See you tomorrow~.