Sonhos

5 Eu Preciso Dizer Que Eu Te Amo


Notas iniciais
Meu, como eu amo Cazuza. Cazuza é tipo, minha diva mor, meu ultimate, meu favorito. Eu tenho uma paixão platônica por ele muito forte, e é meio que uma honra escrever algo pensando nessa música, até porque eu já escrevi dois poemas inspirados nela, também. Anyway, espero que gostem. Notas finais, não se esqueçam.

Cinco horas.

Eram pouco mais do que cinco horas que os dois estavam no maldito acampamento, e Jason já se sentia envolto em um ciúme estúpido, que ele sabia que era estúpido, mas que não conseguia se livrar.

Por algum motivo que ele não entendia, Percy tinha se obstinado a conversar com Nico. Isso já era o suficiente para ele ficar extremamente puto, e querer jogar centenas de raios na porra toda. E teria o feito, se Nico não tivesse lhe dado um sorriso meio torto, e pedido em um sussurro baixo para que ele se mantivesse calmo.

Foi efetivo, nada explodira.

Por enquanto.

Foi efetivo até certo ponto, porque embora ele tenha se controlado a pedido de Nico, a insegurança de que talvez Nico estivesse aproveitando aquela repentina aproximação o assombrava.

Na verdade, a coisa toda o lembrava do começo dos dois. Ter de se controlar para não ficar tocando, para não mostrar seus ciúmes.

De quando ele tinha saído por aí, vivendo quase como um nômade, prestando serviços a seres mitológicos em troca de um pouco de dinheiro e qualquer informação que o levasse a Nico.

Nem é necessário dizer que ninguém, em hipótese nenhuma, conseguia levá-lo a Nico, o garoto tinha um dom de escapar e de fazer as pessoas o temerem que ficava difícil arranjar qualquer informação dele.

Um dia ele estava em um hotel barato, fazendo absolutamente nada, seu quarto um vórtex no tempo e no espaço, e Nico apareceu. Assim, do nada, saindo de um canto escuro qualquer o garoto apareceu.

Jason agradecia, até hoje, aos deuses por não ter gritado de susto feito uma garotinha. Ou um garotinho, levando em consideração os gritos padrões e másculos de Leo.

Foi um encontro de minutos: — Virou um tarado atrás de mim, Grace? — Foi a primeira coisa que Nico disse. E Jason sentiu-se levemente inclinado a responder um sim.

Mas negou com a cabeça, como qualquer pessoa normal faria, e explicou que o procurava para serem amigos. Em algum momento, sua memória se confundira, e ele não lembrava se Nico tinha dado um daqueles sorrisinhos de escárnio ou se só o olhara como se fosse um louco. Era bem provável que fosse os dois.

Mas funcionou, uma semana depois o garoto voltou e Jason o fizera sair para comer com ele. E aos poucos os encontros foram intensificando e aumentando em volume, até um momento que viam-se quase todos os dias.

Então Jason percebeu que tinha se apaixonado. Ele não se abalara por gostar de um garoto, não da forma como ele sabia que Nico tinha se abalado por gostar de Percy. Jason, ainda que não vivera quase nada de sua vida no mundo mortal, fora criado em um acampamento romano. Romano... Lembra daquelas aulas de história de Roma Antiga, Baco, suruba, e bastante viadagem? Elas são verdade.

Jason fora exposto à homossexualidade de uma forma muito natural enquanto treinava com Lupa e depois virara um soldado em Nova Roma. Ele, até então, só sentira-se atraído por mulheres: Reyna, Piper... Mas ele acreditava que era algo mais relacionado às personalidades delas, e apaixonar-se por Nico foi uma consequência deliciosa. Nico tinha uma personalidade tão incrível, que ele se impressionava em ser o primeiro a realmente descobri-la.

Só que tinha alguns problemas... O filho de Hades tinha um grande problema com toques. A cada pequeno toque, Nico se esquivava, reclamava, brigava; e não era como se ele pudesse controlar isso, ele só queria tocá-lo, senti-lo, era quase inconsciente, tão freudiano.

Incomodava-o, também, as inconstâncias do moreno. Ele nunca podia ficar muito tempo, sempre tinha algo a fazer no submundo, assuntos a tratar, e Jason sentia que Chronos parecia amá-lo, porque as horas se alongavam e retraíam, se distorciam de uma forma que uma hora parecia dias e dias pareciam um piscar de olhos; e quando o filho de Hades confiara nele o bastante para desabafar sobre Percy fora quase impossível vestir uma máscara de, apenas, preocupação. Ele ficara péssimo durante dias, até hoje não entendera como segurara a linha.

Sem contar as vezes em que se convencera a falar para Nico o que sentia, ele precisava mostrar que gostava muito do outro. Muito. E aí ele falava: “Nico?”, o moreno o respondia com um murmúrio curioso e Jason respondia: “Nada, deixa pra lá”, sentindo-se medroso demais para falar a verdade, para deixar a verdade que estava na ponta da língua sair. Nem é necessário falar o quanto Nico ficava irritado com isso, e o quanto o loiro se sentia covarde.

E quando ele conseguira se declarar, fora rejeitado, porquê... Bem, porque Nico era Nico. Às vezes era impossível entendê-lo.

Aliás, era um fato curioso, esse. Nico o rejeitara, para uma semana depois beijá-lo em algum beco escuro de Nova Roma, e desde então passaram a ter uma rotina de namorados, mas Nico não gostava que Jason o chamasse de namorado, nem de amor, nem gostava de ficar declarando o que sentia. Nico odiava rótulos.

Talvez isso tivesse algo a ver com a idade do garoto? Não a idade, em si, mas o ano de nascimento. Nico nascera em uma cidade Italiana, fascista, às vésperas de uma guerra mundial e se mudara para os Estados Unidos, Imperialista e de direita.

O loiro nunca pensara muito nisso, mas talvez fosse por isso que o filho de Hades não se autoproclamava gay. Ele odiava rótulos.

Provavelmente, Jason ficaria viajando nos próprios pensamentos por eras se não houvesse nenhuma influência externa. O braço de Percy, até então, tinha feito dezesseis tentativas de circundar os ombros franzinos de Nico, todas falhas e negadas pelo próprio moreno. E sim, dezesseis, o filho de Zeus contara. Mas na décima sétima, Nico permitiu.

Jason parou de andar, observando o braço de Percy no ombro de Nico. O braço. Na porra do Ombro.

— Eu vou para o meu chalé. — Disse com um tom direto, tão duro que pareceu arranhar a garganta.

— Eu vou com você.

— Não precisa, Nico.

O moreno ia falar um “mas”, antes disso Jason já saíra correndo, a mochila pesada balançando nos ombros, em direção ao próprio chalé. Quando entrou os olhos de Zeus o encaravam, e ele sentiu vergonha. Se jogou na cama, e tentou não pensar em Nico, não pensar que teria que falar com Piper pela primeira vez desde que terminaram, que teria que responder às perguntas de Leo.

E ele sentiu o tempo passar, lentamente, como quando ele ficava enclausurado com Nico em seu quarto, jogando Mythomagic, fazendo piadinhas e contando segredos de quando eram menor. Quando o ar se engrossou à sua volta, tudo ficou mais frio, ele sentiu a presença de Nico. Era bom que ele estivesse ali, talvez o tempo voltasse a correr de novo, mas era ruim também, porque ele teria que lidar com a vergonha e a raiva.

— Hey, você prometeu ficar ao meu lado. — Ele ouviu a voz suave.

Okay, Nico estava certo, ele prometera, mesmo.

— Eu sei... Desculpa?

Não se preocupara em procurar Nico com o olhar, mas isso não pareceu incomodar o outro, ele ouviu a risada soar pelo cômodo.

— Como você consegue ser tão fofo com raiva?

É... Ele estava o provocando.

— Calado, volta lá pro limpador de piscinas. — Ele sentiu um peso ao lado dele na cama.

— Eu consegui despistá-lo. — Nico sorriu. — Se ele é o cara que limpa piscinas, você é o que conserta ar condicionados?

— Não, eu sou o cara que cuida dos fios de energia. — Ele respondeu sério. — Nico, não zoa comigo, é sério. Eu te amo, droga.

— Eu não estou, idiota. E eu já falei que meio que gosto de você.

Jason sorriu com o meio.

— Só meio? — Ouviu um uhum de Nico, e deu de ombros, satisfeito. —É... Serve, naquelas, né?

— Além disso, quem preferiria uma piscina, ao invés de energia elétrica? — Jason fingiu ponderar por alguns instantes.

— Eu não, agora vai saber, né?

Nico riu timidamente. — Seu cínico.

O moreno o chamou para irem ao refeitório, se bem se lembrava, nenhum dos dois comiam há um bom tempo, quando iam sair do chalé, Nico se virou, o encarando sério.

— Jason, preciso dizer algo. — A voz quase quebrando.

— O quê?

— Nada, deixa pra lá.

Notas finais
Então, tentei colocar bem o que a música significa para mim. É uma das minhas favoritas, e tornou o texto um tanto denso, mas é isso aí. Qualquer erro, não hesitem em me falar. Espero que tenham gostado. See you tomorrow~.