Notas iniciais
Só para avisar, os gêneros e avisos podem mudar conforme a coisa toda avança. Onee, como sempre por culpa sua. Capítulo baseado na música Happy, do Pharrell Williams. A história começa com o casal já junto, e vai passar pelo passado e futuro, seguindo um enredo. Espero que gostem.

O vento farfalhava o que podia lá fora, o sol brilhava, e céus, não tinha como Jason não sentir isso. Na verdade, ele tinha de lutar para não direcionar seu olhar para fora, entre as janelas fechadas e translúcidas, e perder-se nos próprios sonhos e se esquecer das fórmulas na lousa.

Estava em Nova Roma e não era Praetor, nem mais um soldado da vigésima legião, nem nada mais que de fato envolvesse lutar. Ele era agora um estudante, um maldito estudante, um daqueles caras que ele quase sempre desvalorizara por de baixo de um manto de respeito. E pior: Era um estudante feliz.

Muito feliz, aliás, para sua informação.

Nem ele acreditava tanto nessa felicidade toda. Claro que felicidade era toda aquela coisa subjetiva que Gregos e Romanos passaram séculos discutindo, mas quer saber de uma coisa? Ele não dava a mínima para todas aquelas definições. Porque a dele tinha nome, cor de cabelo, humor instável e um gosto musical que ele nunca entenderia.

A felicidade dele tinha sonhos, o que o fizera sonhar, também.

Após a guerra contra Gaia, ele se encontrou diferente. Ele tinha uma irmã, uma história que antes ele não conhecia, uma mãe morta e alguns amigos que ele podia se orgulhar. E depois de alguns meses de crises existenciais, ele ficou de porre — Literalmente, graças às bênçãos de Baco — e rompeu com uma boa parte de seus conceitos.

Entre eles, o de que deveria ser uma espécie de soldado pelo resto da vida. Tudo isso devido a um garoto de cabelos desgrenhados e que parecia nunca dormir à noite.

Só ao lembrar de Nico, tudo já ficava melhor. Aliás, por favor: Nico, só Nico. Não é um apelido para Nicholas, é preciso se lembrar disso. Jason cometera o erro de o chamar de Nicholas uma vez, e não foi uma experiência lá muito agradável, Nico poderia ficar tão bravo quanto um cachorro de três cabeças do inferno, ou do mundo inferior, dependendo de qual é a sua religião.

Ele voltou o olhar para a lousa, e tudo parecia mais fácil. Os conceitos se explicavam, as letras e números voltaram a se alinhar, a série de alfabetos com valor numérico pareciam inteligíveis e ele conseguia raciocinar. Ele sorriu, porque não importava se tudo aquilo era pior que o próprio Tártaro, ele faria de tudo para preservar a sua felicidade que tinha nome, cor de cabelo, humor instável e um gosto musical que ele nunca entenderia.

xXx

Ele adorava sentir essa felicidade toda, mas sempre fora um guerreiro, não sabia se era possível para ele acompanhar ele pelo seus sonhos, e deuses, como isso o assustava. Ele andava meio devagar, se dirigindo ao seu apartamento em Nova Roma, quando sentiu um repentino “boo” em sua orelha.

A reação foi imediata, sua mão se chocou em algo e ele pulou para trás extremamente assustado, o coração feito um tambor. Quando se acalmou um pouco, levantou o olhar só para encontrar aquela camiseta velha e surrada com uma estampa do The Doors, os cabelos que pareciam nunca ter encontrado com um pente e a pele tão branca que ele jurava poder ver através. E foi aí que o coração pareceu um tambor, mesmo.

— Nico, desculpa... — Disse correndo para ajudar o outro.

O filho de Hades apenas assentiu, se esquivando do toque de Jason com um semblante de resignação ao destino, porque fora culpa dele mesmo, desse costume que ele tinha adquirido de tentar assustar o filho de Zeus.

— Sim, sim. Não sei porque ainda tento... — E aqueles olhos negros subiram, fazendo sua felicidade estremecer dentro dele. Nico tinha um olhar indagador. — Está tudo bem? Tenho tentado te assustar há meses, ainda que você seja um cabeça de vento, não costuma ser assim.

Mesmo cheio de felicidade por ter Nico com ele, ele não conseguia aproveitá-la plenamente. Não queria dizer que estava cheio de receios de não conseguir atender as expectativas dele, e de não conseguir ser o suficiente para ele. Antes que Jason conseguisse responder, Nico rolou os olhos, estendendo o braço, a mão descendo pelo braço do outro até encontrar sua mão, entrelaçando os dedos.

— Não pense coisas demais. — Disse com as bochechas se pintando de vermelho, o puxando pela mão para continuar pelo seus caminhos. — E sorria mais baixo, idiota.

Dessa vez Jason riu. Sorrir mais baixo, ouviu essa Sócrates? Talvez essa seja a definição de felicidade.

Notas finais
Só para avisar, quero dizer que tenho uma queda terrível pelo Nico, então já esperem preferitismos. See you, vejos vocês amanhã.