Sonhos
8 Fancy
Notas iniciais
Nico tinha certeza que, provavelmente, antes de seus filhos nascerem, Zeus passava mel neles.
É isso aí, mel. Aliás, provavelmente, nem era sangue que corria nas veias de seus filhos, provavelmente seria uma espécie de solução açucarada com uma porção de ferômonios. O que convenhamos, fazia sentindo levando-se em conta que era Zeus. Ele era oficialmente o deus que mais tinha comido os humanos.
Desde os registros, via-se claramente que Zeus tinha facilidade em se atrair por mortais, sendo eles mulheres ou homens, e traçá-los. Nico suspeitava de que se algo andasse sobre duas pernas, já era um alvo a Zeus. Nico suspeitava de que se tivesse duas pernas, já era um alvo a Zeus.
Era por isso que ele sempre procurava distanciamento do Senhor do Olimpo.
[...]
Voltando ao assunto do mel: Zeus, indubitavelmente, passava mel em seus filhos. Mal Thalia chegara ao acampamento, e os meninos e algumas meninas se atiçavam, era visível. Leo se abanava ao seu lado a olhando como se fosse uma espécie de deusa, e o filho de Hades tinha certeza que não era porque ele acendera um fogo qualquer. Era um fogo bem específico, em um lugar bem específico.
— Valdez, a baba. — Sussurrou solenemente sem nem olhá-lo nos olhos, e notou o vulto do garoto se desconcertando com vergonha.
E não era só Thalia. Nico notava os olhares a Jason, também. Quando ele passava, o chalé de Afrodite parecia até ganhar vida.
E o mais incrível: O idiota nunca percebia.
Ele sempre achava que era um gesto de amizade, palavras amigas ou qualquer coisa sem conotação sexual.
Agora estavam no refeitório, Nico furou com o garfo a própria comida, talvez aplicando força demais, Hazel o olhando com um sorrisinho de lado acabou rindo. — Nico, consigo sentir o ódio no seu olhar.
O moreno bufou. — Olha, as meninas da mesa de Afrodite tão quase furando ele com o olhar. E ele sempre as deixa ficar passando a mão nele, ou o paparicando. — Ele pegou a faca ameaçadoramente. — Eu vou cortar a garganta dele.
— Seria melhor cortar outra coisa, hun? — Ela sorriu. — Deixa disso, ele mal consegue ver maldade nas ações delas.
Ele largou os talheres, observando os irmãos conversando na mesa de Zeus e deu de ombros: Mais tarde ele faria Jason pagar por sua ingenuidade.
Mas então Annabeth chegou os chamando, e todos se dirigiram ao chalé de Athenas. E aparentemente, era uma reunião geral já que todos da profecia estavam ali mais os representantes dos chalés, e Reyna representando os romanos.
Thalia sorriu, e apertou Percy entre os braços, o desejando feliz aniversário. Aliás, uma coisa interessante entre os dois irmãos, eles tinham muita similaridades: A bravura, a lealdade, a força, eram líderes natos... Em contrapartida, tinham algumas diferenças gritantes.
Enquanto Jason tendia a ser mais educado, certinho, tinha cabelos platinados, não falava palavrão, Thalia era o caos. Cabelos desgrenhados, uma língua rápida e afiada demais, não media muito as palavras antes de dizê-las, tinha um jeito expansivo que chegava a ser até acolhedor às vezes.
— Quem diria, hein? Os filhos dos três grandes reunidos, e mais: Todos vivos. — Ela sorriu abertamente. — Ao menos eu acho, você tá respirando ainda, filho de Hades?
Jason deu uma risadinha a cotovelando de leve, e Nico apenas assentiu, levando os dedos a massagear o cenho. Certo, mais uma similaridade dos filhos de Zeus: Eles era um pouquinho idiotas, sempre. Devem ser os genes.
— É... Estamos todos vivos, e espero que isso dure por um tempo. — Percy disse. — E eu estava pensando em fazer um caça a bandeira como comemoração ao meu aniversário e a união de Romanos e Gregos.
Ouviu-se então o murmúrio geral no chalé, e Nico viu Jason e Thalia comemorando com vontade a notícia. O filho de Hades apenas rolou os olhos, claro, que modo melhor de comemorar o final de uma guerra, e a estabilidade de dois povos do que promover uma luta generalizada entre eles?
— Eu sei o que você está pensando, Nico. — Percy disse com um sorriso entre todo o barulho, fazendo todos se calarem. — Não é legal, e luta é ruim, e blá blá blá... Annabeth me disse a mesma coisa, mas eu acredito que às vezes algumas desavenças que ficaram possam ser resolvidas em uma briga de punho amigável.
Amigável, uma briga de punho amigável, mais um para o clube dos idiotas. Nico levou a mão ao próprio rosto em um tapa audível, ele buscou Annabeth com os olhos, e ela deu de ombros como se já tivesse tido aquela discussão. Ele procurou Piper, a garota sempre tinha um discurso de paz e amor, e quando os olhares se encontraram ela suspirou, derrota. Hazel fazia carinho em seu braço, com um olhar resignado; e sabe-se lá por quais motivos, ele olhou para Thalia, e ela estava com um olhar do tipo: “Cara, essa briga vai ser das boas”.
Então ele deu de ombros, um senador só no senado inteiro não consegue fazer nada.
— Então... Como vamos separar os times? — Perguntou Jason, claramente empolgado.
— Estava pensando em ser Ares/Marte vermelho, aí os filhos de Hephaestion, tanto romanos como gregos de azul e assim vai. Desse modo não desagregamos os acampamentos, mas não sei como vamos separar... Sabe, a gente, filhos dos três.
Nico franziu o cenho. — Hazel, você vai jogar? — Ela negou. — Então, ficam dois para cada lado.
Todos na mesa voltaram seu olhar a ele. — Você vai jogar, Nico? — Perguntou com cautela Annabeth.
— Não posso? Me chamaram aqui para que, então? — Respondeu irritado.
— Não... É que você nunca joga. — O filho de Poseidon sorriu. — Parece que vai ser divertido dessa vez.
Thalia bateu na mesa. — Você é meu alvo, Di Angelo. — Ela disse batendo nas costas dele.
Ele suspirou. Seu sangue devia ter algo que atraía os Grace. — Como queira, Thalia.
— Vou acabar com todo mundo. — Ela disse sorrindo. — Prometo que não o machucarei muito, irmãozinho.
xXx
— Sua irmã parece bem obstinada, não? — Nico murmurou. — Fiz algo de errado?
Jason riu. — Não, ela só está te testando.
Nico fez uma careta. — E por quê?
— Você é o semideus mais desconhecido, entre os três grandes, sabe? — O loiro passou um braço pelos ombros do menor, enquanto andavam. — Você tem conhecimento, poderes únicos e sempre tem uma carta na manga, é normal que ela queira te testar.
— Ótimo, agora vou ter que levar raios porque ela me acha intrigante.
— Não é só isso. — Ele riu. — Eu contei da gente para ela, acho que é por isso que ela quer te testar.
— Contou? — Perguntou com um sorriso, e viu um assentir rápido de cabeça. — Ah, deveria ter falado que quem cozinha sou eu, assim ela nem precisaria me testar para mais nada.
— Devia ter falando de como você descongela lasanha congelada: É uma técnica tão primorosa que não há quem não tenha inveja. — Disse e recebeu uma dolorosa cutucada na cintura. —Estou brincando, mas eu contei que você é meu Praetor, agora.
Nico suspirou, as bochechas se pintando de vermelho. — Deveria ter dito que você fica lindo corando, também. Acho que ela ia gostar de você na hora.
— Calado, Grace. Ainda não te perdoei. — Jason franziu o cenho em uma pergunta muda. — Por ficar dando bola para as crias de Afrodite.
— Mas eu...
— Ficou sim, que eu vi.
— Nico, não...
— Calado.
Nico sentiu o braço ser puxado para dentro da área com árvores, braços conhecidos circularam sua cintura com uma facilidade conquistada com o tempo. Os corpos prensados fez até a batida contra o tronco da árvore se tornar aconchegante, e Jason beijou seu pescoço.
— Jason, alguém pode ver. — Disse, fingindo estar relutando quando os braços pendiam inertes ao lado do corpo.
Os lábios subiram até os seus, e os cabelos loiros que agora estavam mais longos fizeram cócegas em suas bochechas.
— Can you taste this? — Jason perguntou, sorrindo canalha quando se separaram.
Como dito antes: Mel. Nico sentiu o rosto arder enquanto apertava a camiseta — De extremo mal gosto, vale ressaltar — do loiro. Se sentiu culpado por ter zombado de Leo, enquanto ele próprio mal conseguia ficar com a boca fechada e sem babar perto do filho de Júpiter.
E murmurou com um sorriso constrangido — Quente aqui, né?
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