Sonhos

11 Back To Black


Notas iniciais
MIL DESCULPAS, céus, desculpem pelo atraso, sério. Mas eu explico melhor nas notas finais. Capítulo oficialmente inspirado na música Back to Black, mas eu me inspirei de verdade no trecho: "Life is like a pipe, and I'm a tiny penny rolling up the walls inside".

Nico pensara sobre o que Jason dissera durante todo o resto de noite.

Depois de alguns beijos, ambos ficaram lá, olhando o céu. Ou foi o que Nico fingiu, ao menos. Porque, deuses, ele não tinha interesse nenhum em ficar olhando céus. De repente, seus olhos se focavam em constelações específicas, como a de Zoe, e ele lembrava-se de Bianca; devido a isso, quase nunca levantava a cabeça e visualizava os cosmos.

Então... Enquanto Jason olhava os céus, ele se perdera nos próprios pensamentos.

O cabeça de vento lhe falara um monte de coisas que gostaria de fazer, que ambicionava fazer. Sorrir, bem, Nico poderia ajudar nisso, certo? Jason sorria muito perto dele, chegava até a irritar, talvez eles devessem criar uma restrição para isso... Uma espécie de cotas de sorrisos.

Tá... Não. Nico gostava daqueles sorrisos, apesar de tudo; e mesmo que às vezes o deixassem constrangido, ele não podia deixar de se sentir mais quente quando aqueles lábios se curvavam.

Voar, não. Não. Só não, okay?

E, por que aquelas séries? Há tantas séries boas, por que Jason tinha sempre de gostar das mais clichês só porque tinham uma quantidade absurda de explosão ou ação? Por que Jason não podia se satisfazer com diálogos bem construídos e roteiros um pouquinho mais complexos? Ele não estava pedindo pro loiro ler Kafka ou Proust, mas um pouquinho de Dr. House não faz mal a ninguém, certo?

Mas era assim que Jason era, e às vezes ele teria que assistir aquelas séries. E era bom que assistisse junto ao outro, mesmo. O loiro gostava de comer enquanto assistia, não interessava o que, e a última vez que ele tivera o ímpeto de preparar pipoca, Nico encontrara pipoca em toda a cozinha, menos na boca daquele idiota.

Além disso, Jason queria passar mais tempo com a irmã, e isso fez Nico suspirar. Infelizmente, não era uma coisa que ele poderia ajudar. Ele, claro, como mais ninguém, sabia como uma irmã pode fazer falta, mas ser uma caçadora fora uma escolha de Thalia, e o loiro teria que suportar essa restrição pela irmã mais velha.

No entanto, sobre conhecer mais sobre o passado dele, Nico poderia ajudar. Mas não hoje, ele teria que pedir permissão a Hades, e não acreditava que o pai fosse permitir tão facilmente.

Nico abraçou Jason pela cintura, ambos ainda no meio dos campos de morango. Inspirou o cheiro único de Jason, enquanto deixava aquele calor todo o envolver. E dormiu, se esquecendo de que alguém, eventualmente, os encontraria ali.

xXx

Nunca se sentira tão envergonhado ao acordar antes.

Fora tirado do mundo dos sonhos por Piper, a filha de Afrodite os prevenira de levar uma bronca de Percy e Annabeth por estarem fora do Chalé, e sozinhos, sendo que eram namorados...

Certo que ninguém era bobo a ponto de achar que os dois eram santos, ou sei lá, caçadores de Ártemis. Nico não nascera para o celibato, toda vez que ele via Jason sem camisa tinha certeza disso.

Mas era expressamente proibido a presença de apenas dois semideus em chalés, sozinhos... E ambos já tinham desobedecido a regra de modo explosivo. Dionísio, certa vez, já os alertara disso.

Receberam uma garrafa de vinho com um pouco de dinheiro, e uma nota escrita: “Para uma noite ardente. P.S: Usem o dinheiro em um quarto com isolamento acústico”.

Pensando nisso agora, fora um gesto muito bonito e delicado do deus... Levando em conta que era Dionísio, ele poderia muito bem abrir as portas do chalé e os flagrar com a mão... Bem, não na massa. Mas vocês pegaram a ideia.

Eles estavam abraçados quando Piper os encontrou, e ele poderia jurar que vira um leve rubor no rosto dela. Agradecera, o rosto mais vermelho que as chamas que Leo fazia com as mãos, e puxara o loiro para o chalé de Zeus. O loiro estava tão sonolento, que parecia um zumbi, e quando deitara na cama voltara a seu estado de sono-quase-morto.

Quando dera a hora do café da manhã, Jason ainda dormia feito uma pedra. Ele então decidiu por ir comer sozinho, e se sentiu repentinamente estranho. Céus, ele tinha desaprendido a ficar sozinho. Sentiu um peso em seu ombro, e sorriu pensando ser Jason.

— Ah, Percy. — Disse meio decepcionado.

— Desculpa, te assustei? É tão raro ver você sozinho agora, que precisei conferir. — Nico rolou os olhos. — Vai dizer que é mentira?

O filho de Hades deu de ombros. — Acho que não, mas vocês sempre exageram demais.

Percy riu levemente. — É nossa natureza, afinal. Mas sabe, eu fico aliviado que você esteja com ele. Você parece mais feliz.

Nico pensou levemente se devia responder aquilo ou não. — É porque estou.

O outro sorriu, enquanto ele continuava a andar, fingindo não prestar atenção no sorriso dele.

— E onde está ele, em falar nisso?

— Dormindo, está cansado. — Respondeu sem prestar muita atenção, apenas sorrindo ao imaginar o ataque de ciúmes do filho de Júpiter se o visse andando com Percy.

Ele ouviu o outro assobiar. — Poxa, então a noite foi boa.

Nico começou a corar, enquanto o riso do filho de Poseidon aumentava. — Percy, eu vou fingir que você nunca disse isso, e você que nunca ousou dizer, ouviu? — Ele viu o outro assentir com um sorriso. — Então... Eu e Jason estamos pensando em nos mudar para New York, talvez você saiba de lugares para alugar.

Os olhos de Percy pareceram brilhar. — Claro, e se vocês quiserem, podem ficar com Sally e eu por enquanto.

Ele nunca poderia dizer o quão absurdo aquilo era para ele.

Céus, Jason e Percy, ainda que amigos, não conseguiam ficar por muito tempo juntos, rolava um sentimento de rivalidade muito forte. Nico não dava uma semana, para que os dois começassem a andar pelados por aí, com suas coisas balançado, procurando demarcar território.

Não, ele não precisava disso.

— Hum... Não. Nós temos onde ficar, enquanto isso... Só queremos um lugar mesmo.

— Ah, então tá... Para falar a verdade, acho que Annabeth ajudaria melhor, afinal ela será uma arquiteta. — Percy disse aquilo com um orgulho, que Nico quase pensou que estivesse falando dele mesmo.

E achou bem fofo, para dizer a verdade. Os dois se mereciam, tinham passado por muita coisas juntos. O tártaro é, ironicamente, a maior prova de amor para os dois. Estavam chegando no refeitório já, e antes de Nico entrar, ele encarou o outro.

— Só não diga a ele que eu te pedi isso.

— Ah... Uma surpresa?

Não. Ele só não queria Jason com aquele olhar de ciúmes extremamente possessivo.

— É, isso aí. Não conte.

Ambos se despediram, e Nico achou engraçado que fosse tudo tão natural. Ele não iria dizer que não sentia nada por Percy, mas não era a paixão que tinha. Era um carinho, amizade... E talvez algo mais, porque Percy era muito bonito.

Mas não mais que Jason.

A vida era uma coisa muito engraçada, mesmo. Há um tempo, ele acharia que não suportaria ficar tão perto de Percy assim, e agora lá estava ele.

Tá, a vida nem engraçada era, é estranha, mesmo. Ele nunca tivera muito o que fazer, a maioria das coisas importantes que lhe aconteceram não foram suas escolhas. A ida dos Di Angelo aos Estados Unidos, a morte da mãe pela ira de Zeus, a morte da Bianca, sua irmã, também por intriga entre deuses.

Ele perdera gerações, dentro de um maldito lugar que o sugou da sua época para colocá-lo no mundo 70 anos depois. E pior, por causa do próprio pai.

E ele agradeceria inúmeras vezes por isso, porque foi assim que encontrara Jason. Houveram mortes e tristezas, mas os anos trilham caminhos problemáticos, as vezes.

— Life is like a pipe, and I’m a tiny penny rolling up the walls inside. — Murmurou, se lembrando da música.

Ele comeu sem se importar com os olhares sobre si, e quando voltara para o chalé, Jason o esperava, olhando para o nada, os cabelos tão desgrenhados quanto nunca.

— Nico... Como viemos parar aqui? — Jason questionou.

— Bem, primeiro Júpiter, seu pai, plantou uma sementinha na barriga da sua mãe. — Ele parou quando um travesseiro veio voando em sua direção, escolhendo ser objetivo. — Sua ex nos salvou de uma humilhação pública nos campos de morango.

— Isso explica esse cheiro de iogurte...

Nico sorriu, Jason tinha um semblante tão perdido e sonso, que parecia ter bebido demais. E de novo.

— Talvez você devesse se pentear, tá parecendo o vocalista do The Cure.

O loiro se jogou de novo na cama, sem se importar nem um pouco com o cabelo. O filho de Hades se aproximou, deitando-se junto com o outro.

— Eu estava pensando, ontem foi um dia incrível, obrigado por ele, Nico... — Jason começou, mordeu o lábio inferior em dúvida. — E eu acho que falei besteira, né?

Nico franziu o cenho. — Falou?

— Tudo bem se não quiser assistir aquelas séries comigo.

O moreno riu, por um momento tinha pensado que era algo sério.

— Nada quanto a irmos morar junto, em alguma cidade?

Jason pareceu confuso e decepcionado. — Você não quer? Eu pensei que...

— Não! Eu quero, você parte de um ótimo momento para mim. — Era constrangedor, mas ele precisava fazer o outro saber disso. — E quero que continue assim.

O loiro pareceu genuinamente feliz, aquele sorriso de um quase maníaco, junto com o cabelo de Einstein não privilegiava os atributos de Jason, mas o moreno o achou lindo daquele jeito, mesmo.

— Podemos ter um cachorro?

— Não, você já dá trabalho demais.

— Ahh, qual é? É só um cachorro.

— Devia ter colocado na lista de ontem...

Nico o observou tentando convencer-lhe, e riu da sua obstinação.

Ele não se importava em ser um penny, e sabia que nenhum semideus se dera bem desafiando os deuses, mas dessa vez ele se negava a permitir que os deuses interferissem entre os dois.

— Um gatinho?

Notas finais
Então, desculpe por não postar ontem. Não tava no clima, até tentei escrever, mas achei que ficou ruim. E eu tenho alguns capítulos que eu acho que são meio ruins, mas que até passam, e eu posto. Esse é um deles, mas que são no mínimo aceitáveis. O de hoje, eu tô escrevendo, posto ainda hoje. Bem, o trecho em inglês significa: A vida é como um cano, e eu sou uma moedinha caindo/rodando por dentro dele. Mais ou menos isso aê. Espero que tenham gostado, se tiver algum erro, me avisem por favor.