Notas iniciais
Leiam de novo, editei e inclui algumas partes. Obrigado

Ele estava me olhando desde o começo da tarde. Já era a ultima aula e, como de costume, o sino que tocava indicando o final da aula demorou mais uns minutos para ecoar em toda a escola típica canadense. Todos arrumavam suas coisas, apressados, para poder ir para suas casas, ou simplesmente sair com os amigos e esquecer que tinham aula no dia seguinte. O garoto que me olhava se chama Maximillian, ou Max. Não tinha como não acha-lo bonito, até os garotos o admiravam. Não sei como ainda me controlava ao ver ele me olhando fixamente durante todos os dias no recreio.

Dois dias se passaram e ele continuava a fazer o mesmo, encarar. Não posso negar que eu gostava daquilo, mas já estava meio estranho, e as outras pessoas começaram a notar o comportamento estranho dele. No dia seguinte ele não me encarou durante o dia inteiro, mas quando o sinal, bem parecido com uma sirene, soava pelos corredores vazios da Vancity School que se enchiam com o tempo, ele veio conversar comigo

— Oi, cara. Como é seu nome? — perguntou

— Meu nome é Alexander, prazer – falei, ficando com mais vergonha a cada palavra dita

— Alex, prazer. O meu é Maximillian. Mas pode me chamar de Max, que é bem mais fácil – ele disse, educadamente – Eu vi você indo sozinho pra casa, não tem nenhum amigo pra te acompanhar?

— Não, Max. Nenhum amigo meu vai por aquele caminho, por quê?

— Ah, bem, sabe... eu poderia te acompanhar – ele disse, ficando vermelho logo em seguida

— Mas eu não vou estar te incomodando? – perguntei. A vergonha na minha voz era tão perceptível que eu fiquei espantado

— Não, não vai me incomodar em nada. – Ele disse, com um sorriso de orelha a orelha.

Ele me acompanhou até em casa. Fomos conversando e observando o pôr do sol no horizonte, tentando distinguir aquela cor de um amarelo queimado e um laranja abóbora. Conversamos bastante e, depois que as gargalhadas da ultima palhaçada que ele fez terminaram, tínhamos chegado ao nosso destino. Pela expressão de sua face, dava para perceber que ele não queria que esta caminhada longa, mas interessante, terminasse.

— Max, eu gostei muito da nossa conversa. Se você quiser, bom, pode me acompanhar mais vezes – comentei.

- Pode ser – ele respondeu entusiasmado

Despedimos-nos com um aperto de mão, mas não parou por ai. Ele puxou o meu braço, abraçando-me. Logo depois eu entrei no hall do prédio.

Chegando no 19º andar, andei até a grande porta marrom, comparada com as outras que as envoltavam. Com dificuldade consegui pegar a chave que estava no bolso de trás da mochila e abri a porta. Ao entrar joguei a mochila no chão do lado de uma mesa, relembrando aquele abraço quente que o menino considerado mais bonito da escola toda tinha me tinha dado. Tirei a minha jaqueta, jogando-a em um lugar qualquer daquela sala. De lá de dentro ouvia-se uma voz que aumentava com o passar dos segundos. Era Joseph, dando uma de faxineira, fingindo que arrumava as coisas. Ele estava puxando um aspirador de pó quando começou a falar comigo.

— Boa noite, senhor Alexander Currie. Posso saber onde você estava nessas horas?!

— Joseph, são 8 horas da noite e eu não te devo explicação nenhuma. Já sai da casa dos meus pais por eles tentarem me controlar, e agora você? Com licença.

Dei-lhe um beijo na bochecha e, pegando o maço de cigarros da mesa do lado da porta de entrada e o isqueiro de cima da mesa de centro da sala de estar, fui à direção da sacada, e vi Ryan sentado lá fora. Abri a porta de vidro embaçado, por causa do choque entre o vento frio de lá de fora e o ar quente de dentro do apartamento.

— Boa noite, Ryan. — disse em voz baixa, mas ele conseguiu escutar

— Boa noite, Alex. — ele respondeu no mesmo tom de voz. Apesar de tudo, Ryan era um garoto calmo em qualquer situação. — Bonita a vista desde este andar, não é?

— É mesmo. — falei, puxando uma cadeira para me sentar, e tirando um cigarro do maço, acendendo-o.

— Uma aranha, uma aranha! — Joseph saiu na sacada gritando, quando Ryan o pegou e colocou-o em seu colo

— E ai Alex, como foi o seu dia?

- Foi bem... interessante, Ryan.

— Quem é aquele garoto que te acompanhou hoje?

Com um sorriso, soprei a fumaça do cigarro, e contei tudo o que tinha acontecido no dia.

— Vou tomar banho, alguém quer ir? – perguntei, depois de terminar

— Vamos Ryan? — Joseph perguntou ao seu companheiro

— Vamos! — Disse Ryan, pegando Joseph no colo, levando-o até o banheiro.

Todos tiraram suas roupas, e entramos na banheira redonda. Cada um ajudou o outro a ensaboar-se e lavar-se.

Depois do banho, eu e Joseph fomos vestir o pijama de frio, enquanto o Ryan foi fazer cappuccino. Tomamos o cappuccino e depois fomos dormir todos juntos no quarto do Ryan. Ryan era o mais ativo ali, então ele abraçava nós dois. Ryan, o mais velho, com 27 anos e faz aniversário no dia 17 de Março, Joseph tem 21 anos e faz aniversário dia 3 de Junho e eu tenho 18 e faço aniversário no dia 21 de Agosto.

Após uma grande noite de sono e uma manhã cansativa, pois eu tive que arrumar a bagunça que Joseph tinha feito na noite passada fingindo ser faxineira, fui para a escola. Eu passei o recreio inteiro daquele dia conversando com Max, e conclui que ele não era intolerável e egocêntrico, como os boatos entre os menos populares da escola diziam. Ele era inteligente, informado sobre qualquer assunto. Depois de andar muito pela escola, tocou o sinal que indicava o final do recreio e todos foram para as suas salas. Quando as aulas daquele dia terminaram, eu estava saindo quando escutei alguém

— Max! Festa da Samantha hoje. Pegar geral, cara.

Ele não escutou, ou simplesmente fez como se não tivesse escutado, e foi em minha direção, com um sorriso estampado em seu rosto.

- Vamos, Alex. Quero te mostrar um caminho diferente do de ontem.

Notas finais
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