Notas iniciais
Não tenho idéia de nome pra este capitulo, então vai ficar assim mesmo. Divirtam-se

Já eram sete horas e andávamos debaixo da luz da lua, no meio do parque da cidade. A cidade, apesar de estar no Canadá, era pequena comparada com outras cidades que a envoltava. Max, como sempre, estava contando piadas e nós dois estávamos rindo. Minhas bochechas já estavam doendo. Depois de um tempo dando voltas por aquele imenso parque, que nem estava no caminho da minha casa, ele começou a andar mais devagar, percebendo que eu já estava cansado, e então surgiu um assunto inesperado

— Alex, você beijaria um garoto? – ele disse. Não dava pra diferenciar se ele estava falando sério, ou estava apenas brincando

— Eu não – disse, mas depois disso eu dei uma risadinha baixa, pensando em todos os garotos que eu já tinha ficado

— Eu sei que você ficaria – nós dois rimos – Mas o seu segredo esta a salvo comigo.

Quando acabamos de rir, ele pegou a minha mochila e a carregou pelo parque enquanto estávamos comprando um sorvete. Sim, eu sei que é estranho tomar sorvete em uma noite de inverno, mas é a melhor coisa a fazer quando você não tem mais assuntos que conversar com alguém. Ele pagou o sorvete, pegou a minha mochila, e eu continuei andando. Ele sentou em um banco de madeira lá atrás, e quando eu vi, tive que dar meia volta e ir atrás dele.

— Ei, Max, porque você parou – eu disse, virando-o — Max, não! Não mexe na minha mochila!

— Calma, Alex, é só uma mochila. Vejamos: Estojo, livro de química, de história, o seu caderno... E este caderno é de que? – ele acrescentou

— Max, esse caderno... erm, é meu sabe? Ninguém, nunca viu o que tem nele.

— Que bom, então. Eu vou ser o primeiro – ele disse com um tom de vitória, começando a folhear

— MAX, NÃO! – eu gritei, e não estava nem ai se o casal que estava correndo no parque iria me olhar, ou se o cara que me vendeu um sorvete iria comentar com seu filho que aquilo era falta de educação.

— Uau, Alex. Você desenha bem, hein? Mas, me diz, porque só tem desenho de homens aqui?

Eu não consegui responder essa pergunta, mas eu tentei dizendo que eu não conseguia desenhar mulheres porque elas tinham mais detalhes, coisa que é mentira. Ele nem se deu o trabalho de fingir que tinha acreditado e começou a rir na minha cara da mentira que eu tinha acabado de falar, e ele estava totalmente certo em rir; aquela mentira, nem eu consegui acreditar.

Fomos até um lugar no parque que ninguém ia lá, coisa que eu não sabia até perceber que o homem que estava sozinho em um banco comentou em voz baixa que éramos as primeiras pessoas que ele viu entrando naquele lugar. O lugar era bem grande, mas era rodeado por árvores gigantes e infestado de gatos e ninguém gostava de ir pra lá com medo de pegar uma doença.

Coisa meio improvável, porque, quando você chegava perto de um dos gatos, ele miava e parecia que aquilo era o toque de recolher pra todos os outros. Então avistamos um balanço ali perto, e eu fui correndo. Sempre fui fascinado por balanços. Max veio atrás de mim, com um sorriso estampado no rosto, que logo foi desaparecendo a cada vez que ele ficava mais perto de mim. Ele chegou no outro balanço do meu lado, e ficou me observando enquanto eu ia de um lado pro outro.

- Alex, eu não agüento mais esconder o que eu penso e sinto – disse ele em um tom estranho – Eu...

— Fala Max – falei nervoso, tentando faze-lo falar de uma vez, parando de balançar;

Depois disso ele ficou vermelho. A luz da lua foi desaparecendo detrás de nuvens espessas e escuras e o vento soprava com força. Lembrei que a meteorologista disse que naquele dia havia 91% de chance de nevar, mas como ela nunca acertava nada, não acreditei no que ela afirmou. A neve branca começou a cair e então eu percebi que ela tinha acertado a previsão. Depois de um tempo que aqueles flocos brancos começaram a cair, ele murmurou algo. Eu não ouvi, então eu pedi para ele repetir mais rápido. E ele repetiu alto demais

— Eu gosto de você

Uma neblina começou a surgir, cobrindo toda a cidade. O silencio reinou naquela hora, mas depois de minutos um olhando pro outro, alguém tinha que quebrar aquele silencio e aquele alguém era eu. Confuso com a situação, disse a primeira coisa que veio em minha mente.

— Eu também gosto de você, Max

— Não, Alex, não. Eu não gosto de você como amigo, eu gosto mesmo de você.

Eu estava ofegante e o meu coração parecia ter parado. Comecei a pensar sobre o acontecido daquela noite. Não é qualquer noite que o cara mais bonito e procurado por todas as meninas da escola vira e fala que ele gosta de você. De você, um garoto. Então eu fiquei lá, do lado dele, sentindo aquela neve caindo no meu rosto e escorrendo nas minhas bochechas, que pareciam estar pegando fogo. Eu estava balançando mais alto que antes pra poder parar de sentir aquele sentimento que não conseguia distinguir.

O balanço estava quase dando uma volta, quando eu senti que algo estava me parando. Ao me virar para a direita, vi que Max estava com o braço estendido e a sua mão segurava o balanço com força. Max levantou de seu balanço, parou na minha frente e se abaixo, ficando na altura que eu estava. Ele ficou me encarando, e eu o encarei de volta. Aqueles olhos que era uma mistura de um verde com um azul, que formavam a cor perfeita. Ele começou a fechar os olhos, e ficar mais perto do meu rosto. E então os nossos lábios se encontraram e sua língua pedia espaço para entrar em minha boca. Ele apertava as minhas nádegas, enquanto eu acariciava seu cabelo macio.

Tive que dar um basta naquele beijo, pois eu tinha me esquecido que tinha que voltar pra casa antes das onze da noite, e já faltavam dez para às onze

- Max, eu tenho que ir – disse com pressa – desculpa.

- Alex, deixa eu te levar. Eu esqueci o meu carro aqui faz uns dias, vou ter que tirar ele daqui antes de amanhã, se não eles vão rebocar ele – acrescentou depois, tirando um bolo de chaves do bolso e procurando a de seu carro.

- Pode ser – concordei, com o rosto avermelhado

Fomos até o estacionamento do parque e avistei Max entrando em um carro preto. Parecia ser um carro caro. Ele corria e furava sinais, para poder chegar à minha casa antes das onze.

Finalmente avistei o meu prédio, avisando para o Max qual era para ele reduzir a velocidade.

- Alex, aquilo que aconteceu no parque...

- Max, fica calmo. Se você guardar o segredo que eu te contei hoje mais cedo, o seu segredo também estará a salvo comigo.

Fechei a porta do carro rápido, mas o Max saiu rapidíssimo, antes mesmo da porta trancar. Fiquei observando o carro até ele desaparecer no meio daquela neblina e neve que caia, e entrei no hall do prédio.

Notas finais
+ Reviews para eu poder melhorar, ou só elogiar, please !
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.