Notas iniciais
Espero que vocês gostem ;)

Myriah

Enquanto penteava os cabelos de Sansa, Myriah lhe contava sobre suas irmãs.

– Obara é a mais velha e também a mais forte das irmãs, gosta muito de sua lança, mas também é bastante habilidosa com a espada. Já a vi vencer dezenas de homens que se atreveram a desafiá-la. – Ela também tinha a raiva dos dorneses em seu peito, quando se irritava era difícil fazê-la voltar ao normal. – Nymeria é a segunda filha, ela é muito bonita, não conheço um só homem em Dorne que não a tenha desejado em sua cama, — o rubor na face de Sansa a divertiu, — as pessoas a chamam de Lady Nym.

– Nymeria era o nome da loba da minha irmã. – A garota deixou escapar. Myriah sorriu cortês, fazia três dias que estavam a bordo do navio princesa Elia e aquela era a primeira vez que a Stark mencionava a família.

– A princesa guerreira dos Roinares, eu adorava essa historia, assim como minha prima. – Os fios ruivos de Sansa caiam sedosos pela suas costas, Myriah então pegou uma fita dourada e começou a trançá-lo. – Onde parei? Ah sim, Nymeria, bem depois de Nymeria está Tyene, ela tem os cabelos loiros e os olhos azuis, tão bonita quanto Nym, é a mais cortês, gentil e delicada, — e também a mais venenosa, mas preferiu deixar essa informação apenas para si. – Tenho certeza que você vai gostar dela.

A melancolia de Sansa sumiu por alguns instantes.

– Sarella é a quarta filha, ela sempre foi a mais curiosa de todas e é capitã do seu próprio navio. – Sempre indo para onde não deve. – Ela não está em Dorne no momento então acho que pode demorar até que você a conheça. Eu sou a quinta filha como você já sabe, depois que minha mãe morreu meu pai juntou-se com Ellaria e com ela teve mais quatro meninas. A primeira foi Elia, seu nome é uma homenagem a minha tia, ela tem algo próximo a sua idade, gosta muito de cavalos e torneios, acho que se deixassem ela mesma iria participar de um, às vezes ela costuma voltar para casa cheirando a cavalo para o desgosto de Ellaria. – Sansa riu, — Obella é o contrario, é vaidosa e tem uma voz linda, vou pedir para que cante para você quando chegarmos a Lançassolar. Dorea e Loreza são as mais novas, Dorea costuma escalar arvores e às vezes até algumas ruínas, uma vez ela caiu enquanto eu a estava observando, foi um pequeno descuido, virei os olhos por um segundo e então ouvi seu grito, eu quase morri de preocupação.

Seu coração tinha batido tão rápido que ela pensou que ele iria rasgar seu peito e saltar para fora do corpo.

– Ela teve sorte de não se machucar. Bem, já Loreza é uma princesinha, mesmo com seus nove anos, vai achá-la muito parecia com você. – Sempre acreditando em canções, Myriah temia o dia em que sua doce irmã iria aprender a dura lição que todas as moças aprendem em algum momento da vida.

Ela terminou a trança e se afastou.

– O que acha?

– Muito obrigada.

– Sabe Sansa, eu amo demais a minha família e não importa que tipo de guerra, eu sempre luto pelos Martell, — a garota olhou para ela com um discreto sorriso, — muito em breve você também será uma Martell.

Ela continua pálida, mas parte de sua beleza já tinha voltado.

– Posso lhe fazer uma pergunta? – Myriah sorriu assentindo. – Onde está o senhor príncipe?

Vivo eu espero.

– Ele teve de resolver outras questões. – Parecia despreocupada ao responder, mas por dentro o medo queimava, seu desejo era que seu pai voltasse para Dorne onde ficaria seguro. Sua tola, se algo der errado nem ele e nem o resto da sua família estará segura. As chuvas de Castamere tocou na sua cabeça. – Acho melhor irmos comer, você tem que reaver suas forças.

Mais tarde, depois de jantarem, Sansa foi junto com Jynessa e Ellaria para o convés. As duas dornesas falavam sobre os lindos vestidos que Sansa receberia quando chegassem e a menina parecia animada. Myriah continuou sentada comendo outro pedaço de bolo. Não demorou muito para que Daemon ocupasse o lugar a sua frente. O bastardo sorriu para ela.

– Preocupada?

– Como eu não estaria?

– Você se preocupa demais Myriah.

Ela revirou os olhos e se levantou da mesa seguindo em direção das cabines. Daemon a seguiu.

– Seu pai vai estar bem. – Ele se colocou em sua frente e a faz parar. Seus olhos azuis ficaram escuros. – Eu mesmo o teria acompanhado se você não tivesse pedido por minha presença.

– Não fique ofendido Daemon, mas Killian sempre teve mais tato com diplomacia do que você. – O homem revirou os olhos e Myriah suspirou. Às vezes se perguntava se tinha mesmo feito certo. – Pensei que gostaria de voltar logo para Dorne. – Dessa vez ela falou suave, do mesmo jeito que sua irmã Tyene fazia quando queria algo.

– Eu protegeria o seu pai com a minha vida.

– Minha prima ficaria desolada se algo lhe acontecesse.

Myriah o contornou e seguiu a diante, mas logo sentiu a mão dele agarrar o seu braço. Daemon parecia genuinamente irritado, ele ainda é sensível a este assunto, seus olhos faiscavam e a boca torceu para baixo. Ela quase se retratou pelo o que tinha dito.

– Nós dois éramos crianças tolas quando aconteceu, quando você vai esquecer isso? – Ela sentiu as costas baterem na madeira e por alguns instantes seu rosto corou. – Eu não era bom o bastante para ter a mão dela. – Myriah sabia que aquilo não tinha sido uma comparação, mas o veneno nas suas palavras saiu do mesmo jeito.

– E o que faz pensar que é bom o bastante para mim?

Ela se arrependeu no instante em que viu o rosto dele se fechar. Agora Daemon não estava apenas irritado, aquilo que viu em seus olhos era a mais pura raiva. Ele girou o corpo e se retirou com passos duros.

Deuses, ela teria de lidar com aquilo mais tarde.

Entrou na sua cabine e deixou o corpo cair sobre a cama. O navio se movia conforme as ondas e Myriah começava a repensar tudo o que tinha acontecido. Seu pai iria junto com os Tyrell mudar o rumo da guerra, enterrar aqueles leões na cova mais funda dos sete reinos. Margaery será a rainha que tanto quer ser e na próxima geração os Martell também terão seu sangue na linhagem real, e se algo desse errado, bem, seria mais fácil para eles contornarem a situação. Ela não tinha pudor algum em tomar decisões difíceis caso isso fosse proteger aqueles com quem ela se importava.

Nos Martell reside sua lealdade e apenas neles. Não em Baratheon, Lannister, Stark ou muito menos naqueles Targaryen. Aqueles dragões que se achavam deuses, tudo o que trouxeram para Dorne foi sofrimento.

Retirou o vestido e pôs uma camisola de rendar de Myr, deitou-se na cama e antes de se entregar por completo a inconsciência, ela pensou uma ultima vez em Daemon.

Belle

Lena trançava os seus cabelos enquanto ela era obrigada a ouvir mais uma ladainha de Jane Lybber sobre qualquer coisa insignificante que tenha acontecido na Campina. Tudo o que Belle queria era informações de Porto Real, como estaria seu pequeno Tommen? E os seus irmãos? Tinha escrito uma longa carta para o irmão, nela detalhava todos os acontecimentos do seu tedioso – ainda que agradável – casamento. Falou sobre o belo vestido dourado que usou para ser levada ao Septo, sobre o grande banquete onde uma boa parte da Campina estava presente e ainda descreveu o quão gentil e educado tinha sido seu novo marido durante a festa, ela sabia que o irmão ficaria feliz em saber que era bem tratada. Evitou falar da consumação, dos velhos nojentos a carregando enquanto falavam obscenidades e de como ela pensou em Killian antes de se deitar e esperar pelo o marido. Willas foi delicado quando o momento chegou e se notou que ela não era virgem não fez comentários, a irmã dele também não é nenhuma virgem. No fim da carta ela citava o tio que tinha partido na manhã seguinte ao casamento.

Willas lhe prometeu que mandaria a carta, mas ultimamente Belle não estava acreditando muito na palavra dele. Seu marido era agradável, gentil e educado, tinha todas as qualidades que os homens lhe atribuíam, mas não eram todos os Tyrell assim? Margaery era como uma donzela saída de uma canção, seu irmão Loras o sonho de toda moça e Garlan era engraçado e divertido para quem gostava de piadas estúpidas – toda a corte de Porto Real –, todas essas qualidades expiravam confiança e admiração, mas não nela.

Belle podia ser uma Tyrell por casamento, mas o sangue que corria em suas veias era de leão. Uma Lannister não se encanta tão facilmente.

– Você está linda senhora. – A voz de Jane lhe dava dor de cabeça.

A garota colocou três colares a sua frente. Um era adornado de esmeraldas que formavam pequenas rosas, o segundo era um colar grosso de perolas brancas e o terceiro era de ouro com apenas uma rosa incrustada de diamantes. Onde estão minhas jóias? Perguntou-se. Aquelas peças tinham sido dadas como presentes de casamento pelos membros da Campina, onde está o broche das duas leoas que o meu pai me deu? E também havia o colar com um enorme rubi que foi presente de Tyrion e o bracelete em forma de leão da sua irmã.

O anel de ouro branco com os pequenos leões esculpidos de Tommen e o colar de ônix de Killian, todas essas jóias tinham vindo com ela e nenhuma delas foi posta para sua escolha.

Aquela não era a primeira vez. As aias que seu marido havia solicitado para ela nunca tocavam em seus vestidos vermelhos, sempre lhe induzindo a escolher outra cor, tentavam a todo custo fazer com que nenhum aspecto Lannister aparecesse. Se pudessem mudariam a cor dos meus olhos e pintariam o meu cabelo. Lena havia lhe dito que aquilo era coisa da cabeça dela.

– Por que eles iriam fazer isso? É normal uma senhora casada usar as cores da antiga casa, a rainha sempre usou o vermelho e ninguém nunca achou estranho, — Lena provavelmente estava certa.

Belle suspirou e escolheu o colar de perolas. Não seria hoje que uma rosa adornaria o seu pescoço.

Quando terminou de se arrumar, ela dispensou as duas meninas. Lena sorriu animada, estava apaixonada por um cavaleiro da Campina e Belle poderia apostar todo o ouro do Rochedo que a menina iria correr atrás dele, já Jane não pareceu muito satisfeita, entretanto não era estúpida de desafiar sua ordem.

Belle saiu sozinha pelos os corredores e estranhou o quão vazio o lugar estava. Todos os convidados do casamento já tinham se ido e os criados agora trabalhavam com calma e paciência. O aroma das flores perfumava o ar e ela se viu obrigada a admitir que a Fortaleza Vermelha não podia se comprar com aquele lugar.

O sol brilhava do lado de fora e o orvalho das folhas eram como pequenas pedrinhas preciosas. Andou por um dos jardins e então parou em uma grande varanda de onde podia ver o Vago. O grande rio corria calmo e ela imaginou como seria mergulhar os pés nele, tirar o vestido e cair em suas águas. Todos ficariam escandalizados, talvez algum bardo cantasse uma canção sobre ela. Risadas escaparam de seus lábios.

– Acho que essa é a primeira vez que a vejo ri. – Virou-se assustada e suas bochechas coraram fortemente ao notar o papel de tonta que havia feito. É só o seu marido. – Não queria assustá-la. – Willas disse preocupado.

– Eu estava distraída, — respondeu, — não o vi essa manhã.

– Algumas cartas chegaram e eu precisei me ausentar, mas eu trombei com Jane, ela disse que lhe fez companhia.

Belle conseguiu evitar rolar os olhos.

– Do que estava rindo antes? – Perguntou enquanto se apoiava no parapeito junto a ela. – O Vago não me parece engraçado.

– Pensei em mergulhar nele. – Ele arqueou as sobrancelhas.

– Suas roupas ficariam encharcadas.

– Em meus pensamentos eu não estava com minhas roupas, — respondeu sorrindo e assistiu com satisfação o rosto dele ganhar um tom avermelhado. – Acho que isso não seria apropriado para uma dama casada.

– Não acho que isso seria apropriado para nenhuma dama, — seu riso era genuíno, — uma vez Margaery tentou, ela não tinha mais que oito anos. Lembro como se fosse ontem, ela correu em direção do Vago e estava tentando se livrar do seu vestido quando Garlan a alcançou.

– O que o seu pai fez? – Perguntou curiosa.

– Ele explicou a minha irmã que não era de bom tom uma menina bem nascida fazer aquele tipo de coisa.

Ela riu e colocou a mão na frente dos lábios tentando conter-se.

– Deuses, o seu pai parece ser bastante compreensivo, o meu não seria tão bonzinho.

– Ela era só uma criança.

– Nenhum Lannister é novo demais para a perfeição, — voltou a olhar o Vago, desta vez com um olhar nostálgico, — claro que isso nunca me impediu de cometer minhas travessuras. Ainda bem que não temos um rio no Rochedo Casterly, eu estaria encrencada.

O vento soprou fazendo seus cabelos esvoaçarem e então ela fechou os olhos pensando na infância. As memórias foram interrompidas quando ela notou que a mão de Willas apertou a sua. O coração bateu um pouco mais rápido, não podia se comparar ao que ela sentia quando Killian a tocava, mas era um inicio, certo? Sua antiga Ama dizia que o amor duradouro era construído ao passar do tempo, pedra por pedra até formar uma muralha que nem a maior das tempestades poderia destruir. A paixão pode ser ardente como uma fogueira, mas não passa de uma cabana de palha que será destruída ao menor sinal de vento, ela tinha lhe dito. Talvez fosse verdade, talvez...

Quando ela abriu os olhos pensou em Killian. Ele estaria com outra mulher? Não o culparia, ela mesma deitava com Willas e ainda que negasse a si mesma não podia dizer que era desagradável.

– Com o tempo tudo fica mais fácil irmãzinha.

Esperava que as palavras de Tyrion fossem verdadeiras.

Seu marido aproximou o rosto e lhe deu um rápido beijo nos lábios, mas antes que ele se afastasse, Belle pegou o seu rosto com as duas mãos e aprofundou o contato. Agarrou os cabelos dele o puxando para mais perto enquanto sentia a cintura ser enlaçada. Suas bocas pareciam travar uma pequena batalha e ao se separarem ambos estavam ofegantes.

– Eu...

– Não venha me dizer que isso foi inapropriado.

– O septão não gostaria.

– Não poderia me importar menos com o que o septão gosta. – Deuses eu não deveria falar assim, como o farei se apaixonar? E se ele gostar de moças mais delicadas e discretas como Sansa? Para sua surpresa Willas riu.

– É sempre bom se manter nas graças do homem. – Ele se afastou ainda sorrindo e acariciou seu rosto uma ultima vez. – Devo ir, tenho alguns assuntos a tratar.

– Você anda ocupado desde o casamento.

– Alguns pequenos problemas, não se preocupe.

– Em breve sua irmã será a rainha do meu sobrinho e teremos um exercito forte o suficiente para vencer os traidores do trono, você devia ser preocupar menos Willas. – Falou sorrindo, mas esse mesmo sorriso morreu ao notar o breve nervosismo nos olhos dele. – Algo de errado Willas? Alguma noticia de Porto Real?

– Não há nada de novo de Porto Real, — ele beijou sua testa e se afastou um pouco mais, — não se preocupe Belle, não há nada a temer.

E então ele partiu.

Margaery com sua bondade, Loras com sua beleza, Garlan com os seus galanteios e Willas com a gentileza e a educação. Não importava se eram agradáveis; os Tyrell eram como rosas, suas pétalas eram belas e encantavam qualquer um que olhasse, mas por debaixo de suas folhas havia espinhos que salpicavam o pior dos venenos. Ela faria bem em não se esquecer daquilo.

Tyrion

Ele queria gargalhar quando ouviu o segundo grito de raiva da irmã. Não era uma surpresa a traição por parte dos Martell, mas os Tyrell lhe causaram estranheza. Haviam conseguido o noivado com Joffrey, Margaery seria rainha. Ela não precisa de Joff, irmão, ela só precisa de um rei, tinha dito Belle uma vez. Pensar na irmã mais nova trazia uma onda de preocupação. Ela estaria agora dividindo a cama com o herdeiro da Campina, provavelmente sem saber o que acontecia em Porto Real.

– MALDITOS, — Cersei jogou a jarra de vinho contra a parede. – Belle, temos de trazê-la de volta. – Sua irmã mais velha o olhou e pela a primeira vez a raiva em seus belos orbes verdes não era direcionada a ele.

– Boa sorte em tirá-la da Campina irmã, ela está casada com Willas e não há nada que possamos fazer sobre o assunto.

– Sempre existe um jeito anão, — a rainha bebeu o vinho do seu cálice, — e quanto a Willas... Nossa irmã fará uma bela viúva.

Cersei começou a delirar sobre planos de guerra e Tyrion revirou os olhos. Ela e o Rei eram os únicos confiantes em uma vitoria fácil. Ele não sabia o quão difícil era a situação, mas o seu pai ainda estava vivo e enquanto Tywin vivesse haveria esperança.

E se algo der errado preciso salvar o máximo de pessoas possível... Começou então a fazer uma pequena lista mental.

Myrcella e Belle estavam longe, no poder do inimigo, mas não seriam mortas, pelo menos não agora. Tommen estava ao seu alcance e Jaime ainda vivia até onde sabia... Que os Deuses nos ajudem.

Notas finais
Duvidas, sugestões, adivinhações, qualquer coisa? Comentários são apreciados. Beijos