Sonho de primavera
8 Capítulo 7
Notas iniciais
Robb
Lorde Tyrell se ajoelhou na sua frente e jurou lealdade a sua causa. Ele era um homem gorducho de grandes bochechas vermelhas, vinha fazendo todos os tipos de promessas e Robb ficava nervoso a cada palavra. Não é de graça, ele se lembrava todos os dias. Sabia bem que o homem queria colocar a filha na cama dele assim como Lorde Frey havia feito antes.
Sua mãe estava em pé ao seu lado, seu rosto era serio, mas havia uma centelha de esperança nos olhos azuis. O poderio da Campina era muito grande para ser ignorado. E também há os Martell. O tio de sua mãe tinha lhe alertado sobre a inimizade entre os Tyrell e os Martell, mas até o presente momento, eles não pareciam inimigos.
– Como prova de nossa boa vontade trouxemos alguns presentes para Vossa Graça. – Dois baús foram postos na sua frente e dentro deles havia ouro, jóias e tecidos. Lorde Mace sorriu fazendo as bochechas ficarem maiores ainda.
Seu tio, Edmund, sussurrou algo no ouvido de sua mãe que a vez sorrir minimamente.
– Meu rei, — começou a falar o Príncipe Oberyn Martell – vim aqui lhe jurar lealdade em nome da casa Martell, nossos homens e nosso território são seus.
Diferente de Mace, este não parecia querer bajular. Tinha ouvido bastante sobre o tal príncipe, historias que faziam arrepiar os pelos da sua nuca. É pai de nove filhas, sendo que apenas uma é legitima, roubou a noiva de pequeno Jon em um navio e a levou para Dorne, isso era só algumas das coisas que lhe contavam. Depois de tantas historias sua mãe havia perguntado alarmada se um homem como aquele era mesmo confiável.
– Se tem alguma coisa que você pode realmente confiar Cat é no ódio que aquele homem sente pelos Lannister.
O príncipe Oberyn se levantou e esperou por uma resposta.
– Senhor príncipe, farei a mesma pergunta que fiz a Lorde Mace, por que mudou de lado?
– Nunca estive com aqueles leões meu rei, minha família fingiu apoiá-los por que não queriam entrar em uma guerra no momento, mas agora, as coisas mudaram. – O conhecido sorriso de víbora nasceu nos seus lábios.
Sua mãe se mexeu inquieta ao seu lado, ela queria saber das meninas.
– Vocês estiveram na Fortaleza Vermelha, eu gostaria de saber se tem noticias de minhas irmãs.
– Ouvimos historias meu rei, — Lorde Mace começou, — as mais revoltantes. Lady Sansa era tratada sem qualquer tipo de cuidado e o bastardo que senta no trono a batia todas as vezes que vosso exercito ganhava em campo. Ela fugiu antes que viéssemos, estavam para casá-la com Tyrion Lannister.
– Não se preocupe senhora, ela está a caminho de Dorne, não há em Westeros lugar mais seguro. Meu irmão irá tratá-la bem e minha filha Myriah, lhe fará companhia.
– E Arya?
– Ela não foi vista nem mencionada minha senhora.
Uma conhecida dor apunhalou sua cabeça. Quando isso iria finalmente acabar? No momento em que a guerra começou, ele só queria libertar o norte das mãos daqueles leões, se fosse para reinar alguma coisa seriam as terras geladas, mas então aquela carta veio e todos o convenceram de que jamais o deixariam reinar o norte sozinho, deve conquistar o trono de ferro meu rei.
– Vossa Graça, minha filha anseia por conhecê-lo.
E a dor de cabeça aumentou. Pensou na primeira esposa, uma garota Frey que não tinha uma beleza digna de nota, mas também não era tão feia quando o pai. Havia lhe dado apenas uma filha antes de morrer, sua até então herdeira, Sierra. Nunca amou a esposa, mas também não teve tempo para construir algo como seus pais tinham. Agora estava prestes a ser entregue na mão de outra.
Lorde Mace andou pomposo até a entrada do grande salão e saiu. Enquanto esperava, Robb observou os dorneses, alem do príncipe Oberyn havia outro rapaz, ele era alto e ruivo, até parecia Tully. Ele não tinha dito nada desde que entrou e parecia um tanto distante.
Voltou a prestar atenção na entrada quando a voz de Lorde Mace lhe encheu os ouvidos. De um lado estava uma mulher baixinha e bem idosa que sorria formando mais rugas em seu rosto; por um momento de loucura ele imaginou que aquela fosse sua noiva. Mas então ele olhou para o outro lado e notou a jovem mais bonita que ele tinha visto em toda sua vida. Ela vestia um vestido simples da cor da grama e os cabelos castanhos caiam em forma de cachos pelos seus ombros. Uma coroa de rosas douradas adornava sua cabeça e os olhos de corça o analisavam com curiosidade.
– Esta é minha filha, Lady Margaery, a moça mais bonita de toda a Campina. – A menina se curvou respeitosamente e sorriu fazendo o seu coração acelerar.
– É um prazer conhecê-la Lady Margaery.
– O prazer é todo meu Vossa graça. – Sua voz era suave e doce, exatamente como ele pensou que seria.
Estou perdido.
Sansa
Jynessa era uma garota divertida e sempre lhe contava historias que a fazia corar, Sansa gostava de passar o tempo com ela e ouvir mais sobre o seu novo lar, entretanto, Myriah ainda era sua favorita. A Martell sempre que podia lhe contava um pouco sobre a família e pelo o sorriso que ganhava os seus lábios quando ela o fazia, Sansa podia afirmar que ela os amava profundamente. Na sua ultima manhã no navio a dornesa contava sobre Quentyn Martell.
– Ele foi mandado para Poleferro ainda jovem por causa de um pequeno desentendimento entre as famílias. Foi um momento particularmente difícil para todo mundo, especialmente para o meu tio. Eu sempre o visitei o máximo que pude.
– Ele se parece com o vosso pai?
Myriah riu por alguns instantes.
– Ele é serio e dificilmente sorrir, mas é um rapaz sensível e descente. Em relação à aparência, ele se parece com um Martell, um pouco mais alto que você e tem os olhos e cabelos escuros.
– Ele sabe sobre o casamento? – e se ele não gostar de mim? E se tiver o gosto para amantes como o tio? Ellaria não sentia ciúmes, na verdade até se divertia junto, mas Sansa não era assim.
– Imagino que meu tio deve ter contado; aposto que ele já está em Dorne lhe esperando, — como prevendo os seus medos, Myriah complementou, — não se preocupe, Quentyn vai ficar encantado por você, quem não ficaria?
Algumas horas depois avistaram o Porto de Lançassolar. O sol estava quente e o seu vestido, emprestado de Jynessa, não escondia muita pele, mas ajudava a agüentar o calor. Seus cabelos ruivos estavam presos em um coque e com um bonito leque Sansa tentava afastar o suor.
Quando o barco finalmente parou e eles puderam descer, ela segurava a mão de Myriah com força enquanto observava os Martell que os esperavam. Ellaria foi a primeira a pisar no chão, mal fez isso e foi logo abraçada por duas meninas, Dorea e Loreza, se ela estava mesmo lembrada. Uma delas tinha uma confusão de cachos adornando a cabeça enquanto a outra tinha os fios lisos e comportados.
Ela desceu e uma moça morena de lindos cabelos escuros se aproximou.
– Sou Arianne Martell, princesa herdeira de Dorne, seja bem vinda. – Ela a abraçou calorosamente e então se voltou a Myriah, — fico feliz que tenha voltado prima, Lançassolar não é a mesma sem a sua presença. – As duas riram e se abraçaram.
– Sei bem que gostou de viver um tempinho sem meus sermões Arianne, — ela soltou sua mão e sorriu quando uma das meninas que abraçou Ellaria correu até ela, — mas olha esta princesinha, como está você querida?
– Muito bem.
– Sansa, esta é Loreza. – A garotinha a olhou com seus grandes olhos marrons e sorriu com graça e curvou-se como uma verdadeira dama faria. – As outras são Obara, Tyene, Nymeria, Elia, Obella e Dorea, — disse enquanto lhe direcionava cada uma.
– Como ela é bonita, — disse Tyene que usava os cabelos loiros soltos, — Quentyn vai adorá-la.
– Falando no meu primo, onde está ele?
– Nosso tio o chamou para uma conversa, ele lamenta não poder vir buscar sua adorável noiva. – Nymeria disse e Sansa observou que Myriah estava mais que certa em sua descrição, aquela mulher era muito bonita. – Vamos senhora, nosso primo está muito ansioso por conhecê-la.
Algumas carruagens e cavalos a esperavam, Ellaria entrou junto com três das filhas em uma e ela entrou em outra junto com Myriah, Arianne, Nymeria e Tyene. No caminho, as mulheres contavam a Myriah sobre o que tinha acontecido em Lançassolar, Sansa apenas ouviu calada pensando em como seria seu noivo.
Quando enfim passaram pelo portão, ela foi guiada para a torre do sol onde se encontrava os assentos dos governantes de Dorne. Lá era cheio de vitrais e os cadeirões, um com uma flecha e o outro com um sol, lhe encheram a vista. Sentado em um dos cadeirões estava um homem mais velho que olhava para um rapaz ajoelhado na sua frente.
– Levante-se Quentyn, eles chegaram.
Seu coração deu pulos ao ouvir aquilo.
– Meu amado pai e meu querido irmão, eu lhes apresento Sansa Stark, — Arianne a tomou pelo o braço e a conduziu até mais perto. Quentyn continuava de costas e a curiosidade queimava dentro dela. – Sansa, este é meu pai, o príncipe de Lançassolar e de Dorne, Doran Nymerios Martell. – Sansa curvou-se respeitosamente sem conseguir proferir nenhuma palavra. – E este é meu irmão, Quentyn.
E o rapaz virou-se para olhar-la. Ele não tinha uma beleza saída das canções como Sor Loras tinha, mas mesmo assim ele era bonito. Mais bonito do que Joffrey nunca foi, os cabelos castanhos eram curtos e os olhos sérios, parecidos com os de Myriah quando ela pensava em algo importante. Sansa deu o seu melhor sorriso.
– Um prazer conhecê-lo Sor.
– Igualmente Lady Sansa.
Não teve tempo de conversar com ele, rapidamente ela foi levada por duas das serpentes de areia e colocada em um quarto arejado que tinha uma bela vista para o mar. Lá havia vários baús com roupas novas e uma grande banheira com água fresca. Duas aias vieram lhe ajudar com o banho, uma era mais rechonchuda e se ocupou em esfregar seu cabelo, ela era falante e elogiava sua beleza sempre que podia. A outra era mirrada e tímida, esfregou seus pés, seus braços e suas costas enquanto cantarolava baixinho uma canção dornesa.
Depois as duas a secaram com duas toalhas brancas e a menina mais tímida trouxe um lindo vestido azul que tinha vários sóis dourados bordados na saia, as costas e os braços ficariam desnudos, mas com o calor que fazia naquela parte de Westeros, Sansa não se importaria. Com ajuda ela se vestiu e trançou parte do cabelo.
– Está muito bonita milady. – Uma das aias disse sorrindo.
– Obrigada.
Myriah bateu na sua porta momentos depois, ela vestia as cores dos Martell e trazia nas mãos uma bonita caixa de madeira escura. Sansa estava sentada no sofá enquanto comia uma tortinha de limão que uma das aias lhe trouxe.
– Está bem instalada querida? – Perguntou gentilmente.
– Sim, obrigada pelos vestidos.
– Arianne e Nymeria os escolheram, vão ficar felizes que você gostou. – A garota se aproximou e sentou-se ao seu lado. – Isto é para você. – Ela lhe deu a caixa e quando Sansa abriu viu um lindo colar de ouro com cinco sóis vermelhos que brilhavam ao menor sinal de luz.
– É lindo.
– Deixe eu lhe ajudar. – Ela colocou o colar em seu pescoço e depois apreciou o resultado. – Eu sabia que iria ficar perfeito.
Não conseguia parar de sorrir. Tudo estava perfeito, ela só esperava que seu casamento também o fosse.
Myriah
Assim que saiu do quarto de Sansa ela foi até os aposentos do tio. Ele estava sentado em sua cadeira de rodas observando a varanda, ao lado dele o fiel Areo Hotah segurava o seu marchado e quase sorriu ao vê-la entrar.
– Como está a garota? – A voz do seu tio era lenta e profunda, seus olhos castanhos carregaram uma grande tristeza e seus sorrisos nunca pareciam serem completamente alegres. – Ellaria me contou todas aquelas terríveis historias, espero que sejam exageradas.
– Eu temo que não tio.
– Pobre menina, ficar a mercê de uma família tão cruel. – Sentou-se na cadeira na frente do tio e suspirou. – Como está o seu pai?
– Ele foi com os Tyrell para a corte do Jovem Lobo, muito provavelmente aquelas rosas sairão de lá com uma rainha e milhares de homens para expurgar os leões de Porto Real. – Esperava que a junção de Campina e Norte fosse o suficiente para vencer os Lannister, não queria que sangue dornês fosse derramado.
Deuses como sou egoísta.
– O casamento entre Quentyn e Sansa deve ser feito o mais rápido possível, ouvi dizer que o manto de donzela já está pronto. – Não precisava ser uma cerimônia grande, os presentes em Lançassolar poderiam testemunhar e depois um pequeno banquete seria servido, — pedi que Nymeria e Tyene começassem a organizar, as duas começaram a discutir arranjos de flores, provavelmente terei de intervir antes que elas transformem isso em um baile de três dias.
– Você deveria conversar com Quentyn, — ela arqueou as sobrancelhas com aquele pedido, — ele parece estar nervoso com o casamento.
– Por que nervoso? Deuses, eu lidarei com isso tio, não se preocupe. — Como queria uma taça de vinho neste momento. – E sobre Myrcella e aquele cavaleiro dela?
– Ela é uma boa menina, foi mandada para os Jardins das águas e as ordens são de que ela não deve saber de nada do que acontece aqui. – Seu tio olhou para Areo e depois voltou os seus olhos para ela, — sobre o cavaleiro... – Seu tio suspirou e então Areo tomou a fala.
– O homem anda muito próximo da princesa, — ela já imaginava. No dia da chegada de Myrcella, Arianne tinha olhado para Sor Arys com um olhar que causou preocupação a Myriah.
Não costumava se meter nos romances das suas primas ou das suas irmãs e nem comentava seus hábitos de dividirem seus homens, não é como se eu nunca tivesse feito isso. Entretanto algo naquele possível romance a deixava inquieta.
– Arianne sabe se cuidar.
Homens bonitos sempre foram o fraco da princesa herdeira.
– Tudo vai ficar bem tio e eu sei que você tem afeição por Myrcella, pelo o que ouço desse Stark, ele não é um assassino de crianças.
Uma brisa fresca veio da varanda e fez seus cabelos ondularem e um pequeno sorriso surgiu nos seus lábios. Como ela tinha sentido falta disto.
– Vá vê suas irmãs, sei que está com saudades dela.
– Com sua licença. – Se levantou e saiu do quarto indo em direção do pátio.
Assim que pôs os pés do lado de fora ela viu Elia com seu vestido todo empoeirado e os cabelos assanhados pelo o vento. Sua irmã tinha preferido ir a cavalo do porto até o castelo ao invés de seguir na carruagem com sua mãe e em algum momento do trajeto acabou se afastando e só agora regressava.
– Eu lhe trouxe um lindo vestido de Porto Real.
Feito com sedas cor-de-rosa e com varias flores bordadas no busto. Sansa tinha amado o vestido quando ela o mostrou ainda no navio e Loreza quando o puxou do baú se deleitou alegando que quando crescesse queria ter um igual aquele. Elia se aproximou tentando limpar a poeira da saia com as mãos.
– Que tipo de vestido?
– Do tipo em que não se é aconselhável cavalgar, — o beiço da sua irmã foi adorável, — você vai gostar irmãzinha e sua mãe ficará muito orgulhosa quando o vi usando.
Elia suspirou.
– Vá tomar um banho, você não vai querer que sua mãe te pegue cheirando a cavalo.
Ela lhe deu um beijo na bochecha antes de sair correndo. Acabou trombando em Obella que lhe mostrou a língua irritada e ajeitou o vestido com medo de que ele amassasse. A segunda filha de Ellaria levantou o queixo e voltou a caminhar com o porte de uma rainha.
Obella tinha os cabelos mais escuros que Elia e eles sempre estavam escovados e perfumados, ela também adorava o punhal que Tyene tinha lhe dado aos sete anos, uma peça bonita que ela aprendia a usar com Nymeria. A garota andou em direção de outras duas meninas que soltaram risadinhas quando um cavaleiro passou. Myriah ainda as observava quando sentiu uma mão pousar no seu ombro.
– Irmãzinha. – Tyene tinha a voz doce e a pele perfumada, vestia-se como uma donzela inocente de alguma canção, mas seus olhos eram os mais venenosos. – O que está olhando?
– Nada demais.
– Eu imaginei que estivesse à procura de Daemon.
Sua respiração acelerou por alguns instantes e Tyene riu com sua reação.
– Por que eu procuraria por ele?
– Arianne foi falar com ele e recebeu nada mais do que palavras frias, — como uma serpente ela andou ao seu redor sem deixar o sorriso morrer, — ele nunca foi muito amável depois do terrível incidente com seu tio, mas mesmo assim, imagino que ele teve o coração despedaçado novamente?
– Deuses Tyene, por favor, não comece a fantasiar historias na sua cabeça.
Virou-se em direção dos estábulos, mas se arrependeu no mesmo momento. Daemon estava alisando um dos cavalos e levantou os olhos azuis em sua direção, o rapaz fechou a cara e saiu sem se importar se estava sendo rude ou não.
– Estou mesmo fantasiando? – Sua irmã passou a mão pelos seus cabelos como costumava fazer quando ela era apenas uma menininha, — você não quer dividi-lo, não é?
Ela aproximou os lábios do seu ouvido e sussurrou baixinho.
– Ele também não quer dividir você.
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