Sonho de primavera
9 Capítulo 8
Notas iniciais
Myriah
A menina beijou os seus lábios e se afastou aos risinhos. Todas as vezes que Sella a beijava furtivamente Myriah nunca sabia como agir. Sua aia era uma menina bonita e os rapazes sempre elogiavam seu sorriso, eram muitos os galanteios dirigidos a Sella, mas a menina nunca correspondia até o dia em que a própria Myriah depois de uma brincadeira de Nymeria resolveu provar um ponto de vista e falou aquilo que os meninos costumavam dizer a ela.
No final Nymeria estava certa.
– Eu já lhe disse que isso é inadequado. – Falou usando o mesmo tom que usava quando tinha de repreender uma das irmãs mais novas.
A porta, no outro extremo do quarto fez um barulho e só então Myriah notou que ela estava entreaberta. Deuses, alguém pode ver, ela foi até a porta e a fechou.
– Se a senhora não gostasse teria me empurrado. – A menina sorriu e andou até a sua cama, — que vestido devo pegar?
Myriah sentou no sofá e arqueou as sobrancelhas quando a menina levantou um vestido lilás que havia sido presente de Nymeria. Sella rodopiou com o vestido nas mãos.
– A senhora devia usar este, sor Daemon não terá olhos para outra dama. – Revirou os olhos.
– E por que eu iria querer isto?
– Senhora, eu posso não ter nascido nobre, mas não sou estúpida. – Ela puxou suas mãos a fazendo ficar de pé e passou a vesti-la. – A senhora não admite que gosta dele assim como não admite que aprecia as minhas indiscrições.
– Deuses Sella.
– Não se preocupe milady, eu sei que prefere os rapazes, lady Nym também os prefere e isso não a impede de se aventurar com as gêmeas Fowler. – As gêmeas, que eram as melhores amigas de Nymeria, costumavam fazer piadas indecentes perto dela só pela satisfação de vê-la corar. Claro que naquela época, a dornesa não passava de uma menina. – Nara ficou em profunda tristeza quando soube que Sor Killian Fowler não voltou.
– Homem estranho ele é. – Foi tudo o que respondeu. Tyene tinha passado quase três meses o querendo em sua cama e o que Tyene queria ela conseguia.
Quase tudo. Talvez Killian preferisse homens, o que Myriah duvidava, mas Tyene disse que essa era a única explicação lógica.
– Não é como se ela fosse conseguir alguma coisa. – Sella começou a escovar seus cabelos e mudou de assunto. – Ontem vi a senhorita Sansa ouvir Obella cantar, acho que ela está se adaptando bem e todos gostam dela, até mesmo Trystane decidiu ensiná-la a jogar cyvasse.
– Trystane é um bom menino.
– Ele ainda pergunta por Myrcella senhora. – Suspirou. Ele gostava da noiva, mas ele era um menino esperto, devia saber que as coisas estavam para mudar. – A pequena princesa não é uma garota má.
– Eu sei disso.
Doran Martell a chamou no fim da tarde. Ele estava sentado no seu cadeirão na Torre do Sol com um manto azul cobrindo as pernas. Areo Hotah estava ao seu lado com a mão em seu machado. Aproximou-se educadamente e se curvou.
– Tio.
– Myriah. – Não havia mais ninguém ali. Nem Arianne, nem suas irmãs ou mesmo algum criado. Por alguma razão ela sentiu as mãos tremerem.
Meu pai.
– Andei pensando sobre essa aliança com os Tyrell, — o príncipe de Lançassolar falava pausadamente, — eu lembro quando eu lhe contei minha idéia com os Targaryen e sua reação, também me lembro de que você nem ao menos fingiu tristeza ao saber da morte do noivo de Arianne. Nós temos uma antiga ligação com os dragões, mas com as rosas, bem, só houve desentendimentos.
– Os Targaryen trouxeram tristeza e morte para a nossa família e Viserys não me pareceu adequado. Ele vendeu a irmã para uma horda de Dothrakis e aposto que podia ter a inclinação para a loucura do pai, seria um marido pior do que Rhaegar foi para minha tia. – Convencer seu tio de acabar com aquele noivado foi em vão, mas os Deuses estavam ao seu lado e levaram o Targaryen para os sete infernos. – Não era muito inteligente também; guerreiros Dothrakis? Pelo o que o Meistre me ensinou, esses homens não atravessam o mar. Viserys não iria conseguir o trono tio e nossa família apenas sangraria por isso.
– Eu entendo seu posto de vista.
– Mas o que lhe preocupa sobre os Tyrell?
Seu tio suspirou.
– Acho que seria vantajoso termos uma ligação mais direta com eles. – Sua testa franziu tentando entender aquelas palavras. – Um casamento.
– Margaery tem algumas primas que seriam adequadas para Trystane, será bom para ele ter contato com uma nova moça. – Seu tio iria preferir alguém mais próximo da família principal. Havia Desmera Redwyne, Elinor Tyrell ou até mesmo Alla que era uma Tyrell distante, mas tinha um grande laço de amizade com a rainha.
– Não era em Trystane que eu estava pensando.
– Arianne? – Quando mais nova sua prima tinha tentado fugir para se casar com Willas Tyrell, uma aventura que rendeu bastante dor de cabeça. Ela não se importaria em casar-se com ele, mas a Lannister o tem e o sor Garlan já tem uma esposa...
– Você.
– Eu? – Por poucos segundos ela não compreendeu. – Quer dizer, o senhor pretende me casar?
– Você é uma moça bonita e bem nascida, as terras que dei a seu pai serão suas quando ele se for e todos os seus filhos terão o seu sobrenome, –deuses – eu não vou lhe obrigar, nem posso, não sou o seu pai, mas gostaria que pensasse no assunto. Seria vantajoso para a família, principalmente se levarmos em conta que ele é o filho predileto.
– Não entendo tio, de que Tyrell estamos falando?
– Sor Loras.
Sansa
Tyene Sand parecia ser tão inocente e doce quanto a própria Donzela. Seus cabelos eram como fios de ouro e seus olhos duas lagoas profundas, ela vestia sedas azuis com longas mangas de renda, tão bonita e casta, em nada lembrava a moça de quem Jynessa tinha lhe falado. Tyene a pegou olhando e sorriu enquanto apertava sua estrela de sete pontas que estava costumeiramente pendurada em seu pescoço.
O Jardim de Lançassolar não era tão rico em variedades como devia ser Jardim de Cima, mas Sansa já gostava dali. O vento soprou os seus cabelos e as sedas verdes voaram junto com ele, a capa amarela que Tyene vestia também ondulou e por um segundo Sansa pensou que ela alçaria voou ali mesmo, em direção dos sete céus.
Do outro lado do pátio as duas avistaram Trystane conversando com Quentyn. Suas bochechas esquentaram e as mãos tremeram. Desde que tinha visto o príncipe na Torre do Sol, ela não teve outra oportunidade de vê-lo, ela queria falar com ele e rezava para que o fizesse se apaixonar também.
– Devemos ir até lá, — Tyene enlaçou o seu braço e a guiou.
Trystane foi o primeiro a notá-las e acenou com um discreto sorriso. O príncipe mais novo era bonito, tinha cabelos negros lisos e olhos escuros combinando, ele a estava ensinando a jogar Cyvasse e até tentou lhe mostrar alguns passos de uma dança dornesa. Ela tinha ficado muito feliz por conseguir a aprovação dele, mas tudo o que queria era que Quentyn também fizesse o mesmo.
– Olá rapazes. – A voz de Tyene era doce e calorosa. – Você devia cumprimentar sua noiva Quentyn.
Sansa tinha os olhos fixados no chão e só a voz dele a fez levantar a cabeça.
– Lady Sansa, — ele começou, — está muito bonita.
– O-obrigada senhor. – Tyene soltou seu braço e rapidamente puxou Trystane, ela observou os dois partirem com um inicio de pânico. – Bem...
– Eu sinto muito por não falar com a senhorita antes, mas estava, bem... Sinto não ter uma desculpa boa para isso. Acho que só estava nervoso. – E ele parecia nervoso, esfregava as mãos uma na outra e desviava seu olhar a cada segundo. – Eu penso que não era exatamente o que a senhorita queria como marido.
Ela tinha sonhado com um príncipe dourado e depois com o herdeiro da Campina, ele será melhor do que os dois.
– Meu príncipe, você é tudo o que eu poderia esperar.
Depois de suas palavras, Quentyn relaxou um pouco e se permitiu conversar. Seu noivo tinha muitas historias sobre a adolescência em Toca do Inferno, a primeira vez em que lutou com alguém, o primeiro ferimento, o dia em que se tornou um cavaleiro e até mesmo o primeiro beijo.
– Foi uma das gêmeas Fowler, ela tinha os cabelos castanhos liso e a pele bronzeada, mas até hoje não sei qual delas foi. – Os dois sentaram-se em um banco de pedra que estava virado para o mar, — quando a noite chegou houve um pequeno banquete e as duas vieram falar comigo, eu não mencionei o beijo, imagino que beijar uma moça e não saber quem é seria visto de uma forma errada.
– Ela ficaria de coração partido.
Ele não riu, mas um discreto sorriso já foi o suficiente para lhe fazer rir.
– É preciso de muito mais para quebrar o coração de um Fowler.
– Ela poderia estar apaixonada.
– Duvido muito, dias depois eu vi as duas beijarem outros dois cavaleiros, isso descartava qualquer chance de romance.
– Eu sinto muito.
– Não sinta, eu também não era apaixonado por nenhuma delas. – Ele pegou um pouco dos seus cabelos e deixou que os fios escorressem pelos seus dedos como água. – Qual foi o seu primeiro beijo?
Ela corou fortemente e desviou o olhar para o mar.
– Eu temo lhe desapontar senhor, mas não há nenhuma historia para contar.
Em Winterfell nunca houve alguém interessante e em Porto Real todos seus sonhos foram destruídos. Ainda sim Sansa não queria desapontá-lo, talvez pudesse contar o primeiro beijo de Jeyne que tinha sido com o protegido do seu pai, ela virou-se para ele pronta para contar quanto seu rosto foi preso pelas mãos dele e seus lábios pressionados pelos dele.
Ela ficou tão surpresa que quase se esqueceu de fechar os olhos.
Durou apenas alguns segundos, mas seu coração já pulava.
– O seu primeiro beijo é meu agora.
Willas
Sua esposa estava sentada encima dele completamente nua. Tinham chegado ao ápice momentos antes, mas ela não fez nenhuma menção de que iria se deitar, só o encarou com seus sedutores olhos verdes. Suas delicadas mãos vagaram pelo seu peito desnudo e ela recomeçou seus movimentos, ele estava tão duro quanto antes.
– Meu irmão já respondeu minha carta? – Ela perguntou com a voz doce enquanto se mexia com mais força. – Tem alguma noticia de Porto Real? – Um gemido rouco escapou dos seus lábios. Estava perdendo a noção. – Eu ficaria muito mais tranquila se soubesse.
Ela sorriu para ele, tão angelical e pura que ele podia acreditar que ela era a mais casta das donzelas, mesmo estando sentada nua encima de mim. Suas mãos foram até a fina cintura de Belle e seus dedos apertaram sua pele alva.
– Não há noticias, mas quando tiver você será a primeira a saber.
Ela se abaixou e beijou os seus lábios, quando o fez ele agarrou sua cintura e inverteu as posições. A dor na sua perna o lembrou de que não podia exagerar. Enterrou-se dentro dela enquanto sugava um de seus seios. Sentiu suas cortas arderem quando as unhas de Belle penetraram na sua pele, provavelmente tirando sangue. Ele deu a ultima estocada e ela se contorceu debaixo dele e gemeu alto, metade do castelo poderia ouvi-la.
Saiu de dentro dela com cuidado e sentou-se procurando suas roupas. Não era sábio ficar muito tempo na cama com aquela mulher.
– Já está fugindo de mim Willas?
– Só um tolo fugiria de você.
Uma leoa a espreita de sua vitima, como ela reagiria quando soubesse a verdade? As pessoas sussurravam pelos cantos e em algum momento ele teria de contar. Minha família traiu a sua e agora nós vamos lutar contra os Lannister em favor dos Stark, mas não fique brava, você é uma Tyrell agora, se havia uma coisa sobre sua esposa que ele sabia era o amor dela pela a família. Ele teria de cuidar do seu pescoço depois disso.
– Você anda estressado ultimamente, — seu pescoço foi enlaçado pelos braços dela e ele sentiu como se fosse uma corda pronta para enforcá-lo. – Tem alguma coisa que eu possa fazer?
Não ser uma Lannister.
– Não se preocupe.
Ela não respondeu.
Willas vestiu seu calção e depois o gibão, calçou as botas de couro e pegou a bengala. Mancou até a porta, mas antes de abri-la a voz da sua esposa o parou.
– Sabe marido, você costuma mentir melhor que isso. – Ela sorriu e ele saiu sem dizer nada.
Que os Deuses me ajudem.
Ele passou todo o resto da tarde dentro da sua sala lendo e relendo cartas. Sua avó relatava que o garoto Stark estava mais que encantado com Margaery e o casamento sairia em breve, nada de Porto Real ou de outras regiões. Suspirou e então abriu uma gaveta e de lá tirou a carta que sua esposa queria tanto que ele mandasse.
Willas leu o conteúdo dela centenas de vezes e não havia nada de preocupante. Era apenas sua esposa relatando detalhes do casamento e pedindo por noticias dos irmãos e dos sobrinhos. Você deve começar a cortar essas relações dela logo cedo, deixe que ela sonhe com a família, quando o tempo chegar sua lealdade será barata, as palavras da sua avó lhe causou dor de cabeça. E um filho, você deve dar a ela um filho. Belle valorizava tanto a família que provavelmente faria qualquer coisa por um suposto filho.
Guardou a carta no momento em que alguém bateu na porta.
– Entre.
Jane Lybber entrou com a cabeça baixa. Ela era uma das damas de companhia de sua esposa e Willas estava ciente de que Belle tinha pouco apreço pela a menina.
– Algum problema?
– A senhora Belle anda tendo enjôos e tonturas meu senhor. – Seu coração palpitou, — suspeito de que esteja grávida. Tentei perguntá-la, mas ela diz que é apenas uma comida estragada. Ela também não chamou o Meistre.
– Diga ao Meistre para examinar minha esposa. Obrigado Lady Jane.
A garota saiu e Willas deixou a cabeça tombar na cadeira.
Ele devia estar feliz. Um filho, um herdeiro. Por que então estava mais preocupado do que aliviado?
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