Sonho de primavera
10 Capítulo 9
Notas iniciais
Catelyn
Margaery Tyrell apareceu no bosque sagrado acompanhada de seu pai. O casamento tinha sido preparado às pressas, mas as mulheres Tyrell mostram-se bastante eficientes em arrumar tudo. Diferente de Winterfell, o bosque sagrado de Correrrio era arejado e cheio de luz, grandes arvores formavam sombras onde ela costumava sentar e ler na infância. Um lugar muito belo que agora estava decorado com rosas douradas e longas fitas cinzentas.
Seu filho sorriu ao ver a noiva se aproximar. Todos estavam sorrindo, até mesmo a pequena Sierra se remexeu no seu braço contente. No entanto, ela podia sentir que nem todos estavam felizes, parte dos Frey parecia descontente com o fato de que o rei não escolheu outra deles para casar. Sierra será herdeira até que Margaery dê a Robb um filho homem.
– O que achou do vestido Lady Catelyn?
Perguntou Lady Olenna ao se aproximar.
Margaery vestia uma bela peça verde e dourada com uma coroa de flores brancas na cabeça. Seus cachos desciam suaves e sedosos e seus olhos de corça pareciam sorrir junto com seus lábios. A menina era uma beleza digna de nota e a alcunha rainha dos corações realmente era justa. A parte dos Frey que não se ressentia com Robb já a adorava.
– Meu filho está encantado.
A garota finalmente chegou junto ao seu filho e foi entregue pelo pai. Os votos começaram a ser ditos.
– Eles vão formar um belo casal, — a senhora tocou na mãozinha de Sierra e sorriu. – O tipo de casal que os plebeus amam.
Com o fim da cerimônia, Robb tirou o manto de donzela de Margaery e colocou o seu. Todos gritaram, bateram palmas e se dirigiram ao grande salão onde um banquete esperava. No estrato elevado o rei e sua nova rainha sorriam e cochichavam um com o outro. Seu irmão Edmund estava sentado ao lado do rei e brindava junto com o príncipe Oberyn Martell.
Catelyn sentou-se ao lado do príncipe dornês e assim que o fez o homem virou-se em sua direção com seu sorriso estranho. Era um homem bonito, isso ninguém poderia negar, e tinha a conhecida paixão dos dorneses. Pai de oito bastardas, seriam nove se ele não tivesse se casado com Lyna a tempo. Oberyn tinha conquistado a simpatia de boa parte das pessoas, mas os Umber não pareciam querer ceder.
No passado o pequeno Jon teve uma noiva tão bonita quanto uma donzela podia ser. Seu marido uma vez comentou que Lyna lembrava um pouco sua jovem irmã Lyanna e ironicamente teve um destino até certo ponto semelhante. As duas foram levadas por homens sulistas, dois príncipes, e as duas morreram jovens. Pequeno Jon se gabava da bonita noiva que ele tinha e acabou perdendo-a para um dornês.
Olhando para ele agora, não era difícil saber por que ela o escolheu.
– O que achou do casamento Lady Stark?
Ele perguntou.
– Os noivos estão felizes e isso é tudo o que importa. – O príncipe levantou sua taça.
– Ao rei e a rainha.
– Ao rei e a rainha. – Ela respondeu.
Robb levantou e puxou sua esposa para dançar com os outros casais. Enquanto rodopiava pelo salão, Margaery tinha toda a atenção para si.
– Uma bela garota seu filho arrumou. – Não terão problemas em ter filhos. – Falei com seu filho noite passada sobre uma carta que chegou de Dorne e ele disse que eu deveria falar com você.
– O que seria príncipe Oberyn?
– Meu irmão relata que Lady Sansa se adaptou muito bem a Dorne e que já fez amizade com sua herdeira Arianne. – Seu coração palpitou ao ouvir sobre Sansa. – O meu sobrinho também se afeiçoou a sua menina e o sentimento parece ser recíproco. Ele então pediu pela a mão de Sansa em favor do seu filho.
– Sansa...
– Quentyn é um rapaz serio e descente, vai ser um bom marido e é claro, nada daria mais satisfação ao meu irmão em ver nossas famílias unidas. – Não é como se eu tivesse muita escolha, Catelyn suspeitava que o dornês tivesse essa união em mente no momento em que ajudou sua filha a subir em um navio para Lançassolar.
– Quantos anos seu sobrinho tem?
– Dezenove. – Ela tinha sonhado em ter sua filha de volta e agora iria perdê-la para um rapaz. Catelyn suspirou. – Não se preocupe minha senhora, quando tudo isso acabar e o seu filho estiver sentado no trono de ferro sua filha e Quentyn poderão passar uma temporada na corte, quem sabe ela já não esteja grávida até lá.
Catelyn sorriu para o príncipe e saiu da mesa. Sansa está segura e ela teria de casar de qualquer maneira, casada com um príncipe Lorde Frey não poderia pedir que Sansa também fosse dada a um de seus filhos.
Pensando em Sansa ela caminhou pelo o salão e acabou por trombar em alguém. Ele era jovem e dornês, mas poderia se passar por um Tully se quisesse. Tentou lembrar o nome dele, mas nada lhe veio.
– Desculpe Sor.
– Foi minha culpa está em pé nas sombras. – Ele tinha o sotaque carregado e sorriu amigável. – Pode passar Lady Stark.
– Um jovem como você não deveria estar dançando? – As garotas no salão que não tinham sido tiradas para dançar olhavam para ele cheias de expectativas. – As moças ficaram muito desapontadas.
– Receio que hoje à noite eu irei desapontá-las. – Por um segundo o rapaz perdeu o brilho, mas este logo voltou. – No entanto eu dançaria com a senhora se me permitisse.
Catelyn não evitou o riso.
– Eu imagino que estou velha demais para isso.
– De forma alguma milady, a senhora é de longe uma das mulheres mais bonitas desse salão. – Uma garota Frey passou por eles e lançou sorrisos em direção do rapaz. – Elas iriam parar de querer dançar comigo. Uma dança milady, é o casamento de vosso filho, momento de comemorar.
– Eu vou lhe ajudar se você me disser duas coisas. Qual vosso nome e qual o nome dela?
– Killian Fowler e não a nenhuma moça.
– Eu conheço um coração apaixonado de longe.
Ele riu e virou a cabeça.
– Não posso dizer o nome milady, mas posso dizer que nem mesmo o sol brilha mais do que ela.
Belle
O vento soprou fazendo voar os seus longos fios dourados. A neve caia ao seu redor, branca e pura, fazendo o seu corpo tremer de frio. Não vestia mais do que um vestido leve do sul, uma peça não adequada para aquele clima. Seus dentes rangeram e suas mãos se apertaram uma na outra a procura de calor.
O inverno chegou.
Sempre associavam aquela época do ano com sofrimento e miséria. No inverno os lobos correm soltos pelas planícies, seu pensamento se confirmou quando ela notou três deles andando pelo o campo aberto. Sabia que devia correr, mas algo dentro dela aceitou o fato de que iria morrer. Os lobos notaram sua presença e calmos, como já estivessem cientes de sua aceitação, andaram até ela. O do meio, o maior, uma grande besta cinzenta rosnou mostrando os dentes afiados. Belle riu.
À medida que chegavam mais perto ela pensou em um tempo que jamais voltaria. Ela tinha seus quinze verões e estava caminhando pelo o pátio quando o viu pela a primeira vez, Killian estava em seu treinamento para se tornar um cavaleiro, era alto, bonito e tinha espessos cabelos vermelhos na cabeça. Ele a notou depois de levar um golpe e cair no chão, seus olhos eram azuis como o lago mais puro e seu sorriso um raio de sol no meio da escuridão. Depois daquele momento que deveria ter sido registrado em alguma canção, ela descobriu que os dorneses podiam ser bastante persistentes quando queriam alguma coisa.
E ele a queria.
– Eu amei uma donzela que tinha o sol nos cabelos.
– A musica está errada Killian. – Ela revirou os olhos, mas ainda estava sorrindo.
– Não para mim.
O barulho dos lobos lhe trouxe de volta e foi com tristeza que ela deixou a imagem de Killian se extinguir. Era chegada à hora. Belle sentou-se e encostou o corpo em uma grossa arvore, poderia rezar pela sua alma, mas talvez seu irmão estivesse certo e os Deuses fossem cruéis demais para ouvir suas preces. Ou simplesmente eles odeiam os Lannister.
Os três animais pararam na sua frente e se preparam para atacar, ela fechou os olhos e não conseguiu evitar um ultimo grito.
– Senhora? – Ela acordou com Lena lhe chacoalhando. – Outro pesadelo.
– Sim. – Não foi uma pergunta, mas ela respondeu do mesmo jeito. – Mas não tão ruim quanto os outros.
Ela se levantou e Lena foi ajudá-la a se trocar.
– O que aconteceu dessa vez?
– Sonhei com lobos e com meus quinze anos no Rochedo.
Lena pegou um vestido carmesim e Belle sorriu. Hoje não havia nenhuma aia estúpida ou mesmo aquela Jane Lybber para lhe acabar com a paciência.
– Quinze anos no Rochedo, foi um belo ano, — tinha sido. Um tempo em que todas as canções eram reais.
Ela se vestiu e então Lena trouxe um colar de rubi.
– Este não, por favor, pegue o de ônix. – O que Killian havia lhe dado. – Perfeito.
– Vosso marido já está de pé, ele que me pediu para checá-la. – Lena disse enquanto penteava seu cabelo. – Desde que a gravidez se confirmou Lorde Willas tem se mostrado uma pessoa bastante gentil.
E também evitava qualquer pergunta sobe Porto Real ou sobre o andamento da guerra. Dizia que estava tudo bem e que não queria preocupá-la, ele subestimava sua força, mas mesmo assim ela não podia fazer maiores reclamações do seu marido.
– A senhora já pensou em um nome?
– Não é muito cedo? Nem ao menos sei de que sexo é.
– Os Deuses lhe darão um menino, tenho certeza, um pequeno herdeiro para a Campina.
Isso agradaria o seu pai.
– E qual seria o nome adequado para um herdeiro? – Um pequeno leãozinho. – Tytos era o nome do meu avô, mas aparentemente ele era um homem fraco e medroso. Tywin, o nome de um homem grandioso e temido, — mas infeliz e incapaz de achar qualquer prazer na vida – não sei se meu pai apreciaria a homenagem.
– Claro que apreciaria senhora.
Belle riu.
– Gerold o dourado, meu bisavô, o conselheiro de confiança do seu irmão mais velho e dizem que foi um homem de grande influencia. – mas também diziam que ele foi o responsável pela a morte de sua sobrinha, Sarelle. – E também meu tataravô, Damon, o leão grisalho.
– Gosto do nome Gerold, é bonito.
– Gerold é um bom nome.
Willas foi ter com ela horas mais tarde. Belle estava sentada no salão, sozinha, enquanto alisava sua barriga. O barulho da bengala lhe tirou dos seus devaneios.
– Willas.
– Como os dois estão? — Perguntou enquanto sentava-se ao seu lado. – Dormiu bem? E a alimentação?
– As mulheres me encheram de comida, não vou me surpreender se por algum acaso eu virar uma vaca de tão gorda.
– É tudo pela sua saúde.
Hoje os olhos dele estavam dourados, iguais aos de Sor Loras.
– Eu estou bem e o bebê também.
– Passei no seu quarto mais cedo, não entrei, só ouvi você discutindo alguns nomes. – Belle riu. – Escolheu algum?
– Acho que eu deveria esperar o bebê nascer para então escolher um nome. – Willas colocou a mão sobre a sua. – E eu sempre tenho que trabalhar com a possibilidade de que seja um amenina.
– Não vou me importar se for uma garota.
– Meu pai iria apreciar um menino. – Der repente ela imaginou uma menina, igualzinha a ela, correndo pelos corredores de Jardim de Cima. – Sarelle.
– Sarelle?
O nome da menina que nunca herdou.
– Uma antiga historia, mas eu sempre gostei do nome.
– Teremos bastante tempo para escolher.
Willas remexeu o bolso na calça e de lá tirou uma pequena carta. Seu coração bateu forte.
– É o que estou pensando?
– A carta demorou a chegar, é do seu sobrinho Tommen.
Ela pegou a carta das mãos do marido e começou a ler.
Querida tia,
Tio Tyrion me deu três gatinhos: Sor salto, Senhora bigodes e Botas. Sor salto espantou um gato mau que estava na janela e por isso eu lhe dei uma medalha, mas depois Sor salto capturou um rato e Senhora bigodes roubou dele, mamãe disse que Sor salto tinha que aprender a defender os seus direitos, pois os fracos são sempre vitimas dos fortes. Estou com muitas saudades tia e espero que a senhora possa vir logo, mamãe e tio Tyrion também estão e o tio mandou dizer que Joff está com saudades também.
O resto da carta relatava coisas banais: mais brincadeiras dos três gatos, o bobo da corte e todas as cartas que ele escreveu para Myrcella. Willas a olhava com expectativa.
– Algo errado?
– Não, só fiquei com saudades, meu doce Tommen sempre foi uma criança maravilhosa. – Ela entregou a carta. – Pode guardá-la para mim?
– Claro.
Depois de um rápido beijo ele partiu e ela o observou.
Joff está com saudades, uma vez seu irmão Tyrion brincou dizendo que se algum dia Joffrey sentisse saudades de alguém o Alto Septão devia rezar pela a alma da pobre criatura. Belle o havia repreendido por isso, afinal Joff ainda era seu sobrinho, mas Tyrion continuou com a brincadeira pelo o resto da semana.
Quando algo dava errado ele dizia:
– Anime-se irmã, podia ser pior, Joffrey podia estar com saudades de você e pedir pela sua presença.
Seu coração bateu acelerado.
Joffrey está com saudades não foram palavras de Tommen, mas sim de Tyrion.
Algo estava errado.
Myriah
Arianne terminou de vestir Sansa. O vestido tinha sido escolhido pela a princesa, a seda era branca e leve com um lobo prateado costurado no peito. O pescoço alvo foi decorado com um belo colar de perolas – presente de Tyene – e no braço havia uma cobra de ouro que se enroscava com olhos de esmeraldas – presente de Nym –, o septo e o salão foram decorados por suas irmãs e Myriah teve sucesso em fazer com que aquela festa não ganhasse proporções indevidas.
Sansa rodopiou feliz e abraçou todas as moças no quarto.
– Acha que ele vai gostar?
– Meu irmão seria um tolo se não gostasse.
Quentyn já parecia mais animado com a idéia do casamento. No inicio ele tinha receio e disse que gostava de uma menina de Paloferro, gostar é volátil primo, dê uma chance à menina que tenho certeza que logo estará apaixonado. Certeza ela não tinha, mas sabia que o casamento iria ocorrer, era melhor que começasse com esperança.
No final Myriah estava certa, Sansa conseguiu encantá-lo.
– Não vamos para o Septo agora? – Perguntou a ruiva ansiosa.
– Ainda não. – Respondeu sorrindo, — vou chegar se está tudo pronto, um segundo.
Myriah saiu do quarto, do lado de fora três guardas Martell protegiam a porta. Ela sorriu para eles e caminhou pelos corredores desertos. O sol havia dado uma trégua e não queimava tanto quando nos dias anteriores, aparentemente tudo estava dando certo para o casamento. Elia vestiu o vestido que ela trouxe e Ellaria teve sucesso na missão de deixá-la longe dos cavalos, Obella já sabia quais musicas cantar no banquete e as menores estavam animadas e ansiosas. Quentyn estará no Septo e Trystane entrará com Sansa.
Tudo correndo como deveria.
– Milady está muito bonita. – A voz a assustou. – Mais bonita que a própria Lady Nym
Nymeria vestia sedas amarelas que em grande parte eram transparentes. Nymeria fica melhor assim, não há nenhuma faca que possa esconder naquele vestido.
– Está falando comigo agora Daemon? – Ele tinha tido sucesso em evitá-la desde que chegaram a Lançassolar. – Pensei que tinha ferido seus sentimentos.
– Todo esse veneno na sua boca mostra que é mesmo filha do seu pai. – Ele se aproximou e ela se se encostou à parede. – É verdade que vai se casar?
– O que?
– Sussurram pelos cantos que vosso tio quer dar a sua mão a algum filho de lorde. – Loras Tyrell, um rapaz que fazia as moças suspirarem, mas que jamais seria um marido adequado. – É verdade?
– Meu tio deu a idéia, mas não estou muito interessada.
– Ele não pode te obrigar.
– Não. – Daemon estava a um palmo de distancia e Myriah se tornou consciente demais de sua presença. – Eu tenho que verificar o...
– O septo e o salão estão bonitos como devem estar.
– Daemon... Eu sinto muito pelo o que falei no navio, não queria realmente dizer aquilo. – Nada na expressão dele mudou. – Bem, não é adequado um rapaz ficar tão encima de uma senhora, eu tenho que...
Ele a calou com um beijo.
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