Sonho de primavera
6 Capítulo 5
Notas iniciais
Myriah
Quando foi visitar a menina Stark ela quase sentiu pena. A garota tinha perdido a cor, suava constantemente e o cabelo, sempre tão bonito, estava cheio de nós. O plano tinha seguido perfeitamente no inicio, Meistre Pycelle tentou de todos os modos curar Sansa e intensificou seu trabalho quando soube que o manto de donzela da menina estava pronto. O casamento será feito no instante em que Sansa ficar boa, Margaery havia lhe dito. Como a rosa tinha todas essas informações, Myriah não quis saber. Tiveram de ficar mais cuidadosas, Sansa precisou tomar uma poção ainda mais forte e com mais frequência ou então os remédios do Meistre surtiriam efeito
Há alguns dias a rainha mandou que vasculhassem o quarto da menina, mas Myriah soube da informação antes e correu com a poção e deu a Ellaria, a mulher guardou nos aposentos do príncipe. Estava ficando cada vez mais difícil fazer Sansa parecer doente, se a poção faltasse um dia os efeitos do remédio do Meistre já surtiam efeito.
Todos os dias, Margaery levava vinho da arvore para a Stark, a rainha havia ordenado que Sansa apenas comesse o que era lhe mandado pela a cozinha, mas com muito encanto a jovem rosa conseguia fazer com que a pequena loba bebesse tudo.
O tempo está correndo, Margaery disse no dia anterior, não temos muito tempo. Aquilo era verdade, a menina não podia ficar doente a vida inteira.
– Quando seu irmão vai casar com Belle? – Tinha perguntado impaciente. – Tudo está pronto.
– Em breve, não seja tão apressada. – Foi tudo o que recebeu como resposta.
Myriah sentou-se ao lado de Sansa e sobre o olhar de um guarda ela colocou o vinho de Dorne na boca da menina.
– Não se preocupe senhora, é um bom vinho, vai gostar. – A Stark se sentou com dificuldade e bebeu todo o vinho. – Muito bem, muito bem.
O guarda atrás de si resmungou algo e ela o olhou de soslaio. Era um rapaz jovem, pouco mais do que dois anos mais velho que ela, tinha os cabelos castanhos e a pele alva, era um homem dos Lannister, mas também um romântico que caiu nas suas graças.
– Tenho de ir, a rainha teme que sua doença passe para o resto do castelo. – Ela beijou sua testa e a garota fechou os olhos para dormir. Ouviu a respiração da ruiva ficar lenta e pesada, sorrindo ela olhou para o guarda.
– Boa noite. – Delicadamente ela pegou as mãos calejadas do rapaz e as beijou.
– Boa noite senhora.
Saiu do quarto escoltada por um guarda Martell e foi para o pequeno cômodo onde jantava com sua família. O príncipe Oberyn estava sentado ao lado de sua amante lhe contando alguma história fantasiosa sobre mercenários. Quando a viu entrar, Ellaria sorriu.
– Como está a pequena Sansa?
– Continua doente, mas não por muito tempo... – Falou enquanto sentava na cadeira em frente ao pai. – Temo que a nossa amada rainha tenha muitas suspeitas sobre esta doença.
O príncipe sorriu.
– Meu irmão mandou uma carta, pergunta quando vamos nos mover. Perguntou a sua amiguinha rosa quando Willas vai tomar a garota?
– Em pouco tempo ele já deve ter se casado com a Lannister.
Ellaria suspirou. A amante do pai era uma mulher forte, corajosa que mesmo sendo bastarda e amante olhava a rainha nos olhos sem um pingo de vergonha, mas por baixo de sua força ela tinha medo. Myriah sabia disso. Temia pela as filhas e por todos em Dorne. O pai estava alheio às preocupações da companheira, focado demais em sua vingança.
Eu quero sangue Lannister, palavras foram ditas como uma prece, eu quero o sangue dos gêmeos dourados e daqueles filhos bastardos.
– Mandei uma carta para Willas, parabenizando o noivado... Pobre dele se a garota for como Cersei.
– A rainha dos espinhos disse que a menina não tem muito da natureza da irmã.
– Ela luta pela a família Myriah, é o que todos nós fazemos, lutamos pelo o nosso sangue, pode até ter um bom coração, mas se a família for corrompida ela também será. – Ellaria revirou os olhos e ela suspirou. Vão pagar em dobro por cada gota de sangue Martell, novamente a voz do seu pai interrompeu seus pensamentos. – Espero que Willas saiba lidar com ela.
– Ele saberá.
Ellaria mudou bruscamente de assunto, claramente incomodada com o rumo da conversa, falou de Obella e sua voz, mas foi interrompida por uma criada de mãos nervosas. A garota gaguejou algumas vezes antes de conseguir dizer:
– A senhora Margaery pede que a senhora vá até seus aposentos. – O seu pai resmungou e Myriah sorriu sarcástica ao vê três guardas Tyrell a esperando. Ela se levantou e com toda a delicadeza que conseguiu reunir, foi até eles.
– Pois bem, vamos ver o que minha querida amiga quer.
Os aposentos da Tyrell eram maiores que o dela, algo lógico para alguém que era noiva do rei. Quando entrou no quarto notou que a menina não estava só, a senhora sua avó a acompanhava. A jovem rosa não se deu o trabalho de sorrir ou ser encantadora, a falsa cortesia ela guardava para os outros, Myriah já a conhecia o bastante para não cair em seus elogios.
– Que bom que chegou tão rápido.
– O castelo não é tão grande quanto parece.
A senhora Olenna olhou-a da cabeça aos pés. Era uma mulher de baixa estatura, mas tinha a boca ferina e os olhos espertos e sábios.
– Entre menina e trate de fechar a porta.
– Algo ruim aconteceu? – Não havia preocupação na sua voz, mas seu coração estava agitado. Os Martell precisam dessa aliança, seu tio havia dito. Cautelosamente ela se aproximou das duas mulheres.
A senhora Olenna soltou alguns risinhos e disse.
– Não garota, por enquanto não, mas estamos em um momento critico.
– Momento critico?
– Você faz muitas perguntas, pensei que fosse mais inteligente. – Aquilo não a aborreceu, havia se habituado às palavras acidas da velha senhora. – O velho seu tio mandou você junto aquele seu pai para que você controlasse os impulsos de raivas do príncipe, não estou certa? Uma vez ouvi uma historia curiosa sobre a princesa Arianne ser do sangue do seu pai e você ser do sangue de Doran Martell
– Dizem isso por que nasci com a paciência do meu tio e minha prima... Bem, ela tem o espírito aventureiro do meu pai.
– Está na hora de agirmos e mais do que nunca devemos estar unidos. – A voz de Margaery ecoou seria pelo o quarto. – A família Tyrell acaba de ganhar mais um membro.
– Então Willas já casou com Belle.
– E também já consumou, deve ter colocado uma pequena rosa dentro do ventre da menina.
– Ou um pequeno leão. – Não conseguiu evitar que o sorriso, tão parecido com o do seu pai, surgisse em seus lábios.
– Nós estamos prontos e vocês, estão? – Olenna perguntou ignorando suas palavras.
– Sim, há algum tempo.
– Amanhã vocês devem partir na calada da noite e nós o faremos logo depois, — a mulher olhou para a janela e completou – em breve será a vez de sua família ganhar um novo membro.
Sansa
Estava sonhando com os irmãos. Ultimamente era tudo o que consegui sonhar. Às vezes ela estava nas criptas com Arya, Robb, Bran e Jon. Sansa não estava sentindo o medo que costumava sentir quando escapulia para as criptas na infância, na verdade ela sentia-se segura e protegida, como se os espíritos dos seus antepassados fossem matar todos aqueles que lhe fizessem mal. Outras vezes ela estava no pátio de Winterfell observando os irmãos treinarem com o arco, Bran errava todas às vezes e Robb acabava rindo, mas logo depois Arya aparecia e acertava uma flecha no alvo e todos acabavam sorrindo, até mesmo ela que sempre reprovou tal comportamento. Naquela noite Sansa estava correndo por um campo coberto de neve, seu meio irmão Jon esta logo a sua frente e seus outros irmãos estão atrás dela tentando pegá-la. Arya joga uma bola de neve em sua cabeça e Sansa retribui rindo.
Der repente seu corpo é chacoalhado e Sansa acorda assustada.
– Você quer ir embora ou quer ficar? – A primeira coisa que ela notou no estranho foi os olhos azuis como o céu. Ele não é um Lannister, disso tinha certeza.
– Ir – Respondeu.
O homem a levantou da cama e lhe jogou um vestido negro simples. Sansa ainda estava fraca e febril, mas conseguiu se despir da fina camisola e vestir o vestido. Enquanto o fazia ela notou o estranho lhe olhar e acabou corou. Não fraqueje agora, quando terminou de prender os botões, ele jogou uma capa marrom feita de um tecido velho e podre.
– Vamos.
Do lado de fora não havia nenhum guarda, mas aquilo não era exatamente uma surpresa, ela sabia que os guardas costumavam escapulir a noite, não é como se ela fosse para algum lugar, espero que Joffrey cortem suas cabeças amanhã. Ela tropeçou nos próprios pés e arfou ao sentir o vento gelado contra a pele. Estava fraca demais para correr, o homem pareceu perceber isso por que rapidamente a pegou no colo e voltou a correr silencioso como uma sombra.
Sansa ficou com os olhos fechados a maior parte do tempo rezando para os Deuses. O estranho vez ou outra lhe sussurrava uma palavra de conforto ou dizia que já estavam chegando. Ela não soube dizer quanto tempo se passou até o homem parar e finalmente lhe colocar no chão. Quando abriu os olhos não acreditou no que viu, estavam em uma das muitas ruas de Porto Real.
– Como?
– Existem caminhos na Fortaleza Vermelha que não são vigiados ou até mesmo conhecidos. – Ele passou o braço pelos seus ombros, — agora devemos ir senhora.
Andaram juntos pelas as ruas. Passaram pelas as casas de prazer onde alguns homens conhecidos entravam segurando moedas de prata e ouro. Depois desceram em direção no mar. Por todo o caminho eles não falaram nada, o silencio a fazia se sentir segura.
– Ei vocês dois. – O seu coração quase parou quando ela viu um guarda se aproximar.
– Algo errado? – Perguntou o homem ao seu lado. Ele deve ser jovem, tinha uma voz bonita e agora que prestava atenção, ela pode vislumbrar os cabelos castanhos caindo sobre seus olhos azuis.
– O que estão fazendo a essa hora da noite na rua?
Sansa abaixou a cabeça e voltou a orar baixinho para os sete.
– O que um homem anda fazendo a essa hora da noite Sor?
– Quem o acompanha?
– Uma moça por quem paguei caro, então tire o seu olho.
Uma prostituta? A senhora sua mãe ficaria escandalizada se algum dia soubesse que ela se passou por uma prostituta.
– Eu devo ir senhor, pois não paguei para olhar essa sua cara.
O guarda abriu a boca para falar mais alguma coisa, no entanto logo desistiu e virou as costas resmungando. Com o coração aos pulos, Sansa voltou a andar ao lado do homem que a apertava ainda mais forte.
– Sinto muito por isso. – Ele lhe sussurrou.
Depois de algum tempo, eles chegaram ao cais e depois se aventuraram por algumas pedras até chegarem a um pequeno barquinho de madeira. A nevoa a impedia de enxergar com clareza o ambiente ao seu redor, mas isso significava que os outros também não poderiam vê-la. O homem entrou no barquinho e a ajudou com a mão.
– Muito bem senhora Sansa, já estamos quase lá.
– Quem é você? – Perguntou quando ele começou a remar.
– Apenas alguém querendo ajudar. – Ele sorriu.
Enquanto se enrolava com o manto negro, Sansa olhou para o homem com uma impressão de que já o conhecia.
– Eu já o vi antes?
– Algumas vezes, mas nunca nos falamos, você prefere a companhia de minha senhora.
Ela ia perguntar outra coisa, mas então notou um navio mais a frente. Ele era escuro e difícil de enxergar, especialmente naquela noite sem lua. Seu salvador remou mais um pouco até chegar e gritar por uma escada.
Segundos depois uma escada de corda caiu e ela foi a primeira a subir. Suas mãos estavam fracas e seus membros doíam a cada sinal de esforço, mas ela precisava ser forte como seu irmão Robb era. Não caia, não caia. Um par de mãos a ergueu e ela agradeceu por sentir o convés sob seus pés.
– Bem vinda Lady Sansa. – Aquela voz ela reconheceu. Ellaria Sand estava ao lado do homem que a ajudou, vestia um capuz negro e pulseiras de ouro adornavam seus braços. – Sinto muito essa ida tão repentina, mas não há tempo a perder.
Atrás dela o homem que a salvou sorriu.
– Este querida é Daemon Sand, — Ellaria foi até ele e colocou a mão em seu ombro, — Myriah ficará satisfeita com o seu resultado.
Sansa ainda respirava com dificuldade e apertou o manto ao redor do seu corpo.
– Vamos para dentro senhora, devemos tratá-la imediatamente, — ela passou os dedos pelos nós do seu cabelo -, não se preocupe querida, quando chegarmos a Dorne você já estará em sua melhor aparência.
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