Notas iniciais
Gente desculpa qualquer erro que tenha passado por mim, tive de corrigir em uma sala cheia de gente -.- Espero que vocês gostem

Belle

Sansa caiu gravemente doente em uma tarde ensolarada. A beleza se esvaiu rápido do seu corpo frágil, duas profundas olheiras marcaram seus olhos azuis e os membros tornaram-se frágeis e doloridos. Quando a menina começou a vomitar tudo o que colocava na boca, os rumores de que a pobre Stark tivesse contraído uma doença maligna foi inevitável.

Tyrion foi visitá-la, mas Sansa não ficou animada com a visita. Cersei foi até o seu quarto junto com o Meistre, sua irmã mais velha estava impaciente para que a garota Stark se curasse. Depois de uma semana seu pai, a mão do rei, já começava a mostrar sinais de irritação.

– Cure-a o mais depressa possível. – Ele rosnou para o Meistre.

Belle sabia que aquele nervosismo todo não era apenas pelo casamento com Tyrion. Jaime era refém de Robb Stark e Sansa era a deles, a morte da menina não seria vista com bons olhos. Talvez o matem, pensou assombrada. Não, Jaime é mais valioso vivo do que morto. Por algum motivo ela pensou em Catelyn Stark, nunca morreu de amores pela a mulher. Primeiro prendeu seu irmão mais novo e deu inicio as diversas lutas e saques que antecederam a guerra, depois seu filho prendeu seu irmão mais velho e quem sabe o que tinha feito com ele.

Belle chegou a Porto Real pouco tempo depois de Eddard Stark e suas filhas se colocarem no castelo. Lembrava-se do Senhor Stark e sua honra inabalável, na época, Sansa era uma garotinha apaixonada e cheia de sonhos, diferente de sua irmã menor Arya com quem Belle teve pouco contato. Sansa estava tão iludida pelo seu prometido, tão perdidamente apaixonada que contou a rainha os planos de seu pai, tudo por que achava que ao lado de Joffrey seria feliz. A verdade só surgiu em seus belos olhos azuis quando a cabeça do pai foi decapitada por um ato impensado de seu sobrinho.

Quando a irmã Cersei contou aos risos quão estúpida Sansa tinha sido, Belle sentiu raiva da menina. Sua estupidez ajudou nossa família, Cersei disse ao ver sua cara de raiva, mas Belle não podia se conter.

Na semana seguinte a noticia, ela encontrou Sansa, a jovenzinha lhe virou a cara e aquilo foi o suficiente para fazê-la perder a cabeça.

– Você me culpa pelo o que aconteceu ao seu pai? – Disse calmamente – mas quem foi a tolinha que correu até a minha irmã e disse todos os planos do Senhor Stark? Tudo pelo o que? Por Joffrey? Pela a coroa? Traiu o próprio sangue para poder apanhar dos homens do meu sobrinho? Eu sou inocente em tudo o que aconteceu, você matou o seu pai, você e sua estupidez. Sua mãe devia ter lhe ensinado que a vida nunca foi uma canção.

A garota saiu correndo com lagrimas nos olhos, depois Belle sentiu-se culpada e tentou proteger a menina dos abusos do rei. Joffrey...

Seu sobrinho Joffrey não mostrou a preocupação devida a Sansa, apenas uma leve irritação por perder momentaneamente o seu brinquedinho favorito. Ela é do sangue do traidor, os Deuses estão punindo-a, o rapaz dizia para quem quisesse ouvir.

Agora fazia quase duas semanas que Sansa estava de cama. Seu aspecto tendia a piorar sempre, mesmo com os muitos remédios que o meistre lhe obrigava a tomar. Belle lhe visitava regularmente e não tinha medo de pegar nenhuma doença.

– Bom dia Sansa. – Hoje a Stark estava coberta de suor. Seus cabelos ruivos, outrora brilhantes, pareciam um ninho de pássaro encima da sua cabeça. – Como está se sentindo?

– Bem. – Respondeu com uma voz fraca.

– O meistre acredita que em breve você estará curada, isso não é maravilhoso? – Seu sorriso morreu a perceber que Sansa parecia desinteressada na cura. Deve estar doente de desgosto, prefere morrer a ficar aqui. – Está conseguindo se alimentar?

– Sim. – O cheiro de vomito fez seu estomago embrulhar.

– Isso é bom... Muito bom.

Ficaram em silencio por alguns momentos até que bateram na porta e Olenna Tyrell adentrou no quarto. Em questão de segundos, Belle levantou-se ajeitando a postura. A velha Olenna riu quando a viu ali.

– Ora, ora, se não é a futura esposa do meu neto. – O sorriso de deboche era facilmente identificado naquele rosto cheio de rugas. – Olá senhora Sansa, é uma pena que não vai estar curada em tempo do casamento, mas lhe prometo que não será uma festa grande, meu Willas pediu que fosse algo singelo.

Seus olhos correram até a velha e o coração disparou. Do que ela está falando?

O casamento ocorrerá em Jardim de Cima, Sansa não poderia estar de qualquer maneira.

– Oh minha querida, seu pai ainda não lhe avisou? Acho que quis fazer uma surpresa. – Ela soltou algumas risadinhas. – Meu neto deve chegar a qualquer instante em Porto Real, como seu manto de donzela está pronto não vejo por que esperar, vai poder casar-se com toda a sua família assistindo.

– Mas...

– É normal ficar nervosa antes de uma cerimônia tão importante, mas vai correr tudo bem. – A senhora Olenna sentou-se ao lado da cama e piscou para Sansa. – Não acha senhora Sansa? Belle Lannister vai ser a noiva mais bonita dos sete reinos.

Gaguejando uma desculpa Belle saiu do quarto e vagou pelos corredores sem saber exatamente aonde ir. Seu coração apertou no peito. A ideia de ver Willas Tyrell parado no Septo lhe esperando fez o estomago embrulhar. Queria vomitar o almoço e o lanche, queria gritar e queria dizer que não se casaria com Tyrell nenhum. Só a um homem a quem quero desposar...

Cheia de uma coragem desconhecida, Belle correu para o quarto e escreveu um bilhete assinando com o nome de Janet. Depois entregou para sua criada de confiança e a menina correu para entregar a tempo. A Lannister não saiu do quarto depois disso, ficou sentada na varanda esperando a noite chegar, quando finalmente esta chegou, sua criada, Lena, veio até ela com uma de suas roupas.

– Aqui está senhora.

– Obrigada.

Algumas horas depois, Belle chegou aos túneis da Fortaleza Vermelha. Havia inúmeras passagens secretas por debaixo da construção, dizia-se que um homem podia ficar preso ali e nunca mais encontrar a superfície. Quando pequena, ela veio junto com a irmã morar na corte, naquela época ela era uma criança solitária que tinha como divertimento encontrar passagens secretas. Mesmo hoje ela sabia apenas chegar aos crânios de dragão e sair para fora do castelo sem que ninguém soubesse.

Com a luz de uma vela, Belle sentou-se no chão e esperou. Ninguém se aventurava por ali e mesmo se o fizesse, a escuridão era mais que suficiente para esconder sua identidade. O coração bateu frenético. Ninguém vai saber, ninguém poderia saber. Seria sua ruína.

Ela ouviu passos e então, segurando outra vela, Killian apareceu. Ele vestia suas roupas mais simples e um lenço, também negro, escondia o vermelho dos seus cabelos. Ele sorriu quando a viu e ela suspirou de alivio, ele não se perdeu como ela temia.

– Um lugar curioso para um encontro.

– É seguro.

– E escuro.

O dornês sentou-se ao seu lado deixando a vela o lado da sua.

– Fiquei surpreso quando vi o seu recado. – Ele acariciou seus cabelos com carinho. – O que aconteceu meu amor?

– Willas Tyrell está a caminho de Porto Real, devemos casar em breve.

A reação de Killian lhe pegou de surpresa, ele gargalhou jogando a cabeça para trás. Belle tapou sua boca com a mão e bateu em sua cabeça com raiva.

– Alegro-me saber que está feliz. – Ele notou o acido em sua voz.

– Não é possível que Willas esteja vindo para essas bandas, ele está em Jardim de Cima cuidando de alguns pequenos problemas que surgiram na Campina. Acredite em mim, se Willas estivesse vindo para Porto Real eu saberia. – então por que... ?

– A própria Rainha dos Espinhos me disse.

– Ela está brincando com você Belle, um teste talvez? – Ele acariciou seu rosto e beijou sua bochecha, — pergunte a seu pai se não acredita em mim, ele lhe dirá que Willas Tyrell está lhe esperando na Campina.

Um suspiro de alivio escapou dos seus lábios, ela ainda seria uma Tyrell, mas não agora.

– Achei que você estivesse feliz com meu casamento. – A Lannister agradeceu pela a escuridão, assim Killian não poderia ver o rubor em sua face.

– Eu só soube que você estava prometida ao Tyrell quando cheguei aqui, eu tinha a esperança de que talvez seu pai me desse a sua mão, mas agora... Eu não posso competir com o herdeiro da Campina, eu não tenho uma infinidade de vassalos a meu comando. – Ele a abraçou com cuidado enterrando o rosto em seu pescoço. – Uma palavra sua e ele está morto, eu juro, cavalgarei até Jardim de cima e cortarei sua cabeça fora.

Ela sorriu.

– Não seja estúpido Killian, agora me beije. – E ele o fez.

Logo a capa que ele trazia estava forrada no chão e seu corpo nu prensou-se ao dele. Killian sempre foi um excelente amante e sua cabeça fervia só de imaginar quantas mulheres ele tinha tido antes dela ou mesmo depois, os dorneses tinham grande apetite por amor, será que esperou por mim? Não queria pensar nisso, mas foi impossível não sonhar com aquele homem rezando por uma oportunidade de vê-la de novo.

Assim como ela tinha feito.

– Podíamos fugir. – Ele disse depois de derramar sua semente. – fugiríamos a noite, ninguém notaria nossa ausência até o amanhecer.

– Meu pai nos encontraria e mataria você e me mandaria para as ilhas de ferro para casar com algum velho nojento. – Ele deitou a cabeça sobre seus seios e suspirou.

– Poderíamos pegar um barco e ir para as cidades livres.

Ela cogitou a ideia por alguns instantes até soltar um riso.

– Eu gostaria Killian, mas a verdade é que no fim da nossa historia não existe um final feliz.

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Myriah

Naquela noite ela sonhou com Dorne. Todas as suas irmãs estavam reunidas no pátio interno de Lançassolar e dançavam ao som de um flautista. O ar cheirava a incenso e vinho e o sol brilhava aquecendo sua pele. Myriah sorriu e bebeu um gole do seu vinho, der repente espinhos começaram a crescer ao redor da taça. Ela fechou os olhos e gritou, quando voltou a abri-los viu que suas irmãs não mais dançavam, estavam todas caídas no chão cobertas de sangue com furiosos leões ao redor.

Acordou assustada pensando se aquilo tinha sido um aviso ou uma brincadeira dos seus próprios medos.

Mais tarde, quando o sol já estava na metade do céu, Myriah sentou-se junto com Jynessa em um dos jardins e juntas observaram o pequeno príncipe Tommen brincar com outras crianças. Não passa de uma criança, uma cria de Lannister seu pai teria dito. Mas Rhaenys e Aegon não eram mais que crianças quando foram assassinados, ninguém teve misericórdia deles. Rhaenys foi esfaqueada, meia centena de golpes as pessoas dizem, e Aegon teve sua cabeça esmagada contra uma parede, ambos os copos foram dados ao usurpador enrolados em mantos carmesins. Os primos que ela nunca chegou a conhecer.

Seus pensamentos foram interrompidos com a saudação de Belle Lannister.

– Senhora Jynessa, Senhora Myriah. – A garota sorriu cortês. Vestia um vestido creme e uma renda vermelha prendia os cachos loiros.

– Senhora Belle, é sempre uma honra vossa companhia. – Um sorriso surgiu em seus lábios. – Deseja se sentar?

Jynessa se levantou sussurrando qualquer coisa em seu ouvindo e se afastando depressa. Belle a acompanhou com o olhar até decidir sentar-se. O príncipe notou a presença da tia e sorriu acenando para ela. Uma criança adorável, muito diferente do irmão mais velho.

– Eu gostaria de lhe perguntar algo.

– O que deseja saber? – Belle olhou para Tommen antes de responder.

– Gostaria de saber de Myrcella, — Myriah assentiu brevemente colocando vinho na boca. – ela está bem? Seu noivo gostou dela?

– A princesa e Trystane parecem se dar muito bem, os dois jogam Cyvasse com frequência e ela ganha quase todas as partidas. Não se preocupe, sua sobrinha é bem tratada em Dorne.

– Fico feliz em ouvir e peço desculpas por lhe aborrecer com tal questão.

– Não me aborrece de forma alguma, afinal também tenho pessoas a quem amo e me preocupo. – Novamente pensou nas irmãs, — você deve saber que eu tenho oito irmãs, as serpentes de areia.

– Deve ser difícil ter tantas irmãs.

– É difícil, mas eu não abriria mão de nenhuma delas, — Belle olhou para o horizonte como se pensasse em alguma coisa, — você ama os seus irmãos senhora Belle?

– Com todo o meu coração. – Respondeu com sinceridade.

– Por que irmãos são tão problemáticos? Eles caminham para a própria ruína e nós tentamos pará-los, aconselhamos, gritamos e brigamos, mas não importa realmente o que a gente faça, eles vão continuar até que seus corações quebrem em uma centena de pedacinhos. Sabe, não importa o quão longe eles estão, um dia acabam voltando e nós é que somos responsáveis por colar de volta o seu coração. E nós secamos suas lagrimas e curamos suas feridas; quando estão com suas forças renovadas eles se vão novamente, prontos para cometerem mais erros e a gente fica aqui assistindo, esperando o dia em que eles retornarão para que possamos fazer tudo novamente.

– Eu imagino que suas irmãs lhe dão bastante trabalho.

– Não só elas. — Pensou nos primos também, principalmente em Arianne que se parecia tanto com o seu pai. – O mundo é um lugar cruel e injusto, não é aconselhável amar muitas pessoas. Bem, eu já estou perdida quanto a isso.

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Sansa

Quando Belle Lannister partiu para a Campina, Sansa não conseguiu evitar o choro. Willas deveria ser meu, eu seria mãe dos seus filhos, em seus sonhos ela tinha três meninos e eles se pareciam com seu pai e com seus irmãos, algumas vezes havia até uma menina parecida com Arya. As lagrimas, no entanto, cessaram quando a rainha veio até seus aposentos.

A mulher passou metade do dia sentada observando-a, às vezes comentava alguma trivialidade da corte, outras vezes ficava simplesmente em silencio. Sansa não entendia o porquê daquilo, a rainha evitava vir em seu quarto com medo de adoecer também. Será que ela sabe? O horror tomou conta dela.

Não poderia, ela não tinha falado para ninguém.

– Os vestidos que mandei encomendar para você já estão prontos. – Cercei bebeu um gole do vinho e continuou, — quando estiver curada você terá novas jóias também, e sapatos.

– Obrigada vossa graça.

– Meistre Pyrcelle disse que está confiante em sua recuperação, amanhã ele começara a lhe dar um novo remédio e em breve você estará nova em folha.

A rainha se levantou e andou até a sua cama com um sorriso gentil. Houve um tempo em que ela acreditou na gentileza da rainha e a achava a mulher mais bonita que já viveu, mas agora Cersei Lannister não passava de uma cobra venenosa.

– Sorria passarinho, na próxima vez em que nos encontrarmos será no grande septo. Um dia muito feliz se aproxima.

Meia hora depois de a rainha partir, Margaery Tyrell entra em seus aposentos. Sansa tenta sorrir, mas tudo o que consegue fazer é entortar os lábios.

– Doce Sansa, — hoje ela vestia um vestido mais fechado, com muito mais pano do que de costume. – tenho um presente para você.

Margaery sentou-se ao seu lado na cama e tirou do decote um pequeno frasco azul.

– Beba tudo querida, — ela sussurrou no seu ouvido, — vai se sentir péssima, mas é necessário, precisamos de um pouco mais de tempo.

Tremendo Sansa bebeu tudo e quase deixou o frasco cair no chão. Sua cabeça começou a girar e toda a comida do desjejum lhe subiu pela a garganta.

– Agora durma querida. – Ela depositou um beijo em sua testa e ajeitou sua cabeça no travesseiro.

A visão ficou borrada depois de alguns instantes e antes que percebesse ela estava de volta a Winterfell jogando bolas de neve na sua irmã.

Notas finais
Comentários são estimulantes viu u.u Beijos.