Willas

A leoa está a caminho
trate rapidamente do assunto
e a torne uma Tyrell.


Willas passou a mão pela a cabeça pensando em tudo o que tinha acontecido. O desejo de seu pai em fazer de Margaery uma rainha já estava passando dos limites. Sua avó bem havia dito, estamos entrando em um jogo difícil de ganhar, mas o homem não se importou, queria uma coroa na cabeça da filha de qualquer maneira.

Primeiro Renly, agora Joffrey... O jogo estava mudando de novo. Semanas antes recebeu uma carta de seu amigo Oberyn, mas não era uma das muitas que costumavam trocar, aquela tinha um conteúdo especial. Falava sobre assuntos corriqueiros e depois contava uma estranha estória sobre um cavalo, uma ave e dois cães. Obviamente a historia tinha um significado maior. Na historia um dos cães – o amarelo – seguia as aves enquanto o outro cão – o vermelho – seguia os cavalos. Sua avó havia habilmente virado o jogo e agora as peças estavam prontas para serem movidas.

Willas se sentia usado. Iria se casar com a filha mais nova de Tywin Lannister, um casamento que, pelos olhos dos criados, seria a melhor coisa que já aconteceu. Como serão felizes, diziam pelos corredores. Mas ele sabia que provavelmente não seria assim.

A perna doía mais que o normal, se levantou na cadeira e andou um pouco rezando que aquilo fizesse aliviar. Suspirou cansado e estava prestes a chamar o Meistre quando um criado entrou apressado na biblioteca e disse:

– O senhor Garlan e a Senhora Lannister acabam de chegar aos portões.

Oh céus.

– Mande recebê-los, peça para o Meistre trazer algo para dor e diga aos viajantes que em breve estarei entre eles. – O homem saiu correndo. Willas deixou o corpo escorar na mesa de carvalho e divagou sobre a futura esposa.

Ela era bonita, pelo menos era o que diziam. Willas já tinha visto a rainha uma vez e ela era uma mulher bonita, mesmo que tivesse um semblante desagradável, Belle era conhecida por partilhar a beleza da mesma. Pegou-se temendo que a menina fosse uma miniatura de Cersei Lannister. Que os Deuses não permitam. Esperta como pai, sua avó escreveu, dona de certa astucia. Quando o tempo chegar minha futura esposa pode se transforma em uma verdadeira leoa, ele estava marchando para um tipo diferente de guerra.

A porta se abriu afastando seus pensamentos. O Meistre chegou com sua cabeça raspada e deu a ele um pouco de leite de papoula. Quando a dor aliviou um sorriso sem humor se formou nos seus lábios.

– Seu irmão está aqui senhor e pede para falar... – O Meistre foi interrompido com a porta que se abriu escandalosamente. Garlan entrou na biblioteca com um estranho sorriso na face.

Willas revirou os olhos e venceu a tentação de meter a bengala na cabeça do irmão.

– Meistre... – Não precisou terminar a frase, o homem saiu silenciosamente da biblioteca. – Gostaria de poder enfiar a minha mão nessa sua cara indecente, primeiro querem me empurrar para Sansa Stark e depois para Belle Lannister?

– Duas moças bonitas, você é um sortudo, mas vamos falar da escolhida, Belle, mais bonita que a rainha, lhe juro Willas, tem uma cara inocente, mas não se engane, aquela lá é uma leoa até o ultimo fio de cabelo. – Seu irmão bateu no seu ombro alegremente – Vai ser uma boa esposa...

– Sei que nossa avó planeja que eu fique com Rochedo Casterly também, mas ela se esquece que a menina é a filha mais nova.

– E você esquece que existe um jogo em andamento? Estamos fazendo um favor a essa menina. Nossa avó a sondou antes de trazê-la, não importa quais nossas pretensões, não iríamos mandar uma cobra como Cersei para nossa casa. Tem a cabeça do pai e a beleza da irmã, mas nada da natureza de ambos.

Willas suspirou.

– Onde ela está?

Garlan riu e respondeu.

– No salão de entrada com o tio, seu manto de donzela já está pronto e a cerimônia está sendo preparada, em alguns dias poderá desposar a bela Lannister, mas você sabe que tudo tem de ocorrer o mais rápido possível. Estamos com o tempo apertado. – O irmão virou-se em direção da porta, mas Willas o chamou e ele parou. – O que foi?

– Eu queria perguntar sobre Sansa Stark

Sua avó tinha falado sobre os abusos que a menina sofria, tentando o convencer sobre o casamento, ela disse que ir para Jardim de Cima seria o fim do tormento da pequena Stark. Agora, que os planos eram outros, ele se perguntava o que aconteceria a garota.

– Uma menina bonita ela, seria uma boa esposa também. Nossa avó não se esqueceu da menina e obviamente ela foi parte do acordo, logo depois do seu casamento a garota será colocada em um lugar seguro. Agora pare de pensar nisso e vamos encontrar sua noiva.

Mancando ao lado do seu irmão, ele encontrou a comitiva dos Lannister no jardim. O primeiro a avistar foi Kevan Lannister, um homem rechonchudo que riu de algo que um rapaz mais novo disse. Logo depois ele viu uma moça, estava de costas olhando em direção do Vago, devia ser sua noiva, pois os cabelos eram tão dourados quanto o sol.

Ao vê-lo se aproximar, Kevan tocou no ombro da menina e ela se virou. Quando isso aconteceu, Willas pensou que perderia o ar. É bonita, uma constatação estúpida e obvia. Os cabelos reluziam com o sol, os olhos eram um par de esmeraldas brilhantes e a pele era alva e delicada. A menina o olhou e sorriu educada.

– Espero que tenham feito boa viagem, senhores... Senhora. – Agora de perto ele pode vê-la com mais clareza. Ela tinha algumas poucas sardas no nariz, tão claras que era preciso prestar muita atenção para ver. – Seus quartos foram feitos e espero que desfrutem da estadia.

– Desfrutaremos senhor, deixe-me apresentar minha sobrinha, Belle Lannister. – A garota se curvou educadamente e o decote do vestido azul acabou sendo mais revelador do que ele gostaria. Sentiu um calor estranho tomar conta de seu rosto.

– É um prazer e um deleite conhecê-lo senhor. – Sua voz era doce e suave.

– O prazer é todo meu.

A menina ergueu o rosto e o olhou descaradamente, tem a cabeça do pai, seu irmão havia dito. O traço do seu rosto era infantil e angelical, mas ele devia ter cuidado, ela é uma leoa até o ultimo fio de cabelo.

.

Belle



Eu a amei mais do que a mim mesmo...

Estava de volta ao Rochedo Casterly e Cersei, Jaime e Tyrion eram mais jovens e estavam sentados sobre sedas azuis no jardim, os três riram e não pareceram notá-la. Seu pai também estava lá e os três filhos o olharam e sorriram e o pai sorriu de volta. Estão felizes, pensou, mas onde eu estou? Andou até os irmãos, a jovem Cersei parecia uma donzela saída das canções e em seus olhos verdes não havia o brilho amargurado que tinham hoje.

Venha comigo... – A voz sussurrou no seu ouvido.

Uma bela mulher loira de olhos verdes chegou ao lado de seu pai. Beijou os cabelos de Tyrion, afagou a cabeça de Jaime e sorriu para Cersei. Belle sabia quem ela era, mas não ousou dizer. Eu não existo, e o pai não odeia Tyrion e Cersei não é infeliz e Jaime não é um regicida. Der repente, a mulher olhou para ela com os olhos verdes brilhantes, da sua boca saíram corvos e gritando ela virou-se e correu.

Não havia mais o Rochedo, estava em uma planície morta e escura. Os olhos transbordaram em água e ela o viu. Parado e brilhante, tão bonito quanto se lembrava. Os olhos azuis eram gentis e o sorriso a arrebatou. O ar se encheu de doçura. Correu em direção dos seus braços, ele a protegeria de todo o mau.

– Eu te amo. – Ele disse quando ela o alcançou. – Eu te... – A voz se transformou e quando olhou para cima viu Willas e ele carregava um sorriso melancólico. – sinto muito.

Quando acordou o suor cobria todo o seu corpo. As lagrimas ainda rolavam no seu rosto quando uma das criadas abriu a porta e se espantou pelo seu estado. A menina correu para chamar alguém e minutos depois seu tio Kevan entrou.

– O que aconteceu querida? – O homem sentou ao seu lado na cama e afagou seus cabelos.

– Não foi nada, tive apenas um sonho ruim.

Pediu gentilmente para que o homem chamasse as aias para lhe preparar um banho. Hoje era sua primeira manhã em Jardim de Cima e queria mostrar sua melhor aparência.

A água fresca fez escapar um suspiro de seus lábios e os olhos azuis voltaram na sua mente. Esfregaram suas costas e seu cabelo, e depois o escovaram até caírem suaves pelos seus ombros. Quando foi se vestir, escolheu um vestido azul, o mesmo que tinha usado na ultima conversa em que teve com o pai em Porto Real. Faça com que ele se apaixone por você, ele havia dito baixo, como num sussurro.

Ela bebericou o leite que lhe foi servido e comeu um pouco do pão. Estava pronta e perfumada quando seu tio voltou; todo em vermelho, o homem lhe deu o braço e os dois foram para fora. Andaram até o jardim onde ela vislumbrou Willas pela a primeira vez. O rapaz era manco, como já tinham lhe dito, mas a deficiência não lhe fez menos bonito. Os cabelos castanhos eram mais escuro do que o dos irmãos e tinha olhos indecisos, intercalavam entre dourado, castanho e azul. Era educado como diziam e gentil também, mas Belle desconfiou de cada palavra que saiu de sua boca. Sua única vitoria foi ver o quanto ele estava desconfortável. Quase riu. O herdeiro da Campina tinha ficado completamente desconcertado quando há viu. Esperava-me mais feia, o pensamento quase a fez rir.

O aroma das flores enchia o ar e se deparou com dois meninos, claramente plebeus, brincando do lado de fora. Ao vê-la eles pararam e correram como se ela carregasse alguma doença.

– Quem são aqueles? – O tio apressou-se em responder.

– Filhos de um dos empregados, aparentemente o pai dos garotos salvou o senhor Willas e o seu noivo em troca ensina os meninos para que sejam cavaleiros um dia.

– Que bondoso da parte dele.

– Ele é bastante bondoso.

Assim como toda a sua família, o pensamento saiu em um tom irônico. Margaery costumava fazer caridade em Porto Real e em pouco tempo se tornou a rainha dos corações. Todos a amavam e sua irmã Cersei adquiriu certa aversão pela a noiva do filho. A pequena rosa conseguia controlar Joffrey mais do que a própria mãe.

– Senhora. – Willas apareceu ao seu lado apoiando o peso na bengala. – Soube que não teve uma boa noite de sono.

– Foi só um pesadelo senhor.

Agora os olhos deles estavam azuis, vestia as cores dos Tyrell.

– Mandarei o Meistre lhe dar algo para dormir.

– Não precisa, os pesadelos não me são frequentes.

Aquilo era uma mentira.

Desde que seu sobrinho mandou cortar a cabeça de Eddard Stark, os pesadelos perturbavam sua noite. Às vezes eram lobos, outras vezes eram seus irmãos em uma forca e raras vezes eram lembranças de um tempo que jamais voltaria.

– Acompanha-me?

Ela olhou para o tio e o homem afirmou com a cabeça. De braços dados, os dois caminharam, passaram por um corredor feito com arcos de pedra e ela se deparou com outro jardim, ainda mais bonito e perfumado. As roseiras de rosas douradas brilhavam com o orvalho e uma planta vermelha que ela não conhecia cresciam atreladas aos bancos brancos que tinha uma proteção contra o sol.

– Gostou?

– É muito bonito, não temos um jardim tão bonito assim no Rochedo.

– Mas eu aposto que tem bastante ouro.

Ela riu.

– Mas do que você pode sonhar; uma vez um homem disse que meu pai urinava ouro, até hoje ninguém sabe onde o homem foi parar.

Uma vez Tyrion lhe disse que o espírito do homem vagava pelas paredes do Rochedo, procurando por pequenos Lannister para matar. Ela se lembrava de morrer de medo por um mês inteiro até que seu pai, depois de saber da historia, foi até seu quarto e disse que era tudo mentira.

– Seu pai não gosta muito de piadas.

– Nem de sorrisos, eu lhe garanto, meu pai é um homem de pouco humor.

Pararam na frente de uma grande arvore e então sentaram em um dos bancos.

– Acha que tem alguma chance de me amar?

A pergunta a pegou de surpresa. Um estranho rubor subiu pelas suas bochechas e o coração deu pulos. A mão dele estava sobre a sua, o calor da pele dele passava para a sua.

– Espero que sim. – Duvidava muito, mas naquele momento não podia ser honesta.

– Espera?

– Meu pai sempre disse que casamentos não são feitos com amor, — ela suspirou – minha irmã nunca amou o marido e Robert, bem, ele não foi o melhor dos homens. Eu espero ser feliz e espero amá-lo com todo o meu coração, não gostaria de acabar como minha irmã.

Se você ao menos fosse Killian.

– Casamos por razões políticas, mas eu gostaria que a nossa convivência fosse agradável.

Quando os olhos deles miraram o seu ela pode ver um rastro de tristeza ou talvez fosse culpa. Ele deve ter amado alguém antes, talvez fosse uma prostituta, sabia de homens que perderam sua cabeça por mulheres assim. Ou talvez uma plebéia filha de um açougueiro ou ferreiro. Não poderia culpá-lo, afinal, seu coração também pertencia a outro.

– Eu vou garantir que nossa convivência seja a melhor possível.

Quando anoiteceu, ela comeu com o tio e seus homens no pequeno salão ao som de um harpista. Kevan Lannister falava com os rapazes e rapidamente se esqueceu dela, Belle tratou de comer rapidamente e levantou-se depois de pedir licença.

Estava andando em direção do seu quarto quando seu futuro marido trombou nela. Ele segurava alguns livros e todos caíram de sua mão.

– Deixe que eu pego. – Não é bom que ele se abaixe. Pegou os livros e colocou em suas mãos, ele parecia aborrecido, mas quando ela sorriu, o desagrado pareceu ir embora. – Desculpe, estava distraída.

– A culpa é toda minha milady, para onde está indo?

– Para o meu quarto senhor.

– Quer que eu a acompanhe.

Faça com que se apaixone, novamente a voz do pai ressoava em seu ouvido, use as armas certas e ele cairá de amores, desta vez quem falou foi a irmã enquanto bebia seu vinho. Willas ainda esperava por uma resposta e ela alegremente a deu:

– Seria um prazer.

Caminharam em silencio pelo o corredor, não havia nenhum sinal de empregado ou guarda, aquilo a encorajou ainda mais. Quando chegaram à porta do seu quarto, ele tratou de se despedir, mas Belle agarrou seu braço e com a melhor imitação de medo pediu.

– Desculpe lhe pedir isso, sei que é impróprio, mas poderia ficar até que eu dormisse? – Os olhos dele saltaram e um rubor tomou conta do seu rosto. – Por favor.

– E... Eu posso fazer.

– Obrigada senhor.

Entraram rapidamente no quarto e quando ela fechou a porta, sentiu um arrepio subir pela a espinha. Não pense Belle, apenas faça, por Tyrion, por Jaime, por Cersei e pelas as crianças.

– Pode virar-se de costas? Eu tenho que vestir a minha camisola.

– Eu não acho que isso seja muito adequado, eu posso sair para que a senhora se vista.

– Alguém pode lhe ver e então seria ainda menos adequado, confio no senhor e sei que não vai me espiar. – Um sorriso brincalhão surgiu nos seus lábios enquanto ele se virava visivelmente incomodado.

Lutou contra os botões, mas logo se livrou do vestido e do corpete, vestiu uma fina camisola e se colocou debaixo dos lençóis.

– Eu durmo rápido, prometo.

– Pode levar o tempo que quiser.

Viu uma breve expressão de dor passar pelo seu rosto.

– Senhor, sente-se na cama, será melhor.

– Não é...

– Apropriado, percebo que se preocupa muito com isso, mas por hoje não se preocupe, sente-se e eu dormirei mais rápido. – Relutante Willas se sentou e depois tentou disfarça a expressão de alivio.

O silencio se instaurou no quarto.

– Desculpe outra vez por pedir isso... – Propositalmente ela levantou o tronco sentando-se, a camisola não deixava muito para a imaginação e ela rezou para que não tivesse corado quando ele passou os olhos pelos seus seios.

Sua mão tocou o ombro dele e os dedos seguiram pelo o braço até a mão. Tinha braços fortes, ela percebeu. Aproximou-se sem que ele notasse e então tocou seu pescoço.

– Você é tão bonito. – A declaração veio baixinho ao pé do ouvido.

Antes que ela pudesse se preparar, Willas beijou os seus lábios com uma sofreguidão inesperada. Tratou de afastar a surpresa e aproveitou o momento. Quando o pulmão clamou por ar, eles se separaram e ela distribuiu beijos pelo seu rosto, as mãos desatavam os nós do gibão verde.

– D...

Selou os lábios de ambos antes que ele pudesse falar alguma coisa. Ele está perdendo o controle. Suas mãos passearam pelo o peito desnudo e as mãos deles foram até suas pernas. Quando Willas voltou a beijá-la com a mesma intensidade de antes, sua camisola já estava levantada até a barriga. Ele a tocava em todos os lugares e então seus dedos chegaram a sua intimidade. Arquejou de prazer quando o sentiu lá.

Ele beijava seu pescoço e ela se controlava para manter seus ruídos baixos.

Quando ele a olhou, com os olhos cheios de luxuria, ele a penetrou de leve, ela soltou um longo suspiro e então não era mais Willas em seu quarto. Ela tocou os cabelos ruivos com descrença e os olhos azuis... Ele sorriu e então beijou novamente o seu pescoço.

Killian... – Ela suspirou seu nome e no mesmo segundo notou o seu erro. O horror tomou conta do seu rosto, o que você fez sua burra.

Willas a olhou

– Você disse algo? Estou lhe machucando? – Ele não me ouviu. E então foi como se algo tivesse lhe passado na cabeça, sua expressão se transformou. – Pelos Deuses o que estamos fazendo.

Levantou-se da cama.

– Desculpe por isso... Deuses, eu quase...

– Senhor...

– É melhor que eu parta, sinto muito.

E ele se foi antes que ela pudesse pedir para que ficasse.

Notas finais
Espero que tenham gostado... Demorei um pouco mais por que fiquei empacada no cap que estou escrevendo agora - ainda estou empacada na verdade - mas vou resolver isso em breve. Comentários me ajudam viu u.u Beijos e desculpem qualquer erro.