Songfics

4 Ciranda da bailarina (Edu Lobo e Caetano Veloso) – Lily X James


Notas iniciais
Resolvi que vou seguir com essa coletânea de songfics e, talvez, publique todas em um único, afinal faz anos que elas estão salvas em meu computador e só agora tive tempo para postar. Você vocês lá embaxio! Beijos com gosto de cupcakes azuis.

Todo dia é a mesma rotina de levantar, descer para o café da manhã com meus amigos e ir para o campo de quadribol treinar. E todo dia meu caminho cruza com o de Lílian Evans, a garota que eu tento convidar para ir a Hogsmeade comigo desde do quarto ano e já estamos no sexto, não sei quando ela vai me notar.

— Pontas preste atenção ou vai cair. – Sirius me avisa.

Ele é um ótimo amigo, confiaria minha vida a ele, sei que posso falar todos meus segredos que ele nunca os contaria. Acho que é por isso que o chamo de cachorro, tão fiel, tão bravo e tão pegador quanto um.

Mas ele tem razão, eu preciso mesmo começar a prestar atenção no chão ou irei cair nos corredores de Hogwarts e isso é algo que iria manchar minha imagem de maroto. O problema é que tenho muitas distrações que me fazem perder o foco do que realmente estou fazendo.

— Evans, quer ir a Hogsmeade comigo no próximo final de semana? – indago parando ao seu lado e colocando meu braço em seu ombro.

— Já falei que não James. – retira meu braço e segui o caminho da aula.

— Por favor. – a acompanho e faço minha melhor cara de cachorro de caiu do caminhão da mudança.

— Não James e pare de insistir. – apressa o passo.

— Vamos lírio, eu sei que você quer dizer sim. – sorrio e ela nega com a cabeça se sentando no lugar de sempre.

A verdade é que Lílian Evans sempre foi e sempre será a garota certinha, sabe-tudo, imbatível e incomparável. Duvido que algum dia consiga esquecer seus olhos verdes, seu cabelo ruivo e a maneira como ela junta as sobrancelhas e morde o lábio inferior quando se concentra.

Fico me perguntando se ela alguma vez já ficou doente, mas doente mesmo daquelas que te dão diarreia, vômito, pus na garganta e coriza que não acaba mais, são sintomas nojentos, mas que todos nós já tivemos alguma vez na vida.

Imagino se ela alguma vez já teve lombriga ou frieira quando era criança, é a coisa mais normal que tem, toda criança já colocou areia na boca pelo menos uma vez na vida, mas acho que ela é tão inteligente que nunca teria feito isso.

Também fico intrigado como ela consegue estar bonita mesmo às seis da manhã sem aquela de cansaço e amassado por conta do travesseiro, será que ela chega a dormir de verdade?

Ao menos as brigas na família provam que ela é normal e que brigas, irmã que a chama de aberração, pais que não entendem muito bem o que acontece com ela, mesmo que se esforcem para tal, cunhado que a despreza tanto quanto a irmã e por aí vai.

— Potter! – gritam meu nome.

— Sim professor? – indago olhando para o professor de Defesa contra as artes das trevas.

— Me diga o nome de uma maldição imperdoável. – ele ordena e todos ficam em silêncio, engulo em seco.

— Avada Kedavra. – murmuro.

— Mais alto Potter, não ouvi nada!

— Avada Kedavra. – digo alto e tremo assim como o resto dos alunos.

Não preciso nem olhar para Lílian para saber que reprova minha fala, mas eu não poderia fazer nada, era responder ou pegar uma detenção. É talvez ela seja um pouco teimosa e tenha alguns defeitos.

Viro discretamente para trás e posso ver que ela com a testa apoiada na mesa, tem algo muito errado, aquela não é a senhorita Evans que eu conheço. Só pode estar doente, chamo meus amigos e vamos até ela, não sem antes um grito do professor para que nos sentemos de novo.

Coloco minha mão em sua testa e está pelando, deve estar com pelo menos 38 graus de febre, peço permissão para lavá-la à enfermaria e o professor me libera, acho que ele só disse sim para que eu não atrapalhasse mais a aula.

Ela é colocada na cama e me sento na cadeira ao seu lado e fico de mão dada, me voluntario para passar a noite ao seu lado. A verdade é que mesmo que eu a irrite, não imagino mais como seriam meus dias sem a ver e sem a provocar.

E talvez se olhar bem ela também seja uma garota normal, que adoece, que pega frieira e que comeu areia quando criança. Quem sabe se eu parar de pegar tanto no seu pé, ela finalmente diga “sim” para a minha pergunta diária “gostaria de ir a Hogsmeade comigo no próximo fim de semana? ”

Sinto o aperto mais forte e a pego olhando para mim, já deve ter amanhecido, pois a enfermeira disse que ela iria dormir à noite inteira por conta do medicamento. Não me contenho e a primeira coisa que faço é colocar meus lábios em sua testa para medir a temperatura.

— Tudo bem, eu vou com você a Hogsmeade. – diz sorrindo.

— Finalmente. – comemoro. — Mas agora a senhorita trate de se cuidar, nada de pegar friagem, ficar a acordada até tarde e nem aparecer nas aulas nos próximos dois dias. – estremece com a última parte.

— Sem aula? – choraminga.

— Sem aula, mas terá o ilustre prazer da minha companhia e eu posso trazer minhas anotações para você. – ofereço enquanto vejo outro sorriso brotar em seu lábio.

Calma, é isso mesmo? Lílian Evans está sorrindo pela segunda vez para mim num mesmo dia? Vai chover.

— Você está falando sério? – agora me olha um pouco desconfiada.

— Claro lírio. – me retiro e vou para as aulas.

Vejo que meus amigos estão me esperando no corredor e não consigo conter meu sorriso, ela por fim aceitou meu convite de ir até o povoado de Hogsmeade. Eles fazem centenas de perguntas, algumas com tom malicioso, outras não. E não poderiam faltar várias provocações do tipo “ele está tão vermelho quanto o cabelo dela”, “será que seus filhos serão ruivos? “, “será que ela está ficando cega?”, “que tipo de feitiço usou nela?” e por aí vai, não pude fazer nada além de rir.

Realmente ela não é uma garota perfeita que poderia ser uma bailarina completa que nunca erra um passo da dança nos ensaios, nunca cai e não tem machucado. Também não é a pessoa mais fácil do mundo e com certeza já ficou doente milhões de vezes, arrisco-me a dizer que até escarlatina ela já teve. E é claro que ela é gentil com os outros e que se mostra corajosa, mas todos sabem que tem pavor de altura.

Mas ela é a garota perfeita para mim, mesmo com todos os defeitos, porque olhando de perto todos nós temos remela quando acordamos as seis da matina, temos problemas na família e temos medo de algo, nem mesmo a bailarina está isenta desses problemas.

Notas finais
Espero que tenham gostado e até o próximo capítulo! Beijos com gosto de cupcakes azuis