Songfics
7 Nightingale
Notas iniciais
“Eu não consigo dormir esta noite
Bem acordada e tão confusa
Tudo está em ordem
Mas eu estou machucada.”
Anna sofria acordada em sua cama no meio da noite, seu melhor amigo havia morrido e sua mãe não a deixara ir em seu enterro pois não gostava dele, porém a garota sabia que ele era uma boa pessoa e já sentia sua falta, sentia-se mal por não poder ir vê-lo uma última vez.
“Eu preciso de uma voz para ecoar
Eu preciso de uma luz para me levar para casa
Eu meio que preciso de um herói
É você?”
O garoto sempre fora sua luz, seu herói, o que seria dela agora? Como ficaria sem ninguém já que ele era o único que ela tinha? Ela não iria aguentar, ela precisava de seu amigo de volta, ele não podia ter ido assim, ele não merecia.
“Eu nunca vi a floresta por entre as árvores
Eu realmente poderia usar sua melodia
Querido, estou um pouco cega
Eu acho que é hora de você me encontrar.”
Era assim que Anna sentia-se: cega. Ela não enxergava nada, não via nada, não conseguia pensar em como viveria agora, sozinha.
Ela queria dormir, talvez se dormisse conseguiria esquecer de tudo apenas por um momento, poderia sentir-se em paz ao menos por um momento, ou então poderia encontrar seu garoto em seus sonhos, mas pensamentos a impediam de fechar os olhos e uma dor de cabeça imensa a impedia de ter sono, ela sabia o que a faria dormir, mas não poderia ligar para seu amigo cantar para ela, agora ele cantaria em outro lugar.
“Você pode ser o meu rouxinol?
Cante para mim, eu sei que você está aí
Você pode ser minha sanidade
Me trazer paz
Cante para eu dormir
Diga que você será o meu rouxinol.”
Lágrimas escorriam freneticamente por seu rosto fino, a sanidade já era pequena em seu corpo e ela queria ir ao encontro de seu amigo, até iria se não tivesse prometido a ele que aguentaria firme pelo mesmo. Agora sem ele aguentaria pelo que?
Ela tentava dormir de qualquer maneira mas o sono não vinha, ela sabia que qualquer tentativa seria falha já que estava lutando contra uma insônia a dias e só dormia com a voz de seu rouxinol, como dormiria sem ele para cantar para ela?
Ela sabia que ele estava ali, sabia que ele estava cuidando dela em qualquer lugar que estivesse mas não poderia cantar, ela jamais ouviria aquela doce voz outra vez, a não ser que fosse para o mesmo lugar que ele, porém sabia também que o decepcionaria se fizesse o que queria fazer e decepcioná-lo era o que menos queria naquele momento.
Anna pegou seu telefone e discou o número tão conhecido, tinha consciência de que ninguém atenderia mas ao menos poderia escutar a gravação de sua caixa postal.
“Alguém fale comigo
Porque estou me sentindo como o inferno
Preciso de você para me responder
Estou sobrecarregada.”
Pensou que aquilo iria ajudá-la, estava errada, aquilo só a fez chorar mais, só a deixou pior. Ouvir a voz de seu amigo pelo celular a fez se lembrar de muitas coisas, muitas coisas que não teria mais e aí sim não conseguiu dormir mesmo, as lágrimas que pareciam não poder aumentar aumentaram e a dor de cabeça que parecia não poder piorar piorou, parecia que ela iria explodir a qualquer momento se não acordasse e percebesse que aquilo era um sonho, parecia que ela estava vivendo um verdadeiro inferno.
“Eu não sei o que faria sem você
Suas palavras são como sussurros, sobrevivem
E contanto que você esteja comigo hoje à noite
Eu estou bem.”
Anna se sentia assim, ela não sabia o que faria sem ele e isso era tudo o que pensava agora. Se lembrava de todas as últimas palavras que ele havia dito a ela na última vez que se viram, a poucos dias atrás e aquilo a deixava pior de alguma maneira. A garota queria ele com ela outra vez, tinha certeza que só isso a deixaria bem mas também tinha certeza de que era impossível, a não ser que também morresse, porém o que a mataria naquele momento que não fosse ela mesma?
“Você pode ser o meu rouxinol?
Sinto tão perto, sei que você está aí
Ohhhh, rouxinol
Cante para mim, sei que você está aí
Porque, querido, você é a minha sanidade
Você me traz paz
Cante para eu dormir
Diga que será meu rouxinol
Oh
(Uh, uh)”
Anna se levantou e foi para a sacada de seu quarto, olhou para o céu e viu uma estrela cadente passar. Logo lembrou-se da música preferida de seu amigo, a que ele sempre cantava para ela e que passou a ser sua preferida também, então cantarolou seu refrão, ela seria o rouxinol agora.
Uma brisa calma passou por ela e a garota sentiu como se seu amigo estivesse ali, então lembrou-se que ele não estava e a última gota de sanidade que restava em seu corpo desapareceu, não adiantava ir deitar-se pois não dormiria e não tinha quem cantasse para ela, então terminou a última frase da canção que ainda cantarolava e subiu no parapeito de sua sacada, atirou-se no ar como se soubesse voar e finalmente conseguiu dormir, finalmente foi se encontrar com seu rouxinol.
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