Songfics
8 Battlestar Anorexia
Notas iniciais
Era assim todas as vezes: Anna chegava do colégio, ignorava as pessoas e ia correndo para seu quarto. Ao chegar no mesmo trancava a porta e jogava sua mochila no chão, tirava a roupa em seguida, ficando apenas de calcinha e sutiã e então seguia para o banheiro.
"Esta doença vai fazer seu coração explodir
Derreta seus dentes e carne até o osso.
Eles tomaram nosso sangue agora, baby.
Seu beijo é me envenenar.
Eles tomaram nosso sangue sem deslizamento da permissão.
Querida, não vai por favor...
Virar pedra! Virar pedra!"
A garota parava na frente do grande espelho e sentia vontade de quebrá-lo, porém não podia fazer isso.
Ela encarava seu reflexo e tinha vontade de chorar. Ali ela via uma garota feia e gorda, com braços e pernas grossas, barriga grande e cheia de estrias e celulites pelo corpo, o que não era verdade já que quando estava tomando banho podia sentir todos os ossos de seu abdômen e de outras partes de seu corpo magro, mas o espelho mostrava outra coisa e ela acreditava nele. Ela sabia que não estava bem, que aquilo já havia passado do limite e que estava praticamente morta, mas não conseguia parar com aquilo.
"Esta doença vai fazer o seu sangue por sua vez, cinza
Recuperar o fôlego e lançar-se para o lixo.
Esta é uma viagem a jato de campo preto para o fim dos dias.
Levaram o nosso sangue agora baby, talvez algumas coisas nunca mudem...
Virar pedra! Virar pedra!"
Anna sabia que seus dias estavam contados a partir do momento que começou com isso, porém os julgamentos eram tantos que pensou que essa era a melhor coisa a se fazer e que pararia quando quisesse. Estava errada, ela não podia mudar isso, não podia parar, não podia controlar, não mais.
Com lágrimas molhando seu rosto ela se abaixou em frente a privada e enfiou dois dedos na garganta, não precisou fazer muita força para a salada que havia comido há alguns dias sair e então ficou tonta, precisou ficar sentada no piso frio do banheiro por algum tempo até se recuperar.
Suas pernas quase não a aguentava em pé já que seus quarenta quilos eram muito pouco para quase 15 anos e 1,60 de altura, mesmo assim ela se forçou a levantar, lavou o rosto e a boca, deu descarga e então voltou ao quarto, vestiu a roupa novamente e ouviu seu estômago roncar, se repreendeu mentalmente e deitou-se, não podia comer então iria dormir, assim enganaria a fome, assim se enganaria como sempre fazia.
"O tempo faz cadáveres
De nossas peças móveis
Você vai ver, quando sorrisos roubarem suas atenções. Você vai ser salvo se você repetir o meu nome.
Previsto para o lixo porque algumas coisas nunca mudam. E esquartejado como você queria, você vai fazer o que quiser.
Eu cravei seu nome a esta bonita carne: 'Você vai morrer por mim'."
A garota sabia que quanto mais tempo passasse pior seria, mas seria muito pior contar a alguém, ninguém iria ajudar, iriam dizer que "era pra chamar atenção", tudo que os adolescentes fazem é para chamar atenção, ninguém leva a sério mesmo quando é uma doença como essa.
Anna estava se destruindo como muitas outras pessoas, estava se destruindo com a ajuda de outra Ana, e essa "Ana" mata, essa "Ana" também é conhecida como Anorexia, essa "Ana" fez a garota inocente assinar o seu atestado de óbito.
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