“There's so much life I've left to live
And this fire is burning still”

Tumulto entre os Gorma. Um casal de generais de outra divisão foi descoberto. Os apaixonados revoltaram-se e foram executados. A notícia correu pelo palácio.

“Morreram por nada.” Shadam comentou.

Gara sorriu ao ouvi-lo. Desprezava essas ninharias humanas. Ao mesmo tempo, algo a incomodava. Sentia o coração arder quando o coronel se aproximava, quando conversava com ele ou mesmo em um contato visual. Já se interrogava se a preocupação com o colega ou o desejo pelo sucesso dele não eram sinal de algo mais.

“When I watch you look at me
I think I could find the will
To stand for every dream
And forsake this solid ground”

Algumas vezes, partiam apenas os dois para uma batalha. Também tinha conversas a sós com ele. Eram raros, mas preciosos, os momentos em que falavam de coisas banais, e ele sorria de tal forma que a deixava sem graça. Vinha-lhe à mente o impulso de pegá-lo pela mão e sugerir a possibilidade de um relacionamento, mas sabia que poderia se frustrar. Shadam desprezava certos valores humanos, tratando-os como fraquezas. Mas tinha a esperança de que ele a valorizasse entre todos os Gorma.


“And give up this fear within
Of what would happen if they ever knew
I'm in love with you”

Além da atitude do coronel, havia a própria política da tribo. A raiva, a inveja, a inimizade, a competição desenfreada eram incentivadas. A origem do poder dos Gorma era o ódio. Ela bem o sabia e concordava com eles, mas começava a entender que isso também lhe seria prejudicial. Imaginou as consequências de uma declaração apaixonada, ou mesmo da descoberta de um dos membros da tribo: a rejeição por parte de Shadam, o afastamento, a perseguição, a morte.

“'Cause I'd surrender everything
To feel the chance to live again”

Desde aquele incidente, sua angústia aumentava com o passar dos dias. Qualquer momento com Shadam era um gatilho para a tensão já existente. Decidiu dar-se uma chance.