“I reach to you
I know you can feel it too
We'd make it through
A thousand dreams I still believe
I'd make you give them all to me”

Numa conversa casual com ele, iniciou o assunto de maneira aparentemente desinteressada:

“Eu estava pensando no fuzilamento daqueles dois generais...”

“Que foi? Ficou preocupada com eles?” ele riu.

Ela riu em resposta. “Não, não...” Pausa. “É que... E se acontecesse com alguém do palácio, alguém próximo de nós?”

“Seria executado do mesmo jeito.”

Ela se assustou por dentro, mas manteve-se impassível.

“Digo... Se alguém confessasse que gosta de você...”

“Por acaso, é você?” ele riu de novo.

“Eu tô falando sério!” ela riu, mas elevou um pouco o tom da voz.

“Você me conhece, sabe que eu não me importo com isso. A pessoa que se resolva com os Gorma.”

Momento de silêncio. Ela retomou.

“E se você...”

“Esse assunto tá meio estranho. Por que você insiste nisso?”

“Não se preocupe. Você sabe que eu te conheço, eu não insistiria em algo que te desagrada, mas... Uma última pergunta. E se você se apaixonasse por alguém?”

“Você só pode estar brincando comigo...”

“Mas é sério. Você se permitiria...?”

“Nem repita uma coisa dessas, se não alguém te ouve e pode desconfiar de você. Não vai acontecer. Já casei uma vez e deu errado. Não caio no mesmo erro duas vezes.”

Sua resposta foi cortante. Ele saiu do local, uma varanda de frente para um campo. Ela ficou a olhar para a paisagem. Conteve as lágrimas.


“I'd hold you in my arms and never let go
I surrender”

Numa batalha entre os Dairangers e o monstro Semi Shogun, Shadam passou a controlar este como da vez em que controlou Pachinko Daimeijin. Usou a Kyodaika Bakudan para crescer; os Rangers invocaram o DairenOh. Eles estavam tendo dificuldade, pois o adversário possuía maior Youryoku que o normal. Kiba Ranger veio em auxílio deles, por meio do Won Tiger. O robô lançou esferas de fogo contra o inimigo. DairenOh deixou-o tonto com o redemoinho de Sei Houou. Os dois mechas cercavam Semi Shogun. Combinaram o ataque de espadas, que fez o monstro cigarra explodir. Shadam voltou ao tamanho normal e caiu de uma certa altura. O confronto com os dois robôs tinha-lhe exigido muita energia, especialmente durante o ataque final, e ele permaneceu desmaiado. Gara veio em seu socorro, carregou-o até um galpão próximo e tratou suas feridas. Ainda sem resposta dele, segurou-o em seus braços e repousou a cabeça sobre o ombro dele.

“Shadam... Se você soubesse...” Apertou o braço dele. “Se você soubesse!...” E rompeu em lágrimas.


“I know I can't survive
Another night away from you”

Passavam-se dias e noites, batalhas e derrotas, e sua situação era de constante sofrimento, atenuado pelos momentos leves com os colegas de triunvirato. Passou a evitar contato direto com o coronel, mas ainda hesitava nessa decisão. Certa vez, teve insônia. Aproximou uma cadeira da janela e ficou a olhar para a paisagem, buscando na tranquilidade da noite o estímulo ao sono, que lhe fugia. Adormeceu com a cabeça inclinada no braço, que repousava no parapeito da janela.

Por causa do sono profundo, não ouviu o chamado para o café da manhã. Shadam bateu à porta, não ouviu resposta e abriu-a. Entrou no quarto e chegou perto dela. Tocou sua mão e chamou seu nome. Ela ficou surpresa ao vê-lo.

“O que aconteceu?” ele perguntou.

“Não conseguia dormir.”

“E qual o motivo?”

“Não é nada, nem precisa se preocupar.”

“Você está agindo estranho ultimamente.”

Ela não respondeu. Levantou-se da cadeira e caminhou em direção à porta. Ele a seguiu.

“You're the reason I go on
And now I need to live the truth”

Decidiu, com firmeza, evitar contato pessoal. Porém, parecia que, quanto mais fugia, mais ele a encontrava. Estava acostumado a fazer-lhe gentilezas, de vez em quando, por educação e companheirismo. Ela não o podia impedir, pois ele suspeitaria.

Em uma ocasião, viu-o discutir com Akomaru. Num acesso de raiva, mas planejado, o menino chutou a canela do pai, que se ajoelhou com o impacto, e pegou o punhal que aparecia de seu bolso.

“Akomaru, devolva!” Ele se levantou e tentou tomar a arma das mãos do garoto, sem sucesso, sendo tapeado.

Akomaru levou raios laser, mas se recuperou e correu para a saída da sala, deparando com Gara. Ela tentou tirar o punhal dele, forçando seu braço, o que o deixou nervoso e o levou a causar um corte no braço dela. A tenente segurou a região, devido à dor imediata, mas aproveitou que o menino estava próximo e segurou-o pelo pescoço. Ele usou as duas mãos para se livrar dela e deixou cair o punhal. Ela pegou o objeto do chão e devolveu-o a Shadam.

“Venha comigo.”

“Por quê?”

“Vamos tratar esse--”

“Não precisa.”

“Como assim? É claro que precisa!”

Ele a levou a outro cômodo, onde havia mesas e cadeiras. Trouxe água e curativos. Ela o via limpar a região do corte e pensava consigo mesma se valia a pena fugir dele, reprimir o que sentia por ele. Queria mais de seu lado bom. Sabia que não escaparia dessas gentilezas, e, se tentasse, ele estranharia e faria de tudo para descobrir. Surgiu-lhe a hipótese de ir embora da tribo, mas seria pior.

Shadam terminou o curativo e ela o agradeceu. Levantou-se para sair, mas ele segurou sua mão.

“Quer me contar o que está acontecendo?” Ele falou num tom baixo, mas sério.

“Não tem nada, Shadam.”

“Você está agindo estranho.”

“E por que você insiste nisso?”

“Eu percebi que você tá me evitando. Agora, e da outra vez, e outra... Esses dias, eu te encontrei na janela, porque... E você não é de ter insônia. E tudo isso depois daquela conversa.”

“Right now, there's no better time
From this fear I will break free
And I'll live again with love”

Momento de silêncio. Ela não respondeu, apenas respirou fundo. Ele retomou.

“Você está gostando de mim?”

“E se eu estivesse?”

Essa resposta o surpreendeu.

“E se eu estivesse, Shadam?” Pausa. “Como eu vou saber se é amizade ou paixão? Eu não tô acostumada com isso.”

“Não sei o que dizer.”

“Mas com isso você não precisa se preocupar. É só uma hipótese.” Ela se levantou e saiu da sala. Ele ficou a pensar. Suas suspeitas só aumentavam.