Son of Hephaestus

26 Chapter 26 - Hunters of Artemis


Notas iniciais
AVISO DE SPOILER, SE VOCÊ AINDA NÃO LEU SANGUE DO OLIMPO, PEÇO QUE NÃO FIQUE BRAVO COMIGO. Oi galero :) Nossa, a fanfic deu uma baixada no último capítulo ç.ç vim aqui dizer que eu acho que o próximo capítulo será o último da fanfic. É... Ta chegando no fim :( Eu quero avisar que eu comecei uma nova fanfic, o que vai me fazer adiar um pouco o próximo capítulo (vou tentar o máximo não fazê-lo, a prioridade é SoH - se você for glader ou fã do Thomas Sangster, vale a pena dar uma conferida). Eu ainda to postando pelo celular, então, qualquer erro, é por culpa dele. Me avisem, esta bem? GOGOGO

Eles já passavam pelo Central Park quando Charlotte resolveu quebrar o silêncio pesado que se instalava no carro.

– Por que estão aqui?

– Por que não estaríamos? — disparou Leo.

– Eu não quero ninguém tendo que passar pelo que passei! Eles sabem que eu faria tudo por vocês... Se eles levarem alguém daqui de dentro... Eu não pensaria duas vezes, eu iria atrás, e é disso que eles precisam de mim. Que me entregue facilmente.

– Então vá, entregue o espelho e Hera nos deixará ir. Ele volta para você de qualquer jeito. — disse Ally.

– Não. — falou Nico e Leo ao mesmo tempo.

– Ela nunca libertaria ninguém exatamente por este motivo. Iria prender Charlotte para o espelho não sumir e ainda deixaria você preso apenas para garantir que Charlotte não fugiria. — falou Leo.

– Eu não posso deixar vocês passarem por isso.

– Não é escolha sua Charlotte, a profecia também trata sobre nós e estamos aqui por escolha própria. Você é nossa amiga, acima de tudo. — respondeu Ally. Leo soltou um muxoxo de desaprovação, Charlie o ignorou.

– Foi Ally quem nos alertou sobre o que você poderia fazer. — disse Nico. A filha de Poseidon lançou um olhar assassino para ele.

– Vocês estão arriscando demais por um espelho idiota. Eu não... Eu não sei o que dizer.

– Que tal um " desculpe"? — sugeriu Leo ácido. Charlie franziu o cenho para ele.

– Principalmente para mim. — disse Nico, ofendido.

– Desculpe... — suspirou ela. Leo a olhou de soslaio, mas manteve a atenção na estrada. Ela sentiu uma enorme vontade de revidar os comentários sarcásticos dele. — Nico. — completou — Mas você me assustou! — ela percebeu Leo fechar a cara e reprimiu a vontade de rir. — Mas que ideia, também. Me agarrar por trás no meio da madrugada e achar que eu não iria revidar?

– Você não viria por conta própria. — respondeu Leo, indiferente. Charlie nem se lembrava mais o porque de estarem brigados de tanto ódio que sentia do modo como ele agia, mas aquela distância e indiferença estava deixando-a com vontade de bater nele.

– Aliás, vocês pegaram onde esta van?

– É uma das vans do acampamento. Espero que Quíron não se importe — respondeu Ally, preocupada.

– Vocês pegaram esta van no acampamento?! Vocês enlo...

– Sim, enlouquecemos de vez, e vamos com essa van até Hollywood.

– Mas vocês não podem! E se a destruirmos? Quíron nos mataria!

– Tentaremos o máximo não destruí-la. Agora, se não quiser levar uma pancada na cabeça e ser trancada no porta malas, sugiro que aceite de uma vez que nós vamos com você e voltaremos com você.

– Quem você pensa que é? Pare de agir feito um babaca e me diga se tiver algum problema comigo! — explodiu ela.

– Eu estou bravo com você e, particularmente, não aguento mais isso! — respondeu ele, no mesmo tom.

– Qual o seu problema? O que foi que eu fiz? — ele não respondeu e Charlie se sentiu mais possessa ainda. — Quer saber? Pare agora esse carro! Pode deixar que eu me viro, pare isso agora!

– Eu não vou parar o carro! — gritou ele.

– Pare! Pare agora ou eu pulo pela janela! Pare a merda do carro!

– Já disse que não!

– Por que ainda está aqui? Se está tão bravo por algo que nem sequer considera a hipótese de uma conversa, por que ainda tá aqui? — gritou ela, a garganta já tinha um nó enorme mas ela se recusou a chorar. Seu queixo tremeu no mesmo instante que Leo se virou para olha-la, ela o odiou por isso. .as a expressão dele demonstrou surpresa e ela até se arriscaria a pensar em arrependimento por parte dele.

– Porque eu me importo demais com você para deixá-la ir sozinha, porra! — ele explodiu.

Ela sentiu como se tivesse levado um tapa, e de repente o nó em sua garganta se desfez. Charlie se sentiu despedaçada e com mais ódio dele por irrita-la todo esse tempo apenas BH para, depois, simplesmente largar uma bomba dessas. Ela tentou pensar em algo para responder, mas nada veio.

– Por favor, não façam isso. — disse Ally, baixinho. — Quando é vocês dois que brigam não tem graça.

Charlie se sentiu destruída.

***

Eles pararam em um posto de gasolina no final de Illinois para comerem algo e abastecerem o carro, após metade de um dia de viagem. O sol brilhava forte em pleno meio-dia. Ally e Nico — sem nenhum dos outros dois perceberem — trocaram um olhar cúmplice no banco de trás do carro e, em seguida, saíram. Enquanto Nico colocava a bomba da gasolina para reabastecer o carro, Ally foi até a janela de Leo e perguntou: — O que vocês vão querer?

– Me traga a coisa mais gordurosa que achar neste lugar. — murmurou Charlotte em resposta, passara a viagem inteira em silêncio, apenas olhando o horizonte. Assim como Leo, que mantinha o olhar fixo na estrada. Era a coisa mais estranha do mundo viajar com Leo Valdez em completo silêncio e com a tensão pesando sobre o veículo, pensou Ally.

Nem ela e nem Nico aguentavam mais isso, e olha que Nico era indiferente a dramas de relacionamentos alheios. Ao lado de Leo, a garota ruiva bufou, revirando os olhos. Ela se enfiou pela janela de Leo, jogando-se por cima dele, e o fazendo saltar para o encosto do banco em surpresa. Metade do corpo dela estava dentro do carro e Ally tentava alcançar algo ao lado do volante. Charlie teria rido se não tivesse tão surpresa quanto Leo. Quando ela puxou a chave da ignição e tirou seu corpo de cima do garoto, ela apertou a trava da janela, fazendo todo o resto se trancar e jogou a chave para Nico, que a pegou em um reflexo de quem já havia planejado aquilo.

– Cansei dessa porra — ela explodiu, pegando os dois de surpresa pelo palavrão que ela falou, Ally não era de dizer essas coisas. -, o casal brigão aqui sou e Nico. — Charlie percebeu que ela não queria ter dito aquilo. No mesmo instante seu rosto ficou vermelho mas ela continou falando, tentando disfarçar que acabara de se referir a Nico e ela como um casal -, resolvam-se enquanto eu e essa coisa gótica aqui pegamos suprimentos.

Leo estava chocado demais com o que acontecera nos últimos segundos para pensar em algo para dizer ou agir de modo diferente. Nico deixou o tanque enchendo e foi atrás de Ally, obviamente a questionava sobre essa história de "casal". Ally agia indiferente, mas o rubor em suas bochechas a entregavam. Quando eles sumiram dentro da loja, Charlie lançou um olhar a Leo, que não expressava mais nenhuma reação enquanto tinha as mãos no volante. Ele a ignorava.

– Eu posso fazer esse carro funcionar sem a chave, ela não percebeu isso? — ele dizia, mas parecia falar mais consigo mesmo do que com a menina ao seu lado.

– Você vai me dar gelo para sempre? — perguntou ela, em voz baixa, após alguns segundos de silêncio.

– Eu falo com você. — ele respondeu, cortante.

– Sem ser um cara grosseiro a cada frase. — ela completou, revirando os olhos.

– E você se importa, por acaso? — respondeu ele, tentando conter o sarcasmo evidente em sua voz.

– Mas que merda, você parace uma criança! É claro que eu me importo!

Eles não se olharam, cada um olhava por um lado do carro. Charlie tinha consciência exata da distância dele, um metro e 12 centímetros. Ela não fazia ideia de como sabia, deve ser algo de espaço desnecessário entre a pessoa que você gosta e você mesma ou algo assim, sempre esse lado semideusa envolvido. Isso pareceu abrir um buraco do tamanho de um punho em seu coração. Doía em proporções enormes esse afastamento dele. Esse ódio pelo comportamento defensivo dele a cegou do verdadeiro motivo de tudo. Nem pôde falar nada. Como conseguia ser tão babaca, às vezes?

– Eu nem sequer pude me explicar... — ela sussurrou, sentia um aperto desconfortável na garganta.

– E seu pai? Como anda, sabendo dessa nossa "amizade"? — disse ele, pondo o máximo de veneno em seu tom.

– Leo, pare de agir assim! — ela falou.

– Assim como?

– Como se tudo fosse minha culpa! Como se eu fosse algum tipo de aproveitadora! Mas que inferno, você vive nesse mundo idiota no qual é melhor atacar a Charlotte ao, sequer, tentar escutá-la!

– Você nunca tentou explicar!

– Eu fiz aquilo porque conhecia meu pai! Ele é um mortal, um humano que não via a filha a meses e, quando o faz, ele recebe uma enxurrada de informações perturbadoras sobre ela e a sua antiga namorada. É demais pra ele suportar, ele surtaria se eu aparecesse com um... — ela não terminou a frase -Porra, eu sou apaixonada por você!

– Não diga isso como se eu fosse um insensível! E que merda de... Por que não completa a frase? E... Isso? Você nem admite pra você mesma, e espera que eu entenda? — ele estava furioso, mas estava surpreso com as últimas palavras dela.

– Nunca houve um pedido oficial. — ela disse simplesmente, virando-se para a janela

– Ta falando sério, Charlotte? — questionou ele.

– Nunca falei mais sério.

– Você não poderia ter me avisado? — ele falava. Ainda estava bravo, mas se sentia exaurido daquela briga.

– Foi no improviso. Pensei aquilo na hora.

Eles ficaram em silêncio por um tempo, cada um olhando para um lado do carro. Por algum motivo, Charlie não conseguiu olhar para ele.

– Desculpe. — ela falou, baixinho. Por que estava com vontade de chorar? Questionava-se.

– Me desculpe, também. — ele disse no mesmo tom.

Eles se encararam alguns segundos, a saudade um do outro no olhar de cada um. Foram interrompidos pelo barulho alto de pneu cantando nas pedras. Um tiida preto com vidros escuros saiu acelerado de dentro do posto e Charlie se surpreendeu por não ter percebido que aquele carro estava estacionado ali. O veículo já acelerava pela interestadual 70 quando um Nico di Angelo pálido — mais que o normal — corria em direção a van do grupo, entrando apressadamente e jogando as chaves no colo de Leo.

– Anda! — seu tom era desesperado — Vá atrás daquele carro! Agora!

Charlie e Leo olharam Nico pelo retrovisor, confusos, mas algo dentro de Charlie sabia que tinha algo terrivelmente errado.

– Cadê a Ally? — perguntou, o pânico colorindo sua voz.

– Eles a levaram! Num instante ela estava lá e, no outro, longe demais para alcançá-la. Ande de uma vez, Leo! — mas ele já havia dado partida no motor e se movia para sair do estabelecimento, disparando atrás do tiiva.

– Eu avisei, caralho! — berrou Charlie, não havia mais porque segurar as lágrimas. Seu maior medo se realizava. Eles não podiam levar sua melhor amiga daquele jeito. — Quem foi que estava lá para pega-la? — berrou para Nico. Tanto ele quanto Leo estavam chocados com o grito que ela dera e pelo fato de ela ter tido razão. Mas mesmo assim, mesmo que soubessem. Não iriam deixá-la ir sozinha.

– Eu não sei, não reconheci ninguém! Era um cara de cabelos grisalhos e... Uma mulher loira, não sei! — ele respondeu.

– Uma mulher? Não era...

– Não, não é Hera. Eu nunca vi aquela mulher. Isso daqui não vai mais rápido? — Nico estava em um nível de desespero que Leo nunca vira antes. Estava fora de controle.

– É um carro pesado e familiar, eu não...

– Lá! Encontramos! — Charlie interrompeu Leo ao ver o outro carro mais a frente. — Vai! Vai! Vai! — ela apertava o assento do carro com as unhas, eles iam muito devagar e a amiga deles corria perigo. Leo pesou o pé no acelerador. Eles ficaram nessa coisa de perseguição e fuga — coisa que Charlotte pensou que nunca faria na vida — por quilômetros. A cada centímetro percorrido, Nico e Charlie ficavam mais desesperados. No momento em que Leo conseguira acelerar o máximo do carro, o tiiva freou bruscamente, fazendo o carro girar e ficar na horizontal na pista. Charlie jurou que ali seria seu fim ao ver Leo se esforçando o máximo para parar um carro a mais de 100 km/h. Ela fechou os olhos até o carro diminuir velocidade, se preparando para a batida. Quando ele começou a parar, ela arriscou abrir os olhos e, com um suspiro de alívio, percebeu que não bateriam. Antes mesmo de a van frear totalmente, Charlie já pegava seu espelho da mochila — sentira que precisaria de algo mais poderoso que sua espada de bronze celestial, Afrodite que a perdoasse — e saltava do carro atrás de Ally, Nico fez o mesmo. — Isso foi muito 007! — ela berrou para o filho de Hades, enquanto corria para o carro, Leo vinha mais atrás.

Eles estacaram a alguns passos do veiculo. A porta de trás se abria. Charlie achou que Morfeu e a tal mulher sairiam dali, mas o que viu foi ainda mais perturbador e confuso.

– Como...?

– Puta merda. — disse Nico, foi então que Charlie percebeu que eles estavam bem fodidos.

– Ah, merda. — xingou Leo, alcançando-os.

– O qu... O que são aquilo? — questionou ela. — Impossível eles estarem ali dentro esse tempo todo.

– Eu, realmente, não sei como, mas estamos muito, muito, muito, ferrados.

– Dracaenaes... Empousas... E um siri? — perguntou.

– É um caranguejo gigante.

– Eu percebo que ele é gigante. — comentou ela, se colocando em posição de batalha.

Haviam pelo menos duas dracaenaes e quatro empousas. Mais o caranguejo gigante. Eles estavam em enorme desvantagem. A primeira empousa atacou Charlie, acompanhada das outras duas amigas. Nico foi contra o caranguejo e as duas dracaenaes foram para cima de Leo. Nico não percebeu a empousa restante em seu encalço.

"Se tem uma hora que você poderia me ajudar, mãe" Charlie orou "é agora!"

Como em um passe de mágica, a espada-espelho em sua mão vibrou, fazendo um tiro de formigamento passar por todo seu corpo. Ela amava seus amigos, e iria protege-los nem que morresse ao fazê-lo. Quando a empousa a alcançou, a criatura cometeu o erro de ir preparada para morde-la.

– Projetinho de Drácula. — xingou Charlie, enfiando a lâmina do espelho até a base, o monstro se desfez, mas não a tempo da outra empuosa atacá-la. Esta conseguiu acertar em cheio uma mordida em seu bíceps. Charlie gritou de dor e usou a espada para cortá-la nas costelas. A criatura a soltou, mas o talho não foi suficiente para arrastá-la de volta para o Tártaro. Quando a empousa se afastou, a terceira se aproximou o suficiente, Charlie sabia as suas chances caso as duas a alcançassem. Ela correu na direção do caranguejo, o que planejava podia dar muito errado. Muito mesmo. Mas era sua única chance.

Uma lembrança da vez que comera casquinha de siri com seu pai em Montauk — o que parecia séculos atrás — invadiu sua mente, quando chegou perto de Nico, que tentava acertar os olhos do crustáceo gigante. Parecia ter conseguido, em algum momento, destruir a empousa que o seguira.

– A barriga! — ela gritou para ele. Nico entendera na hora, e Charlie se surpreendeu com isso. Suas inimigas já se aproximavam, rindo e guinchando, suas pernas horrendas fazendo a filha de Afrodite ficar em algum tipo de estupor. Elas também tinha seu "charme", pensou. Ela tentava ficar na frente do caranguejo, se desviando como podia das patas, enquanto Nico corria para a traseira do animal.

Ela contava os segundo até suas amigas se aproximarem, quando a criatura se aproximou o suficiente, Charlie atacou, mas o monstro estava atento e desviou-se para o lado, exatamente quando o caranguejo moveu sua pata, agarrando-a no ar. A empousa gritou — um guincho horrivel e ensurdecedor — quando o animal a ergueu no ar e a apertou fortemente, e então os dois tombaram, a monstra se desfalecendo em pó e o caranguejo virando-se feito uma aranha laranja e cascuda. Charlie se virou para Nico, que tinha a espada negra nas mãos e os olhos arregalados para ela.

– Charlotte! — ele gritou, em aviso, mas era tarde. A empousa restante — e, momentaneamente, esquecida por ela — mordera no ombro.

Lágrimas de dor escorriam pelo seu rosto, sofrimento em dose dupla pelo número de mordidas. Nico corria até ela, desesperado. Ela olhou em volta, uma nuvem vermelha de dor encobrindo sua visão. Localizou Leo — que parecia ileso, apenas um pouco chamuscado — atacando a última dracaenae, que virara uma coluna de fogo assustadora. Ele conseguira afastar a outra empousa, mas ela se aproximava dele.

Relances brilhosos no céu captaram sua atenção, ela se sentia em um estupor de dor, Nico tentava afastar o monstro sem fazê-lo tirar metade do braço de Charlie. E então sumiu, tudo. A empousa se desfez em pó, sem levar seu ombro. Ambos os monstros que atacavam Leo, também desapareceram.

– Mas o qu...? — balbuciou Nico confuso, mas durou pouco. Charlie sentiu suas pernas fraquejarem e caiu em cima de Nico, que a segurou no mesmo instante, deitando-a com cuidado. — Leo! A mochila, rápido!

Em questão de milésimos de segundos Leo estava do lado dela, o semblante desesperado por tanto sangue que saia de dentro dela, Charlie sentia que ia apagar de tanta dor que sentia. Mas ela se manteve. Por Ally.

Ally...

– Nico, Allycia... — ela sussurrou, o desespero pela amiga tomando conta de si. — Ally! — ela gritou fracamente.

– Shh, Charlotte, não...

– Não me importo! — ela gritou, a dor explodia pelo seu corpo e isso a ajudou — Eu quero minha amiga de volta. Ally! Allycia!

– Charlie... — começou Leo.

– Charlotte! — eles ouviram um grito em resposta. Nico já estava de pé e olhava em volta.

– Ally! — ele gritou desesperado. — Ally! Onde você está...? — a ultima frase ele começou gritando, mas sua voz foi abaixando. Charlie se perguntou se já começava a perder a consciência.

– Ela está ali... — disse Leo, sorrindo tranquilizador. Ela esta bem. Está... — ele se interrompeu, a expressão ficou séria.

Ela percebeu Nico se afastando

Em seguida cabelos alaranjados tomaram conta de sua visão e a última coisa que ouviu foi uma voz chamando-a.

– Charlotte, não! — era Allycia.

***

"Ela vai acordar?" ouvia a voz de Leo distante.

"Em seu tempo, sim, Leo Valdez." dissera a voz de uma menina, cortante.

"Está demorando demais!" ele insistiu. A menina não respondeu. Alguns segundos depois, sentiu ele ao seu lado. Ela abriu os olhos lentamente. E então seu mundo ganhou cores ao ver o sorriso de Leo, era a melhor coisa que poderia esperar ao acordar.

– Charlie... — ele depositou um beijo em sua testa, enquanto segurava sua mão. O aroma de óleo de motor e sabonete de lavanda invadiu seus pulmões e ela sentiu-se satisfeita por tê-lo ao seu lado, outra vez.

E então percebeu onde estava. Um tipo de tenda — pela iluminação que passava pela lona, começava a escurecer -, deitada sobre almofadas realmente confortáveis. Não usava mais a roupa de antes, mas sim algo que estava em sua mochila. Com um doloroso toque de realidade, ela se lembrou do que acontecera e levantou-se de súbito, apoiando-se sobre as mãos. Uma dor aguda irrompeu em seus dois braços, fazendo-a tombar de novo nas almofadas.

– Não poria força nestes braços se fosse você. — ela ouviu a voz da mesma menina que falava com Leo, porém seu tom era visivelmente mais doce.

Era uma garotinha de, no máximo, 13 anos. Com cabelos avermelhados e olhos idosos. Algo poderoso irradiava daquele corpo diminuto. Era uma deusa, Charlie sentiu. A deusa sentou-se ao seu lado, tinha um sorriso no rosto. Era uma criança muito bonita, notou.

– O veneno de empousa é bem fraco, apenas faz a vítima se acalmar durante o ataque. Você ainda deve estar meio sonolenta por conta dele. Sobre seus braços, algumas caçadoras fizeram pontos e usaram de néctar para ajudá-la a se curar. — ela entregou um pequeno tablete do que Charlie julgou ser ambrosia e indicou que ela deveria come-lo. O gosto de torta de pêssego que sua avó costumava fazer para ela a fez sentir saudades de tempos felizes.

Caçadoras...

– Lady Ártemis... — balbuciou Charlotte. A menina sorriu.

– Thalia... — ela chamou. Em seguida, uma garota de cabelos negros repicados e olhos azuis entrou na tenda.

– Sim, Lady Ártemis... — respondeu ela.

– Diga para Allycia que pode vir vê-la. — ela ordenou, aproximando-se da garota. Apesar de Ártemis aparentar ser mais jovem que Thalia, a menina parecia disposta a obedecer toda e qualquer ordem dada pela garotinha. Com um aceno de cabeça para Charlie, as duas se retiraram da barraca. Segundos depois, Ally e Thalia retornaram. Thalia parou na entrada da tenda, e lançou um olhar a Leo, que se levantou e foi falar com ela. Charlie franziu o cenho para a cena, mas por um momento se esqueceu e focalizou a amiga a sua frente. Elas se abraçaram — Ally tomando todo o cuidado necessário — e Charlie tentou se controlar para não derramar mais lágrimas.

– Oh meus deuses, o que aconteceu com você? — ela perguntou preocupada.

– Aconteceu que você estava certa. — ela respondeu — Mas eu não teria feito nada diferente. Hera me enganou. Se passou pela minha mãe, e eu me vi vulnerável ao me aproximar dela. Devia ter percebido que era uma armadilha.

– Mas... Você estava naquele carro com todos aqueles monstros?

– É mais complicado. É como se eles tivesses os capturados em uma caixa e os tivesse libertado na hora certa. O plano era distrair Nico e Leo enquanto a atraiam para o outro lado do carro e a obrigavam a ir com eles. Por mim.

– Eu teria feito.

– Eu não te perdoaria.

– Não deixaria você com eles. Já disse que não vou deixar nenhum de vocês passarem pelo que eu passei. — ela respirou fundo, recuperando o fôlego — De onde apareceu Lady Ártemis?

– Uma donzela em perigo. — ela sorriu. Nas memórias de Charlie, a lembrança de um momento de calmaria entre ela e a amiga se passou. Algo sobre uma onda, uma adaga, um garoto e o início da amizade delas.

– Achou alguma filha de Afrodite?

– Acredita que não tem nenhuma na caçada?

– Eu te disse — falou Charlie, ela se virou para Leo que, com um aceno para a garota de olhos azuis, se despediu.

– Então esta é Thalia Grace... — disse Ally.

– Quem? — questionou Charlie.

– Irmã de Jason — falou Leo.

– Ela é amiga de anos de Percy.

– Ela me perguntou se você era uma Cabeça de Alga, como ele. — sorriu Leo. — Respondi que você parece mais a Ariel do que ele.

– Você já chamou ele de Ariel, não é? — perguntou Charlie, rindo, toda a desconfiança sobre a garota se esvaia.

– Muitas vezes.

– Onde está Nico? — perguntou Charlie, notando a falta do garoto.

– Fora da tenda, sendo vigiado pelas caçadoras. Leo pôde ficar porque ficou enlouquecido com a ideia de deixar você sozinha com desconhecidas. — respondeu Ally.

– Não fiquei, não! — rebateu Leo, corando. Charlie sorriu e pegou sua mão, ele retribuiu.

– Me ajudem a levantar, quero morder algo para comer.

– Não faça trocadilhos assim! — falou Leo, rindo. — Foi muito sério.

– Não posso fazer piada da minha desgraça agora? — Charlie também riu, já estava de pé e se dirigia para fora da barraca.

– Eu que faço as piadas aqui. — ele sorriu, dando um leve beijo em Charlie.

– Acho que vou vomitar. — falou Ally.

Charlie deu um beijo estalado na bochecha de Ally, que começou a rir, e saíram da barraca.

***

– Quero que entendam a gravidade da situação — falou Ártemis, sentada em uma pilha de almofadas. Ela tinha um cervo aos seus pés e duas caçadoras de cada lado da barraca. Os quatro semideuses se reuniram a frente para a deusa, após o jantar. -, vocês estão sendo atacados por uma olimpiana por causa de um objeto de poder que pertence a outra. Eu creio que este fato não está em conhecimento do resto do Olimpo. Muito menos que ela tem a ajuda de outro deus, Morfeu. Hera pode sofrer penalidades severas, se meu pai der a devida atenção. Mas estamos falando de Zeus, rei do Olimpo, não será fácil falar com ele sobre Hera, sua rainha, mas farei o possível. Ainda mais se estes ataques estiverem na profecia. Se este for o fato, não há muito o que fazer.

– Agradecemos, Lady Ártemis. — dissera Charlie.

– Reforço meu conselho para terem o máximo de cautela nesta missão. Ao chegar em Hollywood, terão facilidade em encontrar Afrodite. Então resta a vocês terem a habilidade de se protegerem, o que não me pareceu ser uma dificuldade quando chegamos ao seu amparo.

– Mais uma vez, agradecemos, senhora. — dessa vez, quem falava era Leo.

A deusa virou seu rosto infantil para o filho de Hefesto. Sua expressão era severa.

– Leo Valdez. Queria agradecê-lo pelo presente que dera a Apolo, meu irmão. Ele não parou mais de tocá-lo. — o sarcasmo era quase indetectável em sua voz.

Leo esboçou um sorriso que, em seguida, se desmanchou ao perceber a expressão da deusa. Ele corou e baixou a cabeça para a ponta de seus tênis.

– Lamento, senhora, mas era por uma causa maior.

– E eu compreendo isto, Leo Valdez. E queria parabenizá-lo pelo raciocínio e habilidade, tenho certeza de que não decepciona seu pai, e a nenhum deus pertencente ao Olimpo. Seus esforços na batalha contra Gaia foram e ainda são devidamente reconhecidos por nós. Você foi bastante satisfatório, para um garoto.

– Obrigado, Lady Ártemis. — disse Leo, totalmente sem graça. Charlie sorriu, feliz. Tinha muito orgulho de Leo, por ser, acima de tudo, amiga dele. Ele era incrível.

– Assim como Nico di Angelo. — ela falou, se referindo ao filho de Hades. Ele levantou a cabeça assustado. Não esperava ser mencionado pela deusa. — Seus feitos e esforços foram bastantes marcantes para o Olimpo, mesmo levando em conta seu pai. Ele deve ter muito orgulho de sua prole.

– Er... — ele estava corado e tinha a cabeça baixa, como Leo. Ally jurou ter vislumbrado um sorriso em seu rosto. Pelo visto, não era sempre que um deus distribuía elogios assim.

– Uma última coisa, mas não menos importante, Allycia Sparks. — chamou a deusa. Ally desviou o olhar de Nico, o rosto tão vermelho quanto os cabelos, e mirou a deusa. Que feito grandioso tinha feito além de gritar feito um bebê ao ser capturada? Pensava, desapontada. — Eu tenho um convite a lhe fazer e espero que o considere, não é sempre que donzelas o recebem diretamente de mim... Você gostaria de se juntar a caçada?

Nico sentiu seu mundo congelar naquele instante.

Notas finais
Então, mais reviews? Eu esperava uma recomendaçao antes do final da fanfic, ao menos =( . Enfim, queria dizer que o numero de acompanhamentos simplesmente explodiu, estamos em 46! Serio, com tudo isso é difícil um reviewzinho? Não sejam leitoras fantasmas! Um agradecimento especial a Daughter of the Sun, a Sabrina e a Bianca di Angelo que estão sempre mandando suas opiniões. Brigadão, mesmo, gurias! Beijos de Amortentia EP :*