Notas iniciais
Aqui o capítulo! Demorei?
Os laços parabatai terminaram Tiffany - Sophia, Angel - Brandon, Faith - Diana, e o resto não quis parabatai.
Quem não mandou ficha no prólogo pode mandar nesse capítulo, e aparecerá no próximo ;)

POV: Angel.

Eu estava em uma sala vazia, de paredes lisas e brancas, então, de repente, tudo ficou escuro. Quando recobrei a consciência, estava no mesmo cômodo, porém ele estava cheio de bolinhas de plástico, leves e coloridas. Então comecei a correr, feliz, e me deitei naquele paraíso.

Quando afundei nas geladas bolinhas, comecei a ouvir meu nome. Uma voz familiar o sussurrava repetidamente, cada vez mais alto. Então eu me levantei, não vi nada, e voltei à afundar. A voz voltou, parecendo com mais raiva:

– ANGEL HERONDALE, PELO ANJO, ACORDE MENINA!

Me sentei na cama, esfregando os olhos. A sala e as bolinhas haviam sumido, e eu estava no meu quarto do Instituto. Brandon estava na minha frente, os cabelos castanhos completamente desarrumados, de pijamas, e com a mesma cara de sono que eu imaginava estar. Só que ele parecia impaciente.

– Demorou, hein? — ele comentou, se espreguiçando.

– O. Que. Você. Está. Fazendo. No. Meu. Quarto!? Eu estava sonhando com uma piscina de bolinhas, você sabe que eu adoro isso, e você vem e me acorda às... — peguei meu celular na mesa de cabeceira. — ...5 horas da madrugada!

– Eu sei! Louise disse que a Clave está convocando todos os Caçadores de Sombras para uma reunião importante. Se vista! — assim, com essas palavras de apoio, meu parabatai deixou o meu quarto e voltou para o seu.

Louise é a líder do Instituto de Nova York, que veio de Los Angeles faz uns 2 anos, quando os Lightwood se mudaram para Idris. Ela é até legal, mas bem rígida.

Vesti as roupas de couro preto de sempre, guardei duas facas nos canos das minhas botas e fui até a biblioteca. Todos já estavam por lá, embora com aquela cara de sono estilo nós-fomos-dormir-3-horas-da-manhã-e-nos-acordaram-agora.

Sophia estava tomando café. Tipo, havia uma pilha com uns 5 copos sujos ao seu lado, então hoje seria um dos dias em que ela estaria bem agitada. O recorde dela é 12 copos. Foi um dia muito sem-noção.

Faith estava conversando com Jasmine e Emily, provavelmente sobre cabelo – Faith mudava a cor do seu com bastante frequência, Jasmine tinha californiana roxa e Emily, mechas azuis, o que deixava o trio parecendo uma espécie de arco-íris capilar.

Tiffany estava meditando (?), Diana estava mexendo em um notebook, Lizzie estava lendo e Brandon estava, como sempre, conversando com seu celular – que ele amigavelmente apelidou de Teddy (e depois não quer que duvidemos da heterossexualidade dele).

Todos estavam vestindo as roupas básicas de couro, e provavelmente tinham armas guardadas em algum lugar.

Louise entrou na biblioteca e nos chamou.

– Como vamos pra Idris? — Emily perguntou.

– Como sempre vamos para algum lugar quando acaba a gasolina e eu não quero gastar dinheiro com mais. Magnus – Ela respondeu enquanto chamava o elevador. Bom, isso, por mais estranho que fosse, era verdade. Uma vez fomos ao supermercado por um portal.

Pegamos um táxi até seu apartamento, e, assim que chegamos lá, Sophia deu seu típico ataque olha-um-gatinho:

– Presidente Miaaaaaau! — ela gritou, animada, agarrando o bicho, que provavelmente estava pensando algo como “o que essa maluca quer comigo?”. Ela se virou para Magnus, que a encarava meio confuso. — Nunca desobedeça esse gato, está bem, Magnus? Um dia eles irão dominar o mundo, e você poderá ser poupado de uma vida de escravidão se louvar e idolatrar essas pequenas e geniais criaturas.

Tiffany pôs uma mão no ombro da parabatai, parecendo preocupada com o modo como sua saúde mental seria vista pela Clave.

– Já deu né?

Sophia apenas abraçou o gato e o soltou.

– Vamos lá. — Faith entrou no portal primeiro, e os outros seguiram seu gesto. Fechei os olhos e prendi a respiração, como se estivesse mergulhando no mar. Ouvi o familiar ruído mudo em meus ouvidos, sentindo falta de ar.

Senti o impacto da queda e abri os olhos. Nem todo o treinamento do mundo conseguiria me fazer cair de modo gracioso e equilibrado naquela superfície estranhamente irregular, estreita e instável. Alguns segundos depois, senti um peso caindo em minhas costas.

– Dá pra vocês saírem de cima de mim? — Faith perguntou, e eu observei a cômica cena em que nos encontrávamos. Eu estava em cima de 7 pessoas, e embaixo de uma. Então alguém embaixo de mim se mexeu para tentar sair dali, e todos nós caímos com tudo no chão.

– Da próxima vez vamos de BRT — Emily pediu, massageando os próprios ombros.

– Os meios de transporte mundanos não podem nos trazer à Alicante – Lizzie lembrou.

– Era uma brincadeira – Emily explicou. — Você não tem senso de humor?

– Ninguém tem senso de humor quando está acordado 5 horas da manhã e acabou de ser esmagado por um bando de gordos – Jasmine falou. — Sem ofensas.

Foi quando vi a cara pálida de Louise, que contava baixinho e apontava o dedo para cada um de nós.

– O que aconteceu? — perguntei.

– Tem alguém faltando – ela disse, preocupada.

– Pelo Anjo, quem?

– Ele.

– Ele quem, Louise?

– Angel, só tem uma pessoa do sexo masculino aqui.

– Ah, sim. Não, pera. Que merda! — reclamei, lembrando que, como parabatai dele, teria que dar um jeito de encontrá-lo.

Então eu o vi, ajoelhado na margem do Lago Lyn, com a mão na barriga e cara de quem ia vomitar. Corri até ele e o ajudei a se levantar.

– Tudo ok? — perguntei, já temendo a resposta.

– Não sei – ele confessou, me deixando confusa. — É normal ver uma boyband de unicórnios tocando no meio do deserto? Quer dizer, estamos no deserto, certo?

– Não está tudo ok – concluí. Lago maldito.

Embora mais novo que eu, Brandon era forte, portanto, pesado, e eu não pude carregá-lo até o resto do pessoal, e ele teve que ir, cambaleante, apoiado em mim, murmurando coisas que não faziam sentido algum.

Parei ao lado de Diana e Faith, que estavam fazendo iratzes nelas mesmas, pois haviam ficado na base daquela pilha de adolescentes pesados, e marcas feitas por parabatais são bem mais eficientes.

– Existe alguma runa de estabilidade mental?


POV: Faith.


– Acho que não – respondi, encarando curiosa Brandon, que estava no momento dizendo que os Comensais da Morte estavam retornando e precisávamos fugir.

– Com o tempo passa – Diana falou, dando de ombros.

– Estou com medo de como a Clave e o Conselho verão isso – Angel admitiu.

– Creio – disse. — que o verão como um adolescente bêbado.

– Isso pode não ser bom para a imagem dele – ela comentou, tirando uma mecha de cabelo escuro do rosto, impaciente.

– Toma aqui. Pra ele não sair correndo ou falar coisas muito estranhas – Diana pegou uma coleira de cachorro e uma focinheira sei lá de onde e a ofereceu a ela.

– Dih, você anda com uma focinheira no bolso? — perguntei.

Ela deu de ombros, e Angel recusou colocar aquilo em seu parabatai. Diana guardou as coisas novamente.

– Vamos, meninas – Louise nos chamou. — Só esperem um minutinho... — ela tirou um bloco de anotações e uma caneta do bolso e escreveu números, um em cada papel. Depois, os grudou na nossa testa com durex. — Fila por ordem numérica, por favor.

– Sério? — Jasmine arrancou seu papelzinho e o amassou, enfiando-o no bolso depois.

– Pffft, claro que não era sério, só queria ver como vocês reagiriam.

Todos reviraram os olhos e tiraram os papéis das respectivas testas.

***

Quando chegamos ao salão, Brandon já estava um pouco melhor – ainda falava coisas sem sentido, mas com menos frequência.

A enorme mesa estava completamente ocupada, exceto pelos lugares guardados para nós. Pude perceber os Lightwood – Maryse, Isabelle e Alec – fazerem uma careta ao verem Diana, e Robert desviou o olhar. Ela era filha dele, havia nascido antes do casamento dele com Maryse, e acho que ele se lembrava dela. E Tiffany não tirava os olhos de seus vários irmãos.

– Tem mais Lightwoods que Blackthorns por aqui, pelo Anjo – Emily comentou. Realmente, eram as famílias maiores ali presentes.

Enquanto andávamos até os nossos lugares, Brandon parou, fazendo com que Lizzie, distraída, esbarrasse nele.

– Por que parou? — ela perguntou, passando por ele e se sentando.

Ele apontou discretamente para o homem sentado ao lado do Cônsul.

– O que tem ele?

– É um idoso – ele respondeu, trêmulo.

– Ele tem medo de idosos – Angel explicou.

– Relaxe, é só o Inquisidor – Jasmine disse, sentando-se ao lado de Emily.

Ele arregalou ainda mais os olhos.

– Você não devia ter dito isso – Angel comentou.

– O... Inquisidor?

– É – Jasmine confirmou. — Qual é o problema?

– AAAAAAAAH ELE É UM IDOSO QUE COMEÇA COM A LETRA I, FUJAM PARA NÁRNIA! — então ele saiu correndo, e todos os Caçadores de Sombras do ambiente estavam o encarando.

– Desculpem-no – Louise pediu. -, ele caiu no Lago Lyn. Acho que faz parte dos efeitos colaterais, falar e ver coisas estranhas.

O Cônsul assentiu.

– Enfim, hoje iremos tratar de um assunto importante. Quer dizer, eu não sei qual é o assunto, mas a srta. Morgenstern convocou todos os Caçadores de Sombras do planeta Terra, então é bom que seja importante.

Clary fez uma careta ao som do sobrenome de seu pai, mas ignorou.

– É importante – ela garantiu. — Jace me pediu em casamento! — ela gritou, dando um selinho em Jace, que estava sentado ao seu lado, sorrindo.

Todos fizeram uma cara do tipo “e...?” e Aline Penhallow verbalizou nossos pensamentos:

– E nós com isso?

– Bom... eu tenho uma dúvida com relação a isso, que não consegui eliminar com ninguém mais próximo – ela disse, mordendo o lábio.

– Diga – o Inquisidor pediu.

– Eu não sei qual vai ser meu sobrenome de casada – ela confessou.

Todos ficaram com uma poker face.

– Você não pode estar falando sério – alguém disse. — Eu não viajei metade do mundo para isso.

– Pare de reclamar – o homem ao lado dele retrucou. -, você veio com um portal, foi como se não tivesse nem viajado.

O outro homem calou-se.

– O que quer que façamos a respeito disso? — o Cônsul perguntou.

– Tirem minha dúvida, duh – ela respondeu. — Eu sei que não pode ser Wayland nem Morgenstern, porque Jace não é realmente filho nem de Michael nem de Valentim, mas estou confusa em relação à Herondale ou Lightwood.

Todos começaram a cochichar. Ninguém realmente sabia a resposta daquilo.

– Eu sei como resolver isso – o Inquisidor declarou. — Seu sobrenome será Herondale, porque Jace é um dos últimos Herondale, e já tem... — ele começou a apontar para algumas pessoas na sala, contando baixinho, mas após o número 8, respirou fundo e pediu: — levante a mão quem for Lightwood.

Robert, Maryse, Alec, Isabelle, Diana, Sophia e mais umas 5 ou 6 pessoas que não reconheci.

– Enfim – ele continuou. — não precisamos de mais Lightwoods e os Herondale estão à beira da extinção.

– Clarissa Fairchild Herondale – ela concordou, feliz.

– Mas não seria Clarissa Morgens... — Alec começou.

– NÃO — ela o interrompeu, decidida.

Ele deu de ombros.

– Vocês estão dispensados — o Cônsul concluiu, se levantando. Todos fizeram o mesmo, lançando à Clary olhares de você-nos-fez-acordar-5-da-manhã-por-isso-e-eu-te-mataria-se-não-fosse-preso-depois. São os olhares mais ameaçadores que conheço, mas ela não pareceu se importar, e saiu do salão de mãos dadas com Jace, saltitando.

Saímos após eles, também resmungando sobre ter acordado inutilmente tão cedo, mas teríamos resmungado igualmente se o motivo tivesse sido útil.

Então nós finalmente vimos Brandon, na praça. Ele havia feito uma fogueira, e estava segurando um cartaz em uma mão e uma latinha na outra. O cartaz dizia “doe uma moeda à esse pobre Nephilim e o ajude a comprar um iPhone”.

Angel foi bem direta com o parabatai: pegou o cartaz e a lata e os atirou no meio do mato, apagou a fogueira e agarrou o tornozelo de Brandon e o arrastou até nós.

– ME SOLTE! — ele gritou, tentando se livrar dela. — ME SOLTE OU EU CHAMAREI MEUS ADVOGADOS!

– Você não tem advogados – Angel lembrou-o.

– MAS EU POSSO CHAMAR UM PATO!

Ela fez uma careta e se virou para ele.

– Então eu posso chamar o Inquisidor.

Ele arregalou os olhos e ficou quieto.

Louise franziu as sobrancelhas vendo o garoto ser arrastado, e pediu que Angel o soltasse.

– Ele tem a capacidade de andar sozinho – ela argumentou.

Angel o soltou. Ele se levantou, massageando o tornozelo e pulando no outro pé de vez em quando para manter o equilíbrio.

– Enfim – Lizzie disse, quebrando o silêncio. -, como vamos voltar agora?

Nos entreolhamos.

Peguei o celular no bolso e mandei uma mensagem para Magnus. Não me perguntem por quê tenho o número dele.

– Magnus virá. Abrirá um portal aqui – expliquei.

Todos pareceram aliviados quando, aproximadamente uns 15 minutos depois, o feiticeiro surgiu por um portal, o cabelo impecavelmente arrepiado com estilo, os olhos de gato examinando nossa situação.

– Passem por esse portal que eu entrei – ele nos instruiu. -, vão aparecer no Central Park. Eu vou ficar para ver Alec.

Todos nós – até Brandon, que nem é uma garota – tivemos um momento fangirl e começamos a fazer “oooooownnnnnnn”.

– Eu sempre choro nessa parte. — Tiffany disse, sorrindo comovida. — VAI MALEC, UHUL!

– MALEC É VIDA! — Lizzie entrou no coro.

– NÓS RESPIRAMOS MALEC! — Emily disse após ela.

Então Magnus nos encarou como se devêssemos estar no hospício, e nós passamos pelo portal.

Notas finais
E, PAREM TUDO E LEIAM A FIC MISADVENTURY CIRCLE DA CALLA MICHAELIS: http://fanfiction.com.br/historia/385650/ É sobre o Ciclo na época que eles eram jovens, é MUITO boa!
Enfim, eu só vou poder começar a escrever domingo de noite porque vou viajar, quem não comentar até lá não aparece no próximo, ok? Ok.
Ah, eu coloquei os POVs na ordem de quem comentou primeiro, não por favoritismo nem nada tá? O próximo vai ser assim também.
Até os reviews ^^