Notas iniciais
Eu comecei a escrever isso domingo mesmo, tá? Assim que cheguei. Mas não consegui terminar. Cara, o capítulo tem mais de 4000 palavras. Demorou muito escrever tudo.

POV: Sophia.

Estávamos todas – digo, todos, se formos contar o Brandon, mas ele é tão invisível quanto o Charlie de As Vantagens de Ser Invisível – jantando no enorme salão do Instituto, menos Jasmine e Lizzie, que tomaram chá de sumiço [N/Autora: Não comentaram, bleh. Eu avisei que não apareceriam.]

Enfim, como eu ia dizendo, nós estávamos jantando linda e tranquilamente até que duas criaturas dos infernos caíram em cima da mesa por um Portal, do nada.

– Você. Pisou. Na. Minha. Pizza. — Emily disse, encarando um dos homens que se levantavam, piscando um olho de cada vez.

– Desculpe, garota – o homem respondeu, e, com um pouco de atraso, percebi que ele era o Inquisidor. Sinceramente, nem teria notado, se Brandon não tivesse se levantado e saído dali correndo e gritando.

– Cônsul. Inquisidor. O que os traz aqui? — Louise perguntou, Emily e Diana encarando ameaçadora e mortalmente os homens que haviam pisado em seu jantar.

– Esse pirralhinho aí – o Cônsul revelou, fazendo um sinal para onde Brandon um dia esteve sentado. Ele se virou para Faith e para mim, que estávamos sentadas na sua frente. — Ei, esse seu copo é de plástico?

Assentimos, confusas.

– Está vazio?

– Hum, sim – eu disse, e Faith confirmou balançando a cabeça.

– Perfeito!

O Cônsul pegou os nossos copos e deu um ao Inquisidor. Eles se sentaram na mesa, um de frente para o outro e posicionaram os copos em frente a eles.

– I've got my ticket for the long way around! — o Inquisidor começou, batendo palmas, depois batendo as mãos na mesa, arrastando o copo para o lado e assim por diante.

– Two bottle whiskey for the way... — o Cônsul continuou, repetindo o ritmo com seu copo.

– And I sure would like some sweet company, and I'm leaving tomorrow, what'd you say? — eles entoaram juntos, ainda com os copos.

– PAREM COM ESSA PORCARIA DE MÚSICA ANTES QUE EU ENFIE ESSES COPOS EM UM LUGAR NADA AGRADÁVEL! — Tiffany gritou.

Eles se entrolharam.

– When I'm gone, when I'm gooone, you're gonna miss me when I'm gone! — eles começaram o refrão, ignorando a ameaça. Acho que foi a pior coisa que eles fizeram, porque Tiffany se levantou, arrancou os copos das mãos deles e os tacou para trás, fazendo-os rolar pelo chão por pelo menos uns 5 ou 6 metros.

– Sua chata! — o Inquisidor reclamou, fazendo birra. Tiffany apenas deu de ombros e voltou a se sentar.

– Digam o que vieram fazer – Louise pediu.

– Ah, sim. Aquele garoto tem medos infantis – o Cônsul disse, como se ninguém não já soubesse disso. -, e isso não é bom para nós, Caçadores de Sombras. Viemos para que não apenas ele, mas todos vocês, aprendam a superar seus medos.

Nós nos entreolhamos, confusas. Eles pareceram perceber nossas expressões.

– Vamos – o Inquisidor chamou, entrando no Portal pelo que eles vieram.

– Vão lá vocês – Louise nos instruiu. — eu vou ficar e arrumar umas coisas por aí. Ah, esperem um pouco.

Ela saiu do salão enquanto nos levantávamos, e voltou com Brandon, preso por uma coleira.

– Me tire daqui, tenha piedade! — ele pedia, choramingando.

– Não – ela entregou a guia da coleira à Angel, que pegou e o arrastou pelo Portal. O resto de nós passou após ela, sendo seguidas pelo Inquisidor e pelo Cônsul.

Caímos em um chão duro e frio. Olhei em volta e observei a sala onde nos encontrávamos. Era bem espaçosa, e possuía uma parede de vidro, que dividia a sala quase exatamente ao meio. Haviam cadeiras de plástico organizadas na outra metade, viradas para a parede de vidro.

– Sentem-se – o Inquisidor pediu. Nós o fizemos.

O Cônsul começou a andar por entre as cadeiras, nos entregando óculos com uma lente de cada cor, como para filmes em 3D.

– Agora eu vou chamá-los por ordem alfabética – o Cônsul começou, e ouvi Angel praguejar. — e vocês me devolverão os óculos e eu injetarei em vocês um líquido especial, que os fará ver seus medos. Então, vocês terão que enfrentá-los. Quando superarem um medo, passarão para o próximo, e assim por diante, até acabarem.

Diana levantou a mão.

– Sim?

– É tipo a paisagem do medo de Divergente?

– Digamos que sim.

– Show!

Emily levantou a mão após ela.

– Pra que servem esses óculos?

– Para vocês verem o que a pessoa está enxergando em sua simulação, assim ela poderá ser humilhada, e isso os motivará a passarem mais rápido por seus medos.

Ela abaixou a mão.

– Você é malvado.

Ele deu de ombros e tirou de algum lugar um pedaço de papel.

– Angel Herondale – ele chamou, e ela foi até ele e o entregou seus óculos. O Inquisidor apareceu com uma agulha enorme e injetou nela o líquido colorido, abrindo uma porta na parede de vidro. Ela entrou lá, trêmula.

POV: Angel.

Quando passei por aquela porta, soube que estava passando para a morte. Vi através do vidro Brandon fazendo um sinal positivo com o dedão para dar apoio, e as garotas colocando os óculos, antes de piscar e me ver em um cenário completamente diferente.

Eu estava em um parque. Um parque lindo, por acaso, cheio de árvores; havia um lago ao meu lado, brilhando azul-esverdeado, refletindo a cor do céu e da vegetação.

Então eu os vi. Estavam lá, no lago, que eu havia apreciado alguns segundos atrás.

Os patos.

As bestas nojentas e sanguinárias me encararam, mas continuaram nadando. Pisquei. Nada aconteceu. Eu pensei seriamente em sair dali correndo, mas imaginei que fosse dar de cara com uma barreira invisível que me impedisse de fugir ou algo assim.

Respirei fundo. Fechei os olhos e contei até 10.

Então tomei coragem e entrei no lago cheio de patos. Eles vieram para cima de mim na hora.

Com o coração acelerado, resisti ao impulso de tentar me afogar no lago e encarei as criaturas de volta. Um deles se encostou em mim, como um gato faria, ronronando. Fechei as mãos em punhos ao lado do corpo, mordi o lábio inferior para não gritar, e fechei os olhos com força.

Quando os abri novamente, os patos haviam sumido. Agradeci mentalmente à Raziel por aquilo, e observei meu novo medo.

Eu me encontrava em um supermercado. Estava vazio. Todas as prateleiras estavam preenchidas por produtos, então eu comecei a andar, desconfiada. Quando dei a volta por uns 3 corredores de produtos daquele supermercado, encontrei o que temia.

Havia uma prateleira com uma etiqueta escrito “Nescau”. Ela estava semi-vazia, só havia uma latinha. De algum modo, eu sabia que aquela era a última latinha de Nescau do mundo.

Então ela sumiu.

Entrei em pânico e comecei a correr pelo supermercado, desesperada. Então soube que aquela era realmente a última, como eu temia, e me ajoelhei no chão. Pus as mãos no rosto e gritei.

Me deitei em posição fetal e fiquei o que imaginei serem 15 minutos assim, até superar aquilo. Me levantei e andei até a saída do supermercado. Quando atravessei os portões automáticos, estava novamente na sala onde todos me assistiam.

O Cônsul me devolveu meus óculos e eu me sentei, esfregando as mãos na calça para tirar o suor.

– Brandon Lovelace – ele o chamou. Meu parabatai se levantou e foi até ele.

– Seu sobrenome é Lovelace? — Tiffany perguntou, rindo.

– É – ele a encarou ameaçadoramente. -, por quê?

– Nada – ela respondeu, ainda rindo.

Ele revirou os olhos e entregou os óculos ao Cônsul, que aplicou a injeção nele. Ele atravessou a porta.

POV: Brandon.

A sala em que me encontrava era ampla, com paredes completamente brancas e recheada de seres e objetos.

Os reconheci imediatamente: as coisas que mais temia na vida.

Identifiquei imãs de geladeira, isqueiros, iguanas, pessoas com crachás escrito seus nomes, que eram sempre Iasmin, Ícaro, Ian, Iago, Ingrid, Iara etc. Também vi iates, interfones, coisas de internet e relacionadas à iCarly, iPhones, iPods, iPads, interruptores, ingleses, indianos e muito mais.

Então fiz o que era mais sensato: comecei a gritar. Não corri, porque estava cercado por aquelas coisas e pessoas. Me mantive parado e gritando, até que, alguns minutos depois, fiquei rouco e me deitei, sem opção de nada melhor para fazer. As pessoas chegaram, segurando seus objetos começados com i, e eu deixei que elas passassem, fechando os olhos com força e gritando internamente o mais alto que eu consegui.

Mas acho que a simulação não ouviu meus gritos internos, e, graças a Deus, o cenário mudou. Eu estava agora em uma espécie de praia, com uma floresta logo atrás, mas estava muito frio, e nevava, e, por incrível que pareça, o mar não havia congelado nem nada.

Haviam gaivotas voando sobre o mar, flamingos com as pernas mergulhadas na água, urubus fuçando o lixo, pombos comendo grãos sobre a areia com galinhas, pavões andando em minha frente com seus traseiros coloridos, e pinguins caminhando desajeitadamente.

Aves.

Muitas aves.

Eu vou morrer.

Ainda rouco, comecei a correr em círculos, com os braços levantados, desesperado. Os pinguins deslizaram de barriga na minha frente – coisa que eu achava que só os Pinguins de Madagascar podiam fazer – e eu tropecei em um deles, caindo de cara em cima de um pombo, que começou a se mexer descontroladamente e me fez engolir uma pena. Então me levantei e dei de cara com a cauda colorida de um pavão, e dei um passo para trás, assustado, o que me fez cair no mar e bater com as costas em um flamingo.

Aí, nesse exato momento, com as pernas afundadas na água e a mão apoiada no traseiro cor-de-rosa de um flamingo, um de meus inimigos mortais, eu tive um colapso nervoso e fiquei me contorcendo no chão, aí além disso tive um ataque de cãibra na perna, então fiquei lá por uns bons 10 minutos.

Então parou, e acho que a simulação achou que eu tivesse me acalmado do meu medo de aves, e não do colapso nervoso e da cãibra, e considerou que eu havia superado o medo. Ha-ha, viaja não, simulação. Mas pera, isso rimou. Que show. RIMOU DE NOVO AJHASKUJHBAS

Me levantei, já sabendo o que encontraria. Estava em um asilo. Cheio de velhos, fazendo coisas de velhos.

Idosos malignos que querem dominar o mundo e me matar.

Ah, tipo aquele garoto esquisito oxigenado lá, o Jonathan qualquer merda Morgenstern. Só que ele não era velho, só tinha o cabelo branco mesmo. E ele só queria me matar porque eu quebrei o celular dele, acho. Mas ele queria dominar o mundo, sim.

Andei por aquele lugar, agitado. Os velhos estavam fazendo coisas de velho, como tentar ligar uma TV ou um computador, dormir, comer comidas de velho, jogar damas e outros jogos de velho ou ler algum livro de velho.

Então encontrei naquele asilo uma velha que não fazia coisas de velha – a única que eu não tinha medo: minha avó Godofreda. Ela estava um pouco diferente do que da última vez que eu a vi: havia tingido os cabelos, que da última vez eram roxos, de azul, e eles caíam soltos até a cintura. As roupas eram as mesmas de sempre, os shorts jeans ultracurtos rasgados, a regata com estampa de caveira, a jaqueta de couro preto com spikes, as botas com saltos de pelo menos 15 cm também de couro preto que iam até os joelhos. Ela estava sentada em um sofá em uma pose estilo adolescente, ou seja, quase quebrando a coluna, e assistia algo que imaginei que fosse Atividade Paranormal ou Hora de Aventura. Ela não assiste mais nada, mesmo.

– Vovó! — gritei, me aproximando dela e a abraçando.

– Brandon, seu pirralho covarde, me largue – fiz o que ela pediu. Ela também é Nephilim, sabe, e tem umas armas bem perigosas.

– Vó, preciso que faça uma coisa por mim – eu pedi. — Isso é uma simulação. Preciso interagir com você para ela considerar que superei esse medo e sair daqui.

Ela me examinou com seus olhos com lentes coloridas vermelhas delineados.

– Se você interagir comigo vai sumir daqui e me deixar ver o desenho?

Assenti, e ela deu de ombros.

– Ótimo. Vou te abraçar pra acabar logo com isso – os spikes do casaco machucaram a minha pele, ela arrancava todas os de plástico e os substituía por de metal, e isso dói. Mas a simulação fez o que imaginei que faria, e eu me vi novamente na sala, dentro das paredes de vidro. Saí correndo de lá, peguei meus óculos e me sentei.

– SCREAMING HALLELUJAH! — comemorei [N/Autora: tradução: gritando aleluia, parte da música Hallelujah, do Paramore]. Todos me encararam.

– Você tem medo de usar a Internet? — Emily perguntou, pasma. — COMO VOCÊ SOBREVIVE?

– Eu uso o Google Chrome – respondi.

– Vó maneira – Diana comentou.

– Obrigado.

O Inquisidor pigarreou.

– Diana Lightwood.

Ela levantou-se determinada, largou os óculos e entrou na sala.

POV: Diana.

Ok, tentar parecer corajosa no caminho para enfrentar todos os meus medos não funcionou direito, porque por dentro eu havia entrado em pânico, principalmente quando não vi meus medos. Sério, eu não enxerguei nada. Nenhum monstro, inseto, ladrão, demônio, nada. Apenas escuridão infinita.

E aí está o maior de todos os meus medos.

Escuro.

Tá, é infantil, mas, sério... eu tenho medo disso.

Andei um pouco naquela escuridão e bati em uma parede. Ouvi sons, rugidos e rosnados, mas não consegui enxergar nada. Não tropecei em nada nem senti nada, apenas ouvi. Estremeci pensando em como poderia sair dali.

Bom, eu passaria para o próximo medo se superasse esse. Quando você está com medo, começa a suar, tremer, gritar, correr e o coração fica acelerado. Então acho que tenho que ficar quieta, parar de tremer e fazer meu coração voltar ao normal.

Me sentei no chão e tentei uniformizar a respiração e as batidas do coração. Ignorei os barulhos e fechei os olhos, internamente ainda com medo, mas mantive em mente que quando os abrisse novamente, veria a claridade.

Funcionou. Abri um olho de cada vez, assustada, e me vi em um jardim. A casa a qual ele pertencia estava trancada, e a grama estava alta. Oh-oh.

Havia uma árvore na minha frente, com uma colmeia. Respirei fundo e andei um passo para trás, então ouvi um crack e vi que havia pisado em uma barata. Dei um salto e percebi um formigueiro. Saí dali e encontrei minhocas rastejando por um muro, e borboletas voavam sobre minha cabeça com mosquitos e outros insetos horríveis.

Aí eu entrei em pânico, gritando feito uma louca.

Então lembrei de Angel e Brandon. Brandon demorou horrores, mas Angel superou seus medos rapidamente, e ela tem a mesma quantidade de medos que eu. Eu podia detestar insetos com todas as minhas forças, mas estava determinada a sair dali rápido, ou pelo menos mais rápido que os outros.

Meu espírito competitivo me fez estabilizar os batimentos cardíacos e a respiração. Calmamente por fora (por dentro eu havia me escondido debaixo da cama com medo dessas bestas horrorosas e nojentas) pulei do muro que separava aquele jardim da rua, e me vi saindo da sala da simulação.

Peguei meus óculos, colocando-os no rosto, e desfilei até a minha cadeira like a boss.

– CHUPA TOBIAS, TENHO MENOS MEDOS QUE VOCÊ! — gritei triunfante.

POV: Emily.

O Cônsul me chamou após Diana se sentar parecendo uma retardada, e eu fui até ele, considerando mentalmente sair correndo dali. Mas não fiz isso, porque sou corajosa e não pensei que fosse ser difícil encarar meus medos.

Após receber a injeção, entrei na sala. Ela ficou exatamente como havia ficado com Diana, completamente negra, sem um único ponto com luz. Eu tinha esse medo em comum com ela. Mas tinha a vantagem de ver como ela havia superado isso, e pude repetir o ato.

Quando comecei a ouvir os rosnados e sons de monstros e demônios, me sentei de pernas cruzadas, como ela fez, e tentei distrair a mente para esquecer o medo. Pensei em várias coisas ao mesmo tempo, tentei cantar minhas músicas preferidas mentalmente, lembrei de fatos aleatórios da minha vida, e de repente, a luz havia voltado.

Sorri satisfeita e me levantei, preparada para encontrar o pior no próximo medo.

E o encontrei.

Eu estava em um cômodo cúbico e pequeno, e havia uma, apenas uma delas, no lado oposto ao meu. Era enorme, peluda, com várias pernas compridas e olhos esbugalhados, destruidora de mundos, causadora de pesadelos em crianças, nojenta, infernal e aterrorizante.

Uma aranha.

A única porta daquele cômodo se encontrava atrás dela. A porta que me faria sair daqui.

Ok, isso é estranho, porque eu deveria sair daqui quando superasse os medos, não passando por uma porta, mas o Cônsul e o Inquisidor devem estar com sono e querer se livrar logo da gente.

Fiz o mais sensato: peguei em uma dimensão paralela um balde e andei devagar e silenciosamente até a aranha.

– THIS IS SPARTAAA! — então, nada devagar e silenciosamente, eu taquei o balde em cima dela e passei pela porta graciosamente.

Peguei meus óculos e me sentei com toda minha diveza e grandeza, ciente do fato de que todos me observavam como se eu fosse louca. Recalcados.

POV: Faith.

O Cônsul revirou os olhos ao Emily andar rebolando até sua cadeira, e me chamou. Deixei meus óculos com ele enquanto levava a injeção dolorosa no pescoço. Entrei na sala, já preparada para o pior.

Eu estava em um... como descrever isso? Sabe aquelas jaulas de vidro onde os répteis ficam no zoológico? Era tipo isso, só que eu estava dentro da jaula. Temi que houvesse alguma cobra ali, mas eu não tenho medo de cobras. A não ser que...

Enquanto pensava, senti um frio na perna, mesmo de calça, e olhei para baixo, curiosa.

– Mas o que... aaaaaaaaaaAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHH! — aí eu fiz uma... dança maluca, balançando a perna desesperada, e a coisinha nojenta saiu voando até atingir uma árvore.

Olhei em volta. Elas estavam em todo lugar, camufladas entre as folhas e rochas. Deveria haver pelo menos umas 10 lagartixas naquela sala.

É hoje que eu morro.

Tentei me concentrar, mas elas estavam se aproximando muito rápido. Eu não possuía armas, e de jeito nenhum ia usar as mãos como arma contra esses répteis desprezíveis. Foquei no treinamento. O que eu havia aprendido?

Qualquer coisa pode ser usada como arma.

Tateei o bolso em busca de “qualquer coisa”, e encontrei apenas minha estela. Observei o local. Árvores, musgo, pedras, uma poça. Árvores, galhos, ponta do galho na cabeça da lagartixa. Ótimo.

Desenhei o símbolo de equilíbrio com a estela para não escorregar no musgo e pulei, me agarrando no galho da árvore. Forcei o corpo para cima. O galho em que subi era grosso o suficiente para me sustentar e seria difícil de partir com as mãos, mas o que estava acima de mim era perfeito para isso.

As lagartixas começaram a subir na árvore, e eu puxei o galho com força. Ele se soltou da árvore na hora, e eu arranquei metade da ponta, deixando uma lasca de madeira pontiaguda. Uma lagartixa se aproximou de mim, e, antes que eu pudesse ter um ataque e cair, enfiei o galho na cabeça dela, que caiu morta dali. Eca.

Fiz isso com mais umas três lagartixas, até que a paisagem mudou.

Eu agora estava em uma sala ampla. Bem ampla, parecia infinita. Ela possuía chão, teto e paredes laranjas, uma lâmpada que emitia luz alaranjada, móveis laranjas. Passeei tremendo por aquele local. Haviam cenouras, laranjas e tangerinas em cima de pratos laranjas, pessoas sem rosto vestindo roupas laranjas, uma cortina laranja cobrindo uma janela que me mostrava uma paisagem completamente laranja. Animais laranjas como pássaros, camaleões e outros estavam lá.

Laranja.

Muito laranja.

Olhei para mim mesma. Minhas unhas, pintadas de laranja. Minhas roupas pretas de treino, de repente laranjas. Meu cabelo, laranja. Eu nunca tingia o cabelo de laranja. Peguei a estela no bolso. Laranja. Desenhei uma marca em mim, uma marca que me deixasse daltônica, mas infelizmente eu não sou a Clary e passou longe de funcionar. Tentei pensar em algo. Todos superaram seus medos se acalmando (ok, alguns não superaram os medos e enganaram a simulação, mas eu não pensei em como poderia fazer isso).

Tá... as marcas ainda eram pretas no meu corpo. Fiz um símbolo simples de destruição em um livro e ele explodiu. Se eu fizesse na casa toda, provavelmente morreria. Desenhei um símbolo de invisibilidade em uma fruta. Ela permaneceu ali. Eu ainda estava segurando o galho, que também não havia se tornado laranja, e fiz um corte com a ponta nas costas da minha mão, cortando o símbolo da clarividência. A fruta sumiu.

Ainda com medo de todas aquelas coisas laranjas, desenhei o símbolo de invisibilidade em todas elas, então eu me vi encarando o vazio, e as batidas do meu coração estabilizaram.

Andei até meu lugar ao lado de Diana like a diva por superar meus medos.

POV: Sophia.

– Sophia Lightwood – andei até eles, nervosa. Quando entrei na sala, ela automaticamente se transformou.

O lugar era coberto de areia, com balanços, gangorras, escorregadores e coisas assim, algumas crianças brincando animadas.

Parquinhos.

–AAAAAHHHHH SOCORRO ALGUÉM ME SALVE EU VOU MORRER! — comecei a correr em círculo, as crianças me encarando.

Saí correndo dali, mas esbarrei em uma barreira invisível. Não dá pra fugir, droga.

As crianças saíram do parquinho, correndo uma atrás das outras.

– Tá com você! — um garotinho disse, me empurrando. Cara, para uma criancinha esse garoto era forte, porque, quando empurrada, eu parei bem na borda do parquinho. Então uma menininha segurando uma boneca Barbie chegou correndo e tropeçou atrás de mim, fazendo com que eu me desequilibrasse e caísse de cara na areia.

Me levantei, tremendo, e vi que o cenário havia mudado. Agora eu estava em uma sala de aula. Parecia ser aula de Artes, porque os alunos, que não deviam ter mais que uns 8 anos, estavam desenhando coisas em folhas de papel em branco. Não havia nenhuma professora na sala.

Então as crianças guardaram os lápis de escrever e mexeram em seus estojos, tirando a mão de lá com lápis de cor.

Ah. Não.

Em um ataque de pânico, me encolhi no canto da sala e fiquei balançando para frente e para trás enquanto as observava. Então percebi uma formiguinha caminhando sobre meu braço, e a fiquei observando, momentaneamente esquecendo as crianças com lápis de cor. Quando levantei o olhar novamente, já estava em outro lugar.

Dei um peteleco na formiga e me levantei, sorrindo.

Agora eu me encontrava em uma fazenda, observando as plantações. Encontrei o que temia mais rápido do que desejava.

Me mantive afastada daquilo, mesmo sabendo que só sairia daqui se enfrentasse as temíveis abóboras.

Ok... como se enfrenta uma abóbora?

Tirei o celular do bolso e pesquisei no Google, e não encontrei nada que fosse me ajudar. Merda. Acho que vou ter que comer uma abóbora.

Me aproximei daquele vegetal assustador e toquei nele, quase entrando em pânico. Gritei bem, bem alto, acho que posso ter estourado os tímpanos de algum chinês, mas me vi saindo dali na mesma hora. Acho que já consideraram tocar na abóbora um grande avanço em relação a mim. Realmente foi, morro de medo de abóboras. São assustadoras.

– Tiffany Blackthorn – o Inquisidor chamou, preparando a agulha.

Tiffany se aproximou dele tremendo e o entregou seus óculos. O Inquisidor aproximou a ponta da agulha do pescoço dela, mas ela recuou.

– Vamos lá, garota – ele disse.

– NAAAH! AGULHA NÃOO! — Minha parabatai se encolheu embaixo de uma cadeira.

O Inquisidor abaixou a agulha e piscou, perplexo.

– Você tem medo de agulhas?

Ela balançou a cabeça positivamente.

– Você não terá que enfrentar esse medo na simulação se superá-lo agora – ele disse. Tiffany continuou encolhida lá.

O Cônsul agarrou seu tornozelo e a arrastou à força dali.

– NÃO, ME SOLTE, ME SOLTE, TENHA PIEDADE!

Ele a algemou e amordaçou enquanto o Inquisidor posicionava a agulha em seu pescoço e injetava o líquido colorido nela. O Cônsul se aproximou dela e a soltou, fazendo com que ela desse um tapa feio no Inquisidor e os xingasse bem alto antes de ser empurrada pela porta.

POV: Tiffany.

Depois de ser violentada por aqueles políticos desgraçados, eles ainda me deram um empurrão e cá estou.

Eu me encontrava em uma mansão enorme, o que achei estranho, porque não tenho medo de mansões. Curiosa, subi as escadas e entrei em todos os cômodos, até que finalmente encontrei o que temia.

O quarto vermelho da dor.

Então eu saí correndo e gritando feito uma louca, mas tropecei na escada e teria me espatifado no chão se ele não tivesse me segurado.

– AAAAAAAAAAAHHHHHHH! — gritei feito uma menininha. Mas pera, eu sou uma menininha.

Christian Grey, o homem que a maior parte das mulheres (na minha opinião doentes mentais) deseja nu em suas camas, é o meu maior medo depois de agulhas. Pois é.

Espero que eu não precise ter filhos com ele para mudar o cenário da simulação.

Dei um pulo para trás, assustada, e encarei trêmula. Até que ele era bonito, para um pedófilo psicopata. Mas eu ainda tenho medo dele.

– Então... — ele disse com uma voz rouca que poderia ser considerada sedutora, mas eu teria recomendado um remédio de dor de garganta para ele se não estivesse tão apavorada. — você faz amor?

– TARADO! — dei um tapa no rosto dele antes de lembrar que estava com medo. Quando percebi, já estava em outro lugar. — LOL, SOBREVIVI!

Aí eu vi que havia voltado à sala normal. Estranho, não sou corajosa a ponto de ter só 2 medos.

– Eu não tenho só esses medos — informei o Cônsul.

– Eu sei, mas você não vai encontrar dinossauros por aí, então não precisa aprender a superá-los — ele respondeu, enquanto pegava a estela e abria um Portal. — Podem voltar para o Instituto.

Ah, sim, leiam as notas finais please.

Notas finais
Okay... eu criei uma conta no Polyvore e gostaria de saber se vocês querem que eu comece a criar looks para as personagens de vocês e tal. Se quiserem, só digam que tipo de roupa que ela usa e as cores preferidas ou algo assim ^^
Vou começar a escrever o próximo capítulo dia 19, quem não comentar até lá não vai aparecer porque sou má e manipuladora.
Ah, eu não li 50 Tons de Cinza, nem pretendo. Só achei engraçado colocar que a Tiff tem medo do Christian Grey.