Something Wicked

3 Capítulo 03 - Alguma coisa maligna


Notas iniciais
Espero que gostem...

A noite passou cheia de policiais e investigadores na casa de Maíra. Ela não parara de chorar desde o primeiro tiro. Seus olhos doíam bastante. Seu pai não conseguia processar a informação de que Betânia tinha morrido, alias, sido assassinada, apesar de ela quase matar os adolescentes, inclusive a própria filha.

Todos foram levados para a delegacia do Policial Paranhos. Era de madrugada quando Maíra prestou depoimento. Disse tudo que aconteceu nos mínimos detalhes. Dali a pouco, os pais dos outros adolescentes envolvidos chegaram.

A sessão de depoimentos durou até quase meio-dia do dia seguinte, uma quarta-feira. Todos perderam a aula e o pai de Maíra, Paulo não foi trabalhar. Não iria por pelo menos uma semana.

Quando tudo estava resolvido, praticamente uma semana depois, o grupo de encontrou numa pracinha, ao final da aula de Matemática, a última daquele dia.

– Vocês acham que algum demônio possui o corpo da Betânia? – indagou Fabiana, que ainda estava triste com tudo que aconteceu. Ela também não parava de lembrar a morte de seus parentes. Não sabia como haviam sido, mas procuraria saber como aconteceram.

– Não sei, mas acho que algo sobrenatural é a melhor hipótese que temos – comentou Marcos, sentando-se num balanço amarelo que estava quase se quebrando ao meio.

– Algo sobrenatural? Nós não acreditávamos nisso até os acontecimentos... – opinou Cláudio, sendo apoiado por Irene.

– Mas é bastante estranho que logo depois de eu ter contado a tal lenda, ela se possuiu – disse José bastante abalado. Todos vestiam o uniforme da escola. As garotas usavam saias curtas e boinas bonitas, e vermelhas.

– Bem, eu prometo pesquisar. Irei fazer o trabalho de Geografia. Adeus – disse Irene, saindo com velocidade da pracinha e rumando para a sua casa, que ficava a um quarteirão dali. Ela chegou ao portãozinho branco da entrada e saltou por ele, passando por um caminho rodeado por pedras. Bateu na porta de madeira marrom três vezes, até um homem atender. Irene e ele eram bem parecidos. Na verdade, aquele era seu pai.

– Olá pai – disse ela, tentando entrar logo.

O pai deu espaço e disse:

– Bom dia, filha. E a escola?

– Foi legal, tirei 3,0 na prova de Português! – disse com tom de orgulho na voz. Logo percebeu que o pai fizera um tom de desaprovação. Ficara uma fera na verdade.

– 3,0? E está feliz com essa nota? – perguntou, com o tom de voz elevado. A garota percebeu que iria ser mandada para o castigo se não explicasse aquela história direito para o pai.

– Claro que estou. A prova não valia 10 e sim 3. Isso quer dizer que tirei a nota máxima – explicou ela, saindo rapidamente e andando sobre um corredor estreito. O pai dela ficou com um rosto de idiota e voltou para a cozinha, onde terminaria o almoço.

Depois de todo o almoço e de ter descanso, a garota foi para o seu quarto, onde se trancou. Ela rapidamente ligou o computador e começou a navegar na internet. Ficou por lá umas duas horas. Foi quando se lembrou que teria que fazer o trabalho de geografia. Iria perder pelo menos uma hora para terminá-lo. Mas não se importava. Irene sempre adorou o colégio, apesar de quase todos os alunos odiarem. Ela gostava de ver seu rendimento, mas também não era Nerd nem CDF, como gostavam de dizer.

– Tenho que pesquisar... isso aqui e isso para fazer o trabalho... – falou para si mesma, apontando alguns tópicos numa folha branca com riscos na parte de trás.

A jovem pesquisou algumas coisas, assistiu televisão, pesquisou, ouviu rádio etc. Foi numa dessas paradas, em que foi se deitar na cama para descansar que percebeu algo estranho. A tela de seu computador começou a piscar. Uma hora estava totalmente preta e outro mostrava o site em que Irene se encontrava. Algo que a deixou um pouco assustada.

– Mas que...? – perguntou ao tocar na tela. Quando fez isso, levou um choque forte no dedo. Ela se afastou do computador e caiu no chão, bem a frente da cama. Seu dedo tremeu um pouco, mas logo parou. A dor era grande.

Ele levantou-se com certa dificuldade e foi até a porta. Nesse instante, a chave caiu da fechadura e começou a se mover devagar para baixo da cama. A garota não conseguia falar nada, apenas fazer uma cara de apavorada.

– Pai, socorro! – gritou desesperadamente.

De repente, sua televisão explodiu. Foi para todos os lados do quarto. A garota se encolheu no chão, tentando proteger a si mesma. Estava confusa e não sabia o que acontecia. De repente a luz de sua lâmpada, localizada exatamente no meio do teto começou a falhar. Em poucos segundos, como estava de venezianas fechadas, ficou em completa escuridão.

– O que está acontecendo? – berrou o pai, tentando abrir a porta. Mas estava trancada e a chave embaixo da cama. Irene tremia de medo. Lágrimas saíam de seu rosto. Sentiu então uma aproximação suave que lhe deu um arrepio na espinha.

– Quem está aí? – gritou, deferindo um soco no ar.

De repente a luz voltou, apenas por alguns instantes. A garota arrastou-se com medo até embaixo da sua cama. Procurou a chave por alguns instantes. Percebeu que não conseguia vê-la no mesmo momento em que as luzes voltaram a se acender.

"O que será que era aquilo? Eu sei que senti algo!" pensou ela, tentando achar o objeto no tato. Seu pai continuava desesperado no lado de fora, batendo na porta com alguma coisa pesada, no intuito de abri-la o mais rápido possível.

Foi quando Irene percebeu algo de errado. Ouviu um barulho de pancadas no chão de madeira. Ela pensou por alguns instantes que não era nada. Um erro terrível.

Quando Irene percebeu, algo havia pegado na sua perna direita. Uma mão fria, gélida, com deformações. Ela foi puxada e deu contra a parede. Quase perdendo a consciência, viu que a luz se acendeu, mostrando uma criatura gigantesca e muito feia. Foi aí que Irene desmaiou, sangrando.

Notas finais
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