Notas iniciais
Oi oi. Espero que gostem ♥

Violetta’s pov.

Acordei dez minutos antes que o esperado, e, por ainda não estar totalmente disposta, continuei deitada, fitando as paredes brancas de meu quarto. Lembrar que estava prestes a ir a escola novamente me causava náuseas, mas me animava pensar que poderia ver Fran novamente. Mesmo com o pouco tempo de convívio, eu gostava muito de me relacionar com Fran. Tudo nela soava tão natural; ela absorvia as coisas com mais realidade que eu. Queria repartir com ela esse sentimento deplorável que sentia ao ver a troca de mensagem com Leon da noite passada. Peguei o celular para ver se obtivera alguma resposta. Nada. Senti meu sangue ferver em criar imagens dele rindo vendo minha ultima mensagem. “Bons sonhos” quão ridícula eu conseguira ser. Um sorriso triste surgiu em meus lábios, e eu senti um calor apossar em meu corpo.

– Vilu, acorda! – Olga acendeu a luz do quarto, me fazendo pular de susto. – Vai tomar café em casa ou na rua? Seu pai ainda não chegou, pega um táxi até a escola, ok?! – Saiu logo depois, sem deixar que eu ao menos formulasse alguma pergunta inteligente. Olhei para o quarto vazio, branco e frio. Um banho cairia muito bem.

Trinta minutos depois e eu já estava pronta. Havia feito minha higiene matinal bem mais lerdeada por culpa do sono que insistia em me dominar. Por sorte, havia taxi disponível para daqui há 10 minutos, tempo suficiente para tomar um belo café da manhã. Passei a alça da mochila por um de meus ombros, deixando o outro livre para colocar um casaco leve. Desci as escadas ainda arrumando a mochila e o casaco, me deparando com Olga e Ramalho, sentados lado a lado e desfrutando de um café da manhã animador.

– Vilu, bom dia. – Disseram em perfeita harmonia.

– Ei, bom dia, pombinhos. – Sorri franco, me servindo de um liquido alaranjado da jarra. – Qual o sabor do suco? Por favor, diz laranja. – Olhei na direção de Olga, lançando um bico um tanto quanto engraçado, pois pude vê-la sorrir.

– Se eu disser que é manga, você vai ficar frustrada? – Gargalhou, sintonizando a voz perfeita para o momento.

– Ah, jura? – Bufei. – Não importa, estou faminta. – Peguei dois pãezinhos recheados de geleia de morango, minha preferida. Engoli o liquido em algumas goladas grossas, sentindo o gosto de laranja raspar minha garganta. Pensei comigo mesma: Obrigada, Oliguinha. Sem perceber, soltei um riso ao vento, deixando que Olga pudesse ver minha aprovação. Cinco minutos e eu acabara meu esplêndido café da manhã. A campainha soou, pondo fim ao meu pequeno momento de relaxamento. Sorri para Olga, que continuava sentada, mesmo depois de Ramalho deixar a mesa, depositando um selinho em seus lábios e um em minha testa.

– Adiantado. – Olhei para o relógio na parede. – Já vou. – Gritei.

– O dinheiro tá na mesinha do telefone, Vilu. Se seu pai ainda não tiver chegado pra te buscar, te ligo e contrato outro táxi. – Olga disse preocupada. Sua testa levemente franzida, e seu olhar pousado sobre mim deixava isso claro.

– Obrigada, Olguinha. Te amo. – Beijei sua bochecha rosada, deixando-a sozinha naquela imensidão que costumávamos chamar de cozinha.

O motorista estava estacionado bem na frente do portão, o que possibilitou uma ótima vista para o mesmo. Pisquei várias vezes, tendo certeza de que realmente estava vendo aquilo e não era uma miragem. O motorista não estava só, havia mais alguém com ele. Alguém bem apresentável, por sinal. Sorri, maliciosamente ao olhar o físico do rapaz me ajudando abrir a porta.

– Eu ia fazer duas viagens, mas ele disse que era para o mesmo sentido, então... er... não se importa se ele for junto? – O motorista disse tímido. Ri em aprovação, é claro que não me importava de dividir minha viagem até o colégio que duraria, em média, vinte minutos com um gato daqueles. – Se a senhorita quiser, posso busca-lo depois de te deixar no colégio. – Disse, cabisbaixo.

– Não se preocupe! Não vejo problema.

O garoto soltou uma gargalhada alta, batendo levemente a mão na cabeça do motorista. E eu, por não entender a situação, apenas observei a cena, remunerando minhas expressões.

– Eu disse que ela não iria se importar, tio. – Ele disse soltou, como se eu não estivesse ali ouvindo. Oi?

– Ainda bem! – O motorista disse, não dando muita importância. Deu partida no carro, tomando rumo a um transito nervoso e cheio.

– Prazer, Marco. – O garoto me cutucou. A única coisa que nos separava era minha mochila. Maldita mochila, a praguejei mentalmente.

– Prazer, Violetta. – Senti minhas bochechas corarem, e abaixei a cabeça em seguida, numa tentativa fracassada de esconder a vermelhidão de meu rosto.

– Vamos ser colegas de colégio, sabia? – Virei-me rapidamente para Marco, pouco me importando com minhas bochechas coradas (que agora já não estava tão avermelhadas assim) e sorri maliciosamente, sem poder me conter.

– Ah, legal. – Soltei as palavras leves, na tentativa de esconder meu entusiasmo. Essa era minha deixa, comecei a torcer mentalmente para que com algum milagre Marco estivesse na minha sala.

– É, legal. – Ele retribuiu o sorriso, porém um sorriso verdadeiro, sem malicia ou quaisquer segundas intenções. – Já tenho uma amiga, não me sinto mais tão excluído. — Soltei uma gargalhada alta. Como seria possível um garoto tão bonito ser excluído?

– Já tem duas, então. – Falei entre risos. – Fran vai adorar ter mais um amigo. – Ele sorriu em aprovação e seus olhos brilharam. E que olhos.

Chegamos na escola e tudo estava normal, como sempre. As mesmas conversas de sempre, as mesmas brincadeiras, os mesmos corredores de sempre, os mesmos professores de sempre... Procurei com os olhos alguém especial, vendo um batalhão de professores saírem da sala de professores com suas maletas provavelmente cheias de relatórios e atividades do dia. Olhei mais uma vez, revestindo minha tese: ou Leon se atrasaria para as aulas, ou faltaria. Torci fortemente para que a primeira opção fosse a verídica. O sinal tocou, alarmando que estaria prestes a ter cinco aulas das piores. Segui Francesca até a sala, no entanto, sem condições de perturba-la com meus afazeres, pois sua atenção era voltada toda a Marco.

Primeira aula do dia: história. Professor Alexandre, apesar de ser um amor, era lerdo. A aula era resumida em alunos dormindo, ou alunos fingindo estar prestando atenção em sua explicação –ou na tentativa dela- enquanto mexiam enfurecidamente em seus celulares. Vez ou outra, era possível ouvir algum som de celulares ou de roncos, mas nosso professor tinha sérios problemas auditivos, o que facilitava ainda mais a situação. Peguei o celular e digitei o número que estava martelando em minha cabeça, quase o sabendo de cor. Digitei alguma coisa em relance, inacreditavelmente rápido. Leon teria que me responder.

“Esqueceu que trabalha?” xxVioletta.

Notas finais
O capitulo tá meio grandinho, né?! É que eu tô tão animada escrevendo niosajopa o que acharam?