Some Kind of Wonderful
1 A Descoberta
Rose possuía uma lista muito particular de coisas que, certamente, deveriam ser evitadas. Entre elas,fazer comentários que poderiam ser mal interpretados por Lily a respeito dos seus frequentes cortes de cabelo; demonstrar desinteresse nos assuntos de Alvo e Hugo, que se resumiam à Star Wars, jogos de videogame e HQs; aceitar desafios de James ou Fred, por mais inocentes que pudessem parecer; ou desrespeitar o espaço e a privacidade do outro. Era de se esperar, afinal, que os dezesseis anos convivendo com as diferentes personalidades que constituíam sua numerosa família fossem lhe inspirar um pouco de sabedoria. E todas aquelas coisas sempre facilitaram muito sua vida.
Especialmente aúltima.
Portanto, quando Scorpius Malfoy esqueceu um caderninho surrado de capa verde em cima da mesa, Rose não tinha intenção nenhuma de ficar com ele. Tentou chamar o garoto de cabelos muito loiros e olhos tão cinzas quanto o céu em dias de tempestade em meio à revoada de alunos que saiam apressados da sala, mas ele já parecia estar longe demais para ouvi-la. E como se o universo não quisesse mesmo colaborar, Slughorn resolveu bloquear seu caminho bem naquele momento para perguntar, pela segunda vez no mesmo dia, se ela iria participar da reunião do Clube do Slugue no sábado à noite.
Ela se esqueceu do caderno pelo resto do dia e só voltou a pensar naquilo quando o encontrou no fundo da sua mochila. Sozinha na sala comunal da Grifinória, protegida pelas grossas paredes da torre e pelo silêncio de uma noite escura, o pequeno caderno pareceu brilhar de um jeito diferente. Ela tentou se concentrar novamente em seus deveres, mas o desejo de dar só uma olhadinha era incontrolável. Encontrava-se em uma espécie de impasse moral, dividida entre a curiosidade e o que era certo. Hesitou duas vezes antes de segurar o caderno entre as mãos e abri-lo.
Rose sabia tão pouco sobre o garoto. Só sabia que era um Malfoy e, a despeito do seu sobrenome, era amigo de Alvo e gentil com a maioria das pessoas. Sabia também que gostava de sapos de chocolate e de tomar o seu chá com mel, que costumava sorrir pelo canto da boca quando parecia achar algo engraçado e que passava longos períodos do dia sentado sob a sombra de uma árvore à margem do Lago Negro. Bom, talvez ela soubesse até mais do que deveria, mais do que sequer poderia imaginar, mas que mal faria saber um pouco mais?
Que mal faria?
Mas entre todas as coisas que poderia descobrir, só não esperava descobrir aquilo. Era fantástico.
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