Sombrio Limiar
59 Dia de Festa
Notas iniciais
O castelo estava lotado, como um formigueiro de humanos, conversando e rindo, enquanto as bebidas eram liberadas sem pudor. Logo as comemorações e o show começariam, mas pelo momento, os nobres desfrutavam sopa de lentilha e um grande porco assado para a ocasião.
Na parte baixa da cidade, os de classe mais pobre comiam com igual satisfação deliciosos quitutes próprios de sua posição social.
Após uma hora, as trombetas tocaram, anunciando o momento de apresentação dos ‘bobos da corte’.
Eles subiram em um palco mais elevado que a multidão com brilhantes sorrisos cintilando em seus rostos entusiasmados. Usavam roupas coloridas e confortáveis, para facilitar as acrobacias.
A apresentação começou com Jhonny cuspindo uma longa labareda de fogo, como um mestre, controlando o elemento.
– Ele pode errar muito nos treinos, mas quando ele entra no palco, é como se ele se transformasse em outra pessoa. – Nod sussurrou para MK que observava surpresa e encantada com a demonstração.
Outros talentos entraram, dançando ou lançando dardos contra uma roleta. O homem que estava amarrado á roda tinha o rosto calmo e tranquilo, apesar das facas fazerem o vento dobrar-se próximo de sua pele.
Quando chegou a vez de Anna ela tremeu um pouco e se adiantou, respirando fundo. Seu rosto pintado contraído com concentração.
Começou a correr, seus pés quase não tocando o solo. Levantou as mãos acima da cabeça e inclinou o corpo com toda a força.
Tudo ocorreu em segundos. Anna tirava os pés do chão e apoiava suas mãos de volta com uma rapidez inacreditável.
– Incrível. – Uma garotinha suspirou do meio dos adultos.
O trono do rei ficava no mesmo patamar da plataforma, embora muito distante. Sua esposa e filhos e ate mesmo o soberano assistiam a tudo com entusiasmo por pouco contido. Violeta porem, descansava o rosto em uma das mãos, um olhar preocupado em seus rosto.
Anna mudou de direção com velocidade, correndo para o trono do monarca.
– Mas que di... – O homem começou, mas, não havia o que fazer.
No segundo seguinte a garotinha estava no ar, girando pelo impulso dado por Nod. Em um piscar de olhos, seus pés encontraram a madeira cara do trono do rei, suas mãos levantadas e a expressão feliz e vitoriosa brilhando em seu rosto.
Após saltar como uma pena para a plataforma novamente, arrancado poderosos aplausos das pessoas em baixo e também das que estavam na tribuna.
Ela se inclinou em uma mesura convencida e afastou-se de volta a seu lugar.
O rei se levantou, ainda sorrindo animado pelas apresentações.
– Muito bem, muito bem. Nossos agradecimentos á trupe de Coventry, muito obrigado por suas esplendorosas apresentações.
Todos os membros da trupe que haviam participado se curvaram reverentemente.
– Então, agora vamos a razão da comemoração dessa noite.
Ele dirigiu a mão a sua filha, convidando-a a levantar-se. Do outro lado das cadeiras, o rapaz de cabelos caramelos também se pôs de pé, aproximando-se de lady Violeta.
O rei começou a falar sobre a alegria que a aliança traria a todo o reino, e como isso iria fortalecer as terras de Aaron, contudo, Wilbur parou de escutar, seus olhos focados em apenas uma pessoa. A garota estava linda, delicada como um cisne, os cabelos negros balançando levemente em seus ombros.
E agora? Quando o momento finalmente havia chegado, ele não estava pronto para se por de pé e enfrentar séculos de tradições. Sabia, por mais que durante os dias de preparação para o noivado houvesse tentado negar para si mesmo, que á amava.
Como poderia ser porem, que um servo desposasse uma princesa? Isso ele não sabia.
Mas, ainda assim, ele sentia no fundo de seu peito a angustia esmagando seu coração, enquanto ele lutava com a pequena esperança que lhe restava.
Ele sentia os batimentos se tornarem mais e mais violentas enquanto as ultimas palavras eram ditas pelo rei.
Ele tinha que fazer alguma coisa. Tinha que fazer agora!
Mas ele não conseguia fazer seu corpo se mexer, sua garganta estava seca e seus lábios se recusavam a abrir.
Maldição!
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