Sombrio Limiar

3 Desprezivel Heroi


Elsa abriu as altas portas com vitrais coloridos e entrou em seus aposentos.

Pouca luz entrava, por uma pequena janela gradeada no canto mais afastado. Oh Anna, eu prometi que te protegeria, ela pensou consigo, colocando as mãos frias no rosto para impedir as lagrimas. Caminhando decidida, ela foi ate a grande mesa de mogno escura e pegou uma caneta. Caro Norman, é de estrema importância que atenda este correio, sua amiga, Elsa.

Se levantando da cadeira, suspendeu a carta acima de um pequeno braseiro e a deixou cair. Dois minutos se passaram, quando de repente um aparato emitiu uma luz forte, ao lado de sua cama. Apressando se ate lá, agarrou tablete tão fino como uma folha e apertou o botão do centro.

– Elsa? – uma voz rouca e inseguro soou do outro lado.

– Norman! – Ela deu um pequeno sorriso, mas então se lembrou do porque de tê-lo chamado – Norman, eu preciso que venha para a cidade, algo aconteceu e suspeito que o véu esteja desprotegido.

– Mas... – ele começou – Nos checamos mês passado. O que aconteceu? Porque esta pedindo isso?

– Não, esqueça, preciso de você na cidade, é importante. Explicarei quando você chegar. – ela pensou por uns segundos – E, Norman?... Traga Coraline.

Elsa desligou a chamada antes que ele pudesse protestar, colocou o tablete em seu lugar. E deitou no colchão macio. E, pela primeira vez ela sentiu o peso de comandar aquele refugio. Fechou os olhos e deixou se perder entre os lençóis de seda.

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A enfermaria estava um caos. As três enfermeiras de plantão haviam saído para almoço, e o trabalho sobrou para Merida, Rapunzel e MK. Correndo de um lado a outro da enorme sala, elas tentavam cuidar dos feridos. Enquanto Merida fazia curativos improvisados, Rapunzel colocava gotas de diferentes químicos e remédios nos machucados. Depois de um tempo MK foi buscar roupas novas para os garotos. As deles estavam esfarrapadas, manchadas de sangue e fedorentas. Violet observava o movimento sentada em um banco alto, quando Merida pediu que ela fosse chamar Wilbur, o garoto gênio. Ela ia concordar, mas ao ouvir o nome Wilbur, sua expressão fechou e ela abriu a boca para discordar, dizendo que era melhor outro ir em seu lugar, mas Merida, já nervosa com a situação, gritou uma ordem, e no próximo segundo Violet estava caminhando a passos rápidos pelas confusas calçadas.

Enquanto andava, ia se recordando do garoto insuportável que estudava com ela. Ela não aguentava aquele jeito exibido e mandão , e toda vez que ele começava a falar ela tinha vontade de enfiar o punho dentro da boca dele. Ele era tão... tão... Ela grunhiu em voz alta. Imagens dele passaram pela sua cabeça, o sorriso presunçoso, o horrível topete, os olhos... Ah, aqueles olhos, que a faziam perder a paciência, que a faziam querer agarra lo e... Violeta!!, sua consciência a alarmou, o que ela estava pensando?! Sacudiu a cabeça e olhou para frente, onde uma casa de formato curioso aparecia em seu campo de visão.

Se adiantando ate a porta laranja, ela levantou o punho e bateu duas vezes. No mesmo instante a porta foi aberta de supetão por um robô amarelo. Ele sorriu ao vê –la e ela retribuiu timidamente.

– O Wilbur esta? Merida me disse para que viesse chama lo. Preci... As sacerdotisas precisam dele na enfermaria.

Mal terminara de falar, e ela pode ver um topete negro descendo a escada. Ao velo, juntou as sobrancelhas e cruzou os braços. Como sempre, aquele sorriso estava lá, e os olhos brilhavam, travessos. Ela notou graxa em algumas partes da camisa dele.

– Ei Vi, — ele saudou sarcástico.

– Nunca te dei essa intimidade Wilbur, agora vamos, Merida disse que é urgente. Ela queria diminuir ao máximo o tempo ao lado dele.

– Ei calma ai, ate parece que alguém morreu. – Violeta o fuzilou com os olhos e continuou a andar. – Peraí, alguém morreu mesmo? – ele perguntou preocupado, franzindo as sobrancelhas.

– SERA que você não tem um pingo de paciência, espere chegar lá, e veja por si mesmo! – ela respondeu gritando.

– Ho ho, que bicho te picou hein gótica? – Violeta cerrou os punhos e fechou os olhos. 1, 2, 3... respira.

Ela continuou caminhando, com tanta raiva que já não prestava atenção a sua frente.

Wilbur ia dizer mais alguma coisa, mas ai ele viu o ônibus descendo em alta velocidade.

A garota já estava no meio da rua.

– Violetaa! – ele gritou ao mesmo tempo em que corria na direção dela. Ela olhou pra ele confusa e então viu o ônibus. Ela a viu abrir a boca e colocar os braços como escudo a frente do corpo. Depois disso, ele se lembra de flutuar por dois segundos, com seus braços ao redor dela e então, bater com força no asfalto, esfolando braços, joelhos e pernas.

Ele manteve os olhos fechados um pouco mais. O corpo frio e frágil dela contra o dela, os cabelos negros bagunçados fazendo cocegas em seu rosto. Ela cheirava a blueberry e violetas. Ele sorriu por um momento, ate sentir ela se mexer.

Apoiada nos braços Violeta o encarava com os olhos muito abertos.

– Obr-brigada. Ela disse como se não pudesse acreditar que as palavras estivessem saindo.

– Disponha – Ele ouviu sua voz sair áspera e deu uma risadinha. No mesmo momento ela fechou a expressão e tentou se levantar, caindo em cima dele de novo.

Enquanto tentavam se desvencilhar um do outro, já discutindo e se insultando, eles viram Elsa a porta da enfermaria, falando alguma coisa com Rapunzel e Merida. Logo depois, todos, menos Rapunzel estavam dirigindo se ao castelo.

–Reunião do conselho. – Violeta sussurrou puxando Wilbur do chão e seguindo os outros.

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