Tal como Norma Bates estou ficando louco. Se sou ela e ela sou eu nós somos um só, vivendo nesse mesmo espaço-tempo. Vivendo dentro deste pequeno mundo que é meu corpo, e deste grande mundo que é minha mente. Mas isso significa que existimos? Talvez eu seja uma ilusão sua, e você minha. Eu quero ser maior que isso, não rico nem poderoso, ser algo que seja maior do que nossa existência mundana. Não falo em grandezas medidas por homens, falo de grandeza artística, filosófica, biológica. Mas qual a realidade em que estamos inseridos e para onde iremos? Onde nossas vozes não são ouvidas, e nossas mãos prendidas. O que é preciso para ser notado? Se do Nada viemos para o Nada voltaremos.

Andando na estrada de encontro à vida e contrária à morte, mas a verdade é que todo esse caminho nós levam para o mesmo lugar. Que é justamente a morte.

E me lembro de que tudo é um aprendizado. Nada é como você deseja, mas tudo possui um significado. Se eu tento falar, engulo as palavras como quem come um pão, todas essas memórias me levam de volta para o mesmo lugar; que é sempre o passado.

E eu penso como as coisas poderiam ter sido e como elas foram. Por que insistem em vir até a mim, como um ferro atraído pelo imã? É como um feitiço, uma música sem som. Machuco-me com as lembranças fazendo com que beba minhas lágrimas para matar a sede. Eu me trai, quando deixei de abrir a porta, quando fiquei em silêncio, me trai, enquanto mantive os olhos fechados para o mundo. Enfiei uma faca em minha própria costa e me vi morrer mais de uma vez, sem me socorrer.

Sinto que estou preso dentro de um tornado, mas é apenas minha mente; confusa e nebulosa, Terra fértil de ser colonizada. E na mais profunda camada habitam as palavras não ditas, a porta não aberta para o Desconhecido que eu temo.

Um relâmpago no céu, uma rachadura no chão, estou entre a vida e a morte, entre o sim e o não, eu, O talvez, inerte no tempo. E entre dois mundos flutuo na bolha que criei para minha proteção, mas que agora me sufoca.

No futuro deposito minhas esperanças, para mim, para nós de dias melhores, mas o passado nunca nos permitirá esquecer.