Sombras do Passado

2 Capitulo 1 – Assassino de Lideres de Torcida


Notas iniciais
Como prometido o primeiro capítulo, queria mais mostrar como Liesel e Spencer se conheciam e as impressões que tem um do outro.Lembrando que eles são adultos, ou quase isso, e tentaram lidar com a situação de forma madura para que não interfira no trabalho de modo que eles não vão sentar e discutir o que aconteceu a anos atrás.

Spencer Reid narrando

Ela estava aqui, sentada a duas cadeiras de mim olhando atentamente as fotos mostradas na tela por Garcia e ouvindo toda a explicação com força total, é claro que eu sabia quem ela era mesmo que não esperasse vela novamente, não neste tipo de situação, talvez como testemunha ou vitima de algum caso, mas não algo assim.Sei que é cruel mas ela nunca me pareceu realmente inteligente, mas ela também nunca me pareceu cruel mesmo no final tendo sido.

Deste que o semestre havia começado ela não havia faltado em nenhuma aula, ou chegado atrasada, sempre se sentava no meio e era uma das últimas a sair sussurrando um leve até a próxima aula, professor Reid, antes de sair desfilando e arrancando alguns suspiros dos alunos que ficaram para trás. Não que eu tenha me apaixonado pela garota popular, eu já havia aprendido que garotas como ela não dão bolas para caras como eu e eu não era também o típico professor sedutor que seduz as alunas, eu era só o desajustado social que preferia livros a pessoas e estava terminando o meu primeiro PhD. Eu não achava que ela era cruel, talvez uma daquelas garotas tolas e levianas mas não cruel, até o dia dos namorados quando ela fez uma brincadeira estúpida, não que eu cai no truque dela. Tenho 187 de QI, o suficiente para aprender que garotas bonitas como ela não escrevem bilhetes apaixonados para caras como eu se declarando e marcando um encontro em um bar onde ninguém conhece e ninguém vai no dia dos namorados. Eu apenas o amassei e joguei fora, todo ano recebia pelo menos 3 e depois da primeira vez onde realmente acreditei que uma garota queria um encontro comigo eu entendi que era apenas uma piada. Tanto que ela não assistiu mais nenhuma palestra depois do dia dos namorados.

Fecho os olhos e volto a me focalizar no caso, não adianta ficar pensando no que aconteceu a 8 anos atrás, eu mudei e ela também, além disso se ela conquistou o seu lugar no FBI mesmo tendo que criar dois filhos é porque ela tem mérito e quem sabe a maternidade não a fez mudar?Ela deve ter ficado grávida na faculdade, mas não usa aliança talvez ter sido largada a tenha feito pensar e agora ela seja uma mulher madura.

– Fora o fato de todas serem mulheres e terem tido o rosto arrancado o que temos? Cabelos diferentes, classes sociais diferentes e idades diferentes...Das 5 vitimas uma tem 35 anos e outra tem 21, todas foram desovadas na praia – começa Garcia mostrando várias fotos – na primeira semana houve uma morte, na segunda duas e nesta três...

Todos começaram a tentar discussões sobre quais poderiam ser as semelhanças e depois sobre o significado das mortes, fora os rostos terem sido arrancas e a grande quantidade de sangue o que indicava algum tipo de vingança e a assinatura da vitima precisaríamos de mais informações para ver se algo as ligavam ou se eram apenas vitimas aleatórias.

– Garcia você pode dar um zoom no pulso e no calcanhar das vitimas – Liesel pergunta enquanto coloca um chiclete de melancia na boca e logo depois estoura uma bola enquanto analisa o zoom – elas são lideres de torcida, campeãs da Spirit, anos diferentes por isso as pulseiras tem penduricalhos diferentes, os penduricalhos são feitos pelas lideres de torcida por concurso e os mais votados virão os oficias das pulseiras vencedoras. Por ano devem ter umas 15 garotas vencedoras, fora a media de 5 garotos que não usam pulseiras e ganham uma gargantinha com um único símbolo.

Lideres de torcida, é verdade ela era uma das lideres de torcida da faculdade e no geral a maioria delas faz mais do que balançar pompons para os jogadores por mais que algumas pessoas achem isso. Depois disso Hotchner nos deu 30 minutos para estarmos no avião para irmos até Miami Beach, fomos pegar as nossas coisas e nos preparar, depois disso só voltei a vê-la no avião sentada em uma cadeira individual e com a pulseira, era obvio que ela tinha uma, mas não a estava usando antes.

– Você também está com uma, está se pondo na linha de perigo, sabe disso – comenta Dereke que havia percebido o mesmo que eu.

– É um risco necessário, as lideres de torcida não vão ser honestas com vocês...Não 100%, temos um código e dificilmente o rompemos e o principal é que o que acontece no Spirit fica no Spirit, eu sou uma delas e com esta pulseira a mais chances delas contarem para uma irmã líder de torcida que quer protegê-las do que para policiais – ela comenta suspirando – acabei de ligar para a minha antiga capitã para confirmar, esse ano é o centenário do Spirit e todas as capitãs estão vindo para Miami votar nos penduricalhos das pulseiras...E não eu não falei dos assassinatos em série ainda ou a entrevistei, apenas perguntei se ela ia assistir, participar do júri e se alguém da nossa equipe iria...

Liesel Manson narrando

As Lideres de Torcida tem um código a cumprir,todas temos algo estranho e que mancharia a ideia de perfeitas barbies e lindas, tudo é escondido e no Spirit nos bastidores é onde as coisas costumam ficar mais a mostra e por mais que lá possamos ser nós mesmas, apenas irmãs os segredos continuam. Como o fato de que eu sou inteligente de verdade, no geral as garotas da torcida sabiam mas fingiam não saber para continuar a minha imagem de garota boba e ingênua.

O avião já estava pousando e todos estão concentrados demais lendo os relatórios, assim como eu deveria estar fazendo já que não posso perder este emprego a oportunidade é boa demais, o dinheiro vai mais do que ajudar na criação dos meninos e o tanto que posso aprender e vivenciar é indescritível, além de impedir que destruam a vida de inocentes assim como destruíram a minha ao matar a minha família. Ergo os olhos e visualizo Spencer Reid e rapidamente abaixo o olhar enquanto mordo o lábio inferior, encontrá-lo foi em partes surpreendente, por outro lado eu sabia que ele tinha mais do que potencial para chegar aqui. Eu apenas não esperava vê-lo de novo não depois de tudo.

A maioria das pessoas devia pensar que eu a boa líder de torcida ruiva e relativamente popular deveria me apaixonar por um dos craques do time da escola, ou vários, com quem perderia a virgindade e me casaria, bem estas pessoas nunca foram boas em analisar o perfil de alguém. Primeiramente eu já não era virgem aos 17 quanto entrei na faculdade de Yale e segundo que jogadores suados que só sabem falar de esportes, coisas obsenas e sexo não são exatamente o meu tipo, porque sexo é importante é obvio mas eu sempre precisei de mais do que isso. O meu tipo ideal de cara sempre foi o inteligente o suficiente para acompanhar a minha capacidade de raciocínio, para debater comigo sobre assuntos mais interessantes do que a próxima festa da faculdade, alguém que poderia realmente se importar comigo e ainda tivesse aquele jeito fofo. Porque o estilo machão e homem das cavernas era tudo menos interessante, e por este motivo foi inevitável que eu acabasse me apaixonando pelo palestrante prodígio Spencer Reid.

Ele não era muito bom em falar em público, ou conversar, por mais inteligente que fosse.Mas era engraçado e ele sempre soltava dados bizarros e estáticas no meio das palestras que eu sempre queria conferir para ter certeza que ele estava certo, ele sempre estava, e de algum modo eu me encantei com ele, com o modo como não era compreendido e tinha tanto para mostrar para o mundo. Foi uma paixão boba de menina, obviamente não correspondida, mas foi a minha primeira paixão verdadeira depois que perdi os meus pais. Escrevi e reescrevi o bilhete de declaração milhares de vezes, deixei até o meu telefone caso ele não pudesse ir, fosse se atrasar ou preferisse outro lugar, coloquei a minha melhor roupa e esperei, esperei por duas horas até ter certeza de que ele não iria aparecer e depois apenas fui para casa chorar. Não foi por levar um fora, ele poderia ter me dado um fora por telefone, o que me deixou com raiva foi o total desprezo por uma resposta como se eu não fosse digna disso, mas depois eu entendi, ele me via apenas como todos os outros.Uma líder de torcida idiota, patricinha e que só liga para o próprio umbigo, eu realmente acreditava conhecê-lo e queria conhecê-lo mais, ele não deu a mínimo e acho que por isso eu parei de assistir as suas palestras e passei a evitá-lo me concentrando ainda mais no resto da minha vida que já era tão tumultuada. Suspiro, a vida é realmente irônica.

O avião pousa e eu abro o meu colar, era um daqueles onde é possível guardar duas fotos, de um lado eu coloquei uma minha com meus pais e minha irmã mais velha Carrie, do outro havia uma foto minha com os gêmeos Porthos e Sherlock. Suspiro enquanto me levanto fechando o colar, no momento tenho que me concentrar nas vidas que preciso salvar e nas pessoas que estão tentando acabar com elas. E sobre os nomes, sim eles são baseados em livros porque os meus pais se conheceram na biblioteca da faculdade e acharam que seria romântico.

– Vamos nos dividir – começa Hotchner – Liesel não quero você sozinha em nenhum momento, esta sua pulseira pode ajudá-la com as lideres de torcida mas com toda certeza pode irritar o assassino. Eu e JJ vamos falar com os policiais do caso, Derek e David podem falar com as famílias das vitimas, Spencer e Liesel vão falar com as garotas, como já se conhecem creio que não terão problemas. Mãos a obra.

Engulo em seco enquanto olho para Spencer que também me encara, não sei o quão animado ele está com isso mas apenas suspiro vendo todos se distanciarem. Ficamos em silêncio durante alguns minutos, eu não esperava ter que ir com alguém falar com as meninas e por fim não esperava ter que ir com ele mas não é uma boa ideia chegar no primeiro dia de trabalho e contrariar a escolha do meu chefe com base em algo que aconteceu a tantos anos.

– A capitã de Yale era a Mary não sei se você se lembra, ela já me disse onde todas as antigas capitãs estão hospedadas, e em dois dias as competidoras deste ano vão chegar – comento quebrando o silencio – talvez tenha algo haver com a chegada das garotas, ou com o spirit por si só... Reid, posso te chamar assim? Eu posso começar a falar com as garotas a sós? Eu falo sério quando digo que o sigilo é algo importante, ao menos para as perguntas pessoais. Eu poderia me encarregar delas enquanto você poderia tentar descobrir quem convocou a reunião que juntou todas elas, talvez tenha algo haver com isso ou com as pessoas no hotel é bem conveniente reuni-las todas aqui, não? A própria Mary devia estar no sul e não aqui.

Depois disso não falamos mais nada, eu não tinha o que falar e acho que ele também não. Não tínhamos exatamente nada para falar do curto tempo que compartilhamos juntos em Yale e creio que as experiências individuais que passamos não foram as mesmas, suspiro passando os dedos nos cabelos quando entramos no hotel e todas as lideres de torcida estavam reunidas.

Mary saiu do meio do grupo que estava aos sussurros em um canto, o grupo parecia apreensivo e devia ter cerca de 50 mulheres todas parecendo apreensiva, elas sabiam de algo mesmo que não seja algo conclusivo alguma suspeita ela tinha.Ela vem até nós e me abraça dando um beijo em cada bochecha e depois olha Spencer de cima a baixo e da um sorriso cruel.

– Uau, não esperava vê-lo de novo Reid – o tom dela é cruel o suficiente para que eu lhe lance um olhar cruel – falei algo de errado? Ou será que você ainda não...

Depois disso dei um beliscão nela lhe lançando outro olhar de advertência, ela está sendo extremamente rude e cruel, posso não ser a maior fã do Reid depois de tudo mas definitivamente ele não merece ser humilhado ou menosprezado, sempre achei que ele tinha alguns problemas de confiança. Além disso Mary sabia ser inconveniente e as vezes falava demais sem querer, ótimo em alguns momentos e péssimo em outros, principalmente quando ela acha que sabe mais do que realmente sabe.

Falar com capitãs de equipes de torcida foi maçante, principalmente para convencê-las a falar foi exaustiva, as mais velhas principalmente por acharem que são inatingíveis com a eterna síndrome de rainha do baila da escola, não sei se teria conseguido sem Mary dando olhares zangados quando sabiam que mentiam e as corrigindo, no fim consegui um perfil parcial das vitimas mas nada de muita coisa, todas infelizmente sofriam da síndrome líder de torcida perfeita por toda a vida. Quando finalmente saio do hotel Reid está me esperando, seus cabelos estão mais curtos do que na época de Yale, não que isso seja importante.

– Conseguiu algo? Além de dor de cabeça – brinco enquanto íamos até a sede da policia e Reid solta algumas estatísticas, ele não mudou tanto assim afinal – sobre a Mary...Ela não é tão ruim, nenhuma delas é, não se deixe intimar pelas unhas postiças e maquiagem perfeitos.

– É fácil falar quando é uma delas, dificilmente um membro do mesmo grupo social intimida outro – ele fala antes de soltar algumas estatísticas, não que eu esteja com pena dele, talvez um pouquinho mas só porque estamos na mesma equipe.

– Eu me tornei uma delas para não ser intimada, ninguém espera muito da líder de torcida ruiva então não sou uma ameaça aos olhos de ninguém...Faço parte do grupo de modo que ninguém me intimidaria e não sou uma ameaça para que tentem me sabotar, eu só me misturei – comento enquanto paramos na porta da delegacia de Miami – a época da faculdade já passou você já foi mais longe do que metade dos que se formaram com você, quem tenta te por para baixo só está com inveja e tenta te diminuir para crescer...Você sabe disto, certo?É só se lembrar dos perfis.

– Obrigado – ele da um sorriso fofo para mim antes de abrir a porta e eu coloco um sorriso nos lábios enquanto tento agir normalmente, ele nunca havia dirigido um sorriso para mim e tenho que admitir que foi fofo.Não que eu vá começar a suspirar por ele pelos cantos, não sou burra de cometer o mesmo erro duas vezes, e até certo ponto ele ainda me vê como a maioria.

Notas finais
Outro aviso, Liesel e Spencer não se odeiam, eles tiveram o desencontro de informações naquele dia dos namorados mas isso não é o suficiente para odiar alguém apenas para querer distância e evitar se envolver (principalmente a Liesel), de modo que eles não vão ficar um brigando com o outro, mas não vão se aproximar muito vai haver uma barreira entre eles imposta principalmente pela Liesel...bem é isso, o que acharam?