Sombras do Passado
3 Capitulo 2 – os Anjos de Liesel
Notas iniciais
Lembram quando eu comentei que as lideres de torcida tem muitos segredos?Bem estas tem milhares, mas nenhuma delas é realmente o esteriotipo da líder de torcida perfeita e que só pensa nas próprias unhas e no pircing no umbigo.Não que isso tenha nos ajudado muito na vitimologia uma vez que o próprio autor dos assassinatos pode ser alguém que não é do ciclo intimo delas (afinal a discrepância de idade é grande)e talvez não saiba que na verdade elas não são assim, ou talvez do circulo interno e as odeio por não atender as expectativas dela.
De qualquer modo o crime foi extremamente violento e Derek Morgan acredita que o assassino tem um ódio pelas vitimas, ele queria vê-las sofrer e não sentia remorso no que fazia, ele era extremamente organizado e não as desovava no local da morte, mas ainda não descobrimos onde elas são mortas uma vez que ninguém naquela equipe de antigas capitãs das equipes vencedoras da Spirit parece saber exatamente onde as mulheres mortas estavam indo e com quem.
Garcia estava tentando mapear os últimos lugares onde os cartões de crédito e os celulares foram usados mas até o momento nenhum lugar tinha batido o que nos levava até um impasse. JJ aparece na porta da sala e nos chama, estava na hora de falarmos com os policiais locais sobre o perfil que montamos, suspiro passando os dedos pelos cabelos enquanto fazia uma trança lateral nos meus cabelos devido ao calor. Ficamos na frente de todos aqueles policiais, os encaro nos olhos enquanto me apoio na parede, se eu estava com vergonha de ter tantas pessoas me encarando? Não muita, na verdade o meu maior receio é de fazer algo de errado e fazer papel de boba logo na primeira vez, pensamentos positivos é nisso que tenho que me concentrar.
– Ele sente prazer no que faz, é algo como uma vingança pessoal a elas e ao que representam, ao arrancar o seu rosto ele arranca não só a sua identidade como pessoas mas a beleza da líder de torcida – começa o agente Derek Morgan, especialista em crimes obsessivos – ele tem uma posição que lhe permite observá-las de perto sem levantar suspeitas, ele está na organização do Spirit.
– Mas não é próximo o suficiente para ouvir as conversas delas ou perceber quem são, mas é bonito para não levantar suspeitas e conseguir tirá-las da sua zona de conforto – comento atraindo vários olhares – ele tem alguma ligação com o evento que pode estar relacionado desde os repórteres até os patrocinadores, fiquem de olho naqueles que falam com elas individualmente.
Continuamos passando os perfis para os policiais, mas agora as coisas ficariam complicadas as lideres de torcida começariam a chegar por conta da competição e não temo s como saber se ele odeia a todas ou só as antigas capitãs. As coisas ficaram complicadas e temos um fim de semana para resolver tudo antes que a competição termine e o percamos de vista de uma vez por todas.
Haverá um evento para comemorar a abertura e a chance do assassino atacar esta noite é alta de modo que iremos estar lá da forma mais disfarçada possível. Como eu sou uma antiga líder de torcida premiada estarei lá sorrindo com o meu suposto namorado, Derek Morgan. JJ vai ficar na entrada chegando os convites e marcando os nomes de todos que entrarem, Rossi vai andar nos bastidores, Reid irá como um patrocinador e Hotcher vai se misturar aos seguranças. Talvez se tudo der certo nós possamos conseguir algo, talvez.
Termino de me arrumar no meu quarto e olho o vestido que acabei de comprar, não foi tão caro assim, mas se soubesse que iria me vestir a caráter teria trazido um meu para não gastar o dinheiro. Ironico como antes de perder os meus pais eu sempre queria roupas novas e agora penso o tempo todo nos meus irmãos e no que estarei tirando deles se gastar demais comigo.
O vestido que eu comprei era frente única mas com as costas bem abertas, prendi o meu cabelo em um coque alto com algumas leves mechas soltas, a maquiagem era marcante mas o batom era em um tom claro já que quis chamar mais atenção para os olhos. Havia uma fenda nas laterais do meu vestido até metade da cocha para lhes dar uma boa visão, meu salto era preto assim como a minha pequena bolsa onde eu havia escondido o distintivo e uma arma. Não coloquei nenhum colar a única joia que usava eram os brincos, não é como se eu nunca tivesse me arrumado para uma festa, é só a primeira vez que o pessoal do trabalho me vê arrumada e tudo bem essa é a minha primeira missão com eles.
Desço só um pouco atrasada, e tenho certeza que vou ouvir bastante sobre isso já que todos – menos JJ que chegou antes lá para pegar a lista – me esperando, engulo em seco e dou um sorriso um pouco envergonhada pronta para as desculpas quando todos se viram para me encarar.
– Uau isso sim que é produção – Derek Morgan comenta e eu apenas riu e pisco para ele enquanto olho o resto da equipe.
Derek nitidamente estava bonito, não que ele precisa de muito para isso já que ele é fisicamente bonito mesmo não fazendo o meu tipo a primeira vista, o terno o deixava bem e tenho certeza que irá atrair a atenção de várias lideres de torcida, Derek parece ter aquele tipo de charme que deixa a maioria das garotas de pernas bambas, não que eu esteja interessada... Ele é bonito e tal, mas eu já superei a fase garotos bonitos a muito tempo, além de é claro eu já ter sido informada sobre a politica contra a confraternização dos agentes. Hecher parecia exatamente igual a todos os dias de traje social, a diferença eram os óculos escuros e Rossi também usava roupas comuns já que a sua ideia era justamente a de não ser visto. Meus olhos se cruzam com os de Spencer Reid e ele estava diferente do habitual, não que aja um habitual quer dizer eu voltei a trabalhar com ele a menos de 24 horas e antes disso já fazem o que? Quase 9 anos desde a última vez? De qualquer modo os cabelos curtos foram penteados para trás e prendidos com brincos, ele usava uma gravata borboleta vermelho, uma blusa social e um fraque que parecia um pouco grande demais para ele, mas o deixa de um jeito fofo, não eram as roupas usuais dele, mas mesmo assim ele ficava bonito. Desvio o olhar para não dar a impressão errada.
– Como se você tivesse ficado muito atrás, não é? – provoco um pouco – acho que devia mandar uma foto para a Garcia, tenho certeza de que ela gostaria.
Garcia era divertida e fazia cumprimentos divertidos toda vez que precisávamos de algo, mas dava para notar a brincadeira de flerte dela e do Derek, não é como se eles fossem discretos, mas não pareciam de fato um casal, talvez dois amigos próximos que se dão a esta liberdade. Todos riem e eu dou o braço para Morgan já que iriamos na frente em um único carro. Rossi e Hotcher iriam entrar pelos fundos e Spencer daria 10 minutos de espera antes de entrarmos.
A festa estava abarrotada de pessoas, principalmente mulheres na verdade, mas haviam patrocinadores, juízes e é claro os garotos das equipes que competiram este ano e algum da antiga equipe. A chance do suspeito estar aqui é realmente alta, entro de braços dados com Derek sorrindo e cumprimentando a todos, ele é mesmo um galante que nem se sente intimado com os olhares nocivos das mulheres.
– Só não esqueça que é meu namorado na teoria, tente não me chifrar – brinco com ele sussurrando no seu ouvido e ouço a risada dele.
– Relaxa tampinha, eu prefiro as ruivas – ele brinca de volta me fazendo rir de leve.
Não conseguimos conversar mais porque Mary veio correndo enquanto se equilibrava no salto alto e puxava um rapaz bonito, mas que era mais velho do que ela, ela parecia um pouco alegrinha demais, mas ela sempre foi assim. Então não dei muita bola, ela me acusou de ter escondido o meu namorado gostoso o que me fez rir de leve junto com o Derek e aproveitar para descobrir quem era o cara com quem ela estava, já que quando nos reencontramos mais cedo ela reclamou de estar solteira.
O nome do rapaz Patrick Hills era de longe um rapaz charmoso que devia ter por volta dos 35 anos, também fez parte da torcida sendo co-capitão de uma das equipes vencedoras o que nitidamente nos rendeu muitos assuntos em comum já que eu também fui co-capitã. Ele ainda se mantinha em forma de um jeito bem bonito e tinha uma barba rala, os cabelos começavam a aparentar fios brancos mas como era loiro eles ficavam bem escondidos. Derek foi dar uma olhada no lugar e pegar uns canapés me deixando sozinha com o rapaz enquanto dividimos uma taça de champagne rindo, desvio o olhar para a entrada e vejo Spencer Reid sendo cortejado por duas das garotas novinhas que provavelmente irão competir este ano, estas lideres de torcida ele não da o bolo no dia dos namorados ignorando o cartão que elas mandaram, não é?
– Algum problema Liesel? Viu algo que a desagradou?- pergunta Patrick com aquele sorriso propaganda de colgate e eu apenas faço que não com a cabeça virando toda a taça de champagne.
Spencer Reid narrando
Finalmente chego na festa depois de ficar enrolando mais do que os 10 minutos planejados, tive um pequeno problema com a gravata e ainda havia o fato de que a senhorita líder de torcida que agora faz parte da equipe tinha que se arrumar toda. Certo ela é uma líder de torcida que mesmo tendo filhos para criar ainda parecia tão bonita quanto fora em Yale a quase uma década atrás, apenas havia perdido o rosto de menina enquanto eu ainda parecia ter 15 anos segundo o pessoal da equipe.
Entro um pouco nervoso já que eu não pareço exatamente o cara charmoso e rico, mesmo a equipe falando que os patrocinadores excêntricos só precisam ser diferentes e se eu ficar nervoso basta lançar estáticas relacionadas ao dinheiro que vou entrar no perfil, para eles é fácil falar. Liesel está só tendo que ser ela mesma, Morgan idem, Hocher só tem que ficar parado, JJ anotar nomes e Rossi é só ficar fora de vista. Isso é mais complicado do que aparenta. Logo vejo Morgan de longe falando com alguns caras prováveis suspeitos e Liesel rindo com um cara que estava todo sorriso para ela, de repente duas garotas se aproximam de mim perguntando se eu sou um dos jurados.
Sou assediado por mais algumas das garotas alegres e levemente bêbadas, até Mary tromba comigo e ri um pouco de mim falando que eu estou bonito e que se ela não tivesse um encontro para essa noite me chamava para um ménage com a Liesel. Obviamente fico vermelho com isso, mesmo eu acreditando que é alguma brincadeira de mal gosto delas lembrando do bilhete de dia dos namorados que me entregaram naquele ano, mas é melhor não discutir com uma bêbada.
– Nunca entendi você Reid, você tinha aquele jeito nerd estranho... mas a Liesel...você foi tão estupido e estragou tudo, teria sido divertido – ela diz com a língua enrolada sorrindo para mim – mas agora você tem que cuidar dela e das crianças dela, ela se faz de forte mas é uma manteiga derretida eu já a vi chorando uma vez, e foi chorando tipo menininha no travesseiro.
Suspiro e me livro dela quando o cara que estava falando com a Liesel antes se oferece para leva-la para o hotel e deixa-la segura no seu quarto, não devia confiar uma provável vitima a um estranho mas temos 30 provaveis vitimas e ele aparentemente conhece as meninas, principalmente a minha colega do FBI, a festa já estava quase no final, a maioria já tinha saído e eu e Morgan já havíamos inclusive soltado aquelas gravatas, várias garotas estranhas e fúteis haviam enfiado os telefones nos bolsos do meu paletó achando que eu poderia influenciar no resultado da competição de dormissem comigo. JJ também providenciou taxis de modo que nenhuma das garotas voltasse sozinha para o hotel, fomos começar a conferir a lista e ver se todas tinham saído bem da festa até que justo a Mary havia sumido.
– Ela estava indo embora com aquele cara loiro que você estava conversando quando eu cheguei – comentou com Liesel que já estava ligando seguidas vezes para a amiga e não conseguia falar com ela, passo os dedos sobre os cabelos duros de gel os desalinhando – Droga... Eu achei que vocês fossem amigos e eu não tinha uma desculpa realmente boa para ele não leva-la...
Garcia já começava a pesquisar para ver se ele havia gastado o cartão em algum motel enquanto tentávamos usar a parte do perfil para verificar onde ele poderia leva-lo, mas ainda não tínhamos informações o suficiente para algo como isto. Sabiamos que ele queria privacidade para apreciar o que fazia e que ele tinha raiva das vitimas e que iria desová-las em locais públicos para que possam ser encontradas.
– Droga...Garcia você consegue verificar pelos sites de fofocas, principalmente os que divulgam o Spirit se todas as vitimas eram capitãs em que a vice capitã, ou co-capitã/capitão era considerado melhor do que ela – Liesel comenta enquanto batuca os dedos na mesa de forma nervosa.
Se isso fosse verdade teríamos algo que ligasse as vitimas, mas se Liesel foi a capitã de Mary isso significa que isso ocorreu em Yale, certo?Que ela deveria ter sido a capitã, mas as duas pareciam tão amigas, não devia ter alguma magoa afinal as garotas parecem se tornar violentas por isso. Esperamos nervosamente por Garcia enquanto eu analisava todo o mapa verificando onde ele poderia tê-la levado sem chamar muita atenção uma vez que ele sempre evitava ser visto.
– Bem se preparem para ficar chocados, o senhor cherleader teria perdido a chance de ser promovido porque a nossa vitima número 1 ficou no lugar dela, a vitima número 2 foi a capitã da equipe dele. E sim todas as vitimas são de equipes onde foi muito comentado que quem os levou ao pódio vou o vice capitão... Isso é algum tipo de vingança das torcidas? – comenta Garcia nos ajudando a compreender .
– Droga...Baby há algum espaço usado por equipes antigas que foi desativado e não tem nada como um prédio em cima? Algo aqui perto onde a psicose dele poderia ficar mais forte com o complexo de que nunca recebeu o devido valor – comenta Morgan tirando o paletó do casaco, todos estávamos nervosos, Mary podia ter pouco tempo de vida.
Infelizmente não havia só um lugar, mas dois na verdade. Teriamos que nos dividir em dois grupos, ainda mais porque os dois lugares eram relativamente perto daqui e do hotel onde as garotas estão hospedadas. Eu, David Rossi e Liesel Manson vamos para um enquanto Derek, Hocher e JJ vão para o outro, os dois grupos com apoio da policia.
Ainda estávamos usando as roupas da festa, é claro que eu e Morgan tiramos as gravatas e casacos e colocamos coletes a prova de balas, Liesel não teve tanta sorte com a roupa, ela não podia tirar o salto sem o risco de tropeçar na barra do vestido e o colete ficava engraçado com a roupa dela. Sugerimos que ela ficasse e ela nos ignorou e disse que fazia parte da equipe e por este motivo iria. Entramos no local da forma mais silenciosa possível e começamos a vasculhar cada espaço, o lugar estava sujo mas a poeira parecia mexida em alguns pontos, o que podia ter sido feito por um sem tento ou adolescentes bêbados. Liesel foi até os vestiários enquanto eu fui até o armário de materiais quando ouço a voz dela pelo microfone.
– Solte ela – murmura Liesel e percebo que logo ela encontrou o filho da mãe – você não precisa fazer isso, você é maior do que isso Patrick, e ela não merece isso.
– Não merece? Você não sente raiva, ela não era melhor do que você? Todos comentaram que você deveria ser a capitã e não ela... Você deveria querer mata-la tanto quanto eu, todas as oportunidades que ela roubou de você – ela despeja e eu encontro com Morgan no meio do caminho até os vestiários, temos pouco tempo e não sabemos com que tipo de armas o cara está.
– Então me mate, eu fui convidada para ser a capitã da equipe e recusei no inicio do ano porque não conseguiria administrar a faculdade, o trabalho, ser capitã e os meus anjinhos ... Não é culpa dela ter tido o cargo, ela me fez um favor – comenta Liesel e eu consigo vê-la pelo reflexo do espelho apontando uma arma para o cara e ele com uma apontada para ela.
Não dava para ver o reflexo do cara direito, mas ele parecia desnorteado, ouço o barulho dos saltos altos dela batendo contra o chão de azulejos e fazendo um pequeno eco, ela estava se aproximando dele e isso é perigoso, é o primeiro caso dela como membro da BAU e ela não deveria ter que passar por essa situação, mesmo ela sendo um membro do FBI que nitidamente passou no exame físico enquanto eu recebi uma exceção para poder ir a campo, contra uma arma não é a força física que importa.
– Você tem filhos? – o cara pergunta, ela realmente deve ouvir muito esta pergunta uma vez que por mais que mães adolescentes não seja algo raro ainda é algo difícil de se imaginar na nossa cultura social – você deixou que ela levasse os créditos só porque ficou gravida?
– Eu a deixei levar os créditos porque Mary tinha competência o suficiente para cuidar da equipe fora de campo ou você já se esqueceu de como eram uma família que se protegia? Que toda equipe se protege e não julga? Mary nos mantinha unidos, Mary me ajudou e nunca me discriminou pelas escolhas que fiz durante a vida – ainda era possível ouvir os barulhos do salto alto dela, olho alarmado para Morgan mas se entrássemos agora ela poderia virar uma refém – sabe porque você não virou capitão? Não porque nasceu homem ,mas porque jamais entenderia o que é uma equipe e uma família.
Ouvimos um barulho e depois um disparo foi a nossa deia para entrar, a ruiva estava encima do cara o algemando, o tiro tinha atingido um chuveiro e pingava água para todos os lados, Mary estava amarrada e com lagrimas que borravam toda a maquiagem. Morgan assumiu na prisão de Patrick enquanto eu e Liesel cuidávamos de Mary que estava aos prantos.
– Eu fiquei com tanto medo Lis, eu achei que ia morrer...E eu nem me casei ainda, e eu nunca ia poder falar com os meus pais ou ver o meu afilhado de novo...- a garota comenta e assim que se vê livre se joga nos braços de Liesel chorando até os paramédicos as separarem.
Antes do sol nascer já estávamos no avião voltando para Quantico, Hotcher perguntou se Liesel não iria querer ficar em Miami até Mary ser liberada, mas ela recusou falando que não poderia ficar tanto tempo longe dos anjinhos dela, filhos, ainda mais no primeiro caso. Estavamos todos no avião devidamente vestidos, ele havia decolado a pouco tempo, mas a viagem era curta. Todos usávamos roupas confortáveis e Liesel havia desligado a pouco o celular, falava com as crianças e dizia que logo estaria em casa.
– Posso ver eles?Quantos anos eles tem?- JJ pergunta sorrindo já que elas estavam sentadas uma na frente da outra.
A ruiva sorri e solta o colar abrindo o mesmo onde havia fotos dela com as crianças bebes, provavelmente gêmeos. O que devo dizer que para uma gravidez não planejada é bastante azar virem gêmeos, por mais que muitas mulheres rezem por gêmeos a maioria que de fato fica gravida deles não gostaria de ter dois filhos de uma vez.
– Eles vão fazer 10 anos, Sherlock e Phortos... Eles são os meus anjinhos, mesmo me deixando louca na metade do tempo – ela comenta com um sorriso e percebo que todos estavam prestando atenção no que ela dizia.
– Dez anos?...Você virou mãe bem jovem, deve ter sido difícil lidar com uma gravidez tão jovem, o pai deles te ajuda a tomar conta? – comenta Morgan um pouco hesitante de como falar sobre isso.
Ela ri um pouco de leve e passa os dedos sobre os cabelos ruivos agora soltos enquanto pega o colar de volta mas não o olha, na verdade ela está nos olhando e há um certo brilho no olhar dela ao mesmo tempo que parecia já ter passado por isso antes, não parecia ser algo que a machuque.Se bem que muitas pessoas devem lhe perguntar isto, a sociedade é cruel.Mesmo que pela idade das crianças ela deve ter ficado gravida antes do momento que nos conhecemos, eu não tendo ouvido nenhuma noticia sobre isso, mesmo estudando e dando palestras eu não conversava realmente com muitas pessoas.
– Não são meus filhos, eles são os meus irmãos... Minha mãe deu entrada no hospital durante a madrugada, quando cheguei em casa na manhã seguinte meu pai e a minha irmã mais velha estavam em casa e brigaram comigo por ter saído escondida...Fui proibida de ir ao hospital visitar a minha mãe e ir ver os meus irmãos...Ela estava no hospital White Angel, no momento em que meu pai e a minha irmã estavam lá ocorreu o massacre dos anjos – a voz dela estava um pouco embargada e ela olhava as fotos com um certo carinho – perdi toda a minha família naquele dia e tinha que reconhece-los, mas ganhei os meus dois anjinhos...Eles que me mantiveram bem, acho que eu me apoiei neles para conseguir continuar.
JJ muda de lugar e a abraça, Liesel não chega a chorar mas aceita o abraço apoiando a cabeça em seus ombros. Ela não aprece particularmente frágil, mas não parece bem, já se passaram 10 anos e por mais que ela já deva ter contado bastante da sua história antes, não deve ser fácil do mesmo modo lidar com tudo isso, ao mesmo tempo que se cria uma barreira para se proteger a ferida dificilmente se fecha. Naquele momento ela não parecia a líder de torcida que fez uma brincadeira sem graça comigo, ela só parecia uma vitima solitária das circunstancia.
– Não deram um tutor legal para vocês? Algum parente? – Rossi comenta enquanto a encara.
– Nós tentamos por 6 meses, não deu certo...Estamos melhores assim – ela comenta se soltando do abraço de JJ — eu... eu realmente não quero mais falar sobre isso, não agora... E definitivamente não quero ser profilada.
Tinhamos um acordo sobre não fazermos perfis um dos outros mas entendo o lado dela, não que ela seja a melhor pessoa do mundo, ou ao menos não era a 10 anos.Mas talvez os irmãos a tenham ajudado a crescer como pessoa, como ela mesma disse.
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