Sombras, Fogo e Gelo

16 Sacrifício e Triunfo


Hu Can olhou desafiadoramente para Joshua e Ethan, seus olhos brilhando com um misto de desdém e malícia. Ele guardou um outro olhar, ainda mais sinistro, para Lea, ciente do poder que ela possuía. A tensão no ar era palpável, uma calma traiçoeira que antecedia a tempestade.

Ethan não hesitou. "Eu vou afastá-lo daqui!" gritou, sua voz cheia de determinação. Ele voou em direção ao adversário, tentando afastá-lo do grupo, mas o homem desviou facilmente, seu cabelo agitou-se descoordenadamente com o pequeno salto, movendo-se com uma agilidade surpreendente para alguém de sua idade.

"Não!" Lea gritou, seus olhos arregalados enquanto ela tentava desesperadamente ler os pensamentos de Hu Can. "É uma armadilha! Nós caímos na armadilha dele!"

O velho homem então avançou velozmente contra Lea, seus movimentos tão velozes que pareciam um borrão. Joshua tentou impedi-lo, colocando-se entre o homem e a jovem idol, mas o vilão era rápido demais para ele. A surpresa e o desespero se misturavam no rosto de Joshua enquanto ele via Hu Can se aproximar de Lea.

"Como ele pode ser tão rápido?" Joshua pensou, seu coração batendo descompassado.

Hu Can acertou um poderoso soco no estômago de Lea, com uma precisão fria e calculada. Ela então cambaleou, seus olhos perdendo o foco antes de desmaiar e cair pesadamente no chão. A cena parecia ocorrer em câmera lenta para Joshua, o horror se desenrolando diante de seus olhos impotentes.

"Agora não preciso mais me preocupar com a telepatia dela," comentou Hu Can, sua voz carregada de uma satisfação sombria. Ele olhou para os outros com um sorriso frio, o prazer de sua vitória refletido em seus olhos cruéis.

Joshua sentiu um nó se formar em sua garganta, sua raiva fervendo sob a superfície. "Você vai pagar por isso," murmurou, mais para si mesmo do que para qualquer outro que pudesse escutar, enquanto tentava encontrar uma maneira de salvar seus amigos e derrotar tal adversário.

Mas naquele momento, tudo parecia desmoronar.

Joshua sentiu a adrenalina correr por seu corpo enquanto avançava contra Hu Can, cada respiração era tão pesada quando os passos contra a terra do chão, seu punho cerrado em um soco. Porém, antes que pudesse acertar o golpe, seu poderoso adversário segurou o pulso do adolescente com uma força avassaladora e, com um movimento casual, lançou Joshua para longe como se fosse uma boneca de pano. Ele aterrissou com um baque doloroso, o ar saindo de seus pulmões em um gemido agonizante.

Hu Can então virou-se e caminhou em direção a Ethan, seus passos ecoando na mente dos três como tambores de guerra. Madison, tomada por um pavor visceral, timidamente caminhou alguns passos para o lado, até Lea, ajoelhando-se ao lado da companheira caída. Com as mãos trêmulas, ela verificou sua respiração e sentiu um fio de esperança.

"Ela ainda está respirando!" Madison gritou, a voz ecoando no campo de batalha, tentando controlar o medo que ameaçava dominá-la. "Lea está viva!"

Joshua, ainda no chão, sentiu um alívio momentâneo, mas sabia que a batalha estava longe de acabar. "Eu preciso derrotá-lo," pensou, levantando-se com dificuldade. Ele fechou os olhos, tentando se concentrar, imaginando chamas surgindo ao seu redor, mas o estresse da situação impedia seus poderes de se manifestarem. Sua frustração crescia a cada segundo.

Ethan, com o coração batendo descontroladamente com a rápida aproximação do inimigo, tentou se defender, mas Hu Can o agarrou pela camisa, levantando-o do chão como se fosse um brinquedo quebrado. A expressão de Hu Can era de pura crueldade, um predador que não encontrava prazer maior do que a dor de suas presas.

Madison, em um ato de desespero, estendeu suas mãos e se concentrou nos pequenos animais ao seu redor. "Por favor, ajudem-nos," murmurou, sentindo sua telepatia se estender como tentáculos invisíveis. De repente, uma dúzia de esquilos atacou Hu Can, mordendo e arranhando com ferocidade.

"O que diabos?" Hu Can gritou, soltando Ethan enquanto tentava se livrar dos pequenos invasores que subiam por suas pernas. Sua surpresa deu a Ethan uma oportunidade de se afastar e recuperar o fôlego.

“Essa… essa foi por pouco! Preciso agradecer ao Tico e Teco quando isso acabar,” murmurou o adolescente enquanto voava para um lugar mais seguro.

Joshua viu a abertura e tentou mais uma vez concentrar seus poderes. "Chamas, sabe, vai ser muito legal se vocês aparecerem agora" pensou, sentindo a frustração e a raiva se transformarem em um calor crescente dentro de si. Ele não podia falhar, não agora. Seus amigos precisavam dele.

Hu Can, irritado pelos ataques dos esquilos, finalmente conseguiu afastá-los criando uma pequena onda de choque contra o seu próprio corpo, mas a breve distração tinha dado aos jovens um momento crucial para se reorganizar. Ele olhou ao redor, seus olhos ardendo com uma mistura de fúria e desprezo.

"Vocês são mais persistentes do que eu esperava," ele disse, sua voz um sussurro ameaçador. "Mas isso não mudará o resultado desta luta, baratas persistentes ainda são apenas baratas."

Joshua, finalmente sentindo a energia familiar de suas chamas começarem a emergir, preparou-se para o próximo confronto. "Isso ainda não acabou, Hu Can," disse ele, seus olhos fixos, quase vidrados, no homem que o desafiava. "Não enquanto ainda tivermos força para lutar."

Ethan, ainda respirando pesadamente do esforço e do alívio por ter se soltado de Hu Can, não pôde deixar de pensar em voz alta. "Se estamos lutando contra ele enfraquecido, como será que seria se estivesse em seu estado normal? Eu ia ter que trazer cuecas reservas…" A ironia e o absurdo da situação arrancaram um sorriso nervoso de seus lábios, proporcionando um breve momento de alívio em meio ao caos.

Enquanto isso, Joshua sentia seu poder crescendo, percorrendo seu corpo como uma corrente elétrica. As chamas começaram a envolver seu punho, dançando e crepitando, refletindo a determinação que já tomava seus olhos. Ele lançou-se para frente, um salto feito principalmente com sua perna direita, focado em acertar Hu Can.

O homem das sombras, com sua agilidade característica, teria facilmente desviado, mas Madison, agindo rapidamente, controlou um dos esquilos para saltar no rosto de Hu Can. O pequeno animal aterrissou em sua face, atrapalhando sua visão e fazendo-o vacilar.

Joshua aproveitou o momento e acertou um soco no abdômen de Hu Can. O impacto não teve muito efeito prático, mas a realização de que ele podia ferir aquele homem, mesmo que minimamente, reacendeu a esperança em seu coração e no de Ethan.

"Isso foi pela Lea!" gritou Joshua, seu punho ainda envolto em chamas, enquanto recuava para se reagrupar com Ethan.

"Boa, Josh!" Ethan incentivou, sua confiança renovada pela pequena vitória.

Hu Can, irritado e humilhado pelo ataque, segurou o esquilo em seu rosto com um movimento brusco, jogando-o longe logo em seguida, com pura fúria. Ele gritou enraivecido, sua voz ecoando como um trovão. "Eu tentei ser gentil, mas agora vocês provarão da minha verdadeira fúria!" Ele olhou diretamente para Joshua, seus olhos cheios de vingança. "E você, garoto, será meu troféu. Aquela… garota… vou fazer você se arrepender do dia em que a conheceu. E ela saberá disso."

Joshua sentiu um frio na espinha, mas ao mesmo tempo, sua determinação só aumentou. "Você não vai nos derrotar," disse ele, suas chamas brilhando intensamente. "Vamos acabar com isso agora."

Ethan, ao lado de Joshua, assentiu. "Estamos juntos nisso, Josh. Não vamos deixá-lo vencer."

Hu Can, já sentindo o sangue ferver em sua testa, preparou-se para o próximo ataque, sua presença nefasta lançando uma sombra sobre os heróis. A tensão no ar era palpável, mas o fogo da determinação de Joshua e Ethan também era e brilhava mais forte do que nunca.

A raiva naquele lugar formava uma força quase tangível que emanava do corpo do homem enquanto ele avançava em direção a Joshua. Com um movimento rápido, ele ultrapassou os jovens e virou, agarrando a cabeça do adolescente, segurando-o com tamanha facilidade que sorria enquanto realizava tal ato, além de criar duas estruturas de sombras que lembravam cordas para segurar âncoras de um barco, que envolviam os braços de Joshua, imobilizando-o.

Joshua tentou lutar, mas as sombras eram fortes e implacáveis. "Não vou deixar você vencer," ele murmurou, mais para si mesmo do que para Hu Can, enquanto a pressão em sua cabeça aumentava.

Ethan, vendo seu amigo em perigo, sentiu o pânico crescer dentro de si, mas rapidamente se forçou a pensar em um plano. "Tenho que fazer algo," pensou, sua mente correndo através das possibilidades. "Ele não pode segurar todos nós ao mesmo tempo."

Sem hesitar, Ethan começou a voar em círculos ao redor de Hu Can, aumentando a velocidade a cada volta, seus braços esticados à frente do corpo, tentando ganhar mais velocidade ainda. O vento criado pelo movimento era uma tempestade pessoal, e Hu Can começou a vacilar, tentando acompanhar a posição do adolescente enquanto tentava golpeá-lo com seu punho livre, inutilmente.

"Foco, Ethan," ele pensou, sua concentração absoluta. "Só preciso de uma abertura."

Hu Can, confuso e irritado pela tática de Ethan, não percebeu o jovem se preparando para atacar. Em um movimento rápido, Ethan disparou em direção ao braço que segurava Joshua, acertando um chute poderoso.

"Ugh!" Hu Can gemeu, sua dor evidente enquanto, involuntariamente, acabava soltando o jovem capturado. As estruturas de sombras que prendiam Joshua se desfizeram, e ele caiu no chão, ofegante mas livre.

O adolescente, ainda sentindo o calor das chamas dentro de si, correu, ainda que tropeçando pelo caminho, para o lado de Madison, que observava com olhos arregalados. "Você está bem?" ela perguntou, sua voz trêmula mas amigável.

"Sim, graças a Ethan," respondeu Joshua, olhando para seu amigo com gratidão.

"Isso não acabou," Ethan disse, pousando ao lado deles. "Precisamos trabalhar juntos para derrubá-lo de uma vez por todas."

Hu Can, segurando o braço ferido, olhou para eles com fúria. "Vocês acham que isso é o suficiente para me parar?" ele rosnou, sua voz cheia de ódio. "Eu vou acabar com todos vocês!"

Joshua, sentindo uma renovada determinação, apertou os punhos, suas chamas ardendo mais intensamente. "Não enquanto estivermos juntos," ele disse, olhando para Ethan e Madison. "Vamos lá, pessoal."

Joshua fechou os olhos, tentando bloquear o caos ao seu redor e se concentrar em seu poder. Ele sabia que precisava de algo mais poderoso, algo que pudesse realmente fazer a diferença. Enquanto ele se concentrava, Ethan e Madison tomaram a frente para ganhar tempo.

A jovem tentou novamente controlar os esquilos que haviam ajudado antes, mas desta vez Hu Can estava preparado. Ele esperou o momento em que os animais estivessem aproximando-se e, usando seus poderes de sombras, ele eliminou todos os pequenos animais com um simples gesto, deixando Madison sem defesas.

Ethan, determinado a distrair Hu Can, disparou em voo, girando ao redor do vilão. Mas ao passar próximo a ele, Hu Can conseguiu agarrar sua perna, segurando-o no ar. Ethan lutava desesperadamente, mas a força do vilão era implacável.

“Droga, droga… isso não fazia parte do meu plano!” Gritou, enquanto gesticulava para seus amigos o ajudarem.

Enquanto isso, Joshua continuava a se concentrar. Ele lembrava dos ensinamentos de Di, de como ela sempre lhe dizia para visualizar o fogo, sentir o calor em seus dedos antes de liberar seu poder. "Você pode fazer isso, Josh," ecoavam as palavras de Di em sua mente.

Ele imaginou uma imensa labareda de fogo saindo de seus dedos, sentiu o calor crescendo dentro dele, uma força ardente pronta para ser liberada. Lentamente, abriu os olhos, focando no braço que segurava Ethan. "Agora!" pensou, canalizando toda a sua energia.

Com um grito de pura determinação, Joshua levantou a mão em direção ao inimigo e uma imensa labareda de fogo saiu de seus dedos, atingindo o braço de Hu Can. O fogo consumiu a carne naquele braço do homem, deixando queimaduras graves e profundas. Hu Can gritou de dor, sua face contorcida em agonia.

Joshua sentiu o cheiro de carne queimando, apavorando-se com o que podia fazer. Por um momento, ele perguntou-se se este cheiro era de seus dedos ou do homem que tanto o ameaçava.

Ethan aproveitou a oportunidade para se soltar e voar para longe, indo para o lado de Madison, ofegante mas aliviado. "Bom trabalho, Josh!" ele gritou, ainda tremendo da experiência.

Hu Can, irado, olhou para seu braço queimado, a carne carbonizada e as queimaduras ainda fumegantes. Com um rosnado de pura fúria, ele criou um braço de sombras, uma extensão negra e sinistra que se formou acima do braço queimado.

"Vocês vão pagar por isso," ele rugiu, sua voz cheia de ódio e dor. "Eu vou levar você comigo, garoto, nem que seja a última coisa que eu faça!"

Joshua, sentindo o peso de sua realização, manteve-se firme. "Não vamos desistir," ele disse, olhando para Ethan e Madison. "Nós podemos vencê-lo juntos."

Madison, ainda tremendo, assentiu. "Vamos mostrar a ele do que somos capazes," disse ela, tentando esconder o medo em sua voz.

Ethan, recuperando-se da captura, olhou para Hu Can com uma nova determinação. "Estamos prontos, Josh. Vamos acabar com isso."

Hu Can, com seu braço ferido coberto por um outro braço criado a partir das sombras, avançou novamente.

A investida de Hu Can era implacável, sua velocidade e agilidade surpreendendo a todos. Joshua tentou desviar, mas o homem era rápido demais. Ele viu o braço de sombras esticado, pronto para atingi-lo com um violento soco. O adolescente fechou os olhos, preparando-se para o impacto iminente, quando ouviu o som cortante de pequenas lâminas de gelo voando.

Lâminas brilhantes de gelo atingiram o braço de sombras de Hu Can, fazendo-o recuar instintivamente. Joshua abriu os olhos a tempo de ver um caminho de gelo se formando no chão, e, sobre ele, Di deslizando habilmente até eles. Sua presença, radiante e poderosa, encheu Joshua de esperança e alívio.

"Daeun!" gritou Joshua, seu coração saltando ao vê-la bem.

Di sorriu brevemente para ele antes de focar em Hu Can. "Vocês estão todos bem?" ela perguntou, sua voz firme mas cheia de preocupação.

"Sim," respondeu Madison, embora seu nervosismo fosse evidente. "Mas onde está Senhor Meia-Noite?"

Di respirou fundo, seu olhar se tornando sombrio. "Ele está ferido. Não vai poder nos ajudar mais."

Hu Can, furioso, rugiu. "Prefiro lidar com você eu mesmo, garota!" Ele esticou seu braço de sombras novamente, seu rosto contorcido de raiva. "Finalmente, você está aqui para receber a punição que merece."

Di, com um brilho gelado nos olhos, enfrentou Hu Can sem medo. "Não subestime a força que nós temos," disse ela, erguendo a mão e formando lâminas de gelo em seus dedos. "Você vai pagar por cada vida que tentou destruir."

Joshua, sentindo o calor de suas chamas misturando-se com o gelo de Di, sentiu sua determinação reforçada. "Estamos todos juntos nisso," disse ele, se posicionando ao lado de Di. "Vamos acabar com ele."

Madison e Ethan assentiram, a confiança renovada pela presença de Di. "Vamos mostrar a ele o que acontece quando mexe com a gente," disse Ethan, seu olhar fixo no vilão.

Hu Can, com sua raiva crescendo a cada segundo, avançou novamente, determinado a derrotar os jovens heróis. Mas agora, com Di ao lado deles, Joshua sabia que tinham uma chance real de vencer.

*****

Di, com a mente cada vez mais focada em salvar a todos, conseguiu desviar da nova investida de Hu Can, o punho do homem passou centímetros ao lado de seu rosto, lhe dando a oportunidade de acertar-lhe um soco nas costelas durante o contra-ataque. No meio da batalha, ela ouviu a fraca voz de Lea, que começava a recobrar a consciência. "Cuidado... ele vai atacar pela esquerda," sussurrou Lea, quase inaudível.

Com a advertência de Lea, Di reagiu rapidamente, esquivando-se e contra-atacando com suas lâminas de gelo, obrigando Hu Can a recuar conforme as estocadas aproximavam-se de seu corpo. Aproveitando a vantagem, Di olhou para Madison e ordenou uma recuada de parte da equipe, "Madison, pegue Lea e saiam daqui! Agora!"

Madison hesitou, o medo e a lealdade travando uma batalha dentro dela. "Mas... e quanto aos garotos? Não posso deixá-los!"

Di, com uma firmeza inabalável, respondeu, "Eu vou proteger os dois. Vá! Cuide de Lea enquanto isso!"

Madison, mesmo relutante, correu até onde Lea estava caída. "Vamos, Lea, preciso te tirar daqui," disse ela, a voz tremendo de determinação e medo.

Lea, lentamente recuperando os sentidos, tentou levantar-se. "Madison... eu... não quero deixá-los..."

"Eu sei," disse Madison, ajudando Lea a se levantar e começando a arrastá-la para longe do perigo. "Mas Di e os outros precisam de mais tempo para acabar com isso. Se ficamos aqui, só vamos atrapalhar."

As duas se afastaram do campo de batalha, indo em direção à cidade, mesmo que a caminhada fosse longa. O som da batalha diminuía à medida que distanciavam-se, mas a tensão permanecia palpável.

Enquanto ajudava Lea a caminhar, Madison olhou para trás uma última vez, as figuras distantes de Di, Joshua e Ethan enfrentando Hu Can a encorajaram a continuar o caminho, mas, ao mesmo tempo, faziam seu coração apertar. "Eles vão conseguir," murmurou para si mesma, tentando acalmar seus próprios medos. "Eles têm que conseguir."

Ainda fraca, Lea lutava para recobrar a consciência, para então agradecer Madison, que praticamente a arrastava sozinha. "Obrigada... por me ajudar, eu sei que queria estar com eles..."

Madison sorriu, apesar do medo e da preocupação. "Não se preocupe, eles sabem se cuidar. Além disso, a Di garantiu que iria proteger aqueles dois," disse ela, sentindo a os laços que os uniam.

*****

Enquanto isso, Di, Joshua e Ethan preparavam-se para o próximo movimento de Hu Can. A presença de Di ao lado deles dava a todos uma nova esperança. Eles sabiam que a luta seria árdua, mas estavam prontos para enfrentar o desafio.

"Estamos prontos," disse Joshua, suas chamas brilhando intensamente.

Di assentiu, seus olhos fixos em Hu Can. "Vamos acabar com isso.". A idol assumia uma posição alguns poucos passos à frente dos dois jovens enquanto falava, em seus pensamentos, ela planejava interceptar qualquer tentativa do adversário de ferir os adolescentes, enquanto eles pudessem lhe dar alguma assistência na luta.

Hu Can, cada vez mais consumido pela raiva, decidiu que era hora de acabar com a luta. Ele concentrou-se por alguns segundos, conjurando uma imensa forma de sombras ao redor de seu corpo real, uma monstruosidade que exalava escuridão e poder. Os braços da forma sombria se ergueram, criando uma área de mais de uma dezena de metros em que ele poderia atacar sem precisar mover-se.

Ethan, percebendo a iminente ameaça, voou para se afastar dos ataques iminentes. Di, com reflexos rápidos, ergueu uma parede de gelo para proteger a si mesma e Joshua. Os braços sombrios, no entanto, eram implacáveis quando foram usados para atacar. Com um impacto brutal de um dos punhos, a parede de gelo foi destroçada, e a garota foi lançada longe, aterrissando com um baque doloroso no chão.

Joshua, tentando se recuperar da confusão, viu um dos imensos braços sombrios se aproximar. Antes que pudesse reagir, a mão o agarrou, jogando-o no ar. O mundo girou ao seu redor enquanto era jogado para cima e, em seguida, segurado firmemente, imobilizado pelos gigantescos dedos que mantinham seus braços colados ao corpo. Ele foi levado para perto do corpo real de Hu Can, que o olhava com um sorriso cruel.

"Agora vou acabar com isso," disse Hu Can, sua voz gotejando desprezo. Ele olhou para Di, ainda movendo-se com dificuldade. "Vou levar este… garoto… ele será meu trunfo, mas, um dia, nós vamos nos reencontrar. E nesse dia, você entenderá o verdadeiro significado da dor."

Di, em desespero, gritou, "Pare! É de mim que você quer vingança, não com Josh. Deixe-o ir!"

Hu Can riu, um som frio e cortante. "Você ainda não entendeu, não é? A melhor maneira de ferir alguém é através daqueles que eles amam. Joshua é a sua fraqueza, Di. E eu vou usá-lo para destruir você, farei dele ferramenta ainda mais poderosa do que Qiang foi."

Di, sentindo o peso da culpa e do medo, tentou se levantar novamente. "Por favor, Hu Can. Ele não tem nada a ver com isso. Sou eu quem você quer. Eu... eu imploro."

A crueldade nos olhos de Hu Can só aumentou. "Implorar não vai mudar nada, criança. Mas vou te dar uma escolha. Venha comigo, seja a minha nova ferramenta, e talvez eu deixe o garoto ir."

Joshua, preso pelas sombras, lutava para se libertar, debatendo-se o quanto podia. "Não faça isso, Daeun! Não entregue sua vida por mim!"

Di, com lágrimas nos olhos, olhou para Joshua. "Eu não posso perder você. Não assim."

Ethan, ainda voando ao redor, observava a cena com horror, tentando pensar em uma maneira de intervir. A batalha estava chegando a um impasse, e ele sabia que precisaria pensar rápido em alguma solução.

"Você decide," disse Hu Can, apertando ainda mais o braço de sombras ao redor de Joshua. "Você ou ele, quem será levado?". O sorriso cruel em seu rosto tornava-se cada vez mais sinistro, deleitando-se com cada expressão de dor no rosto do adolescente.

A determinação de Di se solidificou. "Eu vou... eu vou com você. Apenas solte-o."

Hu Can sorriu, vitorioso. "Muito bem. Venha até mim e ajoelhe-se."

Joshua gritou novamente, "Daeun, não! Como eu vivo com esse peso em mim?!"

Observando as reações desesperadas de Di e Joshua, o velho homem finalmente compreendeu a profundidade da ligação entre eles. "Ah, agora entendo," disse ele, a voz tingida de surpresa e desprezo. "Vocês não são apenas mestra e aluno… são um casal."

Joshua, ainda preso, lutava para respirar. Di, com o coração na garganta, sentiu uma pontada de esperança quando Hu Can fez a criatura de sombras soltar Joshua no chão. Ela suspirou aliviada, mas a sensação de alívio foi rapidamente substituída por um medo avassalador.

"Ah, que bonito," disse Hu Can com um tom sinistro, os olhos brilhando com malícia. "Então, você realmente o ama. Isso torna as coisas muito mais interessantes."

Di, vendo o olhar maligno no rosto de Hu Can, gritou, "Joshua, corra!"

Mas antes que o jovem pudesse reagir, Hu Can criou uma longa lâmina de sombras que emergiu de seu braço, uma extensão mortífera de pura escuridão. Em um movimento rápido e preciso, ele atravessou o peito de Joshua com a lâmina, o sangue quente escorrendo imediatamente.

Joshua ficou em choque, seus olhos arregalados, a dor esmagadora o paralisando. "Não... não pode ser..." ele murmurou, a voz fraca e trêmula.

"Joshua!" gritou Di, seu coração quebrando em mil pedaços enquanto via o adolescente cair de joelhos, a lâmina de sombras ainda atravessada em seu peito.

Hu Can sorriu, satisfeito com seu ato de crueldade. "Vê, Di? Esta é a sua fraqueza. Seu amor por ele. E agora, ele pagará o preço por sua fraqueza.", disse enquanto absorvia novamente as sombras da lâmina.

Com lágrimas escorrendo pelo rosto, Di correu até Joshua, segurando-o enquanto ele desabava pesadamente no chão. "Não, por favor, fique comigo, Joshua," ela implorou, sua voz cheia de desespero. "Eu... eu amo você."

Joshua, com dificuldade para respirar, olhou nos olhos de Di. "Eu também amo você, Daeun. Mas... eu não... eu não posso..."

Sangue escorria por entre os seus lábios, primeiramente apenas um fio escorrendo, que Di limpava com as mãos, contudo, logo a quantidade aumentou. A idol soube que a situação era grave.

Ela segurou-o com mais força, como se pudesse transferir sua própria vida para ele. "Você vai ficar bem, nós vamos te salvar," disse ela, tentando desesperadamente acreditar em suas próprias palavras.

Ethan, assistindo horrorizado, não podia acreditar no que estava acontecendo. "Di, o que vamos fazer?" ele gritou, sua voz cheia de desespero.

O terrível homem, ainda com um sorriso cruel no rosto, observava a cena com uma satisfação perversa. "A dor e o sofrimento de vocês... é exatamente o que eu queria. Agora, aproveitem seus últimos momentos juntos."

A determinação de Di era poderosa, mas a realidade da situação a atingia com força esmagadora. O tempo esgotava-se rapidamente, bem como a vida de Joshua estava se esvaindo diante de seus olhos. Ela sabia que precisava fazer algo, qualquer coisa, para salvá-lo. Mas a emoção e o medo causado por tudo o que acabara ver nublavam seus pensamentos.

Já Ethan, em estado de choque pelo que estava acontecendo, lançou-se em um voo desesperado contra Hu Can. "Você não vai sair daqui impune!" ele gritou, sua voz carregada de fúria e desespero. Mas antes que pudesse fazer qualquer coisa contra o monstruoso homem, a imensa criatura de sombras o agarrou com as duas mãos, apertando-o firmemente, como se fosse uma mera casca de noz.

Vendo a cena desenrolar em sua frente, Di sentiu seu coração se partir ainda mais. Ela sabia que precisava tomar uma decisão crítica. Seus pensamentos correram através de duas alternativas: aproveitar a distração para fugir com Joshua e afastá-lo de Hu Can, ou golpear a criatura para soltar Ethan, mas deixar seu amado à mercê daquele terrível homem.

Ela olhou para o adolescente, que estava pálido e ensanguentado em seus braços, e soube que não podia deixá-lo. "Me desculpe, Ethan," ela murmurou, sua voz trêmula. Agarrando Joshua com força, ela controlou as lágrimas e criou um caminho de gelo a sua frente sobre a grama baixa, deslizando rapidamente para longe de Hu Can e da criatura sombria.

"Di, não!" gritou Ethan, sentindo a pressão esmagadora da criatura ao seu redor. Mas sua voz foi engolida pelo som do gelo solidificando e das risadas sinistras que ecoavam no campo de batalha.

Hu Can, percebendo a fuga de Di com Joshua, riu cruelmente. "Corra, Di! Mas saiba que não há escapatória.". Ele então olhou para a criatura e, com um simples sinal com o indicador, comunicou sua intenção.

A criatura de sombras, obedecendo ao comando silencioso de Hu Can, apertou ainda mais Ethan. Com um estalo horrível, os ossos de Ethan cederam, e ele foi brutalmente esmagado. Seu grito de agonia ecoou pela área, antes de se transformar em um silêncio mortal.

Di, ainda deslizando, ouviu o grito e sentiu uma onda de dor atravessar seu coração. Ela queria parar, queria lutar, mas sabia que precisava proteger Joshua a todo custo. "Eu sinto muito, Ethan," ela sussurrou, as lágrimas dominando não somente seus olhos, mas todo seu rosto.

Joshua, ainda em transe pela dor do ferimento, viu a cena com um olhar vazio. "Ethan..." ele murmurou, sua voz quebrada. "Não... não pode ser..."

Di tentou confortá-lo, mas suas próprias emoções estavam em frangalhos. "Vamos, Joshua, precisamos sair daqui. Precisamos sobreviver, por ele."

Enquanto se afastavam, a figura de Hu Can se tornava uma sombra distante, mas sua presença era uma ameaça apavorante. A realidade da perda de Ethan começava a se infiltrar em Joshua, deixando-o em estado de choque.

"Ele... ele está morto..." Joshua murmurou, a incredulidade em sua voz. "Ele morreu por minha causa."

"Não, Joshua," Di disse com firmeza, embora sua voz estivesse embargada. "Ele morreu porque era um herói. E agora, precisamos honrar seu sacrifício."

O caminho de gelo os levava para longe do campo de batalha, mas o peso da tragédia permanecia. Cada deslizar, cada respiração, tudo pesava no consciente dos dois.

Di continuava a deslizar pelo caminho que criava com seus poderes, levando Joshua, gravemente ferido, em seus braços, agora já longe da mansão, a grama dava lugar a uma camada suja de terra. Ela sentia o peso dele, não apenas físico, mas emocional. Joshua estava em choque, os olhos fixos em um ponto distante, sem responder a qualquer tentativa dela de estimulá-lo.

"Joshua, por favor, fique comigo," ela sussurrava desesperadamente, mas ele permanecia imóvel, os olhos vidrados. O pânico começou a tomar conta dela. "Não posso perdê-lo também."

Em desespero, Di tentou chamar telepaticamente por Lea. "Lea, por favor, preciso de você," ela implorou em sua mente, lançando seu chamado com toda a força emocional que podia reunir.

Finalmente, Lea conseguiu senti-la. "Di? O que está acontecendo?" A voz de Lea estava fraca, mas presente.

Di, em meio ao turbilhão de sentimentos que a dominavam, tentou transmitir seus pensamentos. "Lea, Joshua está gravemente ferido. Ele está em choque. Eu... eu preciso que você entre na mente dele e o acalme."

Os pensamentos e as memórias recentes de Di misturavam-se, até mesmo uma telepata com tantos poderes quanto Lea tinha dificuldades em separar o que era o quê. Mas, por uma fração de segundo, a jovem idol viu a memória da cena em que Ethan foi morto. Uma revelação devastadora, mas que a fez entender os motivos de sua amiga estar desta forma.

Assim, Lea hesitou, sentindo a gravidade da situação. "Di, isso pode ter impactos futuros na mente dele. Não sei o que pode acontecer se eu interferir assim."

"Não importa agora!" Di gritou em desespero, suas lágrimas congelando ao caírem em seu rosto. "Por favor, Lea, faça isso. Eu imploro."

Com um suspiro relutante, Lea cedeu. "Ok, Di. Vou fazer o meu melhor. Fique firme por enquanto."

Ela concentrou-se, utilizando seus poderes telepáticos para entrar na mente de Joshua. Dentro da mente do adolescente, ela criou uma imagem de uma grande sala branca vazia, um espaço onde eles poderiam conversar e tentar trazer paz à sua mente atormentada.

Joshua abriu os olhos na sala, confuso e perdido, os olhos ainda refletindo o choque e a dor. "Onde... onde estou?"

"Joshua, sou eu, Lea," disse ela suavemente, aproximando-se dele. "Você está em um lugar seguro. Precisamos conversar."

"Lea?" Ele olhou ao redor, tentando entender o que estava acontecendo. "Eu... Ethan... ele..."

"Eu sei," Lea respondeu, sua voz carregada de empatia. "Eu sei que foi terrível. Mas precisamos focar em você agora. Você está ferido, e Di precisa que você fique forte."

Joshua sentiu uma onda de emoções conflitantes. "Eu... não sei se posso. A dor... é demais."

Lea segurou as mãos dele, tentando transmitir calma e segurança. "Você é mais forte do que pensa, Joshua. Di acredita em você. Todos nós acreditamos. Por favor, lute. Fique conosco."

A presença reconfortante de Lea começou a acalmar o turbilhão de pensamentos na mente de Joshua. Ele respirou fundo, tentando se ancorar na realidade. "Di... ela está bem?"

"Sim, ela está bem. Está fazendo tudo para proteger você," Lea respondeu. "Mas ela precisa de você, Joshua. Nós precisamos de você."

Joshua, sentindo a força e a urgência nas palavras de Lea, começou a encontrar a determinação dentro de si. "Eu... eu vou tentar. Não quero deixá-los."

"Isso é tudo o que precisamos," Lea disse com um sorriso. "Você está fazendo um ótimo trabalho. Agora, vamos sair dessa juntos."

Enquanto Lea mantinha a conexão, ela sentiu Joshua começar a recuperar sua força de vontade. Di, deslizando pelo caminho de gelo, sentiu a mudança na respiração de Joshua e soube que sua amiga havia conseguido.

"Obrigada, Lea," Di sussurrou, sentindo um fio de esperança em meio ao caos. "Nós vamos conseguir."

*****

Di sentia a esperança voltar ao seu coração, uma chama tênue em meio ao caos, quando um poderoso impacto a atingiu por trás. Uma onda de choque destroçou o gelo que criava, lançando-a no ar. O corpo de Joshua escorregou de seus braços, caindo no chão com força, incapaz de amortecer a queda.

"Joshua!" Di gritou, desesperada, tentando correr até ele após aterrissar. Mas antes que pudesse alcançar seu amado, a figura ferida e exausta de Hu Can apareceu, movendo-se com a ajuda de sua imensa criatura de sombras.

Di, com a adrenalina pulsando em suas veias, tentou conjurar duas lâminas de gelo para enfrentar Hu Can novamente. No entanto, antes que pudesse completar o movimento, Hu Can jogou-se contra ela, acertando um soco devastador e dando a volta em seu corpo para agarrá-la pelos cabelos curtos.

Dentro da mente de Joshua, Lea sentiu a perturbação em Di. "Joshua," ela disse suavemente, tentando não assustá-lo. "Hu Can alcançou Di e você. Ele está com Di."

Joshua, ainda tentando se recuperar da dor e do choque, sentiu uma nova onda de desespero tomar conta de si. "Eu... eu tenho que salvá-la, Lea. Não posso deixá-la sozinha."

"Calma, Joshua," Lea respondeu, sua voz firme mas reconfortante. "Lembra-se das lições que Di deu sobre usar seus poderes de fogo? Você só precisa se acalmar e concentrar-se. Você consegue."

Joshua, lutando contra o pânico, tentou focar nas palavras de Lea. "Eu... eu não sei se consigo. Estou com medo."

"Eu sei que está," Lea disse, aproximando-se mais dele na sala branca vazia de sua mente, os dois podiam sentir os corações um do outro batendo. "Mas você é forte, Joshua. Di acredita em você. Eu acredito em você. Concentre-se em suas chamas, sinta o calor. Você pode fazer isso."

Lea usou seus poderes telepáticos para ajudar Joshua a limpar seus pensamentos, guiando-o através do processo de concentração. Joshua começou a sentir o calor em seus dedos, uma sensação familiar e reconfortante.

"Imagine as chamas, Joshua," Lea sussurrou. "Veja-as crescerem, senta a força dentro de você. Você tem esse poder."

Joshua fechou os olhos, respirando fundo. Ele imaginou as chamas, pequenas faíscas crescendo e se transformando em labaredas. Sentiu o calor percorrer seu corpo, sua determinação fortalecendo-se.

"Eu... eu consigo," ele murmurou, as chamas começando a envolver suas mãos.

"Isso mesmo," Lea incentivou, mantendo sua conexão telepática. "Agora, volte para Di. Ela precisa de você."

Joshua abriu os olhos, a determinação brilhando em seu olhar. Ele sentiu a força de suas chamas, a energia pulsando dentro dele. "Eu vou salvar você, Di," prometeu, sua voz firme.

Do lado de fora, Hu Can segurava Di pelos cabelos, um sorriso cruel nos lábios. "Você acha que pode me derrotar, garota?" ele zombou.

Di, sentindo a dor e o desespero, olhou para ele com determinação. "Você subestima o que eu posso fazer, Hu Can. E isso será sua ruína."

De repente, uma explosão de chamas surgiu ao lado deles. Joshua, com os olhos brilhando com as chamas e a fúria, levantou-se. "Solte-a, Hu Can!" ele gritou, as chamas dançando ao redor de suas mãos.

Hu Can, surpreso pela súbita manifestação de poder de Joshua, vacilou por um momento. Di, aproveitando a distração, usou suas últimas forças para conjurar uma lâmina de gelo e atacar, seu braço movendo-se rapidamente em direção ao tórax do homem a segurando.

*****

Hu Can saltou, usando suas sombras para auxiliá-lo e escapar do golpe de Di. Sua respiração estava pesada, finalmente demonstrando a exaustão de tudo o que fizera até ali. Ele estava cansado, mas ainda perigoso.

Joshua, com as chamas envolvendo seu corpo, parecia uma figura saída de um pesadelo. As chamas cresciam, cada vez mais intensas, e Di, tentando acalmá-lo, gritou, "Joshua, vá devagar! Você vai se machucar!"

Mas Joshua não a escutava. Ele estava dominado por seu poder, o calor e a fúria tomando conta de seu ser. As roupas dele começaram a queimar, o moletom se desfazendo rapidamente em cinzas. Sua pele brilhava com o calor intenso, e ele saltou com uma velocidade surpreendente, atingindo um soco em Hu Can.

Os dois começaram uma troca rápida de golpes, mas Joshua, alimentado por sua determinação e pelo poder crescente das chamas, tinha uma vantagem clara. Cada golpe de Joshua era acompanhado por uma explosão de calor, forçando Hu Can a recuar para não ser atingido.

Desesperado, Hu Can tentou criar um escudo de sombras para se proteger, mas as chamas de Joshua eram implacáveis. A intensidade do fogo forçou Hu Can a transformar o escudo em uma esfera de sombras ao redor de si mesmo, tentando desesperadamente se proteger.

Joshua, agora totalmente dominado pelo seu poder, começou a sofrer os efeitos. As queimaduras de terceiro grau apareciam em seu peito, a pele se enrugando e queimando sob o calor extremo. Mas ele continuava, as chamas cada vez mais fortes, começando a desfazer a barreira de sombras de Hu Can.

Dentro de sua esfera de sombras, Hu Can começou a sentir algo que nunca sentira antes: desespero real. As sombras ao seu redor começaram a vacilar e, pela primeira vez em muitos anos, ele sentiu uma presença poderosa, quase divina, ao seu lado. Virou-se e viu a figura de uma mulher ao seu lado, uma entidade que ele reconheceu imediatamente como a fonte dos poderes que havia roubado.

A mulher, uma figura etérea e poderosa, olhou para ele com uma mistura de desdém e justiça. "Seu tempo acabou, Hu Can," disse ela, sua voz ecoando como um trovão.

Hu Can gritou, tentando manter suas sombras intactas, mas era inútil. A entidade, recitando cânticos antigos, começou a retirar o poder que ele havia roubado, e a barreira de sombras se desfez. As chamas de Joshua encontraram o caminho livre e consumiram Hu Can, envolvendo-o em uma tempestade de fogo.

"Joshua, pare!" gritou Di, vendo o sacrifício que ele estava fazendo. "Você vai se matar!"

Mas Joshua não podia parar. O poder o dominava, e ele sabia que esse era o único jeito de terminar a batalha. "Daeun... eu... eu tenho que fazer isso," ele murmurou, sua voz quase inaudível sobre o rugido das chamas.

Hu Can, agora completamente dominado pelas chamas, gritou em agonia enquanto seu corpo era consumido. A figura etérea desapareceu, levando consigo as sombras que uma vez fortaleceram o vilão. O grito de Hu Can foi silenciado, e o campo de batalha ficou quieto, exceto pelo crepitar das chamas.

Joshua, suas forças esgotadas e seu corpo queimado além do reconhecimento, caiu de joelhos. As chamas ao seu redor começaram a se dissipar, e ele olhou para Di com um olhar de despedida.

"Daeun... desculpe, mas eu precisava… precisava saber que você iria estar bem," ele murmurou, suas palavras frágeis e carregadas de dor.

Di correu para ele, lágrimas escorrendo pelo rosto. "Joshua, não... por favor, não me deixe."

Mas Joshua estava além do resgate. Ele caiu nos braços de Di, seu corpo frágil e queimado. "Eu... eu amo você, Daeun," ele sussurrou, antes de seu corpo ceder completamente à exaustão.

Di segurou-o, seus gritos de dor e perda ecoando pelo descampado.