Sombras, Fogo e Gelo
10 ...Ruptura Imediata
Lea piscou várias vezes, tentando afastar a escuridão que nublava sua visão. A dor latejante em seu corpo clamava por atenção, mas ela se recusou a sucumbir a ela. Seus sentidos, lentamente, começaram a retornar, trazendo consigo a cena terrível que se desenrolava diante dela.
Ela viu sua mais preciosa amiga, a poucos metros de distância, lutando desesperadamente nos braços do homem que a havia derrubado. Seu rosto contorcido de dor, os olhos arregalados em busca de ar, enquanto suas mãos agarravam-se aos punhos que a seguravam firmemente. O pescoço delicado de Di estava preso sob a mão cruel de Hu Can, sua expressão uma mistura de determinação e terror.
Hu Can, de pé diante delas, exalava uma aura de perversão e poder. Seus olhos escuros brilhavam, como se alimentados pela dor e vingança. Ele riu, um som frio e sinistro que ecoou pela paisagem desolada ao redor das ruínas da mansão na colina. "Vocês pagarão por suas ações", ele rosnou, sua voz encharcada de ódio e desdém.
Lea lutou para se levantar, cada movimento um suplício de dor e agonia. Ela não podia deixar Di enfrentar esse monstro sozinha. Com um esforço hercúleo, ela se pôs de pé, os olhos fixos em sua amiga, cuja vida pendia precariamente na balança da morte.
"Di!" Lea gritou, sua voz soando estridente aos seus próprios ouvidos. Ela viu o olhar da amiga encontrar o seu, uma faísca de determinação e desespero brilhando em seus olhos. "Você não está sozinha, estamos juntas nisso", ela disse, suas palavras ecoando com a promessa de solidariedade e coragem.
Di assentiu fracamente, uma expressão de gratidão e alívio cruzando seu rosto angustiado. Ela lutou contra a mão de Hu Can, sua respiração ofegante e irregular. "Lea... não podemos deixá-lo ganhar", ela sussurrou, sua voz um sopro fraco e trêmulo.
Lea sentiu uma onda de determinação inundar seu ser. Ela olhou para Hu Can, seu coração batendo com a fúria de mil tempestades. "Você pode nos prender, nos machucar, nos ameaçar", ela disse, sua voz firme e inabalável. "Mas nunca nos quebrará. Nós somos mais fortes do que você jamais poderá imaginar."
Hu Can rosnou de raiva, seus dedos apertando ainda mais o pescoço de Di. Mas Lea não recuou. Ela sabia que a batalha não terminaria desta forma, que elas enfrentariam desafios inimagináveis antes que as sombras daquele homem pudesse apagar a luz que habitava nelas. Enquanto houvesse um sopro de vida em seus corpos, elas lutariam.
Lea concentrou-se, a energia pulsando através de seu corpo como uma corrente elétrica. Os flashes de neon rosa dançavam ao seu redor, iluminando a paisagem sombria com sua luminosidade vibrante. Seus olhos assumiram uma coloração rosa forte, brilhando com intensidade enquanto ela mergulhava profundamente em sua própria mente.
Ela fechou os olhos, buscando a conexão com Hu Can. Ela sabia que precisava entender seus planos, suas motivações, para poder enfrentá-lo com sucesso. Com determinação feroz, ela se lançou no tumulto de pensamentos daquele homem, navegando pelas camadas escuras de sua mente. A jovem sentia como se estivesse entrando em uma masmorra, indo cada vez mais fundo, como se descesse uma escadaria a levando até a maior das escuridões.
Desta vez, contudo, ela conseguiu. As memórias de Hu Can se desenrolaram diante dela como sombras dançando em uma parede, revelando segredos sombrios e traições obscuras que já planejava a muito tempo. Ela viu o diálogo entre Hu Can e outro homem engravatado, um acordo sinistro selado com sangue e mentiras.
Ela observava enquanto o velho homem, vestindo farrapos, negociava com alguém vestido o terno mais elegante que ela já havia visto. A idol tinha certeza que aquele outro homem deveria estar ligado a política, somente isto poderia explicar o modo como ele estava vestido e como ele se portava diante de alguém tão poderoso, mas que fazia isto tudo parecer a mais casual das conversas.
Era difícil para ela entender o que os dois homens diziam, como se uma última barreira na mente do velho homem ainda tentasse manter os seus segredos, mas Lea teve a certeza de fazer uma leitura labial. “Faça o que quiser, desde que tenha caos onde você estiver”, disse o engravatado, como se pudesse livrá-lo de qualquer consequência futura.
O horror a tomou quando ela percebeu a verdade. Hu Can não era apenas um peão nas mãos de forças mais poderosas; ele era um arquiteto da destruição que elas presenciaram, um manipulador mestre de marionetes. Ele estava jogando um jogo muito mais perigoso do que qualquer um deles poderia ter imaginado, e as consequências seriam catastróficas.
Lea sentiu seu estômago revirar de náusea. Ela encerrou a conexão mental abruptamente, o choque da revelação ainda ecoando em sua mente. Ela olhou para Di, cuja expressão refletia sua própria angústia e desespero. "Di...", ela começou, sua voz vacilante com emoção.
Lea estava paralisada, seu corpo tremendo de choque e horror diante da cena que se desenrolava diante dela. De joelhos no chão frio e úmido, ela sentia como se estivesse presa em um pesadelo do qual não poderia acordar. Seus olhos se fixaram em Di, lutando desesperadamente pela vida enquanto Hu Can a segurava pelo pescoço com uma força cruel e impiedosa.
O ar ao redor delas parecia congelar, como se o próprio tempo estivesse suspenso em espera angustiante. Di, mesmo em meio à agonia, concentrou-se em seus poderes, uma última tentativa desesperada de se libertar do domínio de Hu Can. A temperatura ao seu redor caiu drasticamente, formando um bloco de gelo que os prendia em um abraço gelado.
Por um momento, Di considerou sacrificar-se, dar tudo o que tinha para proteger Lea e suas amigas que estavam na cidade. Mas então, uma risada sarcástica ecoou no ar, cortando o silêncio com sua crueldade. Di levantou os olhos, percebendo horrorizada que as sombras ao redor de Hu Can estavam se movendo, partindo o bloco de gelo em pedaços como se fosse papel.
O desespero tomou conta da jovem de cabelos brancos quando ela se viu livre do gelo, mas ainda nas garras de seu inimigo. Ela lutou contra a escuridão que ameaçava consumi-la, sua visão embaçada e seus pulmões queimando por falta de ar. Ela se agarrou à consciência com todas as suas forças, sabendo que cada segundo era precioso, cada respiração uma batalha pela sobrevivência.
"Di!", Lea gritou, sua voz cheia de angústia e impotência. Ela queria correr até ela, arrancá-la das garras de Hu Can e protegê-la a todo custo. Mas seu corpo se recusava a se mover, enraizado no chão como uma árvore petrificada.
Di olhou para Lea, seus olhos brilhando com uma determinação feroz apesar da dor que a consumia por dentro. "Lea...", ela sussurrou, sua voz fraca e trêmula, mas cheia de coragem. "Não desista... eu... eu vou ficar bem..."
Lea engoliu em seco, as lágrimas ameaçando transbordar de seus olhos. Ela sabia que não podia desistir, que tinha que encontrar uma maneira de salvar Di, custasse o que custasse. Com um último suspiro de determinação, ela se forçou a se levantar, com as pernas tremendo, pronta para enfrentar o mal que se erguia diante dela.
*****
Dezenas de pássaros mergulharam na batalha, voando em círculos frenéticos ao redor de Hu Can e bicando-o incessantemente. Embora fosse pouco mais do que um incômodo para o homem, foi o suficiente para afrouxar os dedos que seguravam o pescoço de Di, permitindo que ela recuperasse o fôlego com respirações pesadas e angustiantes.
Enquanto Hu Can se debatia contra os pássaros, um vulto surgiu de um ponto cego atrás dele, desferindo um golpe veloz em direção ao vilão. O golpe não alcançou seu alvo, mas foi o suficiente para forçar o imponente homem a afastar-se e recuar com um salto impressionante, enquanto planejava seus próximos movimentos.
Di então finalmente caiu no chão, sentindo-se fraca e tonta, cada respiração era uma luta contra a escuridão que ameaçava envolvê-la. Seus olhos encontraram o vulto que apareceu para ajudar, e ela viu que era Joshua, seu rosto contorcido em determinação enquanto seus punhos brilhavam com chamas. Ele se aproximou dela rapidamente, preocupação evidente em seus olhos azuis.
"Daeun, você está bem?", perguntou ele, sua voz carregada de preocupação enquanto se ajoelhava ao lado dela.
Di assentiu fracamente, sentindo-se grata pela ajuda dele. "Sim... eu estou... obrigada, Josh..."
Joshua ofereceu-lhe um sorriso reconfortante, antes de se virar para encarar o adversário, sua expressão endurecida com determinação. "Vamos acabar com isso", disse ele, sua voz firme e decidida. "Dessa vez, eu vou proteger você!"
Lea então sentiu suas pernas perderem a força. Por um momento, a idol caiu de joelhos no chão, grata pela interferência do adolescente. Mas essa sensação durou pouco mais do que alguns segundos, ela logo começou a perguntar se isso não poderia ajudar nos planos do homem que estava à frente do grupo.
Hu Can olhou rapidamente ao seu redor, marcando mentalmente a posição de Joshua, Di, Lea e, presumivelmente, Madison, que deveria estar nas proximidades. Seu rosto permanecia impassível, revelando pouca ou nenhuma emoção diante da situação. Com uma voz calma e direta, mas carregada com um sotaque forte que denotava suas origens, ele dirigiu-se a Di.
"Isso é perfeito, minha cara", disse ele, seus olhos brilhando com uma malícia sinistra. "Você terá o privilégio de testemunhar como Joshua será corrompido antes de ser eliminada. Será um espetáculo fascinante, não acha?"
Di engoliu em seco, sentindo um calafrio percorrer sua espinha ao ouvir as palavras de Hu Can. Ela sabia que estavam em uma situação perigosa e que as intenções do vilão eram obscuras e ameaçadoras. No entanto, ela não podia permitir que o medo a dominasse. Ela precisava manter-se forte não apenas por si mesma, mas também por seus amigos e por aqueles que estavam em perigo.
“Josh… vá embora, esse homem… ele não é normal. Você não vai vencê-lo!” Sussurrou, enquanto tentava recuperar o fôlego para ficar de pé.
“Você sabe que não vou deixar você para trás, Daeun. Não importa o que seja, só vou sair daqui do seu lado!” Respondeu o adolescente, olhando nos olhos da idol e enquanto lançava o sorriso mais confiante que conseguia, embora Di tenha achado que este sorriso parecesse doce demais para uma luta.
Olhando para Joshua, que estava ao seu lado, Di viu a determinação nos olhos dele e soube que não conseguiria convencê-lo a fugir dali. Ela sentia medo, mas, não era o medo que ela já estava acostumada a sentir, pela primeira vez, ela percebeu que estava sentindo medo de que algo acontecesse com o adolescente a sua frente.
*****
Lea, ainda se recuperando do choque do que viu na mente de Hu Can, começou a levantar-se com dificuldade, sentindo-se tonta e atordoada. Ela olhou para Joshua, que estava ao lado de Di, e perguntou com voz trêmula:
"Joshua, como vocês nos encontraram?"
Ele olhou para Lea, seus olhos azuis cheios de determinação e preocupação. Ele respirou fundo antes de responder, pensando cuidadosamente nas palavras:
"Madison e eu vimos algumas das criaturas de sombras do lado de fora do hospital, aquelas que parecem um homem. Elas nos levaram até aqui", disse ele, sua voz firme apesar da tensão no ar. "Segundo as criaturas, nós chegamos até perto da Mansão Golden Path, e lá vimos Hu Can flutuando em direção a vocês duas."
Lea absorveu as palavras de Joshua, tentando processar a informação enquanto lutava para manter a compostura.
Ela então, já de pé e aproximando-se de Di e Joshua, sentia uma mistura de determinação e apreensão. Ela olhou para o adolescente, seus olhos castanhos expressando a gravidade da situação, e perguntou com voz firme:
"Haviam muitas criaturas pelas ruas?"
Joshua hesitou por um momento antes de responder, seus olhos azuis refletindo o medo que ele tentava controlar. Ele olhou para a jovem de cabelos rosados antes de falar, em tom temeroso:
"Sim, Lea. Madison e eu vimos dezenas delas, esgueirando-se entre as casas, como sombras na escuridão."
Lea engoliu em seco, sentindo um calafrio percorrer sua espinha. A ideia de enfrentar uma horda de criaturas sombrias era assustadora, mas ela sabia que não podia permitir que o medo a dominasse. Ela olhou para Di ao seu lado, vendo a determinação nos olhos da amiga, e sabia que precisavam permanecer unidas e focadas se quisessem ter alguma chance de sobreviver.
Di, embora visivelmente exausta e ferida, manteve-se firme, sua expressão determinada enquanto enfrentava a ameaça iminente. Ela olhou para Lea e Joshua, um brilho de confiança em seus olhos, e disse:
"Estamos juntos nessa. Não importa o que aconteça, eu vou tirar vocês dessa."
*****
Hu Can moveu-se com uma graça sinistra, seus olhos fixos em Di enquanto ele se preparava para atacar. Ele lançou um olhar desdenhoso para Joshua e disse com um sorriso sádico:
"Vou acabar com este comovente encontro, garotos."
Então, com um movimento fluido, ele recriou suas asas de sombras e saltou sobre Joshua, atingindo-o com um soco poderoso no abdômen. Joshua grunhiu de dor enquanto era arremessado para trás pelo impacto, lutando para se recuperar. Hu Can desviou facilmente de um soco com os punhos em chamas do adolescente, sua agilidade sobrenatural permitindo-lhe evadir-se com facilidade.
Di assistiu impotente enquanto seu amigo era atacado, sentindo-se consumida pela raiva e frustração. Ela sabia que precisava encontrar uma maneira de ajudar Joshua, mas também estava ciente do perigo iminente que enfrentavam. Ela olhou para Lea ao seu lado, compartilhando um olhar determinado, antes de se preparar para agir.
Di e Lea trocaram olhares, silenciosamente planejando sua próxima jogada para ajudar Joshua. Mas antes que pudessem agir, as asas de sombras de Hu Can esticaram, atingindo Lea com um golpe poderoso que a lançou para trás, interrompendo seus planos.
A jovem caiu no chão com um baque surdo, lutando para recuperar o fôlego após o impacto. Ela sentiu uma mistura de dor física e indignação por ter sido derrubada tão facilmente.
Di, vendo sua amiga ser atacada, sentiu uma onda de fúria surgir dentro dela. Ela não podia permitir que Hu Can continuasse a machucar aqueles que ela amava. Com determinação renovada, ela se preparou para intervir, mas já era tarde demais.
Hu Can assumiu uma postura ofensiva contra Joshua, saltando em sua direção e agarrando-o com as duas mãos enquanto começava a voar. Alguns pássaros tentaram atacá-lo, mas suas asas de sombras eram poderosas o suficiente para derrotá-los facilmente, demonstrando a extensão de seu poder sombrio.
O homem voava pelos céus, levando Joshua consigo, afastando-se cada vez mais de Di e Lea. O adolescente se debatia, tentando se libertar, mas as asas de Hu Can transformaram-se em pesadas correntes, prendendo seus braços e pernas, deixando-o completamente imobilizado no chão após pousarem.
Di e Lea assistiam impotentes, seus olhos cheios de preocupação e determinação. Elas sabiam que precisavam fazer algo para ajudar Joshua, mas estavam momentaneamente paralisadas diante da situação desesperadora.
Hu Can, olhando diretamente para Di, deixou escapar um sorriso sinistro. "É hora de contar toda a verdade ao garoto", ele gritou, sua voz ecoando pelo ambiente tenso.
A idol sentiu um calafrio percorrer sua espinha.
Hu Can se aproximou de Joshua, que lutava para se libertar, e começou a falar, sua voz carregada de malícia e revelações sombrias.
"Você acha que conhece aquela garota de cabelos brancos, não é mesmo?", começou Hu Can, sua voz soando como um sussurro ameaçador. "Mas a verdade é que ela não é quem você imagina."
Joshua olhou para Hu Can com uma expressão confusa e preocupada. "O que você quer dizer com isso?"
Hu Can sorriu de forma sinistra. "Ela foi mais íntima do que você pode imaginar com um de meus antigos alunos. Ela foi realmente muito íntima dele, garoto. Você sabe onde ele está agora?", ele perguntou, sua voz carregada de desdém.
Joshua franziu o cenho, sua mente girando com as revelações chocantes de Hu Can. "Não faço ideia."
Hu Can olhou diretamente nos olhos de Di, sua expressão sombria e penetrante. "Ela o matou", ele disse, sua voz ecoando pelo ar tenso.
Hu Can olhou de Joshua para Di, seus olhos brilhando com um fervor sinistro enquanto ele continuava seu discurso venenoso.
"Essa garota," ele apontou para Di com desprezo, "seduziu meu aluno, levando-o à loucura. Ela manipulou-o, controlou-o, e depois, quando já estava satisfeita com seu pequeno relacionamento, ela o matou! Assim ela poderia ser a vítima perfeita dessa situação e sua pequena banda teria mais alguma atenção."
Joshua olhou para Di, seu rosto uma mistura de choque e incredulidade diante das palavras de Hu Can.
"Isso não é verdade!", exclamou Joshua, sua voz carregada de indignação. "Daeun nunca faria algo assim!"
Hu Can ignorou o protesto de Joshua e voltou-se para Lea, estendendo a mão na direção dela.
"E você, minha jovem", ele disse, sua voz gotejando com sarcasmo, "foi cúmplice dela em tudo isso. Vocês duas são as verdadeiras vilãs dessa história."
Lea engoliu em seco, sentindo-se impotente diante das acusações de Hu Can. O que ele estava dizendo era absurdo, mas ela sabia que tudo o que o homem sabia sobre o caso de Jun, era o que ela mesma tinha em suas memórias.
“As duas planejaram e executaram um plano para assassinar meu aluno… você pode confirmar com elas… ainda devem existir provas na casa da família da garota de rosa”, completou o homem, com um tom petulante enquanto usava as lembranças de Lea contra ela,
Hu Can avançou em direção a Joshua, seu rosto contorcido em um sorriso maligno enquanto ele continuava sua narrativa deturpada.
"Mas não para por aí", disse ele, sua voz ecoando com uma frieza calculada. "Esse não foi o único assassinato dela. Não, não, ela fez muito mais do que isso."
Joshua recuou instintivamente diante da aura ameaçadora de Hu Can, sua mente girando com as acusações chocantes.
"O que você quer dizer?", perguntou ele, sua voz trêmula com a intensidade do momento.
"Di matou várias pessoas", Hu Can continuou, sua voz gotejando com malícia. "Sem piedade, sem remorso. Sempre que ela decidia que alguém era um 'vilão', ela lutava contra essa pessoa e a assassinava. E sua amiga", ele olhou para Lea com desdém, "sempre estava lá para ajudá-la a encobrir tudo."
Lea sentiu um calafrio percorrer sua espinha enquanto as palavras de Hu Can penetravam em sua mente.
Madison emergiu dos arbustos onde estava escondida, seus olhos fixos em Di e Lea enquanto ela se aproximava com cautela. Seu coração batia com força contra o peito, mas ela forçou-se a manter a compostura diante da tensão que se desenrolava diante dela.
Enquanto isso, Hu Can continuou seu discurso venenoso, suas palavras cada vez mais carregadas de sarcasmo e malícia.
"Então, garoto", ele começou, dirigindo-se ao jovem com um sorriso sinistro. "Essa é a pessoa que você admirava? Essa é a heroína que você tanto venera? Uma assassina tão fria quanto essas lâminas que ela cria?"
Joshua ficou em silêncio por um momento, lutando com suas próprias dúvidas e incertezas. Ele olhou para Di, seu rosto marcado pela confusão e angústia.
Hu Can riu com desdém, sua expressão debochada.
"Bem, talvez seja hora de descobrir toda a verdade", disse ele, oferecendo uma mão falsamente amigável para Joshua. "Eu posso te ajudar a encontrar as respostas que você procura. Você realmente quer ficar do lado dela, sem saber o que ela é capaz de fazer?"
Di lançou um olhar de advertência a Joshua, seus olhos suplicando para que ele não acreditasse nas mentiras de Hu Can. No entanto, ela sabia que suas palavras poderiam não ser suficientes para dissipar as dúvidas semeadas naquele discurso.
Hu Can esperou com uma expressão calculista enquanto Joshua ponderava suas palavras. Todos os olhos estavam voltados para o jovem, aguardando sua resposta.
Finalmente, com coragem e determinação na voz, Joshua olhou diretamente para Hu Can e falou com convicção.
"Eu não posso acreditar em nada do que você está dizendo", declarou ele, sua voz ecoando com intensidade. "Eu vi o coração de Di nestes últimos dias, e tenho certeza de que ela não é uma assassina. Eu confiaria a minha vida a ela, se fosse preciso."
Hu Can franziu o cenho, seus olhos brilhando com frustração diante da resistência de Joshua.
"É uma pena", murmurou ele, sua voz gotejando com ameaça velada. "Mas se é assim que você quer jogar, então teremos que recorrer a outros métodos."
Di olhou para Joshua com gratidão e alívio, reconhecendo verdadeiramente que os dois haviam forjado um laço poderoso nestes dias que conviveram.
Hu Can ergueu as mãos, seus olhos faiscando com o poder sombrio que ele controlava. As sombras retorciam-se ao seu comando, prendendo Joshua em um aperto implacável. Ele virou-se para Di com um sorriso cruel.
"Eu vou levar este garoto", anunciou ele, sua voz carregada de desdém. "E nós vamos nos encontrar novamente em breve."
Di sentiu o coração afundar diante da ameaça. Ela não podia deixar que Hu Can levasse Joshua, mas sentia-se impotente diante da força do vilão.
Antes que o velho pudesse executar seus planos, no entanto, uma intervenção surpreendente ocorreu. Uma mão sombria emergiu entre ele e Joshua, formando-se a partir das próprias sombras que Hu Can manipulava. Desta mão surgiu uma espada feita de escuridão, que avançou rapidamente na direção do vilão.
Senhor Meia-Noite, até então observando a cena em uma posição segura e silenciosa, havia decidido intervir para salvar Joshua. Seu movimento era inesperado, mas bem-vindo, trazendo uma centelha de esperança em meio ao caos.
Di observou com uma mistura de surpresa e gratidão enquanto a espada sombria cortava o ar em direção a Hu Can. Este era um momento decisivo, e ela estava disposta a lutar até o fim para proteger seu companheiro.
*****
Joshua lutava para se levantar, seus músculos doíam com o esforço. Ele sabia que precisava sair da linha de fogo imediatamente. Com um esforço final, ele rolou para longe do conflito iminente, sujando seu moletom com a terra solta, procurando uma posição segura para se recuperar.
Enquanto isso, Hu Can continuava sua dança mortal com a espada de sombras criada por Senhor Meia-Noite. Seus movimentos eram ágeis e precisos, desviando habilmente dos cortes que visavam atingi-lo. No entanto, uma expressão de tédio começou a se formar em seu rosto enquanto ele lutava contra um oponente que claramente estava em desvantagem.
"É uma pena", murmurou ele, seu tom de voz carregado de desdém. "Continuar lutando com alguém tão fraco como você só me aborrece."
Com um gesto rápido, Hu Can apertou os punhos, dissipando as sombras que o cercavam, tanto as que ele controlava quanto as controladas pelo Senhor Meia-Noite. O homem mais velho estava determinado a encerrar o confronto de uma vez por todas, revelando uma confiança arrogante em sua própria superioridade.
Com a distração causada pela dissipação das sombras controladas por Hu Can, Senhor Meia-Noite viu a oportunidade de agir. Com um grito determinado, ele lançou-se pelas costas do seu adversário, seu antigo soco inglês, com manchas de sangue já impregnadas no metal, pronto para o combate. O golpe foi direcionado com precisão para a cabeça do adversário.
“Isso finalmente acaba! Vou levar sua cabeça hoje!” Gritou, com uma confiança completa em seu plano.
No entanto, uma fina barreira sombria surgiu repentinamente entre seu punho e Hu Can, impedindo o impacto completo do golpe. Senhor Meia-Noite cerrou os dentes, frustrado pela reviravolta inesperada.
Hu Can, por sua vez, riu com desdém diante da tentativa fracassada de seu oponente. "Quase fui pego de surpresa desta vez, meu caro amigo", ele zombou, sua voz ecoando com uma mistura de diversão e superioridade. Sua confiança era evidente, alimentada pelo controle que exercia sobre as sombras ao seu redor.
Senhor Meia-Noite recuou alguns passos, mantendo-se alerta diante da ameaça iminente representada por Hu Can.
Com o plano inicial frustrado e a crescente ameaça representada por Hu Can, Senhor Meia-Noite agiu rapidamente. Sem hesitar, ele saltou em direção a Joshua, agarrando-o firmemente com ambos os braços. Enquanto mantinha o jovem seguro, ele concentrou seu poder sombrio para “roubar” algumas das sombras controladas por seu inimigo, criando um caminho sinuoso de sombras que se estendia até onde Di, Lea e Madison estavam reunidas.
Ao alcançar o grupo, Senhor Meia-Noite dirigiu-se a elas com uma expressão séria e determinada. "A oportunidade de vencer esta batalha passou", declarou ele, sua voz ecoando com autoridade. Sabia que o perigo os cercava por todos os lados, e uma retirada estratégica era a melhor opção naquele momento.
Com um gesto habilidoso, Senhor Meia-Noite estendeu sua sombra no chão, moldando-a em um portal sombrio. Com um último olhar para o campo de batalha caótico ao seu redor, ele empurrou o grupo através do portal, e este se fechou abruptamente atrás deles, deixando para trás o tumulto e a incerteza que pairavam sobre a mansão da colina.
Enquanto desapareciam na escuridão do portal, Di olhava para Lea e Joshua, sua mente vagava em como podia ter deixado que dois saíssem feridos dessa luta. Ela sentia o sangue ferver por ter deixado que Joshua fosse capturado e quase sequestrado, lembrando do que Jun havia feito com Lea um ano antes.
*****
Após o grupo atravessar o portal sombrio, encontraram-se em um galpão abandonado, mergulhado na escuridão e no silêncio quebrado apenas pelo eco de seus passos. Senhor Meia-Noite, com sua presença imponente e sobretudo ondulante, liderava o grupo, demonstrando uma falsa calma.
Ao bater a poeira de seu sobretudo, ele lançou um olhar ao redor do galpão deserto, avaliando o ambiente com uma expressão séria. "Estamos seguros aqui, por enquanto", anunciou ele, sua voz ressoando no espaço vazio.
Di, com sua preocupação evidente, dirigiu-se a Joshua com um olhar ansioso. "Você está bem?", perguntou ela, sua voz carregada de preocupação genuína. Joshua assentiu, tentando manter uma expressão tranquila apesar das adversidades enfrentadas.
Senhor Meia-Noite voltou-se para Di, suas feições sérias revelando a gravidade da situação. "Estamos nos antigos armazéns do cais", explicou ele, sua voz soando autoritária e firme. "Vocês precisamos encontrar um meio de sair logo, antes que Hu Can consiga nos seguir pelo portal."
Com essas palavras, Di puxou tanto Joshua quanto Lea pelo braço, atravessando uma abertura feita pelo tempo na lateral do armazém. Atônita com toda a ação que vivenciara, Madison a seguia de perto.
“Lea, você precisa voltar para junto das outras garotas, precisa ver se está tudo bem com elas”, disse uma aflita Di, controlando a ansiedade com que falava. “E vocês dois… eu vou levar vocês de volta ao hospital. E fiquem lá! Só saiam quando eu buscar vocês, entendido?!” Disse, enquanto os dois adolescentes somente conseguiam inclinar com movimentos positivos a cabeça, como resposta.
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