Sombras, Fogo e Gelo
11 Reflexões Sombrias
O sol da manhã começava a entrar pela janela do quarto de hospital, lançando feixes dourados sobre as paredes brancas e estéreis. Ethan estava sentado na cama, o corpo ainda dolorido pelos ferimentos, tanto aqueles que já cicatrizavam quanto os mais recentes. Ele observava os raios de luz dançarem, refletindo sobre o que vivera desde que descobriu seus poderes.
A princípio, ser um herói parecia apenas uma vida de aventuras, uma alternativa para a vida monótona de uma cidade pequena. Mas agora, após tantas batalhas e perdas, a realidade se mostrava muito mais cruel e complexa. Ethan sentiu um nó se formar em sua garganta enquanto lembrava dos momentos de terror e coragem. Desde que seus poderes haviam se manifestado, a vida se transformara em uma série interminável de lutas contra forças que ele mal compreendia.
Seus olhos se voltaram para a poltrona ao lado da cama, onde Madison estava adormecida. Seu cabelo ruivo caía sobre o rosto, ela parecia tranquila, quase angelical. Mas Ethan sabia que, por trás dessa calma aparente, havia uma mente sempre em alerta, aquela já havia salvo a sua vida dias atrás, quando estivera envolvido na rebelião do presídio. Ele a observou por um momento, sentindo um carinho profundo por ela, algo que ia além da amizade, mas que ele nunca tivera coragem de levar adiante.
“Madison,” sussurrou ele, quase sem querer acordá-la, mas desejando desesperadamente compartilhar seus pensamentos.
Madison se mexeu, seus olhos piscando enquanto acordava. Ela esfregou o rosto, parecendo confusa por um momento antes de lembrar onde estava. “Ethan?” Sua voz era suave, ainda carregada de sono.
“Desculpe por acordar você,” disse ele, tentando sorrir. “Só… estava pensando em tudo isso.”
Madison se endireitou na poltrona, olhando para o jovem com uma expressão preocupada. “O que está passando pela sua cabeça?”
“Tudo. Desde que descobri meus poderes, parece que minha vida virou de cabeça para baixo. As batalhas, os perigos, os segredos que descobrimos... Às vezes, eu me pergunto se estamos fazendo a coisa certa.”
Madison suspirou, inclinando-se para a frente para pegar a mão de Ethan. “É uma loucura, eu sei. Mas não temos escolha. Temos que lutar. Por nós mesmos e por todos que não podem.”
Ethan olhou para suas mãos entrelaçadas, sentindo o conforto na presença dela. “Eu sei, Madison. Mas a cada batalha, a cada ferida, parece que estamos nos afastando mais da vida normal que conhecíamos.”
Madison sorriu tristemente. “Talvez a vida normal nunca tenha sido uma opção para nós. Não depois de tudo isso. Mas o que temos agora, essa luta, nossas amizades... Isso é o que nos mantém humanos.”
Ethan assentiu, absorvendo as palavras dela. Ele sabia que a garota estava certa. A normalidade era uma ilusão agora, algo inalcançável. Mas enquanto tivessem uns aos outros, enquanto continuassem a lutar, haveria esperança.
Os dois ficaram em silêncio por um momento, ambos refletindo sobre a jornada que os trouxera até ali. Ethan pensou em Joshua, em Di, em Senhor Meia-Noite, e em todos os desafios que ainda estavam por vir. A batalha contra Hu Can, o homem que literalmente surgiu das sombras para as vidas de todos, não estava terminada, e eles precisavam estar prontos para o que viesse.
“O que vamos fazer agora?” perguntou Ethan, finalmente quebrando o silêncio.
Madison olhou para ele com determinação nos olhos. “Vamos nos reunir com os outros. Quando você tiver alta, nós e o Josh vamos planejar o que fazer, nós vamos proteger a todos!”
Ethan sorriu, sentindo uma nova onda de determinação crescer dentro dele. “Sim, vamos fazer isso. Juntos.”
O silêncio no quarto de hospital era quase palpável, quebrado apenas pelo som suave da respiração de Madison e pelo leve bip dos monitores que acompanhavam a recuperação de Ethan. Ele olhou para o rosto preocupado de Madison e decidiu romper o silêncio com uma questão que estava lhe incomodando.
“Madison,” ele começou, hesitando por um momento, “você acha que Joshua está realmente bem?”
Madison franziu a testa, seu olhar se desviando para a janela. Ela parecia ponderar sobre a pergunta, a expressão em seu rosto refletindo uma mistura de preocupação e dúvida. “Ele está... bem, eu acho,” respondeu ela lentamente, como se estivesse escolhendo cuidadosamente suas palavras. “Mas ele está mais agitado do que de costume. Parece que não consegue ficar parado, sabe?”
Ethan assentiu, compreendendo o que ela queria dizer. Joshua sempre fora o tipo de pessoa que falava sobre como mudar o mundo, um idealista, um professor disse certa vez, mas, ultimamente, essa necessidade parecia ter aumentado. “Você acha que tem a ver com a proximidade dele com a Di?”
Madison suspirou, um som que carregava tanto frustração quanto resignação. “Talvez. Eles ficaram próximos muito rapidamente, não foi?”
O garoto sorriu, mas seus olhos mostravam preocupação. “Sim, foi. Mas você parece um pouco tensa com isso. O que está incomodando você?”
Madison hesitou novamente, seu olhar fixo nas mãos entrelaçadas agora em seu colo. “Eu só... eu só me preocupo com ele. Sei que Di estava flertando com ele como uma piada quando se conheceram. E agora, parece que ele está levando isso a sério.”
Ethan franziu a testa, refletindo sobre as palavras de Madison. “Você acha que ela não é sincera com o Josh?”
“Não sei,” admitiu Madison, mordendo o lábio inferior. “Di é difícil de ler. Ela é brincalhona, mas não sei se está levando Joshua a sério ou se é apenas parte do jeito dela de lidar com tudo isso.”
Ethan assentiu, compreendendo a preocupação de Madison. “Bem, pelo menos estamos aqui para proteger nosso amigo, caso ele precise.”
Madison sorriu, finalmente encontrando os olhos de Ethan. “Sim, estamos. E vamos estar sempre aqui, um para o outro.”
Eles se encararam por um momento, compartilhando um entendimento da importância de sua amizade e do vínculo que os unia. Não importava o que acontecesse, eles enfrentariam juntos, protegendo uns aos outros contra os perigos que se aproximavam.
O som de passos no corredor interrompeu o momento, lembrando-os de que o mundo lá fora continuava, cheio de desafios e incertezas. Mas, por enquanto, naquele pequeno quarto de hospital, havia uma sensação de calma e solidariedade, um refúgio no meio do caos.
Ethan olhou para Madison com gratidão. “Obrigado por estar aqui, Madison.”
Ela apertou a mão dele com força, um sorriso caloroso nos lábios. “Entramos juntos nessa, Ethan. E sairemos juntos também.”
*****
Joshua caminhava pelos corredores do hospital, seus passos ecoando suavemente nas paredes brancas e despojadas. Ele mal notava as enfermeiras e pacientes que passavam por ele, sua mente ocupada com pensamentos inquietos. Fazia dois dias desde que Di os trouxera de volta ao hospital, praticamente dando uma ordem para esperarem por ela. Desde então, ele não conseguira parar de pensar na jovem, preocupado e impaciente com o silêncio que se seguira.
Ele saiu pelos portões do hospital, sentindo o ar fresco da manhã acariciar seu rosto. O pátio em frente ao hospital estava calmo, com apenas alguns poucos pacientes e visitantes dispersos pelos bancos e jardins, pouco lembrando a loucura vista em alguns corredores. Joshua escolheu um banco vazio e se sentou, seu corpo tenso e sua mente correndo a mil.
"Dois dias," ele murmurou para si mesmo, olhando ao redor com impaciência. "Dois dias sem nenhuma notícia."
Ele se perguntou o que poderia ter acontecido. Di era uma força da natureza, cheia de vida e energia, mas também havia um lado dela que ele mal começava a entender. Ela havia deixado claro que o mundo deles estava cheio de perigos que ele mal podia imaginar, e essa espera sem fim só alimentava seus medos.
Os pensamentos de Joshua se voltaram para os últimos momentos que passaram juntos. Ele lembrava-se do sorriso confiante de Di, da maneira como ela parecia saber exatamente o que fazer, mesmo em meio ao caos. Ele suspirou, sua impaciência se misturando com uma crescente ansiedade. O que poderia estar mantendo-a afastada?
Os minutos se arrastaram, e Joshua começou a se mexer no banco, incapaz de ficar parado. "Isso é ridículo," ele disse em voz alta, mais para si mesmo do que para qualquer outra pessoa. "Eu não posso simplesmente ficar aqui esperando para sempre."
Determinando que precisava fazer algo, ele se levantou e começou a caminhar de volta para a entrada do hospital. Seu coração batia forte no peito, cada passo uma mistura de frustração e preocupação. Ao dobrar a esquina para entrar novamente no prédio, ele quase esbarrou em alguém que vinha correndo.
"Daeum!" Ele exclamou, seu coração saltando no peito ao ver o largo sorriso dela.
"Josh!" Di respondeu, seus olhos brilhando com uma energia contagiante. "Desculpe pela demora, tive que resolver algumas coisas."
Joshua sentiu toda a sua impaciência evaporar diante do sorriso dela. "Eu estava começando a me preocupar," ele admitiu, tentando esconder a ansiedade que sentira nos últimos dois dias.
Di riu suavemente, dando-lhe um tapinha no ombro. "Você se preocupa demais, Josh. Está tudo sob controle agora."
"Se você diz, eu acredito… mas," ele disse, dando de ombros. "O que aconteceu? Onde você esteve?"
Di olhou para ele, sua expressão suavizando. "Estive cuidando de alguns detalhes para garantir que estamos seguros. Agora eu posso garantir que ninguém vai nos pegar de surpresa novamente."
Joshua assentiu, sentindo um peso ser tirado de seus ombros. A presença de Di era como um farol em meio à escuridão, e ele se sentia mais seguro ao tê-la por perto.
"Vamos entrar," disse Di, puxando-o levemente pelo braço. "Temos que conversar, e é muito importante."
Di puxava Joshua pelos corredores do hospital, seus passos apressados ecoando pelas paredes brancas. Joshua seguia, tentando acompanhar o ritmo dela, mas sentindo-se cada vez mais confuso e ansioso. O que começara como um reencontro cheio de alívio estava rapidamente se transformando em algo mais tenso.
Eles finalmente pararam em um corredor vazio, longe das salas de pacientes e das vistas curiosas. Di virou-se para Joshua, e ele pôde ver que seu olhar havia mudado. O sorriso amigável e caloroso desaparecera, substituído por uma expressão determinada e feroz. Antes que ele pudesse reagir, Di o empurrou contra a parede, prendendo-o com uma força surpreendente.
"Joshua, o que diabos você estava pensando?" Ela disparou, sua voz carregada de uma agressividade que ele nunca havia visto antes. "Você acha que pode simplesmente correr para o perigo e tudo vai ficar bem?"
Joshua ficou momentaneamente atordoado pela mudança de humor dela. "Daeum, o que…"
"Não, não venha com desculpas," ela interrompeu, os olhos brilhando de raiva. "Você se jogou para cima de Hu Can como se fosse um herói e eu uma princesa indefesa, sem pensar nas consequências. Ele poderia ter matado você, Joshua!"
Ele piscou, tentando processar as palavras dela. "Eu... eu vi ele ferindo você, Daeum. Não podia ficar parado."
Di apertou o punho ao lado do corpo, respirando fundo para tentar se controlar. "Eu estava tentando protegê-lo. Esse é um dos meus trabalhos. Eu sei o que estou fazendo."
Joshua tentou encontrar uma resposta, mas as palavras não vinham. A ferocidade nos olhos dela o deixava sem palavras. "Mas... eu precisava fazer alguma coisa."
"Não, Joshua, você não precisava," ela retrucou, a voz um pouco mais baixa, mas ainda carregada de intensidade. "Você não tem o direito de se colocar em perigo dessa forma. Não quando estou aqui para cuidar disso."
Ele a encarou, vendo a mistura de raiva e medo em seus olhos. "Desculpa, eu só queria ajudar. Eu não quero ver você se machucar."
Di soltou um suspiro longo e pesado, soltando-o finalmente. Ela deu um passo para trás, esfregando o rosto com as mãos. "Eu entendo, Josh. Mas isso é maior do que você imagina. Hu Can é perigoso. Não quero e nem posso perder ninguém para ele."
Joshua sentiu um aperto no peito ao ouvir as palavras dela. "Eu sei que é perigoso, Daeum. Mas não posso ficar parado enquanto você luta sozinha."
Ela o olhou, a raiva começando a dar lugar a uma preocupação genuína. "Eu não estou lutando sozinha, Joshua. Nenhum de nós está. Mas precisamos ser inteligentes sobre isso."
Joshua assentiu, finalmente compreendendo a gravidade da situação. "Desculpe, Daeum. Prometo que vou pensar duas vezes antes de agir novamente."
Di deu um meio sorriso, ainda tenso, mas suavizado pela sinceridade dele. "É tudo o que peço. Nós estamos juntos nisso, mas precisamos ser cuidadosos."
Ela estendeu a mão, e Joshua a segurou.
Enquanto caminhava pelo corredor de mãos dadas com Di, Joshua não conseguia afastar o pensamento de como ela podia ser assustadora. A força e a intensidade que ela havia demonstrado minutos atrás ainda estavam frescas em sua mente. Ele imaginava que, com aquela força, um golpe de Di poderia machucá-lo mais do que qualquer coisa que Hu Can pudesse fazer. Essa ideia o deixava inquieto, mas ao mesmo tempo, ele sentia uma estranha atração por essa dualidade nela.
Os pensamentos de Joshua foram interrompidos por um som alto e inesperado. O ronco do seu estômago ecoou pelo corredor vazio. Di virou-se para ele, seus olhos grandes e expressivos mostrando uma curiosidade misturada com uma leve diversão.
"Você não tomou café da manhã, tomou?" Ela perguntou, levantando uma sobrancelha.
Joshua corou, tentando esconder o embaraço. "Não... não tive tempo," ele respondeu timidamente, balançando a cabeça.
A idol soltou uma risada suave, surpresa. "Você é impossível, Josh. Como espera enfrentar vilões sem um café da manhã decente?"
Antes que ele pudesse responder, Di o puxou com mais firmeza, acelerando o passo pelo corredor. "Vamos, precisamos encontrar um lugar onde possamos comer algo."
Joshua, ainda segurando a mão dela, se viu sendo arrastado pelo hospital. O contraste entre a força feroz e a doçura de Di era desconcertante. Como podia alguém ser tão assustadora e tão doce ao mesmo tempo?
Enquanto caminhavam, ele não pôde deixar de observar como ela parecia dominar o espaço ao seu redor, movendo-se com uma confiança natural. "Daeum, você é realmente algo," ele murmurou, meio para si mesmo.
Ela olhou por cima do ombro, um sorriso brincalhão nos lábios. "Algo bom, espero."
Joshua sorriu de volta, sentindo uma onda de calor passar por ele. "Definitivamente."
Eles encontraram a pequena lanchonete do hospital, um lugar modesto mas acolhedor. Di guiou Joshua até o balcão, ainda de mãos dadas, e pediu dois sanduíches e duas xícaras de café. A atendente, uma mulher idosa com um sorriso gentil, olhou para eles com curiosidade, mas não disse nada.
Di entregou um dos sanduíches para Joshua e pegou o seu próprio, guiando-o até uma mesa próxima. Eles se sentaram, e por um momento, tudo pareceu voltar ao normal. O simples ato de compartilhar uma refeição trouxe uma sensação de paz que Joshua não sentia há muito tempo.
Enquanto comiam, Di observou Joshua atentamente. "Sabe, Josh, você é mais forte do que pensa. Mas precisa aprender a ser esperto também. Não adianta ter força se você não souber como usá-la."
Joshua assentiu, mastigando lentamente o sanduíche. "Eu sei. Prometo que vou tentar ser mais cuidadoso."
Di sorriu, estendendo a mão para tocar a dele. "É tudo o que peço. Estamos nisso juntos, lembra? Assim que seu amigo estiver liberado, vou levar vocês para um lugar seguro e ensinar alguns truques para você."
Ele apertou a mão dela, sentindo uma conexão profunda e sincera. "Sim, eu agradeço, não quero precisar ser salvo o tempo todo."
A pequena lanchonete do hospital começava a ficar cheia, com pacientes, visitantes e funcionários do hospital enchendo o espaço. Joshua e Di ainda estavam sentados, conversando e rindo, uma bolha de normalidade em meio ao caos que parecia reger suas vidas ultimamente.
Di já havia terminado seu sanduíche e, casualmente, começou a brincar com o cabelo de Joshua, enrolando os fios ruivos nos dedos de sua mão direita. Ela olhou para ele com uma expressão de curiosidade misturada com diversão.
"Você é o primeiro ruivo que eu conheço," disse ela, um sorriso brincalhão nos lábios.
Joshua corou, um leve rubor tingindo suas bochechas. "Sério? Todos na minha família são ruivos. Acho que é meio comum por aqui."
Di riu levemente, o som suave e encantador. "É, parece que sim." Ela fez uma pausa, o sorriso ainda presente, mas seus olhos de repente brilharam com uma pergunta não dita. "E você e Madison? Vocês já namoraram?"
Joshua se engasgou com o café que estava bebendo, tossindo e tentando recuperar o fôlego. A pergunta o pegou completamente desprevenido. "Eu e Madison? Não, nunca namoramos," respondeu ele, ainda confuso. "Por que você pergunta isso?"
Di riu, uma risada que parecia iluminar o ambiente. "Só estou curiosa. Quero saber onde estou me metendo," disse ela, piscando para ele.
Joshua sentiu o calor subir novamente em seu rosto. "Eu e Madison somos apenas amigos, desde sempre. Ela é incrível, mas nunca houve nada mais entre nós."
Di assentiu, ainda brincando com o cabelo dele. "Entendi. Mas então… Você já teve alguma namorada?"
Joshua desviou o olhar, sentindo-se um pouco envergonhado. "Não, nunca tive. Nunca encontrei alguém que... bem, que me fizesse sentir dessa forma."
Di parou de brincar com o cabelo dele e o olhou nos olhos, sua expressão suave e compreensiva. "Sabe, Joshua, você é um cara especial. Alguém muito sortuda vai perceber e vai ser mágico para você."
Joshua sorriu timidamente, sentindo-se ao mesmo tempo envergonhado e aquecido pelas palavras dela. "Obrigado, Daeum. Você também é especial, sabe disso, né?"
Ela deu de ombros, como se fosse algo óbvio. "Talvez. Mas é bom ouvir isso de você."
Eles continuaram conversando, Di fazendo mais perguntas pessoais a Joshua, querendo saber mais sobre ele, sua família, seus sonhos e medos. Joshua respondeu a cada uma delas, sentindo-se cada vez mais confortável e próximo dela. A lanchonete estava agora cheia, o som das conversas e das risadas criando um pano de fundo acolhedor.
"Joshua," Di disse de repente, seu tom mais sério. "O que você quer fazer depois de tudo isso? Quando tudo isso acabar, quero dizer."
Joshua pensou por um momento, refletindo sobre a pergunta. "Eu... não sei. Acho que só quero encontrar um lugar onde eu possa ser eu mesmo, sem medo. Onde eu possa fazer a diferença sem ter que lutar o tempo todo."
Di assentiu, entendendo perfeitamente. "Eu também quero isso. Um lugar onde possamos ser normais, pelo menos por um tempo. Claro, que eu quero ser normal para um Idol…"
Eles trocaram um olhar cheio de compreensão e esperança. Apesar de todas as lutas e desafios, havia um desejo comum de encontrar paz e normalidade. E, naquele momento, sentados na lanchonete do hospital, eles encontraram um pouco dessa paz um no outro.
*****
A manhã avançara rapidamente, e o sol já estava alto no céu, indicando que o meio-dia se aproximava. Madison corria pelos corredores do hospital, o som de seus passos ecoando nas paredes. O cabelo ruivo dela estava desalinhado, e a respiração ofegante mostrava o quanto ela havia se esforçado para encontrar Joshua.
Ao virar a esquina, ela o avistou sentado em uma mesa da lanchonete. Seu coração deu um salto de alívio, mas sua expressão mudou levemente quando viu que ele estava com Di. Um lampejo de preocupação atravessou seu rosto, mas ela rapidamente o disfarçou com um sorriso.
"Joshua!" ela chamou, entrando na lanchonete.
Joshua levantou o olhar, surpreso, mas feliz ao ver Madison. "Madison, o que foi? Está tudo bem?"
Madison se aproximou, ainda tentando recuperar o fôlego. "Ethan vai ter alta. Os médicos o liberaram e ele está arrumando a mochila."
Di saltou da cadeira, um sorriso radiante em seu rosto. "Isso é ótimo! Fico muito feliz em ouvir isso," disse ela com entusiasmo, olhando para Joshua e depois para Madison.
Madison tentou manter seu sorriso, mas a preocupação ainda era visível em seus olhos. "Sim, é bom. Mas o que faremos agora?"
Di não perdeu tempo. "Vocês três vão vir para a casa onde estamos refugiadas. Será mais seguro para todos nós estarmos juntos."
Madison abriu a boca para protestar, mas Di levantou uma mão, interrompendo-a. "Madison, eu entendo suas preocupações, mas eu e Lea só podemos protegê-los adequadamente se estivermos todos no mesmo lugar. Hu Can é perigoso, e ficar separados só nos torna alvos fáceis."
Joshua olhou para Madison, tentando ler a expressão dela. Ele sabia que Madison era protetora e cuidadosa, mas também sabia que Di tinha razão. "Madison, acho que ela está certa. Precisamos estar juntos, pelo menos por agora."
A adolescente suspirou, a tensão visível em seus ombros relaxando um pouco. "Tudo bem. Mas, Di, se alguma coisa acontecer a eles... a nós..."
Di se aproximou, colocando uma mão reconfortante no ombro de Madison. "Eu prometo, Madison. Vamos protegê-los. Vamos proteger todos nós."
Madison assentiu, ainda hesitante, mas decidida. "Então, vamos buscar Ethan e sair daqui."
Joshua se levantou, segurando a mão de Di. "Estamos nisso juntos. Vamos buscar Ethan e ir para a casa de vocês."
Eles saíram da lanchonete, os três unidos por um propósito comum. Di liderava o caminho, com Joshua e Madison logo atrás. Enquanto caminhavam pelos corredores do hospital, a sensação de que algo maior os aguardava era palpável.
Di olhou para Joshua e Madison, um sorriso suave e determinado em seu rosto. "Vamos fazer isso. Vamos proteger uns aos outros."
*****
A casa onde as Rainbow 5 estavam hospedadas era uma antiga pensão, famosa na cidade de Crystal Coast. Era uma construção imponente, com varandas largas e janelas altas, que exalava um ar de elegância atemporal. Di, Joshua, Madison e Ethan chegaram no início da tarde, os últimos raios de sol da manhã iluminando o caminho até a porta da frente.
Joshua olhou admirado para a casa, uma expressão de surpresa em seu rosto. "Essa casa é uma pensão famosa na cidade, mas eu nunca havia entrado nela."
Di riu discretamente, dando-lhe um leve empurrão. "Bem, agora você tem a chance de conhecer o lado de dentro."
Ao entrar pela porta, Di notou Min Jae, o gerente da banda, observando-os atentamente. Seus olhos eram duros e repreensivos, uma expressão de desaprovação clara em seu rosto. Di sentiu a tensão aumentar, mas não hesitou. Segurou a mão de Joshua com firmeza, fazendo-o sentir-se ainda mais confuso.
"Min Jae," disse ela, forçando um sorriso confiante enquanto se aproximava dele. "Estes são os garotos que ganharam os ingressos na sessão de autógrafos."
Min Jae estreitou os olhos, sua voz carregada de desaprovação. "O que eles estão fazendo aqui, Kim Daeum?"
Di ergueu o queixo, não permitindo que a intimidação de Min Jae a abalasse. "Eles estão aqui porque o bem-estar deles é uma obrigação nossa. Das Rainbow 5 e da própria Soul Music."
Min Jae massageou as têmporas, claramente irritado com a situação. "Você acha que pode trazer quem quiser para cá, Daeum? Este lugar deve ser seguro, não um abrigo para qualquer um."
Joshua sentiu o olhar ameaçador de Min Jae sobre ele, e uma onda de desconforto percorreu seu corpo. Mas ele não recuou, tentando manter a compostura.
"Não são qualquer um," respondeu Di, firme. "Eles são nossos fãs, e estão em perigo por causa do nosso show. Precisamos protegê-los, e é nossa responsabilidade garantir isso."
Min Jae lançou um olhar severo para Di, e depois para Joshua. "Espero que você saiba o que está fazendo, Daeum. Porque se algo der errado, a responsabilidade será toda sua."
Di apertou a mão de Joshua com mais força, olhando diretamente nos olhos de Min Jae. "Eu sei o que estou fazendo, Min Jae. Confie em mim."
Min Jae bufou, mas não disse mais nada. Ele lançou um último olhar ameaçador para Joshua antes de se afastar, deixando-os sozinhos na entrada da casa.
Joshua soltou um suspiro de alívio, olhando para Di com gratidão. "Obrigado, Daeum. Eu não sabia que ele seria tão... intimidador."
Di sorriu, um sorriso misturado com uma sombra de preocupação. "Min Jae pode ser difícil, mas ele sabe que estamos todos do mesmo lado. Só precisamos provar que estamos certos."
Madison e Ethan, que estavam observando a interação de perto, se aproximaram. "Tudo bem por aqui?" perguntou Madison, olhando para Joshua e Di com curiosidade.
"Sim," respondeu Di, voltando a sua postura confiante. "Vamos nos instalar e começar a planejar nossos próximos passos. Precisamos estar prontos para o que vier."
Eles seguiram para dentro da casa, onde foram recebidos pelas outras integrantes da Rainbow 5. O ambiente estava cheio de uma energia mista de tensão e coragem.
Lea foi a primeira a aproximar-se, seus olhos brilhando com um alívio genuíno ao ver Ethan. "Ethan! Estou tão feliz em ver que você está bem," disse ela, envolvendo-o em um abraço rápido, mas caloroso.
Ethan sorriu, ainda um pouco surpreso com o acolhimento. "Obrigado, Lea. É bom estar fora do hospital."
Di, sem perder tempo, puxou Joshua pela mão, chamando Madison e Ethan para se juntarem às outras integrantes da banda. "Vocês lembram de Sun, Jia e Sing, certo?"
Sun, sorriu gentilmente. "É um prazer vê-los novamente."
Jia, com uma postura elegante, deu um aceno de cabeça. "Esperamos que estejam todos bem."
Sing, com seu habitual brilho provocativo nos olhos, notou a mão de Di segurando a de Joshua. Ela se inclinou para Jia, seu tom ligeiramente malicioso. "Esse jovem ruivo até que é bonitinho. Se fosse um pouco mais velho, eu deixaria que ele me levasse a um encontro."
Di, ouvindo o comentário, respondeu rispidamente, seu olhar duro. "Sing, por favor, não comece."
Sing levantou as mãos em um gesto de rendição, mas seu sorriso provocador permaneceu. "Só estou brincando, Di. Não precisa ficar tão na defensiva."
Joshua corou, mas manteve o olhar firme. Madison e Ethan trocaram olhares, cientes da tensão subjacente. Lea, percebendo a necessidade de privacidade e um ambiente mais tranquilo, interveio.
"Vamos para o pátio," sugeriu Lea, com um sorriso tranquilizador. "Podemos conversar lá com mais calma."
Di e Lea levaram os adolescentes para uma mesa de madeira posicionada no pátio da casa, onde poderiam conversar sem interrupções. O pátio era um lugar sereno, com plantas bem cuidadas e uma brisa suave que aliviava a tensão do dia.
Di soltou a mão de Joshua, mas ficou ao lado dele, mostrando um apoio silencioso. Lea puxou uma cadeira, sentando-se e olhando para os adolescentes com uma expressão de preocupação e determinação.
"Precisamos discutir nossa situação," começou Lea, sua voz suave, mas firme. "Hu Can é uma ameaça real e perigosa. Ele não vai parar até conseguir o que quer."
Madison assentiu, sua expressão séria. "Sabemos disso. E sabemos que ele está atrás de nós por algum motivo. Mas o que podemos fazer?"
"Precisamos ficar juntos," disse Di, seus olhos passando de um rosto para o outro. "A segurança em números é nossa melhor chance. Eu e Lea temos experiência em lidar com situações perigosas, e podemos proteger vocês."
Ethan olhou para Di, sua expressão cheia de gratidão e admiração. "Estamos dispostos a fazer o que for necessário. Só queremos ajudar."
Lea sorriu, tocada pela determinação deles. "Precisamos de um plano. Algo que nos permita antecipar os movimentos de Hu Can e contra-atacar."
Joshua, sentindo a gravidade da situação, interveio. "Ele mencionou que estava preso na cidade. Talvez haja pistas sobre onde ele esteve e o que ele está planejando. Podemos investigar isso."
Di assentiu, uma expressão de aprovação em seu rosto. "Isso é uma boa ideia, Josh. Podemos começar por aí. Mas precisamos ser cuidadosos."
Madison, preocupada, acrescentou: "Podemos dividir as tarefas. Alguns de nós podem investigar, enquanto outros ficam aqui para garantir a segurança."
Lea concordou, sua voz calma. "Isso parece um bom plano. Vamos trabalhar juntos para garantir que todos estejam seguros e que possamos derrotar Hu Can."
Enquanto a tarde avançava, a sensação de união e determinação crescia entre eles. O pátio da casa se tornou um centro de planejamento, onde cada um deles sentia que, juntos, poderiam enfrentar qualquer desafio.
Di olhou para Joshua, um sorriso suave nos lábios. "Vamos fazer isso. Vamos proteger uns aos outros e vencer essa batalha."
Joshua sorriu de volta, sentindo-se mais forte e confiante do que nunca. "Sim, vamos fazer isso."
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