Sombras, Fogo e Gelo
5 Pacto das Sombras
Com as sombras da noite envolvendo o estádio em seu manto escuro, Di e Joshua avançaram cautelosamente pelos corredores vazios, seus passos ecoando de forma discreta. O brilho fraco das luzes de emergência que ainda funcionavam mal iluminava o caminho à frente, lançando sombras sinistras pelas paredes e corrimãos.
Joshua, ainda atordoado pela confusão e perigo que testemunhara, mantinha-se próximo a Di, cuja determinação parecia ser a única bússola em meio ao tumulto. Ele se esforçou para afastar os pensamentos de sua própria incapacidade de lidar com a ameaça das sombras anteriormente, focando-se apenas na figura corajosa ao seu lado.
“Eu vou ajudar na próxima luta” repetia em seus pensamentos. “Não vou ser só um peso para ela”.
Quando alcançaram a porta lateral que levaria de volta às arquibancadas, Joshua hesitou por um momento, sentindo uma pontada de ansiedade ao imaginar o que poderiam encontrar do outro lado. No entanto, a firmeza de Di o encorajou, e ele abriu a porta com determinação.
O que se revelou diante deles foi um cenário de puro caos. Criaturas sombrias se agitavam pelas arquibancadas, suas formas distorcidas e ameaçadoras contrastando com a silhueta das pessoas indefesas que ainda não haviam conseguido fugir. O ar estava impregnado com gritos de terror e desespero, uma cacofonia de sons que ecoava pelas estruturas de concreto do estádio.
Di agiu com rapidez, empurrando Joshua para o lado antes que uma das criaturas pudesse atacá-lo. Seus olhos brilhavam com a emoção da batalha, enquanto ela se preparava para enfrentar a ameaça que se aproximava. Com um gesto rápido e preciso da mão direita, ela liberou uma rajada de pequenas lâminas de gelo que envolveram a criatura em uma prisão gélida, impedindo-a de causar mais danos.
"Joshua, fique atrás de mim," ordenou, sua voz firme apesar do caos ao seu redor. "Precisamos encontrar uma maneira de segurar essas criaturas, não podemos deixar que elas nos sigam até os outros."
Joshua assentiu, sentindo uma mistura de admiração e gratidão pela coragem de Di. Ele sabia que não podia deixar que o medo o paralisasse; eles precisavam agir rápido para proteger os inocentes que estavam em perigo.
Enquanto Di avançava destemidamente para enfrentar as criaturas sombrias, o garoto seguiu atrás dela, com passos curtos e relutantes, mas determinado a ajudar de qualquer forma que pudesse.
Ela avançava pelas arquibancadas de forma implacável, arrastando Joshua consigo enquanto esquivava-se das criaturas sombrias que se aproximavam. Cada passo era uma dança perigosa entre a vida e a morte, sua mente focada apenas no objetivo de proteger suas amigas e impedir que Joshua se colocasse em perigo novamente.
Seus poderes de gelo se manifestavam em rajadas violentas, transformando o ar ao seu redor em um campo de batalha congelado. Criaturas sombrias eram envolvidas em casulos de gelo, congeladas em sua trilha enquanto Di os tocava levemente e então avançava impiedosamente até o próximo alvo.
Então, de repente, algo chamou sua atenção: uma figura masculina, jovem e enigmática, pousou no estádio com uma graça sobrenatural, perto o suficiente para que pudessem vê-lo limpando a poeira dos ombros do casaco após aterrissar. Sua maquiagem branca e seu sobretudo pesado conferiam-lhe uma aura de mistério e perigo. Di sentiu uma pontada de desconfiança ao vê-lo, seus instintos alertando-a para o perigo iminente.
A figura parecia abraçada pelas sombras, nenhum dos dois jovens conseguiu ver de onde ele saíra, mas a força do impacto na arquibancada fazia parecer que ele caiu do um lugar alto.
Sem hesitar, Di concentrou seu poder, criando lâminas afiadas de gelo que brilhavam como cristais sob a luz fraca das luzes de emergência. Seu coração batia com intensidade enquanto ela se preparava para enfrentar o desconhecido que se erguia diante dela.
"Quem é você?" Di exigiu, sua voz ecoando com autoridade enquanto ela avançava em direção ao estranho. "O que você quer aqui?"
O estranho ergueu uma sobrancelha, sua expressão mascarada por trás da maquiagem branca. "Me chamam de Senhor Meia-Noite," ele respondeu calmamente, sua voz ecoando com um timbre sinistro. "E estou aqui para me livrar de um certo lixo…"
As palavras do estranho causaram uma onda de desconfiança em Di, mas ela não podia se dar ao luxo de recuar agora. Com um movimento rápido, ela lançou as lâminas de gelo em direção ao Senhor Meia-Noite, sua mente em alerta máximo enquanto se preparava para o confronto que se aproximava.
O Senhor Meia-Noite desviou habilmente das lâminas de gelo lançadas por Di, seu movimento ágil e grácil contrastando com a ferocidade dos ataques da jovem idol. Ele sentiu uma mistura de surpresa e confusão diante da reação inesperada de Di, suas sobrancelhas franzindo-se sob a maquiagem branca que adornava seu rosto.
Por um momento, ele olhou ao redor e encontrou Joshua, um rosto conhecido para ele, embora ainda não soubesse de onde. Focando seu olhar na jovem mulher que o atacara, ele decidiu que descobriria quem é o jovem ruivo após terminar este confronto.
"O que você está fazendo?" Joshua gritou, sua voz carregada de preocupação enquanto observava a cena se desenrolar. "Ele não é nosso inimigo!"
Mas Di não parecia ouvir, sua mente mergulhada na batalha que se desenrolava diante dela. Com uma atitude ameaçadora, ela corria pegando impulso para um salto em direção ao adversário enquanto concentrava seu poder, criando uma camada de gelo sobre suas mãos e lançando-se em uma sequência implacável de socos contra o Senhor Meia-Noite.
O jovem recém-chegado desviou dos golpes com dificuldade, sua agilidade sendo testada ao limite enquanto ele lutava para se esquivar dos ataques de Di. No entanto, sua expressão permanecia calma e controlada, como se ele estivesse apenas esperando o momento certo para contra-atacar.
Então, com um gesto rápido, ele levantou uma mão, convocando as sombras ao seu redor e moldando-as em uma figura imponente e sinistra. Uma mão gigante de sombras se materializou atrás dele, avançando em direção à idol com uma ferocidade assustadora.
Ela foi atingida em cheio, o impacto lançando-a metros de distância e fazendo-a colidir com o chão duro do estádio. Ela gemeu de dor enquanto lutava para se levantar, seus músculos doloridos e a respiração ofegante. Para ela, esta manifestação de poder era mais do que o suficiente para decretar que o seu adversário estava relacionado com estas criaturas que estava enfrentando e que ele devia muitas explicações.
“Era só isso que eu precisava saber… tenho muitas perguntas para você!” Murmurou ela, recuperando o fôlego para continuar a batalha, embora ainda caída no chão.
Enquanto isso, o Senhor Meia-Noite começou a ouvir sussurros ao seu redor, uma cacofonia de vozes sussurrantes que ecoavam em seus ouvidos. Ele olhou ao redor, confuso, procurando pela origem destas vozes femininas, mas não viu ninguém por perto. No entanto, ele sabia que aquilo não era obra do acaso; alguém estava tentando ajudar Di, usando telepatia para intervir na batalha.
Lea estava em algum lugar nas sombras, sua mente conectada à de Di enquanto ela lutava pela sobrevivência. Ela também enviou pensamentos de encorajamento e apoio para Di, esperando que suas palavras pudessem ajudar a jovem idol a se recuperar e continuar a lutar contra o perigo que se erguia diante dela.
“Di! Cuidado, este homem é estranho, não consigo ler a mente dele, mas consigo confundir seus sentidos!” A telepatia de Lea combinava suas ações com a garota de poderes gelados.
Di ergueu-se do chão com um impulso renovado, determinação ardente brilhando em seus olhos. Ela sentiu a presença reconfortante de Lea em sua mente, suas habilidades telepáticas formando uma ligação entre elas que transcendia o que poderiam explicar para os outros. Com um gesto sutil, Lea enviou uma onda de pensamentos em direção ao Senhor Meia-Noite, paralisando-o momentaneamente em meio ao caos da batalha, e logo o fazendo cair de joelhos.
Joshua correu para aproximar-se de Di, tentar dizer-lhe que não precisam continuar com o confronto, mas era em vão, ela nem sequer notara sua aproximação.
Aproveitando a oportunidade, Di concentrou-se, criando novas lâminas de gelo em suas mãos. Com uma precisão afiada, ela lançou-as em direção ao seu adversário, esperando cortar através das sombras que o protegiam. No entanto, para sua frustração, as sombras pareciam ter uma vontade própria, movendo-se instintivamente para bloquear seus ataques, formando uma barreira impenetrável ao redor do Senhor Meia-Noite.
Di recuou com um salto ágil, avaliando rapidamente a situação. Ela sabia que precisava encontrar uma maneira de romper a defesa do seu oponente, mas não seria uma tarefa fácil. Enquanto isso, o jovem maquiado levantou-se do chão, raiva faiscando em seus olhos enquanto ele se preparava para o próximo ataque.
Sem hesitação, ele avançou contra Di, moldando as sombras ao seu redor em uma mão gigante que se estendia em sua direção. Com um movimento rápido, ele lançou um soco poderoso, mirando diretamente em direção à jovem idol. No entanto, a jovem era ágil e rápida, sua agilidade sobre humana permitindo-lhe desviar-se do ataque com graça e destreza.
Ela saltou habilmente por cima do Senhor Meia-Noite, aterrissando com graça atrás dele. Por um momento, o jovem se encontrou indefeso, suas defesas momentaneamente abaixadas.
Di sentiu a lâmina de gelo em suas mãos, pronta para ser lançada em direção ao Senhor Meia-Noite, mas antes que pudesse completar o movimento, ela viu uma figura familiar jogar-se em sua frente com um desespero palpável. Era Joshua, seu rosto contorcido em determinação, seus olhos encontrando os dela em um momento de pura angústia.
Com um grito de horror sufocado, Di soltou a lâmina de gelo no último segundo, desviando o golpe que teria atingido Joshua em cheio. Ela observou com alívio enquanto a lâmina se perdia na escuridão, longe de causar dano ao jovem que agora se interpunha entre ela e o Senhor Meia-Noite.
“Jo… Joshua! Você quer morrer! Eu poderia ter atravessado você com esse golpe.“ Disse ela, pensando que poderia ser, literalmente, a causadora da morte do jovem que passara a noite tentando salvar.
Com os braços abertos, Joshua olhou alternadamente para Di e para o jovem mascarado, sua voz ecoando pelo estádio em meio ao caos da batalha. "Ele não é um inimigo", disse com firmeza o garoto, seu tom carregado de convicção. "Eu o conheço, e sei que estou vivo agora por causa dele. Ele já me ajudou no passado."
O outro jovem, agora conseguia reconhecer o adolescente ruivo a sua frente, suas palavras remeteram ao garoto fantasiado na noite da rebelião do presídio. ”Ruivo irritante, devia saber que era você…”
Di olhou para Joshua com admiração e frustração misturadas em seus olhos. Ela sabia que ele estava arriscando sua própria segurança ao intervir daquela maneira, mas não pôde deixar de se sentir tocada por sua coragem. Ela se perguntou o que mais Joshua havia enfrentado em sua vida, além das criaturas das sombras e do caos que agora se desdobrava diante deles.
Enquanto isso, o Senhor Meia-Noite permanecia em silêncio, observando a cena com uma expressão indecifrável. Di podia sentir a tensão no ar, o peso das escolhas que estavam sendo feitas naquele momento crucial. Ela sabia que o próximo movimento seria crucial, e esperava que Joshua estivesse certo em sua avaliação do jovem mascarado.
Com o coração batendo forte em seu peito, Di esperou, preparada para escutar o quê aquele homem tinha a dizer, mas com uma grande desconfiança escondendo-se em seu olhar.
O Senhor Meia-Noite ergueu as mãos, batendo-as em seu casaco para remover a poeira do confronto, enquanto mantinha o olhar fixo em Di e Joshua. Seu rosto permanecia mascarado pela escuridão, uma expressão indescritível oculta por trás da máscara.
"Eu vim ajudar", declarou ele, sua voz suave e calma contrastando com a intensidade do momento. "Eu sei quem está causando problemas nesta cidade, e estou aqui para detê-lo."
Di ergueu uma sobrancelha, sua desconfiança pintada claramente em sua expressão. "Se você veio ajudar, por que seus poderes se assemelham tanto aos daquelas criaturas das sombras?" questionou ela, sua voz carregada de suspeita.
O jovem maquiado ficou em silêncio por um momento, ponderando suas palavras. Ele parecia incerto sobre como responder à pergunta de Di, suas próprias motivações envoltas em mistério.
“Essas… coisas… elas foram criadas por alguém com os mesmos poderes que eu, mas não trabalhamos juntos!” Finalmente respondeu ele.
Di não estava convencida. "Você é muito suspeito", insistiu ela, mantendo sua guarda levantada. Ela sabia que não podia se dar ao luxo de confiar cegamente em um estranho, especialmente em meio à batalha que se desenrolava ao seu redor.
Joshua permaneceu ao lado de Di, seus olhos alternando entre ela e o Senhor Meia-Noite. Ele sentiu a tensão no ar, a incerteza pairando sobre eles como uma sombra iminente. Ele esperava que suas palavras fossem suficientes para acalmar os ânimos e levar a uma resolução pacífica da situação.
Enquanto Di e o Senhor Meia-Noite continuavam a trocar palavras tensas, Lea usava seus poderes telepáticos para se comunicar silenciosamente com Di. Sua voz ecoou na mente de Di, carregada de preocupação e desconfiança.
"Di, eu não confio nesse homem", disse Lea, sua voz telepática transmitindo urgência. "Eu sinto que ele está escondendo algo de nós, mas não consigo descobrir o que é."
Di assentiu mentalmente, compartilhando as preocupações de Lea. Ela sabia que não podia ignorar os instintos de sua amiga, especialmente em uma situação tão perigosa. No entanto, ela também estava ciente da presença de Joshua ao seu lado, e não queria agir precipitadamente na sua frente.
"Eu concordo, Lea", respondeu Di, sua própria voz ressoando na mente de Lea. "Não podemos arriscar um confronto enquanto Joshua estiver por perto. Ele vai acabar interferindo novamente, e não podemos correr o risco de machucá-lo."
“O garoto, ele é ingênuo. Eu posso sentir que ele confia neste homem, mas tem tantas dúvidas quanto a identidade dele quanto nós duas” completou a outra idol, dividindo o que pode descobrir com uma leitura superficial do que estava passando sobre a mente de Joshua.
Após uma breve pausa, as duas chegaram a uma decisão. Di deveria afastar-se do Senhor Meia-Noite, levando Joshua consigo, enquanto Lea permaneceria afastada, junto das outras integrantes da banda e pronta para ajudar Di caso a situação deteriorasse.
Di olhou discretamente para seu amigo ruivo, transmitindo-lhe uma mensagem silenciosa através de seu olhar. "Vamos nos afastar", disse ela suavemente em voz alta, dirigindo-se a Joshua. "Precisamos nos reagrupar com Lea e pensar em nossa próxima jogada."
*****
Na pequena sala de manutenção abaixo do palco do estádio, o silêncio era quebrado apenas pelo som abafado dos soluços de Jia, que chorava em desespero. Sun e Sing, visivelmente agitadas, trocavam olhares preocupados enquanto tentavam conter a ansiedade que crescia dentro delas.
A única fonte de luz que elas tinham vinha de uma pequena lanterna presa à porta por uma camada de fita, dificultando que pudessem sentir-se seguras naquele lugar.
"Onde Di está?" Sun perguntou, sua voz trêmula de apreensão.
Sing balançou a cabeça, os olhos arregalados de incerteza. "Eu não sei", confessou ela. "Ela saiu correndo assim que esse ataque todo começou. Eu achei que ela ia voltar logo, mas nada até agora."
Lea permaneceu em silêncio por um momento, sentindo o peso da mentira que estava prestes a contar. Ela sabia que não podia revelar a verdade sobre a situação de Di para suas companheiras de banda. Com uma expressão tensa, ela finalmente falou.
"Ela foi buscar Min Jae", disse Lea, sua voz suave e hesitante. "Ela acredita que ele pode nos ajudar, a equipe de seguranças do estádio está com ele."
Jia ergueu a cabeça, os olhos vermelhos e inchados de tanto chorar. "Min Jae?" ela repetiu, sua voz embargada. "Mas... e se algo acontecer com ela lá fora?"
Sun colocou uma mão reconfortante no ombro de Jia, tentando acalmar sua amiga. "Di é bem esperta", disse ela, tentando soar confiante. "Ela vai ficar bem. Precisamos acreditar nisso."
Sing assentiu, apesar da dúvida pairando em sua mente. "Vamos esperar aqui", sugeriu ela, buscando conforto na ideia de ficarem juntas. "Di vai voltar para nós. Tenho certeza disso."
O som pesado ressoava pelo ar, ecoando como um presságio sombrio na mente das garotas encurraladas. Sun, Sing e Jia se encolheram juntas, seus corações martelando contra seus peitos em uníssono, suas respirações rápidas e entrecortadas preenchendo o silêncio opressivo da sala.
Então, o estrondo assustador da porta sendo violentamente arremessada para dentro da sala ecoou pelo espaço confinado, fazendo as três garotas saltarem de susto. Seus olhos se arregalaram de horror ao verem a figura sinistra que emergiu das sombras.
Um idoso musculoso, com uma aura intimidante e uma expressão impiedosa, avançou calmamente para dentro da sala. Seus cabelos longos e pretos, mesclados com fios de prata, caíam em desalinho em torno de seu rosto severo. Uma barba grisalha adornava seu queixo forte, acrescentando um ar de sabedoria sombria à sua figura imponente, embora os farrapos que vestia lhe deixassem com uma aparência longe da imponência.
Sun, incapaz de conter o medo que se agitava dentro dela, soltou um grito agudo de pavor, enquanto Sing e Jia recuavam instintivamente, buscando se esconder atrás de qualquer abrigo que pudessem encontrar na pequena sala.
A figura sinistra permaneceu de pé diante delas, seu olhar penetrante avaliando cada uma das garotas com uma intensidade que enviava arrepios por suas espinhas. O silêncio que se seguiu foi quase palpável, carregado com a tensão crescente que pendia no ar como uma espada prestes a cair.
Lea, impulsionada por uma coragem que ela mesma mal reconhecia, elevou sua voz com uma firmeza que surpreendeu até mesmo a si mesma. "Corram!", ordenou ela às suas amigas com urgência, sua voz ecoando pela sala em um comando incontestável. ”Saiam daqui e encontrem Min Jae!”, Sun, Sing e Jia não hesitaram, respondendo ao chamado de Lea com uma velocidade frenética, suas pernas movendo-se tão rapidamente quanto seus corações disparados.
Enquanto suas amigas fugiam em desespero, Lea ficou para trás, enfrentando o estranho homem que invadira seu esconderijo. Seu coração batia forte em seu peito, uma mistura de medo e determinação pulsando em suas veias enquanto ela se preparava para confrontar o intruso.
Concentrando-se em seus poderes telepáticos, Lea mergulhou corajosamente na mente do homem. Ela penetrou em sua psique, navegando pelas correntes de suas emoções tumultuadas. No entanto, o que ela encontrou ali não foi o que esperava. Uma onda de sentimentos negativos a paralisou, impedindo que saísse daquela mente.
A raiva fervente do homem inundou sua própria mente, uma tempestade de emoção que ameaçava engolfá-la. Lea lutou para manter o controle, tentando separar suas próprias emoções daquelas que emanavam do homem à sua frente. Mas era como lutar contra uma maré furiosa, cada pensamento e sentimento dele se misturando com os dela em uma dança perigosa de conflito e confusão.
Ela se viu envolta por uma paisagem desoladora, onde o branco dominava tudo ao seu redor. Não havia pontos de referência, nenhum horizonte distante, apenas uma vastidão branca que parecia se estender infinitamente. Uma sensação de desorientação tomou conta dela, deixando-a perplexa diante da estranheza do cenário.
De repente, algo chamou sua atenção atrás dela. Uma figura feminina emergiu logo atrás de si, indistinta, revelando-se gradualmente à medida que se aproximava. Lea prendeu a respiração quando reconheceu o rosto familiar: era ela mesma, mas com uma aparência distorcida e sinistra. Seus cabelos escuros caíam em mechas desgrenhadas sobre os ombros, contrastando com a palidez de sua pele e o sorriso macabro que brincava em seus lábios, assim como um vistido negro em farrapos, que deixava quase todo o seu corpo a mostra.
À medida que a figura se aproximava, memórias antigas começaram a ressurgir na mente de Lea, como fragmentos de um passado turbulento que ela havia tentado enterrar. Ela viu flashes de eventos passados, cada lembrança tingida com uma aura sombria de medo e angústia.
A imagem de sua amiga Di surgiu em sua mente, primeiramente em sua infância enquanto estudavam juntas, para então ser acompanhada pela lembrança da estreia emocionante da banda Rainbow 5. No entanto, esses momentos de felicidade foram rapidamente eclipsados por eventos mais sombrios: o surgimento de um stalker sinistro, a traumática descoberta de que ele invadira sua própria privacidade no primeiro show da banda, a revelação chocante de sua verdadeira identidade como Jun e o confronto tenso que se seguiu, onde ela e Di enfrentaram e derrotaram este inimigo.
Enquanto revivia esses eventos traumáticos, Lea sentiu uma onda de emoções conflitantes inundar sua alma. Ela se perguntou se aqueles momentos do passado tinham alguma conexão com o turbilhão de sentimentos que experimentava agora, ou se eram apenas manifestações distorcidas de sua própria mente atormentada.
“Jun…” Balbuciou ela, sentindo toda a angústia daquela época voltar a si.
A jovem piscou, tentando recuperar o contato com a realidade após o transe perturbador que a envolveu. Seu coração batia forte no peito, ecoando a sensação de desconforto que se instalou em sua mente. Ela olhou ao redor da sala, encontrando-se novamente diante do homem enigmático que invadiu seu esconderijo.
Havia algo na expressão do homem que a deixava inquieta, algo que transcendia o mero temor físico. Era como se ele carregasse consigo uma aura de mistério e perigo, uma presença que desafiava a compreensão racional.
Lea tentou reunir suas forças mentais, buscando entender o que acabara de acontecer. Ela havia tentado acessar a mente do homem com sua telepatia, mas algo havia dado terrivelmente errado. Em vez de dominar a conexão, foi o homem quem assumiu o controle, mergulhando nas profundezas de suas memórias com uma habilidade sinistra.
Um arrepio percorreu a espinha de Lea enquanto ela refletia sobre o significado dessa invasão psíquica. O homem agora tinha acesso aos segredos mais íntimos de sua mente, uma vantagem que poderia ser usada contra ela e suas amigas.
Lea sentiu um calafrio percorrer sua espinha quando o homem se aproximou dela, sua presença era sufocante, como uma sombra escura envolvendo-a por completo. Ela tentou desesperadamente convocar Di através de sua telepatia, mas sua mente ainda parecia aprisionada pelo estranho poder do homem misterioso.
Com mãos trêmulas, Lea recuou enquanto o homem a segurava pelo cabelo, forçando-a a encará-lo. Seus olhos encontraram os dele na escuridão da sala, e o que viu lá enviou arrepios de terror por todo o seu corpo. Era como se ela estivesse encarando o próprio abismo, uma escuridão profunda e implacável que sugava sua alma para dentro.
O sorriso do homem, sinistro e malicioso, ecoou em sua mente como um eco distorcido de pesadelos. Com um sotaque chinês carregado, ele proferiu palavras que soaram como profecias sombrias, prenunciando um destino incerto para ela e sua amiga.
“Di… essa sua amiga, é culpa dela. Diga a ela, que eu vou me vingar dela.” Disse ele, com uma calma que escondia um profundo ódio. “E então, eu vou atrás de você novamente. Você também vai pagar pelo que fizeram.“
Quando finalmente a soltou, Lea caiu de joelhos no chão, tremendo de medo e impotência. Ela sabia que o perigo ainda estava lá fora, à espreita nas sombras, esperando por uma oportunidade para se manifestar novamente.
Enquanto o homem se afastava, lançando um último olhar carregado de ameaça, Lea sentiu-se tão assustada como nunca antes esteve. Enquanto tentava recuperar-se e ficar de pé, ela percebeu que seu vestido e suas pernas estavam molhados. Em meio ao terror que sentiu com a presença ameaçadora daquele homem, ela não percebeu que acabara urinando-se de medo.
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