Sombras, Fogo e Gelo

9 Confronto Iminente...


A tarde cinzenta em Crystal Coast pairava sobre a silenciosa rua deserta, criando sombras densas entre as cercas vivas que adornavam as pequenas casas que compunham a visão. Entre os espinhos e galhos de uma das cercas, Lea, com movimentos rápidos e decididos, recuperava o tênis que havia se desprendido de seu pé durante a fuga frenética das sombras com a aparência de Jun. Seus dedos ágeis deslizaram pelo tecido gasto do calçado enquanto ela se esforçava para não deixar transparecer a ansiedade que fervilhava em seu interior.

Di, ao seu lado, não podia esconder a impaciência que transbordava em sua voz inquieta. "Lea, por favor, me diga que você viu alguma pista, qualquer pista mesmo, sobre onde aquele maldito Hu Can está se escondendo. Não podemos permitir que ele continue nos caçando dessa maneira."

O olhar de Lea oscilou entre o tênis em suas mãos trêmulas e os olhos inquietos de sua amiga. Por um momento, ela considerou desviar o assunto, mas a determinação ardente de sua amiga não lhe permitia escapar impune. "Eu... Eu posso ter uma ideia de onde ele está escondido", murmurou ela, sua voz mal mais que um sussurro perdido no eco do caos ao seu redor.

Di prendeu a respiração, seus olhos faiscando com a promessa de esperança. "Onde? Onde ele está?" Perguntou a jovem de cabelos brancos, com os olhos faiscando e fixos em sua amiga.

Lea ergueu o olhar para as ruas desoladas ao redor, suas feições marcadas por uma determinação sombria. "A mansão abandonada no topo da colina. Enquanto estive na mente das criaturas, também consegui entrar por um momento na mente de Can, pude vislumbrar os vestígios de sua presença lá. Não posso garantir que ele ainda esteja lá na colina, mas é a melhor opção que temos no momento."

O coração de Di afundou em seu peito, misturando-se com o peso do conhecimento sombrio. "Então é para lá que devemos ir", murmurou ela, sua voz um sussurro carregado de propósito e desespero.

O vento sussurrava entre as duas garotas, trazendo consigo o eco dos passos incertos de Lea e Di enquanto se aventuravam em direção à colina distante. O ar pesado estava impregnado com a tensão silenciosa que pairava entre elas, uma tensão alimentada pelas sombras do passado que se erguiam como espectros em sua mente.

Lea, buscando delicadamente abordar o elefante na sala, dirigiu-se a Di com uma sutileza quase tangível. "Di, eu só estava pensando... você não está agindo de forma um tanto... descuidada? Quero dizer, por causa de Joshua?"

Os olhos de Di faiscaram momentaneamente com a insinuação velada de Lea, antes que uma máscara de ofensa cuidadosamente construída se erguesse em seu rosto. "Descuidada? Como você ousa insinuar que estou agindo com descuido?", respondeu Di, sua voz tingida de falsa indignação. "Eu estou fazendo tudo o que posso para proteger todos nós, não apenas o Joshua."

Lea conteve um suspiro, reconhecendo a futilidade de tentar persuadir a outra jovem a admitir o que verdadeiramente estava passando em sua cabeça. Com um aceno discreto, ela voltou-se na direção da colina distante, determinada a seguir adiante com seu plano. "Claro, Di. Eu sei disso", murmurou Lea, seus passos resolutos ecoando pelo terreno irregular sob seus pés.

Di observou a figura determinada de Lea enquanto ela se afastava, um turbilhão de emoções tumultuando-se em seu interior. Por trás da máscara de bravata e coragem, ela se perguntava se estaria realmente agindo com a cautela necessária, ou se sua determinação em proteger Joshua estava obscurecendo seu julgamento. Com um último olhar para a figura solitária de Lea, ela então seguiu em frente.

*****

A antiga mansão erguia-se majestosamente à medida que a dupla de idols se aproximava, suas paredes desgastadas e janelas quebradas, registros inegáveis do passar inexorável do tempo. Lea não pôde deixar de comentar sobre o estado deplorável da construção, observando com uma expressão de desânimo: "Parece que nossa mansão dos sonhos se transformou em um pesadelo de ruínas."

Di lançou um olhar decepcionado para a estrutura dilapidada, sua mente ainda imaginando os vestígios de grandeza que um dia adornaram aqueles corredores sombrios. "Eu esperava pelo menos uma mansão, não uma ruína", murmurou ela, seu tom tingido de desapontamento.

Conforme avançavam pelo caminho irregular que levava à mansão, Lea decidiu abordar delicadamente o elefante na sala mais uma vez. "Di, você sabe que pode ser sincera comigo", começou ela, sua voz suave e reconfortante. "Não vou julgar você por... qualquer coisa que esteja acontecendo entre você e Joshua."

Di sentiu o calor das bochechas enquanto o rubor se espalhava por seu rosto, seu coração batendo descompassadamente em seu peito. Ela hesitou por um momento antes de finalmente confessar: "Nós... somos amigos, Lea. Mas depois da noite passada, de tudo que ele disse... eu... fiquei confusa. Eu fico pensando… em como seria ter alguém se preocupando assim comigo…"

Lea percebeu a mudança no rosto de Di, sua atitude confiante dando lugar ao medo e dúvida em sua voz, e então optou por não pressioná-la ainda mais. Em vez disso, ela assentiu compreensivamente, oferecendo um sorriso reconfortante. "Está tudo bem, Di. Vamos nos concentrar no que realmente importa agora."

Com um aceno silencioso, as duas seguiram em frente, cada passo as aproximando mais do coração das trevas que aguardava na antiga mansão. O destino aguardava, envolto em sombras e mistério, enquanto Lea e Di se preparavam para o confronto iminente que os aguardava.

Uma criatura de sombras pairava imponente diante da entrada da mansão, uma sentinela sombria em seu posto. Di e Lea trocaram olhares determinados, prontas para enfrentar mais um desafio em sua busca por Hu Can.

"Vamos lidar com isso rápido", sussurrou Di, sua voz carregada de confiança. "Lea, você sabe o que fazer."

Lea assentiu, concentrando-se em bloquear o controle mental que Hu Can exercia sobre a criatura sombria. Com um esforço mental concentrado, ela envolveu a mente da criatura em uma barreira psíquica, cortando sua conexão com o mestre das sombras.

Enquanto isso, Di avançou corajosamente em direção à criatura, sua fúria refletida em seus olhos ardentes. Com um movimento rápido e preciso, ela liberou uma explosão de energia gélida de suas mãos, envolvendo a criatura em uma armadura de gelo.

Com um último golpe, Di desferiu um chute poderoso, quebrando a criatura congelada em pedaços dispersos no chão da entrada da mansão.

"Vamos lá", disse Lea, sua voz ecoando com determinação. "Não podemos perder tempo."

As duas adentraram a mansão, cautelosas e vigilantes enquanto exploravam cada canto do primeiro andar. No entanto, o silêncio sombrio do interior da mansão parecia ecoar em resposta, revelando poucos sinais da presença de Hu Can. A tensão pairava no ar, enquanto Di e Lea avançavam, seus sentidos aguçados alertas para qualquer sinal de perigo iminente.

O interior sombrio da mansão se estendia diante de Di e Lea, uma paisagem de desolação e abandono. A luz fraca que penetrava pelas janelas quebradas mal iluminava o ambiente, lançando sombras distorcidas sobre os móveis empoeirados e os destroços que cobriam o chão.

“Eu não sei dizer, mas parece que ninguém limpa esse lugar a mais de uma década”, falou a idol de cabelos rosa, tão casualmente quanto a situação permitia. “Como alguém consegue viver escondido aqui?”.

Di avançava com determinação, seus passos ecoando pelos corredores silenciosos enquanto exploravam cada canto da mansão. Seus olhos percorriam rapidamente cada sala, em busca de qualquer sinal de atividade ou presença de Hu Can.

"Não há sinal dele aqui", murmurou Di, sua voz carregada de frustração. "Onde diabos ele pode estar?"

Lea permanecia ao seu lado, sua expressão séria e concentrada enquanto examinava cada detalhe ao seu redor. As ruínas ao seu redor eram um lembrete sombrio da passagem do tempo e das muitas batalhas travadas ali.

"Parece que ele não está aqui embaixo", disse Lea, sua voz ecoando suavemente no ar. "Talvez devêssemos verificar o segundo andar."

Di assentiu, sua mente girando com possibilidades enquanto considerava seus próximos passos. A busca por Hu Can se tornava cada vez mais urgente, e ela sabia que não podiam perder mais tempo, as duas precisavam ser rápidas para evitar que seu adversário conseguisse preparar alguma armadilha para elas.

"Vamos subir", disse Di, seu tom decidido. "Ele não pode estar muito longe."

Com determinação renovada, as duas se encaminharam em direção à escadaria que levava ao segundo andar, prontas para enfrentar o desconhecido que os aguardava, com passos lentos e cautelosos para evitar que emitissem algum som que pudesse alertar sobre sua localização.

Di e Lea avançaram cautelosamente em direção à imponente escada que levava ao segundo andar da mansão. Apesar das ruínas que as cercavam, a grandiosidade da estrutura ainda se destacava, como um lembrete dos dias de glória que um dia havia conhecido. As escadas, douradas como ouro, reluziam fracamente à luz filtrada que penetrava pelas janelas quebradas.

"É incrível", murmurou Lea, seus olhos arregalados de admiração enquanto ela admirava a escada. "Mesmo em meio a tanto caos, essa beleza ainda permanece."

Di concordou com um aceno de cabeça, seus pensamentos momentaneamente desviados da urgência da situação enquanto ela admirava a grandiosidade da arquitetura. No entanto, antes que pudessem se deixar levar completamente pela maravilha do momento, um som estrondoso ecoou dos andares superiores, quebrando o silêncio sombrio que envolvia a mansão.

Lea ergueu o olhar em direção ao teto, sua expressão se tornando tensa enquanto tentava discernir a origem do barulho. Antes que pudesse reagir, uma imensa sombra escura desceu das alturas e atingiu Di com força, lançando-a para fora da mansão com violência, através das rachaduras de uma parede arruinada próxima.

"Di!" gritou Lea, horrorizada, correndo para saltar para o lado de fora pelo buraco aberto na parede pelo corpo da outra idol, para verificar o estado de sua amiga.

O coração de Lea martelava em seu peito enquanto ela se ajoelhava ao lado de Di, cujo corpo estava caído no chão, imóvel. Uma onda de pânico a envolveu enquanto ela tentava avaliar a extensão dos ferimentos de Di, sua mente girando com medo e incerteza.

Lea estava em pânico enquanto tentava despertar Di, cujo corpo permanecia imóvel e frágil no chão. Com mãos trêmulas, ela acariciou o rosto de sua amiga, implorando para que ela voltasse à consciência. Lentamente, os olhos de Di se abriram, mas seu olhar ainda estava turvo e confuso.

"Di, você está bem?" sussurrou Lea, sua voz carregada de preocupação.

Di balançou a cabeça levemente, tentando se orientar. "Cuidado, Lea... ele está por perto..."

Lea se levantou e olhou ao redor, sua mente em alerta máximo em busca de qualquer sinal da ameaça que havia atacado sua jovem amiga momentos antes. No entanto, tudo o que ela viu foi o cenário tranquilo e desolado ao redor delas, com a mansão em ruínas como única testemunha silenciosa de sua luta.

"Não vejo nada, Di", murmurou Lea, tentando acalmar sua amiga. "Acho que estamos seguras por enquanto."

Di respirou fundo, tentando recuperar sua compostura. Ela levantou-se com a ajuda de Lea, seus músculos ainda tremendo devido ao impacto do ataque, suas costas ardiam com os arranhões e ferimentos causados pelo impacto com a parede e com a terra do lado de fora da mansão. Juntas, elas se apoiaram uma na outra, buscando força para que pudessem caminhar.

Então, Lea ergueu os olhos para o céu nublado, seu coração afundando ao ver uma figura sombria emergindo das sombras. Era Hu Can, aproximando-se com asas feitas de escuridão, pairando no ar com uma aura de ameaça iminente.

"Ele está vindo do segundo andar da mansão", murmurou Lea, seu tom cheio de determinação. "Temos que nos preparar, nosso plano de atacar primeiro não vai funcionar."

*****

Hu Can se aproximou das garotas com uma presença ameaçadora, flutuando no ar com uma expressão de desprezo no rosto. Seus olhos escuros pareciam perfurar Di, que estava pronta para confrontá-lo, mas foi interrompida antes mesmo de começar.

"Você..." começou Di, mas foi imediatamente silenciada por Hu Can.

O homem falou devagar, com um sotaque chinês carregado, suas palavras penetrando o ar como punhais afiados. "Não entendo por que Qiang teria qualquer interesse em você", disse ele, sua voz fria e calculista. "Ele deve ter visto algo em seus poderes que eu, sinceramente, não vejo agora."

As palavras de Hu Can caíram como uma tonelada de tijolos sobre Di e Lea, que olharam um para o outro, perplexas. Qiang... esse nome ecoou em suas mentes, desconhecido e misterioso. Foi Lea quem primeiro conseguiu juntar os pontos, sua expressão mudando de surpresa para realização.

"Di", sussurrou Lea, seu tom carregado de urgência. "Qiang... ele deve ser o nome real de Jun."

Di arregalou os olhos ao fazer a conexão, sua mente girando com a revelação. Ela não podia acreditar que o homem que havia atormentado suas vidas tinha um nome real, uma identidade por trás da máscara de sombras.

Di estava irada, seus olhos faiscando de fúria enquanto encarava Hu Can. "Qiang? Jun? Seja lá qual for o nome dele, como você tem coragem para usar esse nome no minha frente! O que você e ele são?", ela exclamou, sua voz tremendo com a intensidade de suas emoções.

Mas Hu Can simplesmente riu, um som áspero e desdenhoso que ecoou no ar tenso entre eles. "Você nem consegue lidar com o fato de ter sido completamente manipulada, não é mesmo, Di?", ele provocou, seu tom gotejando com sarcasmo.

Di estava prestes a se lançar contra ele, mas Lea interveio, sua voz firme, mas calma. "Como você conhece Jun? Ou Qiang, como você o chama?", ela questionou, sua expressão séria enquanto mantinha Di sob controle.

Hu Can pareceu hesitar por um momento, uma sombra de tristeza passando por seus olhos antes que ele respondesse. "Eu fui o professor de Qiang", ele admitiu, sua voz carregada de pesar. "Eu o ensinei a usar seu poder de teleporte."

Di e Lea trocaram olhares, surpresas com essa revelação inesperada. Era difícil reconciliar a imagem de Hu Can como um professor com o homem perigoso e manipulador diante delas.

"Por que ele faria tudo isso?" Lea perguntou, sua voz carregada de confusão e incredulidade. “O que você ganhou ensinando Jun a usar os poderes dele?”

Hu Can balançou a cabeça lentamente, sua expressão sombria. "Essa é uma história longa e complicada", ele murmurou, sua voz carregada de amargura. "Mas a vingança pode ser um mestre cruel, e Qiang foi moldado por ela." Ele então pareceu ter tido lembranças de uma outra época, sua voz ficando cada vez mais alma e paternal. “Aquele garoto tinha o potencial quase infinito, conseguia manipular qualquer um que entrasse em seu caminho.”

Hu Can continuou sua narrativa sombria, sua voz carregada de ressentimento e amargura. "Após minha derrota, fui aprisionado no presídio desta cidade, em uma cela especial, projetada para conter os poderes das sombras que me cercam", ele explicou, seus olhos fixos em Di e Lea com uma intensidade fria. "Meu plano era buscar Qiang após minha fuga, e então continuar meu caminho para me tornar uma entidade mais poderosa do que jamais imaginaram."

Ele fez uma pausa, sua expressão tornando-se ainda mais sombria enquanto seus olhos se fixavam em Di com raiva. "Mas fui surpreendido ao não encontrar meu aluno quando finalmente escapei", ele prosseguiu, sua voz agora calma, mas cheia de malícia. "E foi através do contato que tive com a mente de Lea que percebi como vocês duas acabaram com ele."

Di e Lea trocaram olhares tensos, sentindo o peso das palavras de Hu Can sobre elas. A ideia de ter inadvertidamente levado este homem para suas vidas era uma possibilidade aterrorizante por si só. Por muito tempo as duas acreditaram que a ameaça que jun causou em suas vidas já havia acabado, mas agora elas viam que uma ameaça ainda maior estava logo à frente.

Di apertou os punhos, sua expressão endurecida pela determinação. "Nós não tivemos escolha", ela retrucou, sua voz carregada de determinação. "Nós fizemos o que foi preciso para nos proteger e proteger aqueles que amamos."

Hu Can apenas sorriu, um sorriso cruel e satisfeito que enviou calafrios pela espinha de Di e Lea. “Garota… sua falta de cuidado trouxe as duas até mim, logo vingarei Qiang. Talvez possa até entender o que ele viu em você”, ele a olhou dos pés à cabeça. “Pelas memórias de sua amiga, meu aluno queria usar os seus poderes para nos ajudar, espero que me mostre o qual especiais são estes poderes.”

Di fixou seu olhar em Hu Can, uma chama ardente de determinação queimando em seus olhos. "Eu derrotei Jun", ela declarou, sua voz ecoando com uma feroz convicção. "E farei o mesmo com você."

O homem soltou uma risada amarga, seus lábios curvando-se em um sorriso sarcástico. "Você não tem poder para isso", ele zombou, sua voz carregada de desdém. "E além disso, você me dará um novo aluno. Alguém que possa ser moldado para ser um assistente melhor do que Qiang jamais foi."

Instantaneamente, o coração de Di se apertou ao pensar em Joshua sendo manipulado por Hu Can da mesma forma que Jun foi. Ela se sentiu tomada por uma mistura de raiva e medo, uma necessidade urgente de proteger o adolescente a qualquer custo.

Antes que Di pudesse responder, Lea interveio, sua voz firme e decidida. "Não permitiremos que você toque em Joshua", ela declarou, seus olhos faiscando com determinação. "Nem você nem qualquer outro. Estamos unidas contra você, e não vamos recuar."

Di sentiu uma onda de gratidão por Lea, reconhecendo silenciosamente sua compreensão e apoio inabalável.

Hu Can ergueu uma sobrancelha, seu semblante exibindo um sorriso de superioridade. "Não precisarei ferir o garoto", ele disse, sua voz gélida e calculista. "Afinal, tive acesso a todas as memórias dela quando tentou ler meus pensamentos pela primeira vez."

Lea engoliu em seco, uma onda de pânico varrendo seu corpo ao perceber o alcance das informações que Hu Can poderia ter obtido. Ela sentiu como se estivesse exposta, nua diante dele, todas as suas vulnerabilidades à mercê de sua manipulação.

O homem sombrio continuou, suas palavras cortantes como lâminas afiadas. "Eu sei o que vocês fizeram", ele disse, seu olhar penetrante fixando-se em Lea e Di. "Vocês não são melhores do que eu”, olhando para a jovem de cabelos brancos “Você assassinou muitas pessoas, qualquer um que sua moral chamasse de vilão. E você, telepata, tem manipulado as mentes daqueles que chegam perto de descobrir a verdade."

Lea ficou petrificada, seu corpo tenso e sua mente girando com o peso das acusações de Hu Can. Ela sentiu o gosto amargo da culpa em sua boca, suas mãos tremendo com o impacto das revelações.

Di, por sua vez, queimava de fúria diante das ameaças do homem sombrio. Ela cerrou os punhos, seus olhos flamejando com uma intensidade abrasadora. Como ousava ele desafiá-las dessa forma, questionar sua integridade e ameaçar aqueles que ela amava?

“Lea! eu vou cuidar dele! Não vou deixar que nos ameacem assim! Nós só fizemos o certo, Jun era um monstro e os outros que enfrentámos, eles não eram melhores!” Disse a idol, para completar com raiva em sua voz. “Quem você pensa que é para dizer isto de nós duas?!”

Di lançou-se em direção a Hu Can, sua determinação ardente alimentando cada movimento de seu corpo. No entanto, suas investidas foram recebidas com uma destreza e agilidade que a deixaram atônita. Hu Can se esquivou de seus golpes com uma facilidade quase insultante, como se estivesse dançando em meio ao caos.

A idol não se deixou desanimar pela esquiva habilidosa do homem. Ela continuou sua investida, lançando socos e chutes em uma dança frenética de combate. Mas a destreza de Hu Can era tal que ele se movia como uma sombra, esquivando-se de cada golpe com graça e precisão.

Com um golpe certeiro, Hu Can acertou um chute na idol, enviando-a voando pelo ar até aterrissar perto de Lea. Di tentou se levantar rapidamente, sua respiração ofegante e seu corpo pulsando de adrenalina, mas antes que pudesse agir, Hu Can lançou uma de suas asas de sombras em direção a Lea.

O coração da jovem de cabelos rosados disparou de terror quando a asa sombria a envolveu, prendendo-a com uma força implacável. Ela gritou em desespero, seu corpo contorcendo-se em uma luta fútil contra a prisão sombria.

Di, vendo sua amiga em perigo, estendeu a mão em um gesto desesperado para tentar alcançá-la, mas seus dedos agarraram apenas o vazio, impotentes diante da força das trevas que aprisionava Lea.

O ar estava impregnado com a sensação de desespero, enquanto Di observava, impotente, sua amiga sendo arrastada para a escuridão.

Hu Can segurava Lea no ar como se fosse um brinquedo, balançando-a com uma crueldade calculada diante dos olhos de Di. Sua voz ecoou com uma sinistra satisfação enquanto ele se dirigia à idol, desdenhando de sua coragem e audácia.

"Você é corajosa, Di, mas é uma tola por enfrentar-me sem um plano", zombou Hu Can, seu sorriso malicioso se alargando diante da vulnerabilidade de suas presas. "Agora, posso acabar com você sem demora."

As palavras dele ecoaram nos ouvidos de Di, enquanto ela encarava o rosto sombrio do homem diante dela. Seus pensamentos foram imediatamente para Joshua, o medo percorrendo sua espinha ao imaginar seu amigo sendo consumido pelas trevas que agora os cercavam.

Um grito rasgou o ar quando Di saltou em direção a Hu Can, sua determinação ardente alimentando sua coragem. Ela convocou todo o poder dentro de si, criando uma espada de gelo em sua mão, pronta para enfrentar o adversário que ameaçava tudo com o que ela se importava.

Mas antes que pudesse atingir seu alvo, uma sombra maciça desabou dos céus nublados, colidindo com ela com uma força devastadora. Di foi arremessada violentamente ao chão, sentindo o gosto metálico do sangue em sua boca enquanto a dor explodia em seu corpo.

Hu Can riu da situação, sua risada ecoando como um eco sinistro no ar carregado de tensão. Di ergueu-se com dificuldade, sua visão embaçada pela dor e pela fúria, determinada a não desistir, mesmo diante do inimigo imbatível que agora estava diante dela.

“Solte! Solte a Lea agora!” Ordenou, com gritos que pareciam sair de sua alma.

Com um movimento cruel, Hu Can lançou Lea em direção a Di, as duas colidindo com uma força que fez o ar escapar de seus pulmões. Di ficou momentaneamente atordoada com a violência da ação, observando enquanto sua amiga era arremessada em sua direção como uma boneca descartada.

Antes que pudesse se recuperar, Di sentiu as mãos frias de Hu Can envolvendo seu pescoço, erguendo-a do chão com uma força impiedosa. Seu olhar era gélido, um reflexo de sua crueldade interior enquanto ele a segurava com desprezo.

"Será uma pena que você não possa ver o que farei com o garoto", disse ele com uma voz suave, mas carregada de ameaças veladas. Seus dedos apertaram em torno da garganta de Di, ameaçando sufocá-la com sua força sinistra.

Di lutou para respirar, seu coração martelando em seu peito enquanto ela se debatia contra o aperto implacável de Hu Can. A raiva queimava em seus olhos enquanto ela se recusava a sucumbir ao desespero, determinada a resistir até o fim, custasse o que custasse.