Sombras, Fogo e Gelo
14 Antes que Seja Tarde
Notas iniciais
Joshua despertou com os primeiros raios de sol invadindo o jardim da pensão, filtrados pelas folhas das árvores enquanto lançavam um brilho dourado sobre tudo ao redor. Ele piscou, tentando ajustar seus olhos à luz crescente, e então a viu. Di estava sentada ao lado dele, vestindo uma blusa branca que combinava perfeitamente com sua pele pálida, e um short moletom cinza que lhe dava um ar casual e despretensioso. Seus cabelos curtos e tingidos de branco estavam ligeiramente bagunçados, mas isso apenas acrescentava à sua beleza natural.
Ela parecia perdida em pensamentos, seu olhar fixo em algum ponto distante. Quando percebeu que Joshua havia acordado, forçou um sorriso que tentou parecer natural, mas Joshua viu a tristeza em seus grandes e expressivos olhos castanhos. O sorriso não alcançou seus olhos, e ele sentiu uma pontada de preocupação.
“Estava pensando na nossa conversa de ontem à noite,” disse ela, a voz suave e cheia de uma melancolia que parecia pesar em cada palavra. Joshua notou a maneira como seus lábios tremeram ligeiramente antes de ela continuar. “Acho que é hora de você saber a verdade, toda a verdade.”
Joshua assentiu, sentando-se mais ereto, seus olhos nunca deixando o rosto de Di. Ele podia sentir que o que ela estava prestes a dizer era algo importante, algo que pesava em seu coração.
“Lea e eu,” começou Di, tomando um profundo fôlego, “nós despertamos nossos poderes ao acaso. Foi durante um assalto em um beco em Seul. Estávamos tão apavoradas… Eu não sabia o que fazer, e então, de repente, o ar ao meu redor começou a esfriar, e gelo começou a se formar ao nosso redor. Lea, ela... ela tentou se defender com sua telepatia, e isso só piorou as coisas.”
“Nada foi culpa dela.” Completou, antes que Joshua pensasse algo errado sobre sua amiga. “Não sabiamos o que estávamos fazendo, nem sequer imaginávamos que aquela noite ia acabar daquela forma.”
Ele então franziu o cenho, seu coração batendo mais rápido. Ele nunca tinha ouvido falar de alguém ganhando poderes dessa maneira, mas então novamente, muito sobre esse mundo era novo para ele.
Di continuou, sua voz ficando mais sombria. “Depois disso, as coisas ficaram... estranhas. Um stalker começou a aparecer em nossas vidas. No começo, eram apenas fotos, uma especialmente perturbadora que mostrava Lea usando seus poderes em uma noite que insiste para treinarmos escondidas. Não sabíamos quem ele era ou como ele sabia tanto sobre nós. Mas ele se tornou mais ousado.”
Ela fez uma pausa, seus olhos fixos no chão, como se revivendo aquelas memórias dolorosas. “No show de estreia da banda, ele conseguiu invadir nosso camarim. Tirou uma foto de Lea e Jia sem que ninguém o notasse… uma foto íntima demais das duas, enquanto trocavam de roupas. Eu me senti tão impotente, tão... assustada.”
Di estava agora visivelmente deprimida, e Joshua sentiu um impulso de consolá-la, mas ele sabia que ela precisava terminar. Ela precisava tirar aquilo do peito.
“O que mais ele fez?” Joshua perguntou, a voz rouca, tentando processar a gravidade do que estava ouvindo.
Di balançou a cabeça lentamente. “Ele nos assombrava, nos manipulava. Jun... era ele. Ele era o stalker. E ele não parou até que... bem, até que ele...”
Ela não conseguiu terminar a frase, sua voz falhando enquanto lágrimas silenciosas começavam a cair. Joshua sentiu seu coração se apertar em dor por ela, mas ele também sabia que agora entendia um pouco mais do peso que ela carregava.
Joshua estendeu a mão e segurou a dela, sentindo a frieza da pele de Di. “Daeun, eu... eu sinto muito. Você não está sozinha nisso. Não mais.”
Di olhou para ele, sentindo a voz do adolescente carregada de carinho. E pela primeira vez, ela viu uma faísca de esperança. Mas a tristeza ainda estava lá, um lembrete constante de que o passado ainda a assombrava.
Joshua apertou a mão dela mais forte, decidido. “Eu vou estar aqui para você, não importa o que aconteça.”
Di não respondeu, mas o silêncio entre eles estava carregado, não eram necessárias palavras para entenderem os sentimentos um do outro.
Joshua manteve a mão de Di na sua, sentindo a fragilidade e a força dela ao mesmo tempo. Di suspirou profundamente, tentando encontrar forças para continuar sua confissão. O sol continuava a subir, lançando sombras longas pelo jardim, mas eles ainda estavam imersos na penumbra das revelações dolorosas.
"Então fomos atacadas… e depois daquele ataque," Di começou, sua voz tremendo levemente, "Jun se apresentou como nosso salvador. Ele disse que poderia nos levar para casa, para nossas famílias. Lea e eu... estávamos tão desesperadas por um pouco de normalidade, por segurança, que aceitamos. Ele nos levou de volta para nossa cidade natal. Lá, separadas das outras garotas, ele começou a manipular nossos sentimentos, especialmente os meus."
Joshua ouvia em silêncio, seu coração doendo cada vez mais por Di, mas sua determinação crescendo. Ele precisava saber tudo para poder ajudá-la verdadeiramente.
"Eu sempre quis alguém que me apoiasse, que estivesse lá para mim," Di continuou, seus olhos fitando o chão como se estivesse revivendo aqueles momentos. "Jun sabia exatamente como usar isso contra mim. Ele era atencioso, protetor... ou pelo menos era o que parecia. Eu acreditei nele. E foi fácil para ele me manipular. Eu estava tão perdida, tão carente de apoio, que não vi o que ele realmente era."
Joshua apertou a mão dela, uma tentativa silenciosa de oferecer o apoio que ela precisava agora. Di olhou para ele, encontrando um pouco de força em seus olhos determinados.
"Passamos dias juntos," ela admitiu, sua voz quase um sussurro. "Moramos juntos por um tempo, depois que briguei com minha mãe. Eu achava que tinha encontrado alguém que realmente se importava comigo, não me importei com os avisos dela. Era uma relação muito íntima, pelo menos era o que eu pensava na época. Mas tudo era uma mentira."
Di fechou os olhos, tentando conter as lágrimas. "Ele me controlava. Cada sorriso, cada palavra de apoio... eram apenas meios de me manipular. Eu não queria ver a verdade. Não podia. E quando finalmente descobri, já era tarde demais. Ele já tinha me feito muito mal."
Joshua sentiu uma raiva silenciosa crescendo dentro dele, não contra Di, mas contra Jun e o que ele havia feito a ela. "Daeun, você não tem culpa. Ele te manipulou. Ele era o monstro, não você."
Ela abriu os olhos, encontrando conforto nas palavras de Joshua. "Eu sei disso agora. Mas na época, era difícil enxergar. E ainda é difícil, às vezes, não me culpar por ter sido tão ingênua."
“Eu precisei… dar um jeito nele. Joshua, você precisa saber disso, o que Hu Can falou, sobre eu ter matado o aluno dele, é verdade. Era uma situação de vida ou morte, e eu escolhi salvar Lea e eu.” Disse a jovem, com lágrimas descendo com força de seus olhos. “Naquele dia, eu me tornei um monstro como o Jun.”
Joshua puxou-a suavemente para um abraço, sentindo o corpo dela tremer levemente contra o seu. "Você é forte, Daeun. E, mesmo assim, você é doce, ele não mudou seu coração. Você não é um monstro, nunca será! E estou aqui para você. Sempre estarei."
Di fechou os olhos, permitindo-se um momento de vulnerabilidade nos braços de Joshua. Quando finalmente se afastou, ela parecia um pouco mais leve, como se parte do peso que carregava tivesse sido aliviado.
"Obrigada, Joshua," disse ela, a voz ainda suave, mas agora com um toque de determinação. "Obrigada por me ouvir, por me entender."
Joshua sorriu para ela, um sorriso genuíno que alcançou seus olhos. "Nós vamos superar isso, Daeun. Juntos."
Di ainda estava nos braços de Joshua, sentindo o calor dele contra seu corpo, quando uma sensação pesada de tristeza se instalou sobre ela. Ela se afastou ligeiramente, olhando para ele com um semblante sombrio.
"Joshua," começou ela, sua voz tingida de pesar, "eu sinto muito por te envolver em toda essa história. Não queria que você carregasse esse fardo."
Joshua abriu a boca para protestar, seu coração apertado pelo que via nos olhos dela. "Daeun, eu quero estar aqui para você. Eu quero te apoiar..."
Mas Di o interrompeu, colocando um dedo suavemente sobre os lábios dele. "Você precisa entender algo," disse ela, os olhos fixos nos dele, buscando transmitir a gravidade do que estava prestes a dizer. "Você se tornou muito importante para mim. Esses momentos que passamos juntos... são os mais felizes que eu tive em muito tempo. Mas, Joshua, minha vida é na Coreia do Sul. Eu tenho uma carreira como artista. Manter um relacionamento assim... pode ser muito difícil. Você e eu estaremos em continentes diferentes, vivendo em horários completamente opostos…"
Joshua sentiu um nó se formar em sua garganta, a tristeza tomando conta de seu coração. Ele sabia que Di tinha razão, mas a ideia de perdê-la, mesmo antes de realmente tê-la, era insuportável.
Di viu a expressão de tristeza se formar no rosto de Joshua e apressou-se a tentar amenizar o que acabara de dizer. "Mas isso não significa que eu não quero tentar," disse ela rapidamente, segurando as mãos dele com força. "Eu quero você por perto, Joshua. Podemos achar um jeito, com o tempo. Só… eu só quero que você pense nisso, e no que você realmente quer para sua vida."
Mesmo com a dor em seu peito, Joshua conseguiu esboçar um sorriso. "Daeun, eu não vou desistir de nós. Vou te convencer a sair comigo quando tudo isso com Hu Can terminar, um encontro de verdade. Isso é uma promessa. Eu sei que não tem uma grande variedade de resultantes coreanos por aqui, mas eu vou achar algum lugar para levar você…"
Di sorriu, apesar das lágrimas que já escorriam por seu rosto. "Só você poderia me fazer rir depois de uma conversa dessas," disse ela, puxando-o para um abraço apertado. "Eu sinto muito, Joshua. Não quero te magoar."
Joshua a abraçou com firmeza, sentindo o peso da tristeza e da esperança entrelaçados naquele momento. "Você não está me magoando, Daeun. Estamos nisso juntos, lembra? E vamos encontrar um jeito de fazer isso dar certo."
Di encostou a cabeça no ombro dele, sentindo um misto de alívio e tristeza.
*****
Após a conversa emocional, Di e Joshua se juntaram aos outros para um café da manhã simples, mas reconfortante, após isto, a idol afastou-se por alguns minutos, aproveitara para tomar um banho e trocar de roupas. O sol estava agora alto no céu, lançando raios quentes através das janelas da pensão. A atmosfera parecia carregada com uma mistura de tensão e esperança. Sentados em um dos sofás da sala, Di ainda carregava um semblante triste, apesar de suas tentativas de manter um ar mais leve.
Com este intuito, Di pegou um Ipod do bolso e gentilmente colocou um fone no ouvido de Joshua. Ela sorriu, como se quisesse esquecer o assunto anterior. Com um movimento rápido dos dedos sobre a pequena tela, colocou uma música animada. “O que você acha?”
Joshua escutou por alguns momentos, até começar a escutar as palavras que não conseguia entender. “A música é bem animada, mas eu… não entendo o que estão cantando…” Foi então que ele escutou uma voz que pôde reconhecer. “Espera! São as suas músicas?”
A idol riu. O adolescente finalmente entendeu a travessura que ela planejava. Ela acenou positivamente e trocou de música, “E essa?”. Perguntou com sinceridade.
Joshua escutou, prestando muito mais atenção. A música era mais lenta que a anterior, parecia muito mais uma balada. “Essa… dessa eu gostei, não sei explicar. Não entendo a letra, mas ela parece… tão sincera, parece que alguma coisa saiu do coração de quem escreveu a letra.” Disse, tentando desviar do olhar inquisidor de Di.
Com um sorriso, ela perguntou animada. “Sério?!” Ela parecia genuinamente feliz com a resposta. “Sabe… eu quem escrevi essa letra. Foi a única música que eu escrevi para o álbum…” Completou, sem esconder um sorriso satisfeito.
“Wow! Daeun, eu gostei mesmo da música!” Antes de completar, ele corou, quase totalmente. “Sua voz… sabe, eu poderia escutar você cantando por horas…”.
Di ficou visivelmente encabulada com o elogio, por um momento ela não soube como responder, mas sentiu um calor em seu coração. Ela então trocou para a próxima música, ansiosa por ouvir o que Joshua acharia desta.
*****
Quando todos já terminavam o café da manhã, Joshua permanecia na sala, escutando toda a conversa que vinha da mesa do café da manhã, sentiu um pequeno lampejo de felicidade ao perceber Madison e Ethan conversando animadamente. Havia algo diferente na maneira como se olhavam, uma intimidade recém-descoberta que aquecia seu coração.
Enquanto Joshua pensava nisso, Sing entrou na sala. Seus olhos rapidamente captaram a tensão no ar e, percebendo a oportunidade, ela se aproximou com um sorriso astuto. Sentando no sofá ao lado de Joshua, ela começou a flertar descaradamente, ignorando a presença de Di.
"Bom dia, Joshua," disse Sing, sua voz doce e sedutora. "Dormiu bem? Espero que o dia de hoje seja melhor para todos nós." Completou, enquanto olhava no fundo dos olhos do garoto.
Joshua sentiu-se desconfortável, sabendo que Sing estava tentando provocar Di. Ele tentou manter a compostura, mas não sabia bem como responder.
"Eu... Sim, dormi bem. Obrigado," ele respondeu, tentando manter a neutralidade na voz.
Sing inclinou-se um pouco mais perto, sua presença avassaladora. "Você sabe, Joshua, há algo em você que é... intrigante. Talvez possamos conversar mais tarde, só nós dois?"
Di, vendo a cena se desenrolar, sentiu a irritação crescendo dentro de si, uma lembrança dos dias em que Sing flertava discretamente com Jun, e que ela acreditava na sinceridade do homem que havia apresentado-se como um salvador. Ela não podia suportar mais aquela provocação. Sem hesitar, ela se inclinou e beijou Joshua com intensidade, surpreendendo-o completamente. O beijo foi seguido por outro, e mais outro, cada um com cada vez mais paixão e determinação, uma clara declaração de posse.
Sing, pega de surpresa, recuou com um olhar de desprezo e frustração. Ela levantou-se abruptamente, suas passadas pesadas ecoando pela sala enquanto saía, claramente derrotada. “Dessa vez… eu vou deixar você ficar com a atenção…”
Di afastou-se de Joshua, respirando profundamente, e começou a limpar os lábios dos dois com o lado de fora de sua mão. "Desculpa, Josh," disse ela, a voz um pouco trêmula. "Eu não queria te envolver nisso, mas Sing... ela sabe exatamente como me irritar."
Joshua, ainda um pouco atordoado pelo beijo, conseguiu sorrir. "Está tudo bem, Daeun. Eu entendo."
Di suspirou, seu olhar agora mais calmo. "Essa rivalidade entre Sing e eu começou quando entramos na banda. Ela sempre quis ser o centro das atenções, e eu... bem, eu sempre fui um obstáculo para ela, principalmente quando era a líder. Não quero que você se torne parte dessa disputa."
Joshua colocou uma mão no ombro de Di, olhando-a nos olhos enquanto corava um pouco. "Daeun, eu estou aqui porque quero estar com você. E se isso significa enfrentar algumas provocações, então que seja. Não vou a lugar nenhum."
Di sorriu, um sorriso genuíno desta vez, e inclinou-se para um abraço. "Obrigada, Josh. Eu realmente preciso de você ao meu lado."
Enquanto se abraçavam, o som das risadas de Madison e Ethan na mesa de café da manhã trouxe um momento de paz ao ambiente.
*****
O clima na pensão estava estranhamente calmo após os eventos do café da manhã. Todos tentavam seguir com suas vidas, buscando alguma normalidade em meio ao caos. Mas Joshua sentia uma inquietação no ar, algo que parecia fora do lugar. Ele notou a claridade do dia começando a desaparecer, como se uma sombra invisível estivesse cobrindo o sol.
"Isso não está certo," murmurou Madison, ao ver o céu escurecendo. Ela e Ethan, confusos, foram até o jardim, onde encontraram Di, Lea e Joshua.
"O que está acontecendo?" perguntou Ethan, sua voz carregada de ansiedade. "Por que está ficando escuro de repente? Ou eu dormi de pé por doze horas ou…"
Di erguia-se entre o grupo, tentando manter a calma enquanto via a preocupação nos rostos de seus amigos. "Lembrem-se, Hu Can estava preparando algo grande," disse ela, tentando soar firme. "Isso deve ter alguma relação com os planos dele."
Enquanto discutiam, a luz do dia desapareceu completamente, mergulhando tudo em uma escuridão semelhante a um eclipse. Jia e Sun, que estavam dentro da pensão, espiavam pela janela, confusas e assustadas.
"É como se a noite tivesse caído de repente," disse Lea, sua voz um sussurro no silêncio assustador.
Di olhou ao redor, percebendo a gravidade da situação. "Precisamos ver o que está acontecendo lá fora," disse ela com determinação. "Fiquem juntos."
O grupo, liderado por Di, saiu para a rua em frente à pensão. Jia e Sun observavam de longe, suas expressões cheias de medo e incompreensão. Di, Joshua, Lea, Madison e Ethan se moveram rapidamente, a urgência pulsando em seus corações.
"Olhem!" gritou Ethan, apontando para o céu. Criaturas de sombras estavam voando sobre eles, suas formas distorcidas e variadas, como pesadelos ganhando vida. Elas pairavam no ar, uma visão aterradora contra o fundo escuro do céu.
"Isso é... surreal," disse Joshua, seus olhos arregalados de choque. Ele sentiu um calafrio percorrer sua espinha ao observar as criaturas.
"Precisamos nos afastar," disse Di, agarrando o braço de Joshua. "Corram!"
O grupo começou a correr, seus passos ecoando na rua deserta. Di liderava, com Lea ao seu lado, enquanto Madison e Ethan seguiam logo atrás. As criaturas de sombras voavam acima, algumas mergulhando em direção ao grupo, outras espalhando-se pela cidade.
"Di, o que são essas coisas?" perguntou Madison, a voz trêmula de medo.
"São mais criações de Hu Can," respondeu Di entre fôlegos, seus olhos fixos no caminho à frente. "Ele está tentando nos intimidar, nos assustar. Não podemos deixá-lo vencer."
Joshua olhou para Di, admirando sua coragem e determinação. Mesmo em meio ao caos, ela era uma líder, alguém em quem ele podia confiar. Ele sentiu uma nova onda de determinação. Eles precisavam ser fortes, juntos.
Enquanto corriam, Joshua não pôde deixar de pensar na promessa que havia feito a Di. Ele precisava sobreviver aos desafios que surgiriam a seguir, só então ele poderia levar a garota por quem se apaixonara para um encontro de verdade.
"Fiquem juntos," gritou Di, enquanto eles se aproximavam de uma esquina. "Não deixem que essas coisas nos separem!"
A escuridão ao redor deles parecia viva, pulsando com a presença das criaturas de sombras.
As criaturas de sombras voavam em todas as direções, suas formas distorcidas e assustadoras criando um cenário de pesadelo ao redor do grupo. Di, Joshua, Lea, Madison e Ethan formaram um círculo apertado, tentando se proteger mutuamente. Madison tremia visivelmente, os olhos arregalados de terror. Ethan parecia paralisado, incapaz de processar a visão das monstruosidades que os cercavam.
"Eu já vi criaturas de sombras antes," murmurou Ethan, sua voz quase inaudível, "mas nada como isso. Isso é... diferente. Muito pior."
Madison, lutando para manter a compostura, sussurrou: "O que fazemos agora? Essas coisas... elas são horríveis."
Di olhou ao redor, seu coração batendo rápido, mas sua mente buscando uma solução. "Fiquem juntos. Precisamos manter a calma e encontrar uma maneira de sair daqui."
Lea, dando um passo à frente, olhou para as criaturas e, de repente, sua expressão mudou para puro pavor. "Esperem... elas não estão atrás de nós," disse ela, sua voz tremendo. "Elas estão voando para fora da cidade."
Di parou, processando a revelação de Lea. Ela observou os movimentos das criaturas, percebendo que muitas estavam se dirigindo para além dos limites da cidade. Uma realização aterradora começou a se formar em sua mente. "Hu Can... ele está querendo algo fora da cidade."
Joshua, ainda segurando a mão de Di, perguntou: "Mas o que poderia ser? Pensei que ele estava atrás de vingança por Jun."
Di balançou a cabeça, seus pensamentos correndo. "A vingança por Jun é pessoal para ele, mas isso... isso é algo maior. Ele está agindo por um objetivo maior do que nós. Algo que afeta mais do que apenas nossa pequena batalha."
Ethan finalmente encontrou sua voz, ainda tremendo. "Então o que fazemos? Ficamos aqui, em segurança, para deixar claro… ou seguimos essas coisas?"
Di olhou para cada um deles, seus olhos fixos com determinação. "Não podemos deixá-lo cumprir seu plano. Precisamos segui-las, descobrir o que Hu Can está planejando. É nossa única chance."
Madison, ainda assustada, assentiu. "Estou com você, Di. Só... diga o que podemos fazer."
Lea deu um passo ao lado de Di, tentando controlar seu medo. "Vamos juntos. Não podemos deixá-lo ganhar."
Joshua apertou a mão de Di, transmitindo confiança. "Estamos todos juntos nisso. Vamos descobrir o que ele está fazendo e detê-lo."
Com a decisão tomada, o grupo começou a se mover com mais propósito. Di liderava, seus olhos sempre atentos às criaturas de sombras que voavam acima deles. O medo estava lá, claro, mas também uma determinação feroz para proteger o que amavam e impedir os planos de Hu Can.
Enquanto avançavam, Di não pôde deixar de pensar nas palavras de Joshua, na promessa de lutar por eles. Isso lhe dava força, uma chama de esperança que queimava em seu coração. Eles iriam enfrentar Hu Can juntos, e de alguma forma, encontrariam uma maneira de continuar esse momento entre os dois.
As ruas da cidade pareciam estranhamente vazias sob a escuridão do eclipse, mas o grupo seguia em frente, passo a passo, com a certeza de que estavam se aproximando de um confronto decisivo.
A escuridão ao redor parecia pulsar com vida própria enquanto o grupo avançava pela cidade. De repente, uma bolha de sombras começou a se formar à frente deles, crescendo e se contorcendo até tomar uma forma quase sólida. Eles pararam, observando com um misto de cautela e apreensão. Lentamente, uma figura masculina emergiu da bolha, vestindo um longo sobretudo preto e uma maquiagem branca em um estranho padrão. Era o Senhor Meia-Noite.
“A… Aquele ali não é o carinha do Kiss, não? O cantor?” Comentou Ethan, principalmente para Madison que estava ao seu lado, para ser solenemente ignorado por ela, que revirava os olhos.
Joshua apertou a mão de Di, sentindo a tensão no ar. O Senhor Meia-Noite parecia tentar esconder seu nervosismo, mas uma ponta de ansiedade era perceptível em seus olhos.
"Di," começou ele, sua voz calma, "precisamos falar."
Di foi fria ao cumprimentá-lo, seu rosto endurecido. "Agradeceríamos se você tivesse nos avisado sobre este eclipse antes de acontecer."
"Eu não sabia que isso ia acontecer," respondeu ele, sua voz firme. "Mas não temos tempo para isso agora. Precisamos ir atrás de Hu Can imediatamente."
Lea, com uma expressão de frustração, interrompeu: "Estamos indo atrás das criaturas de sombras, tentando descobrir o que estão fazendo."
O Senhor Meia-Noite a cortou, balançando a cabeça. "Isso é inútil. São milhares delas e já estão causando problemas por toda a costa oeste. Perderemos tempo valioso se as seguirmos."
Uma breve discussão se seguiu, com cada um dos membros do grupo expressando suas preocupações e dúvidas. Madison e Ethan pareciam especialmente perturbados, ainda tentando processar a magnitude da ameaça. Di, embora relutante, percebeu que seguir o Senhor Meia-Noite era a melhor opção.
"Então, onde Hu Can está?" perguntou Di, finalmente cedendo.
O Senhor Meia-Noite olhou para ela, seus olhos com um brilho sombrio, como se estivesse esperando por esta pergunta. "Ele só pode estar em um lugar."
Com um gesto dramático, ele levantou as mãos, convocando suas sombras em conjunto com as sombras dos outros presentes. A escuridão ao redor deles começou a se agitar, formando uma grande bolha que rapidamente engoliu a todos. Era como estar envolto em uma noite sem estrelas, o silêncio opressor apenas interrompido pelo som de suas respirações.
Quando a escuridão finalmente se dissipou, eles se encontravam nas proximidades das ruínas da antiga mansão na colina. As pedras caídas e as paredes desmoronadas ainda exalavam uma aura de mistério e perigo.
Di olhou ao redor, surpresa. "Aqui? Você acha que Hu Can ainda está aqui?"
O Senhor Meia-Noite assentiu. "Ele nos subestima demais para trocar de esconderijo. Acredita que pode dispensar o elemento surpresa para enfrentar a todos nós."
Joshua apertou a mão de Di, sentindo a tensão e a incerteza no ar. "Então, o que fazemos agora?"
"Nos preparamos," respondeu o Senhor Meia-Noite, sua voz baixa e determinada. "E entramos. Esta é nossa melhor chance de derrotá-lo de uma vez por todas."
Di olhou para cada um de seus companheiros, vendo a determinação refletida em seus rostos. "Vamos acabar com isso," disse ela, sua voz firme. "Juntos."
O grupo avançou em direção às ruínas, sabendo que a batalha que os aguardava seria a mais difícil de todas. Mas, diferentemente da última vez que estiveram naquela mansão, o grupo estaria unido e com um plano, eles poderiam ter uma chance de causar algum dano e vencer desta vez.
*****
As ruínas da antiga mansão na colina pareciam ainda mais ameaçadoras sob a escuridão anômala do eclipse. As pedras desmoronadas e as paredes desfeitas exalavam um ar de desespero e decadência. Madison e Ethan estavam visivelmente apavorados, seus olhos arregalados observando cada sombra, como se esperassem que algo saltasse a qualquer momento.
"Então, quem trouxe o marshmallow?" Ethan tentou, com um sorriso nervoso. "Porque isso aqui está começando a parecer um acampamento de filme de terror."
Di olhou para ele, reconhecendo a tentativa de disfarçar o medo com humor. "Ethan, sei que você está com medo, mas precisamos nos manter focados."
Madison apertou os braços ao redor do corpo, tremendo. "Isso é... muito pior do que eu esperava."
Lea deu um passo à frente, colocando uma mão reconfortante no ombro de Madison. "Vamos ficar bem, Madison. Já passamos por coisas assim antes. Apenas confie em nós."
Di se aproximou de Madison, seus olhos suavizando. "Madison, eu sei que você também está assustada. E não se preocupe quanto ao que você disse para mim antes... não tenho mágoa alguma daquilo. Eu entendo suas preocupações. Mas quero que saiba que vou te proteger, aconteça o que acontecer. Você não precisa ficar tão tensa."
Joshua, ouvindo isso, ficou curioso. "O que Madison disse para você?"
Di deu um sorriso suave, ainda que melancólico. "Apenas algumas coisas que precisavam ser ditas. Não importa agora. O que importa é que estamos aqui e precisamos seguir, juntos."
Madison tentou relaxar um pouco, inspirando profundamente. "Obrigada, Di. Eu... só não quero que ninguém se machuque por minha causa."
"Não se preocupe," disse Joshua, falando com o tom mais amigável e compreensível que conseguia. "Vamos sair dessa. Essa ainda vai ser uma história que vamos contar quando estivermos velhos."
O grupo se preparou para entrar na mansão, seus corações batendo rápido com a antecipação do que estava por vir. Di olhou para cada um deles, sentindo a responsabilidade pesada em seus ombros, mas também uma determinação feroz de protegê-los.
"Okey, pessoal," disse Di, com firmeza. "Vamos entrar. Fiquem juntos e mantenham os olhos abertos. Hu Can não vai nos pegar desprevenidos hoje."
Lea, ao lado de Di, assentiu. "Estamos prontos. Vamos acabar com isso."
Ethan, ainda tentando manter o humor, sorriu nervosamente. "Só espero que não haja mais monstros de sombras lá dentro. Acho que já vimos o suficiente por hoje."
Madison deu uma risadinha nervosa, tentando seguir o exemplo dele. "Vamos lá, Ethan. Podemos fazer isso."
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