Notas iniciais
Gente, desculpa pela confusão com a Obara, não imaginei que isso fosse acontecer. Mas olha aqui quem ela é: http://geloefogo.com.br/wiki/index.php?title=Obara_Sand . Espero que gostem desse capítulo.

Gizelle’s POV

A dornesa estava com problemas, eu podia ouvir alguém se aproximando sorrateiramente por trás dela. Desse ângulo não podia ver o que era, mas antes que eu pudesse tomar qualquer providência, a garota de olhos cinza gritou:

- Não! – alarmando o atacante e o fazendo avançar mais rápido e depois colocar a faca no pescoço da morena.

Não! Se ele realmente a matasse, o crime com certeza seria atribuído a mim! A menina era nobre, qualquer idiota poderia ver isso por causa de suas roupas, pelo arco longo em sua mão, e prejudicá-la causaria problemas demais. Mas ela não precisou de ajuda, usando uma manobra bem simples ela desarmou o garoto, empurrando-o contra o tronco de uma árvore, ganhando imediatamente meu respeito. Mas eu podia ver a mão dele indo em direção ao cinto da espada, a preparação para o contra-ataque. Não esperei nem mais um segundo, lancei a adaga.

Ela parou balançando bem no ponto em que eu a imaginara, pouco acima do topo da cabeça do garoto. Vi a expressão de bobo dele e me permiti um meio sorriso.

- Acredite em mim, se a minha intenção fosse te acertar, você teria ganhado um novo buraco no corpo. Agora, vamos todos concordar que ninguém aqui quer morrer – a morena sorriu pra mim balançando a cabeça.

- Não poderia concordar mais. Agora podemos pensar no que fazer com esse saquinho de esterco... – ela disse com um sorriso malicioso mas a outra garota a interrompeu, parecendo mais irritada do que suplicante.

- Ah! Não matem esse imbecil, ele só estava pensando em me proteger. Will vem me seguindo todo o caminho desde a vila... – sua irritação estava incomodando os lobos, alguns já recuavam e recomeçavam a rosnar, mas eu a tranqüilizei.

- Não se preocupe, não há a menor necessidade de... Furar o saco de esterco – troquei um sorrisinho malicioso com a dornesa. – Vamos concordar em evitar assassinatos em geral, e seria de bom tom algumas apresentações – enquanto eu falava, caminhei casualmente até a árvore em que o manteiga derretida ainda estava encostado e, arrancando minha lâmina, perguntei: — E então? Quem são vocês? – eles continuavam em silêncio então, escolhendo minhas palavras com cuidado, me apresentei.

Lucy’s POV

- Sou Gizelle, sai de Porto Real porque não agüentava mais aquela cidade fedida a mijo e infestada de ratos — quando ela parou de falar e me encarou, percebi que tinha de dizer alguma coisa, ainda que a verdade inteira fosse impossível.

- E eu sou Lucy, morava com uma velha estalajadeira que eu pensava ser minha mãe a vida toda. Quando me contaram que não era assim, fugi da velha louca, ainda que eu não tenha muitas pistas de quem são ou de onde está a minha verdadeira família... – acabei me estendendo demais na história, e podia ver a sobrancelha de Gizelle subindo, então falei rápido para distraí-la. – E você? – apontei com a cabeça para a morena, que parecia ter um supremo interesse na forma com que suas botas encaixavam no chão.

- Alys! Eu sou Alys. Estou... Caçando, e err... Treinando arco e flecha – ela terminou olhando para o dossel de folhas sobre nossas cabeças. Troquei um olhar com Gizelle, que agora fazia uma careta misturada com riso deixando claro para o mundo inteiro que não acreditava em uma palavra da morena. Mas a tal Alys não estava vendo a cara de incredulidade da garota de olhos verdes, pois continuava encarando o nada. Como não estava sendo exatamente sincera de toda forma, e já estava tarde, resolvi mudar de assunto.

- Está começando a escurecer... Que tal acamparmos aqui?

- Não! – as duas garotas disseram em uníssono e se entreolharam.

- Aqui está perto demais da fonte de água, nós estamos vulneráveis a... Todo tipo de bandidos e animais – disse Gizelle e Alys acenou com a cabeça.

- Ah, tudo bem, vamos procurar outro lugar então – concordei olhando para os lobos, quase tinha me esquecido deles.

Percebi que a maioria já tinha se dispersado e o lobo alfa começava a se afastar, tentando puxar o lobinho em vão, pois ele não parecia querer ir a lugar nenhum. Os dois se encararam por um tempo então a loba pareceu desistir — digo loba porque, prestando atenção agora, pude ver que suas tetas ainda estavam inchadas, conclui então que ela era mãe do lobinho — e se afastou correndo e uivando. Os outros lobos uivaram também, correndo atrás da loba maior, criando um som único, a canção da alcatéia. O lobinho se juntou a eles, mas só na voz, continuou tão sentado ao meu lado como estava antes. Devo ter passado um bom tempo assimilando a situação porque a dornesa teve que me acordar.

- Melhor procurarmos outro lugar logo – ela não parava de olhar para os lados.

- Ah, tá – e fui andando com ela e os outros, com o pequeno lobinho logo atrás.

Alys’s POV

Estávamos sentados em um círculo, a alguns metros de onde nos encontramos. Insisti para que não acendêssemos uma fogueira e surpreendentemente Gizelle concordou. O idiota que fez a besteira de colocar uma faca em meu pescoço tomou cuidado para ficar o mais longe possível de mim e da garota dos olhos verdes, o que nos fez trocar um sorriso. Lucy agora estava sentada de pernas cruzadas diante do filhotinho de lobo, aparentemente procurando um nome para ele. E era bom! Eu me sentia confortável perto desses loucos estranhos, de uma forma que nunca estive em Dorne. Mas mesmo assim, eu não podia ignorar a razão, como um grupo chamávamos atenção demais.

- Estou faminta – anunciei rapidamente, tomando cuidado para não parecer tão falsa quanto na nossa “apresentação”. – Vou caçar alguma coisa – eles se entreolharam, mas permaneceram em silêncio.

Peguei o arco e flecha e saí em direção oposta a aquela que os lobos tomaram ao ir embora, sabia que eles teriam assustado qualquer animal por lá. Apesar da lua, a iluminação era pouca e era difícil ver por onde andava, portanto fiquei atenta aos menores ruídos da mata. Mais focada naquele momento do que no início do dia, abati um coelho bem gordo. Mas ele só seria o bastante para umas três pessoas, e após tanto cansaço, eu só queria me esbanjar.

Na realidade, alem de mais caça, eu procurava também uma maneira de me livrar do estranho grupo com quem tinha topado. Não queria machucá-los, longe disso, mas não podia deixar vestígios, muito menos alertar Obara sobre mim. Decidi então manter isso simples: optei por usar um sonífero forte. Eu mexia na minha bolsa em busca dos materiais necessários quando ouvi passos abafados, suaves e deliberados. Quem quer que fosse não estava me procurando, na verdade sabia exatamente onde eu estava... Fechei os olhos para tentar me concentrar e localizar os passos, como meu pai havia me ensinado. Um farfalhar atrás de mim me fez virar, abrindo os olhos e virando o arco. Eu acreditava estar preparada para qualquer um, até que ouvi o som às minhas costas.

- O que você está fazendo? – me virei rapidamente, sem abaixar o arco e vi que era Gizelle quem me encarava, impassível.

- O que disse que iria fazer, tentando arrumar o jantar — mantive o olhar nela, que levantava uma sobrancelha.

- Hum, pois é, estive pensando em colocar algumas armadilhas, assim amanhã teríamos comida fácil – enquanto falava, ela foi se aproximando, até que fui obrigada a recuar da minha posição atual. Aquilo estava muito estranho. De repente ela se abaixou, agarrando um maço de ervas que estava no chão. AH NÃO! Elas devem ter caído enquanto eu procurava os ingredientes para o sonífero! Eu reconheci com facilidade as bagas vermelho-escuras que eram usadas em um dos venenos mais cruéis, e pelo visto ela também tinha as reconhecido. – Venenos são para eunucos, mulheres e dorneses. Você se encaixa em duas dessas características, mas eu não acho que isso seja desculpa para tentar matar todos nós, princesinha – ela falou entre dentes, com o rosto cheio de desprezo.

Notas finais
Gostaram? Digam nas reviews! E obrigada por ler, beijos xx