Soluço, o líder de Berk: A Era dos Dragões
31 A chegada das Tribos
Notas iniciais
Todo mundo em Berk já estava sabendo da novidade. Do novo bebê que estava a caminho. O novo presente que o líder de sua Tribo receberia. Um grande presente por sinal...
Eu e Astrid escolhemos o nome Erick para o nosso pequeno menino (Gothi deu certeza que era mais um menino que estava a caminho). Nós escolhemos o nome porque era o nome do avô de Astrid e também me fazia lembrar meu pai. E do nome que ele usou em seu retorno ao lar.
Eu também anunciaria a gravidez de Astrid na Coisa. A Grande Reunião...
Naquela reunião, cada líder poderia trazer um conselheiro para a Grande Mesa e mais três clãs (com dois representantes cada) para assistir a reunião e serem testemunhas do que fosse decidido no tal Encontro.
No meu primeiro ano na Coisa como líder (havia ido com o meu pai duas vezes como Conselheiro e eu não havia gostado muito dos líderes das outras tribos, principalmente do tamanho deles) fora na Ilha da Tribo Assassina. Minha mãe foi minha Conselheira.
Na verdade eu quase surtei de tanto nervosismo (e um pouco de medo também, quer dizer, olhe o nome dessa tribo e você pode imaginar porque eu temia estar morto até o fim da Reunião). Mas havia um grande respeito entre os líderes após a paz com os dragões.
Quando meu pai retornou, ele foi meu Conselheiro por dois anos. Mas depois que me acostumei com a reunião e com os líderes corpulentos das outras Tribos, Astrid passou a ser a minha Conselheira. E naquele ano não seria diferente.
A Reunião só seria em Berk.
A Tribo Histérica, dos Lava Loucos e a dos Beserkers nunca participavam. Os Beserkers passaram a participar quando se tornaram nossos aliados. Mas aquelas outras duas tribos nunca vieram. Os Histéricos eram descontrolados e os Lava Loucos haviam sumido até então.
Mas a história sempre pode reservar as suas surpresas.
Eu devia receber cada um dos líderes no Porto, juntamente com o meu Conselheiro. Não gostei muito daquilo, pois Astrid ficaria muito tempo em pé. Mas ela insistiu que me acompanharia. Teimosia crônica... Nunca mudou.
Os meus três clãs convidados então seriam: o Clã Jorgenson — Melequento e Cabeça Quente; Clã Thorston — Cabeça Dura e Brenda, a sua tia; e Clã Iorgman — Perna de Peixe e sua “tia” Brena (não, os nomes são mesmo parecidos), o Perna de Peixe fora adotado na realidade pelo Clã Iorgman. Mas acho que eu já te contei essa pequena história.
Eu e Astrid estávamos sentados bem cedo no Porto, no dia da reunião. Sentamos no píer com os pés quase tocando a água. Astrid encostou sua cabeça em meu ombro e ambos olhavam para o Horizonte, observando Banguela realizar manobras para treinar a sua cauda automática.
–É tão bom vê-lo livre – eu deixei escapar meus pensamentos.
–Você sabe que ele se sente mais livre quando está com você – Astrid diz.
–E é isso que me preocupa. Que algo aconteça e ele se descontrole por não me ter por perto – eu suspirei.
Não quero que pense que isso é questão de um ego enorme de minha parte. Era questão de uma grande ligação entre eu e Banguela. Que era indestrutível.
–Não sofra por algo que não aconteceu ainda Soluço. Você sabe que estará sempre com ele. Não importa como – eu sorri para ela.
Ela sempre sabia o que dizer para me fazer sentir-me melhor. Nós avistamos um barco no horizonte. A primeira tribo estava chegando. Levantei-me e ajudei a Astrid a levantar, que revirou os olhos com a ajuda que dei, alegando que não estava doente e que podia andar sozinha. Banguela pousou ao meu lado quando também avistou o barco.
Ágda e Einar chegaram ao porto, juntamente com Melequento, Cabeça Quente, Cabeça Dura e a tia dos gêmeos, Brenda.
–Bom dia pessoal – cumprimentei-os. – Só falto o... – Não terminei a minha frase, pois um Perna de Peixe ofegante e sua tia do mesmo modo, após provavelmente terem corrido, chegaram até nós. – Enfim, não falta mais ninguém. Ágda e Einar irão nos ajudar também. Permaneçam no Grande Salão até a próxima tribo chegar. Depois retornem ao porto para acompanhar as outras tribos – eu dei as orientações.
–Certo – eles concordaram.
Eu voltei o meu olhar para o navio. Identifiquei o símbolo nas velas, era a Tribo dos Cabeças Ocas. Era uma ilha bem próxima de Berk (ao leste) e isso justificava o motivo deles serem os primeiros a chegarem.
Eles atracaram e o seu líder desceu.
–Bem Vindo a Ilha de Berk. Impiedoso – eu saldei-o respeitosamente e formalmente.
–Como vai Soluço? – mania desses vikings: gritarem seis de cada cinco palavras ditas. Esse costume de antigamente não fora abandonado. Nem em Berk. E o tamanho daquele viking também o ajudava a ser intimidador.
–Muito bem, obrigado – eu respondo. – Os representantes do Clã Jorgenson irão acompanha-los – Cabeça Quente e Melequento aproximaram-se de nós.
–Esse é o meu filho, Impiedoso II e ele será o meu conselheiro – um menino com os mesmos cabelos negros e com uma ótima aparência de viking surgiu.
–Certamente. Seja Bem Vindo. Acompanhem eles – falei para o Melequento e Cabeça Quente calmamente (ou pelo menos tentei parecer calmo).
O líder, seu conselheiro e os representantes dos clãs seguiram Melequento e Cabeça Quente pelo caminho até o Grande Salão. O barco que os trouxe fora atracar no horizonte para deixar o porto livre. Soltei o ar e nem percebi que o havia prendido. Astrid riu.
–Você se saiu muito bem, não se preocupe – ela disse.
–Obrigado. Receber líderes maiores do que eu, não é algo que eu faça nas minhas horas vagas. Isso me deixa nervoso – eu digo.
–Estarei tremendo se tiver que fazer isso um dia – Einar disse ao meu lado. Nós rimos.
–Eu ainda acho que estou tremendo – eu disse e isso provocou mais risadas.
Seguiu-se a chegada dos líderes das Tribos. Pouparei você dos detalhes de cada conversa com as outras 11 tribos. Mas falarei sobre as tribos que participaram e quem visitara Berk um dia...
*As Ladras do Pântano, que habitam ao sudoeste de nossa tribo, trouxe sua líder, Bertha (a furtiva) com sua prima Camicazi.
*Os Assassinos, que habitavam a oeste de Berk, trouxe seu líder Insensato (o assassino) e seu grande amigo Abscesso.
*Os Criminosos Feiosos, habitando ao leste da Tribo Hooligan, trouxe seu líder Oso (o Criminoso Feioso) e sua filha Pirracenta.
*Os Beserkers, que atualmente viviam na Ilha dos Exilados, trouxe o seu líder Labor (o Grande) e sua esposa Valquíria.
*Os Crudélicos, habitando a Oeste de nossa tribo, trouxe o seu líder Cachorro-Louco (nem me pergunte o porquê desse nome) e o seu irmão Cabeça de Cão (é mal de família).
*Os Brutamontes, que habitavam ao sudeste de Berk trouxe o seu líder Bastante Isolado (acho que se referia a localização da tribo deles, sei lá) e sua irmã.
*Os Silenciosos, habitando ao leste da Tribo Hooligan trouxe o seu líder Percival Pacífico e seu melhor amigo, Paz (ah sim, o nome dele era Paz).
*Os Esmagadores, habitando também ao leste, trouxe o seu líder Furtelho (o Implacável) e sua esposa.
*Os Rudes Perigosos, que habitam ao sul da Tribo Hooligan trouxe o seu líder Perículos X e o seu filho Perículos XI.
*Os Pancadas, habitando também ao sul, trouxe o seu líder Colérico e a sua filha.
E agora você talvez conclua que os nomes em nossa tribo são mais decentes...
Bom, a grande surpresa foi um último barco chegar. Sendo que já haviam chegado todas as Tribos que sempre participavam da Coisa. Porém, naquele ano, outra tribo resolveu aparecer.
Reconheci a coroa brilhando ao longe. Estava apenas eu, Astrid e Banguela no porto. Nos entreolhamos. Só havia um líder em todo o Arquipélago Barbárico que se nomeava um Rei...
O barco atracou. E era sim o líder (o rei) da tribo dos Lava Loucos. Ele observou alguns dragões voando livremente pelo céu e sorriu. Ele era novo como líder. Ele tinha um olhar aventureiro. E eu sabia que tudo para ele era novidade.
–Seja Bem Vindo a Ilha de Berk Alphonse. É ótimo te ver aqui – cumprimentei-o sorridente.
–Resolvi aceitar o seu convite Soluço – ele disse.
–Ótimo, gosto de te ver ao ar livre – eu disse, ainda sorrindo.
–Eu trouxe o Grande Chefe da Guarda Real para ser o meu conselheiro.
Eu vi o guarda desviar o olhar para não encarar Astrid e me controlei par não rir daquela situação. Acho que a Astrid o intimidou de verdade.
–Eu e minha conselheira iremos acompanhar vocês até o Grande Salão – eu disse.
–Nós viemos sozinhos – ele disse. – Não sabia que devíamos trazer representantes de três clãs. Faz tempo que nossa tribo participa de alguma dessas Reuniões Anuais.
–Não se preocupe, pode deixar o barco ancorado aqui no Porto.
E assim nós seguimos até o Grande Salão. Reparei que o guarda ficou a uma boa distância da Astrid. Ele estava com medo dela e eu controlei-me para não soltar uma gargalhada muito alta.
Quando nós entramos no Grande Salão, eu virei-me para o guarda e disse em voz baixa:
–Não se preocupe, ela está sem o machado hoje – e segui para a minha cadeira, reprimindo um riso.
Havia uma enorme mesa, guardada para essa reunião. Como eu era o Anfitrião, sentava na cadeira da ponta da mesa, com a minha conselheira a minha direita. Os outros sentavam ao redor da mesa com os conselheiros também a sua direita.
–Muito bem – eu falei. – Sejam Bem Vindos a Berk, todas as Tribos do Arquipélago Barbárico. O Grande Livro de Presenças será passado para vocês. Coloquem o seu nome e o do seu Conselheiro, como o costume.
O livro era realmente enorme, pois continha os registros de todas as Reuniões. Era um livro antigo e que fazia parte da história. E então quando o livro chegou até mim eu o fechei, olhei para todos e disse:
–Que se inicie A Coisa.
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