Solstice - Interativa

43 「XI • Yeri」 O grande dia


21 de junho, 8 P.M.

Yeri havia dito para os pais que iria dormir na casa de Astrid e que seu primo Francis a levaria para a casa da amiga. De fato iriam fazer isso, mas só depois do tão aguardado evento no prédio abandonado em frente à estação Lune-Sinimun.

— Você anda bem feliz ultimamente — já na rua com ele, a garota fez a observação com tom de quem quer encher o saco. — Até pintou o cabelo de volta para preto. Eu já estava acostumada com você ruivo.

— É, bem... Nesses dias eu tenho encontrado bastante com um antigo colega de escola, Jinyoung. Temos nos reaproximado bastante, e ele me fez voltar a entrar em contato com as outras pessoas que estudavam comigo. Por isso estou tão mais animado nesses dias.

— Sei — ela cruzou os braços enquanto prosseguia a caminhada. — E só isso de bom tem acontecido?

— O que você quer que eu diga, Yeri? Que estou namorando alguém? Porque a resposta é não — ele riu, e ela fez uma careta.

— Eu sei que tem alguma coisa acontecendo! Você não me engana, seu bobo — com frio, Yeri puxou as mangas do casaco e pôs o capuz numa tentativa de sentir-se mais aquecida. — Ai, odeio esse verão de araque.

Francis olhou para ela em silêncio, hesitante.

— Yeri.

— Que foi?

— Muito obrigado.

— Pelo quê?

— Sabe, antes... Antes dessa coisa do teatro. De eu ter reencontrado Jinyoung. Você era a única pessoa que eu costumava conversar regularmente. Obrigado por me ligar todos os dias para me contar bobagens e coisas da escola. Sem você, eu me sentiria bastante solitário ao longo desses últimos anos.

A mais nova ficou em silêncio, sorrindo.

Seu primo vivia trabalhando desde os dezenove anos, quando largara a faculdade. Era uma vida monótona e angustiante. Yeri precisava adocicar os dias de seu primo favorito, então passou a fazer ligações diárias com seu jeitinho fofo para fazê-lo descontrair.

Outro breve momento de silêncio se instalou. Francis olhou para baixo e novamente desviou a direção de seu olhar para a prima.

— Yeri.

— Hm?

— Nessas semanas, você tem falado com os outros convidados do Solstice? Porque a última vez que falei com algum deles foi no domingo retrasado.

— Bom... Eu e Astrid estudamos juntas e somos muito amigas, então obviamente conversamos todos os dias. Também venho falando com Jieun porque ela é um anjo e somos dos mesmos fandoms. E Evelyn, que é um amor de pessoa! A gente tem conversado muito pelo Kakao. Ultimamente ela vem se sentindo meio solitária porque não tem muitos amigos aqui em Nouvelle-Seoul e Alyssa foi embora para a França. Mas! Hoje ela retornou e a Evey estava super contente em recebê-la no aeroporto. Oh, e também fiz amizade com Wallace! Ele é super gente fina… Também falo muito com Lore e Lotte, temos muitas coisas em comum. Ah, e Henri é um amorzinho!

O mais velho engoliu em seco antes de responder.

— Você é bem extrovertida, né? Sem dificuldades em fazer novas amizades.

— Ora, mas você não é tímido, Francis! Só perdeu o jeito de iniciar conversas com os outros. Mas é mais fácil do que parece.

A dupla de primos voltou a ficar em silêncio durante alguns metros de caminhada.

— Ei primo, você fez amizade com alguém novo no Solstice?

— Eu não diria tanto... Porque a última vez que falei com qualquer um deles foi há quase duas semanas. Mas... Eu me aproximei um pouco de Len porque ouvi a versão dele da história. Não acho que seja culpado das coisas que o acusam... Porém ainda fico meio chateado porque ele roubou algumas roupas minhas e sumiu. Talvez ele não seja tão inocente mesmo — Francis passou a mão no cabelo. — E teve outra convidada que veio falar comigo sobre ele. O nome dela é Sunhee. Mas não chegamos a conversar de verdade, ela só quis falar do Len mesmo. Além desses dois, tem Daehwi… Bom, não sei o que dizer dele. É um carinha simpático.

Os dois dobraram mais uma esquina e chegaram à rua da estação de trem-bala Lune-Sinimun.

— Huh, é aquele o prédio — o mais velho olhou a hora no celular. — Você está cansada? Estamos andando há mais de meia hora.

— Nah, estou perfeitamente bem... Exceto que estou morrendo de sede, mas fora isso está tudo okay.

A porta-dupla de entrada do edifício abandonado estava aberta. Yeri teve calafrios ao pisar naquele local tomado pela escuridão noturna.

— Okay, nada de pânico. Primo, vamos acender as lanternas de nossos celulares.

Assim o fizeram com seus smartphones e começaram a explorar. Aquele local parecia ser um antigo edifício empresarial...

— Talvez devêssemos esperar pelos outros — Francis engoliu em seco depois de adentrar um pouco mais na escuridão. — Vai que do nada surge um maníaco perseguindo a gente com uma arma...

— CALE A BOCA, SEU BABACA — Yeri fala altíssimo, quase gritando. — LA, LA, LA, NÃO ESTOU OUVINDO O QUE VOCÊ ESTÁ FALANDO.

Francis tapou os ouvidos e acatou a ordem de calar-se naquele instante, focando em explorar o ambiente.

Os dois acharam alguns interruptores, mas nenhum deles funcionava. Também testificaram que todas as portas internas do térreo estavam fechadas...

Ao invés de partirem para o próximo andar, a dupla decidiu aguardar os outros no hall de entrada. Conforme os minutos passaram, mais pessoas entraram no edifício, até que todos os dezenove convidados de que se tinha notícia apareceram.

— Nove horas e cinquenta minutos. Ficamos no térreo esperando quem está por trás de tudo isso aparecer ou exploramos logo os andares de cima? — Yeri perguntou ao grupo, que estava terminando de acender as lanternas de seus celulares.

— Alguns de nós poderiam subir enquanto outros ficam aqui. Se uma equipe ou outra encontrar alguma coisa ou alguém, manda uma pessoa ir avisar os outros — Evelyn propôs sabiamente, e todos concordaram em se dividir.

Henri, Yeri, Astrid, Cosme, Alyssa, Francis, Charlotte, Jiho e Jieun decidiram ficar no térreo, e o restante subiu a escadaria – já que por dedução, todos os elevadores daquele prédio abandonado obviamente não estariam funcionando...