Solstice - Interativa
23 「VI • Hansol」 Fantasmas do passado
O dia de Hansol tinha sido um tanto cansativo, e ele estava muito satisfeito por finalmente ter chegado na residência onde alugava um quarto.
Tirou os sapatos e atravessou o corredor, meio zonzo. Ao passar pela lateral da sala de estar, notou que o idoso dono da casa ainda estava acordado, sentado numa poltrona enquanto lia um livro.
— Boa noite, Hansol! — ele falou amigavelmente — Sei que deve estar cansado hoje, por isso não vou prolongar conversa. Esta semana está sendo excelente para mim se comparada à semana passada, e espero que esteja acontecendo o mesmo com você, hoho! — O senhorzinho deu um sorriso e parou um pouco para refletir o que tinha dito anteriormente. — Não que a sua semana passada tenha sido ruim... Mas espero que esta esteja sendo bem melhor. Boa noite!
— Boa noite, senhor Song.
Hansol não gostava muito de dialogar com as pessoas, mas sentia-se bem quando o dono da casa interagia com ele. O senhor Song falava demais, principalmente sobre si mesmo; e quase nunca perguntava coisa alguma para a pessoa com quem estava conversando... Seus diálogos eram praticamente monólogos, e era isso que o tornava uma companhia perfeita aos olhos do rapaz.
Já entrando no quarto, Hansol trancou a porta e despiu a camisa preparando-se para tomar um banho refrescante. Antes de entrar no banheiro, pegou uma caneta, sentou-se na sua cama e começou a anotar certos pensamentos em seu grosso caderninho, como sempre fazia.
Ao terminar, guardou-o na gaveta de seu criado-mudo e prosseguiu o que iria fazer.
Banhos são excelentes para pensar, e pensar era a atividade favorita de Hansol.
Alguns minutos mais tarde, saiu do banheiro envolto em sua toalha. Tinha relaxado bastante durante aquele momento e chegara a algumas conclusões sobre o seu trabalho atual que julgara importante anotar… Como sempre fazia quando pensava sobre alguma coisa.
Porém, quando abriu a gaveta do criado-mudo, seu caderninho não estava mais lá.
— Mas o quê?!
O homem tinha absoluta certeza de que havia o deixado ali.
Vasculhou toda as gavetas mas não o encontrou. Olhou sobre os lençóis da cama; também não estava lá...
Já ficando nervoso com a procura, olhou debaixo da cama e finalmente encontrou o objeto. Meio de cócoras, esticou o braço para o pegar... E notou um estranho papel que tinha sido recém-colocado entre a capa e a primeira página do caderninho.
Quando leu as palavras daquela estranha nota, perdeu o equilíbrio e caiu sentado no chão.
“Lembra quando fiz o cordão com a pedra azulada para você?”
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