Solstice - Interativa

5 「II • Yeri」 O encontro


Notas iniciais
“Que tanta gente é essa?!” — Yeri Oh, 2021

Era a primeira vez que algo incomum acontecia à vida de Yeri.

A entrega de avaliações na escola da menina havia sido naquele dia, e a prova de Yeri veio com um folheto estranho grampeado: a propaganda de uma peça num teatro que estava abandonado. Em seu verso, algumas palavras estavam escritas em vermelho.

Encontre-me aqui, às 10pm de hoje. NÃO FALTE, YERI.

Assustada com o bilhete misterioso? Com certeza. Curiosa com como ele foi parar grampeado em sua avaliação e com o que aconteceria naquele encontro? Mais ainda.

Sua colega de sala Astrid havia recebido um igual e quase tinha ido perguntar aos professores do que aquilo se tratava. Só não falou com eles porque alguma coisa a fez sentir que seria melhor se não os envolvesse nessa história.

Assim que soube que não era a única que recebeu o folheto, Yeri foi diretamente falar com a outra-- mesmo não sendo muito próximas. Queria saber o que Astrid faria em respeito daquilo.

Talvez fosse uma pegadinha dos meninos; eles eram bastante chatos com essas coisas. Mas também podia ser um recado da professora sobre algo importante que não podia ser dito em voz alta. Ou talvez fosse a obra de um doido varrido infiltrado na escola, que certamente queria fazer alguma coisa com as duas garotas.

Yeri e Astrid fizeram várias teorias naquela tarde sobre do que a misteriosa convocação se tratava, até que chegaram a um consenso. Elas iriam comparecer ao teatro, mas só se cada uma levasse alguém que fosse capaz de as defender caso o encontro se tratasse de algo perigoso. Astrid tentaria convencer o irmão Minhyun, e Yeri tentaria convencer o primo. Mas então ela lembrou-se que Francis precisava trabalhar no minimercado à noite, e mesmo se estivesse livre, não concordaria em levá-la por ser super-protetor. Era uma pena, pois estava bastante ansiosa para descobrir o que era aquilo tudo.

Então Astrid disse que o irmão dela, Minhyun, era suficiente para defender as duas; e disse que Yeri podia ir ao teatro com os dois.

Foi fácil para Yeri convencer seus pais de que queria passar a noite na casa de Astrid. Apesar dos pais da colega estarem viajando, o irmão da garota podia ser considerado responsável porque era maior de idade. Err.

Passaram a tarde juntas. Chegando a hora de saírem, as duas entraram no carro de Minhyun junto com ele, e saíram.

Yeri não tinha certeza do porquê de estar ali com Astrid e o irmão da colega. Ela podia muito bem estar relaxando em sua casa, comendo bolo de morango e assistindo seu drama favorito com os pais. Mas lá estava, numa aventura que nem sabia se valia a pena.

— Miga, você está muito calada! Fale alguma coisa ou vou ficar chateada~ — Astrid disse para Yeri, fazendo um beicinho. Estava sentada no banco de trás junto com a outra; e ela e Minhyun eram os únicos que estavam falando desde que saíram de casa.

— Ah, desculpa. Ainda tô fazendo teorias sobre esse negócio todo...

— Gente, esse tal teatro é onde mesmo? — o irmão de Astrid parou em um semáforo.

— Você não sabe? — Yeri ficou nervosa.

— Acho que sei, mas não tenho certeza~ — Minhyun falava do mesmo jeito que Astrid: simpático e relaxado.

Yeri fechou os olhos e cruzou os braços.

— Só espero que minha teoria sobre um doido ser o autor desse bilhete não esteja certa.

Passaram alguns minutos e o carro estacionou em frente ao enorme teatro. Aquela rua estava deserta; nenhuma luz acesa nas casas ao redor e nenhum pedestre à vista.

Minhyun saiu primeiro do veículo, e em seguida Astrid desceu. A última a sair foi Yeri, que quis arrumar os coques em seu cabelo antes de entrar em cena.

— Chegamos meia hora mais cedo — Astrid sorriu, mas Yeri ficou preocupada. Aquilo significava que os três iriam esperar um monte de tempo numa rua deserta escura e sinistra... E honestamente, o teatro em sua frente parecia cenário de filmes de terror.

Havia quatro portas duplas de madeira na fachada do Solstice, todas com enormes vidraças e com vários detalhes esculpidos nas bordas. Cada porta tinha um puxador longilíneo que dava um toque a mais de charme à entrada.

As paredes do teatro pareciam ter sido pintadas recentemente.

Ué, não parece estar abandonado como todos dizem.

Minhyun subiu os degraus da entrada e testou uma das portas, abrindo-a apenas com um leve empurrão.

— Nossa, as portas não estão trancadas — o rapaz falou, um pouco receoso.

— Vamos entrar ou esperar aqui fora? — perguntou Astrid.

— Óbvio que a melhor opção é entrar, né! Só de pensar em ficar do lado de fora já me dá arrepios, lugar estranho do caramba — Yeri argumentou e foi logo para dentro. Os dois a seguiram.

Estava muito escuro no interior do Solstice. Os três pegaram seus celulares e ativaram a função lanterna para tentar clarear o caminho.

— Temos que procurar por um interruptor — Astrid observou com um calafrio.

Talvez fosse realmente melhor se Yeri houvesse ignorado o folheto. Tudo bem que o fato de ser a primeira vez que algo incomum acontecia à sua vida deixou a garota bastante empolgada com tudo aquilo, mas será que ela fez mesmo certo em atender o chamado? E se fosse a última noite da sua vida?

Não havia se despedido com seus pais pessoalmente, apenas por telefone. E também nem havia falado com Francis. Não havia contado a pessoa alguma que iria ao teatro com a colega e com o irmão dela. Se desaparecesse, ninguém saberia onde a procurar.

— Yeri, relaxe — Minhyun falou para a colega da irmã após perceber que ela estava bastante nervosa. — Vai dar tudo certo.

— Ah, mas eu não est--

As luzes do átrio da entrada acenderam-se subitamente, dando um susto em Yeri.

— Pessoal, achei o interruptor~ — Astrid sorriu para os outros dois.

O interior do teatro era muito mais bonito do que a fachada. Os três admiraram o ambiente ao redor, que exalava luxo e beleza.

Yeri nunca havia estado num lugar tão bonito... Sua família era de classe média baixa, e seus pais não saíam muito de casa a não ser para trabalhar.

De repente alguém mais entrou no teatro; fazendo Yeri levar outro susto.

Uma moça...

Ela vestia um suéter azul e uma calça jeans moderna com recortes. Carregava uma bolsinha rosa e estava segurando firmemente sua alça. Parecia bastante hesitante.

Antes de dar um passo à frente, a desconhecida mordeu o lábio, fechou os olhos e respirou fundo.

— Algum de vocês pode me explicar qual é o propósito deste encontro?

Então ela também havia recebido um folheto. Isso descartava tanto a teoria de aquilo ser uma pegadinha dos colegas como também a teoria de ser um encontro com a professora.

— Nós não sabemos — Astrid respondeu, passando a mão no belo cabelo negro. — Recebemos hoje um bilhete que dizia para estarmos aqui às dez da noite. Também não sabemos quem mandou.

Os quatro ficaram em silêncio por um tempo.

— Como é seu nome? — Yeri perguntou.

— ...Amélie.

— O meu é Yeri. Essa é minha colega Astrid, e aquele é o irmão dela. Ele não recebeu um bilhete, só veio para nos acompanhar mesmo. — Os outros acenaram para Amélie. Ela acenou de volta, meio sem jeito, e aproximou-se mais deles.

Outra pessoa entrou pela porta; desta vez um rapaz. Ele carregava em seu pescoço um cordão com uma pedra branca azulada, e vestia uma camisa polo branca. Também segurava um pequeno e grosso caderno.

Ele estudou rapidamente as outras pessoas presentes e deu uma rápida olhada no lugar.

— Então... Alguém invadiu a casa onde moro e deixou um folheto dizendo que era para eu estar aqui a essa hora. Seja lá o que for, quero explicações e espero que isso seja breve.

— Também recebemos esses papéis — Astrid disse, engolindo em seco. — Nenhum de nós sabe do que se trata.

— Ah, certo... — Ele desviou o olhar e ficou um pouco pensativo. Suas reflexões foram interrompidas por alguém mais que entrou no teatro.

Era um garoto de jaqueta preta e boné branco.

— Hey, e aí? — falou descontraído, sem se dirigir a uma pessoa específica. — Meu nome é Wallace. Alguém aqui me chamou com um bilhete. Eu--

Outra pessoa passou pela porta, entrando bruscamente. Yeri ficou chocada ao ver que se tratava de seu primo.

Assim que ele a olhou, franziu as sobrancelhas e andou rapidamente até ela. Estava visivelmente confuso.

— O que você está fazendo aqui?! Devia estar em casa!

— Olha primo, eu fui con-vi-da-da. Eu que pergunto o que você está fazendo aqui! Devia estar trabalhando no minimercado.

Francis levou a mão ao rosto, nervoso.

— Eu vim porque achei que era uma mensagem do meu outro chefe — falou Francis, sem notar que todos os outros estavam assistindo pasmos aquele encontro de família. — Mas você--

Outra pessoa entrou; uma garota vestindo uma jaqueta preta brilhosa e um short preto. Ela parecia ter acabado de sair de uma festa, e estava segurando uma bolsa clutch branca com detalhes dourados.

Logo em seguida, entrou um homem carregando uma mochila. Ele vestia uma camisa cinza de manga longa e uma calça preta. Ao vê-lo, Amélie leva a mão à boca.

— Gente, eu vi a foto dele no noticiário da noite passada... É Len Park. Está sendo procurado pela polícia — a ruiva falou, tentando não perder a calma.

— Então você é aquele empresário criminoso? — o homem que carregava em seu pescoço o cordão da pedra azulada dirigiu-se a ele, num tom não muito amigável mas também sem ser agressivo. — Foi você que mandou os folhetos? Invadiu a casa onde moro?...

Len deu um passo para trás, já em posição defensiva.

— Não mandei coisa nenhuma! Alguém colocou um bilhete na minha mochila ontem à noite, enquanto eu dormia num... Beco. Colocaram junto de um maço de dinheiro, e eu senti que precisava agradecer.

A garota de bolsa clutch estava visivelmente interessada na cena que estava se formando, mas não parecia incomodada com o fato de estar no mesmo lugar que um criminoso foragido considerado perigoso.

Mais duas garotas passaram pela porta, ambas usando vestidos que aparentavam ser bem caros.

— Com licença — a primeira falou num tom calmo, e os outros pararam de prestar atenção em Len por um instante para a ouvir. — Gostaria de saber qual de vocês nos mandou os envelopes com folhetos dizendo para nos encontrarmos aqui. Meu nome é Evelyn, e esta aqui ao meu lado é Alyssa; minha amiga.

Alyssa acenou para os outros, com jeito tímido mas simpático.

Porém, mal Evelyn terminou de falar e já entrou outra pessoa no local: uma bela moça usando um suéter bege.

— Charlotte?! — a garota de bolsa clutch disse com os olhos arregalados, assustada ao ver a amiga.

— Lorelei?! Pensei que você estivesse na festa do Cookie...

Outra pessoa entrou; desta vez um rapaz.

Jean? — Amélie ficou surpresa.

— Amélie... O que está acontecendo aqui?

E quando Yeri achava que não ia mais vir gente, chegou uma outra jovem ao local, vestida de roupas sofisticadas e com o cabelo castanho com mechas claras. Seu olhar penetrante foi observando cada um dos convidados presentes até chegar em Amélie, onde pousou por um instante. A moça ficou absorta em pensamentos durante alguns segundos até que Wallace chegou e a cutucou, surpreso.

Vivienne?

A moça o encarou.

— Wallace... O que você faz aqui?

Todos começaram a falar ao mesmo tempo; o caos se criando no átrio de entrada do Solstice. Para piorar ainda mais a situação, chegaram mais pessoas.

Uma bela garota usando roupas simples e um par branco de sandálias. Um belo rapaz de terno. Outro rapaz, de cabelo pintado de loiro. Mais uma garota, de traje vermelho. E por fim, mais três garotos.

Socorro, Yeri pensou confusa. Que tanta gente é essa?!

A maioria das luzes do local apagou-se repentinamente, silenciando a todos por um momento. O som de uma bela música orquestral preencheu o átrio, e cada um dos convidados teve uma reação distinta ao súbito acontecimento.

— A música está vindo dali — Evelyn fez a observação, voltando-se para o que parecia ser a entrada principal do salão de atos.

O grupo seguiu o som e passou pela porta.

Todo o local estava escuro com exceção do majestoso palco, que estava iluminado. Em seu centro estava uma mesinha circular de madeira, onde apenas havia uma misteriosa caixa destampada.

Yeri teve um calafrio ao percorrer a enorme plateia. O que será que tinha na caixa que estava no palco? E por quê tanto suspense desnecessário? Cadê a pessoa que tinha mandado os folhetos? Por que convidar tantas pessoas sem critério aparente? Aquela situação só podia ter sido arquitetada por um maluco mesmo. Sua teoria estava certa.

A garota subiu no palco com os outros e se aproximou da caixa, curiosa para saber o que tinha em seu interior. Tentando abrir caminho entre as pessoas, viu um monte de envelopes lacrados e organizados em fileiras. Cada um tinha um nome escrito.

O rapaz que carregava o cordão com a pedra azulada foi o primeiro a pegar um deles. O nome “Hansol Lacroix” estava cuidadosamente desenhado na parte lisa do envelope, como se houvesse sido escrito por um profissional de caligrafia artística.

Com uma olhada rápida por dentro da caixa, a menina notou que também havia um envelope com o nome “Yeri Oh”. Hesitante, ela estendeu a mão para pegá-lo.

— Mas o que é isso?! — o rapaz que se chamava Jean perguntou apreensivo depois de retirar uma pequena folha de papel do interior de seu envelope.

Após engolir em seco, Yeri pegou a folha que estava dentro do seu. Ela leu e releu bastante as palavras lá escritas, tentando entender seu significado.

15 – S1: ‘semanas’

Recompensa: MB+CDC

Punição: EDE

A mente de Yeri estava extremamente confusa. Todo aquele mistério só para receber uma palavra solta junto com umas siglas bizarras! O maluco queria que ela deduzisse o que aquilo significava? Recompensa? Punição? Ah, vá se lascar.

Yeri colocou o papel de volta ao envelope, franzindo as sobrancelhas.

Olhou ao redor e viu que Astrid estava com o semblante preocupado, procurando por alguém entre os convidados.

— Astrid, você está bem?

— Minhyun não está aqui — ela falou, com o coração acelerado — Meu irmão sumiu!

Não, não, não! Minhyun não podia desaparecer assim.

As duas garotas saíram apressadas do salão de atos enquanto os outros ainda tentavam entender o que era aquilo, voltando ao átrio principal. Nenhum sinal do irmão de Astrid.

— Será que ele foi para casa e deixou a gente aqui?! — Astrid disse, com a mão na cabeça.

— E se ele foi sequestrado? — Yeri retrucou, preocupada. — O que vamos dizer pros nossos pais? E como a gente vai voltar pra sua casa? É muito longe! E já são quase onze da noite!

— Miga, respira. — As duas respiraram fundo e se encararam, tentando acalmar a si mesmas. — Vai ficar tudo bem. Nós vamos achá-lo.

Elas procuraram pelo átrio, por trás do balcão, e então chegaram aos toaletes. Ambos os banheiros estavam com as luzes apagadas.

Uma ideia surgiu na cabeça de Yeri.

— E se ele voltou para o carro, Astrid?

As duas correram para fora do Solstice e chegaram na rua. O clima estava frio e úmido, e começou a chover.

Yeri e Astrid desceram os degraus da entrada o mais rápido possível e foram para o carro.

Para alívio das duas, Minhyun estava sentado no banco de motorista ouvindo música.

— Bro! — Astrid abriu a porta do carro e o abraçou. — O que deu na sua cabeça em deixar a gente sozinha lá?

Relaxado, ele virou-se para ela e bocejou.

— Eu não estava gostando da peça.

— Peça? Que peça?

— A peça que nós fomos assistir.

— Mas não teve peça alguma!

— Claro que teve. Foi da Agatha Christie.

— Você tá louco? — Yeri perguntou ao jovem.

Minhyun ignorou Yeri e deu um sorriso despreocupado.

— Papai e mamãe ligaram para o meu celular; disseram que tentaram ligar para o telefone fixo da nossa casa mas ninguém atendeu — o rapaz tentou mudar de assunto. — Vocês duas, entrem no carro e vão para seus lugares~. Não é bom ficar na chuva~.

As duas se entreolharam, assustadas e confusas.

Entraram no veículo, hesitantes, e colocaram o cinto de segurança ao sentarem. Yeri aproximou-se de Astrid e sussurrou ao seu ouvido.

— Seu irmão usa algum medicamento?

— Claro que não! É um cara muito saudável, o único problema que ele tem é escoliose.

Yeri olhou para os pés e ficou um bom momento em silêncio.

Ao parar num semáforo, a garota retirou o papel de seu envelope e o leu mais uma vez. Realmente não conseguia achar sentido algum naquilo...

De fato, aquele era o dia mais estranho de sua vida.

Notas finais
Este foi um dos meus capítulos favoritos de escrever uwu Agora que conheceram melhor a prima de Francis, o que acharam dela? E quanto a Astrid e seu irmão? E QUE TANTA GENTE É ESSA? MISERICÓRDIA. Algum dos 1001 (na verdade 20) convidados chamou a sua atenção? O que vocês acharam do encontro do Solstice? E O QUE SIGNIFICAM ESSES BILHETES DOIDOS COM SIGLAS E COISAS APARENTEMENTE DESCONEXAS? mwahahaha... Ah, e o que deu no primo de Astrid?! (; ಠ_ಠ) Comentem~ comentários me deixam contente. Mandem mais fichas~, as vagas estão abertas!! バイバイ Ficha 1 para personagens: https://goo.gl/forms/teoOSKYMF6lzJkMd2 [VAGAS FECHADAS] Ficha 2 para personagens: https://goo.gl/forms/jye593wsBnZRu0wu2 [VAGAS ABERTAS]