Soldados de Chumbo
7 Capítulo 7 - Concílio
Chicago, Illinois.
23h45Jim e John chegam à uma casa pouco modesta nos arredores de Chicago, um subúrbio agradável e cheio de calmaria, árvores verdes que podiam ser apreciadas mesmo na escuridão da noite. Param a porta junto com Hans, o Peste Negra, sem máscara.— Como viemos aqui tão rápido? — Perguntou James.— Padre Maurice e Gravys tem seus jeitinhos.— Quem diabos é Gravys? — Dessa vez era John quem tinha dúvidas.— Quase isso. — Respondeu Hans.— Oi? — Disse James, mas antes que a pergunta pudesse ser respondida, a porta se abre. Nela está um homem de roupão, cachimbo aceso na boca, barba cheia como de um nobre russo do início do século XX, chinelos nos pés e uma voz agradável.— Boa noite, meninos. Professor Ülrich.— Professor Macabellius. Esses são James Archibald Roy e John Smitthensen Junior, como requisitados pelo Padre Maurice. — Entrem, por favor. — A casa do Professor Arturo Macabellius era uma aconchegante e grande casa do subúrbio, bem iluminada por fortes luminárias e bem aquecida pela enorme lareira da sala, aonde em uma das poltronas, estava sentado, com seu habitual cigarro, e rezando em silêncio, o Padre Maurice. — Padre, eles chegaram.Os meninos entram na frente, apreensivos e desavisados junto com Hans, que já conhecia a casa.— Posso usar o banheiro, Art? Sabe como é, sangue.— Claro, Hans. Você sabe aonde é. Fique a vontade, só não suje o carpete nem o tapete do banheiro, não quero limpar tudo de novo.— Claro, fique tranquilo. — Hans Ülrich era um homem de voz gutural, mas o tom era de um homem doce, que havia sofrido uma grande perda na vida. Na grande verdade, todos naquela sala haviam passado poer algo do tipo. Ele caminha em direção ao banheiro, dando espaço para John e James conheceram os senhores que estavam na sala.— James, meu garoto. — Padre Maurice apaga sua bituca e se levanta para abraçar seu antigo protegido.— Padre. Que prazer em vê-lo. Como chegou aqui.— Bom... — Nesse momento, um homem surge da cozinha com um bule de chá em suas mãos, esse homem é... Padre Maurice. Por um estante, havia dois dele na sala. — Tenho muito a lhe explicar, jovem.— MAS-- O QUE???? — John se surpreendera demasiadamente, assim como James, que preferiu se manter em um breve silêncio. — Que DIABOS?— Meu jovem, não blasfeme. — Disse o Padre. — O diabo não tem nada a ver com isso.— Como é possível, Padre? — Perguntava James, enquanto via o "clone" de seu protetor espiritual se curvar em uma mesa de centro, depositando um bule com chá e algumas xícaras, antes de "se unir" novamente ao corpo primário.— James, entenda. Eu tenho habilidades que me ajudam a servir melhor minha vocação como Soldado de Cristo. Entende. "E é por isso que também posso ler seus pensamentos".— WOW. — James remexe a cabeça. — Ok — Ri ele — Não faça mais isso.— Não se preocupe, jovem. Só tenho a condição de lhe comunicar em pensamento, mas não posso ler nada de sua consciência a menos que permita. — Ele se senta e se serve um pouco de chá. — Quanto à clonagem, também posso me teleportar. Essa habilidade foi dada a outros antes de mim, conhece o milagre do Papa Pio XII, certo?— Sim, senhor. Apareceu em dois lugares distintos da Europa em menos de uma hora. — O Padre acena com a cabeça e sorri. — Fantástico.— Senhor... Padre... Maurice? — Pergunta John, desajeitado.— Sim, meu jovem. John, certo?— Sim, senhor. — Responde o menino, colocando as mãos no bolso. — Por que estamos aqui?— Bom, o motivo é simples, John. Vocês estão aqui conosco pois temos uma missão muito importante. Salvar o mundo das forças demoníacas.Ambos os meninos se entreolhavam e não entendiam bem a situação. Hans já se juntara a eles novamente. Estavam na sala James, John, Hans, Arthur e o Padre.— Cada um de nós foi escolhido há anos para termos a responsabilidade de fazermos nosso melhor em vocação de deter essas forças. Fomos escolhidos por uma razão simples. Todos nós sofremos uma grande perda. — Dizia Arthur sentando em sua poltrona e se servindo de chá preto. — Eu perdi minha esposa e meu filho num acidente de carro, anos atrás. Hans ali, teve seu filho esquartejado por satanistas alemães, desde estão faz o mesmo com criminosos. — E o senhor, Padre? — Perguntava James.— Bom, meu rapaz. — O Padre acendia um outro cigarro, Arthur colocava mais tabaco no fornilho de seu cachimbo. — Eu perdi meu avô para a Peste Espanhola. Ele quem praticamente me criou. Eu estava no seminário quando ele morreu, eu não sabia da doença dele. Meus pais na época me mandaram uma carta. Foi doloroso para mim.— Entendo, sinto muito. — James olhou para o amigo. — Bom, eu perdi meus pais, e quanto a você, Johnny? — O amigo estava surpreso, e assustado. Quase não queria falar.— Lembra quando eu disse que minha mãe tinha ido embora?— Sim, anos atrás você me disse isso.— Pois é. Não. Ela morreu quando eu tinha três anos, dando a luz ao meu irmão, que também se foi.
— Meu Deus.— Eu posso dizer algo? — Perguntava Hans.— Fique à vontade, Professor Ülrich. — Respondeu o Padre. — Não queremos que achem que isso é um grupo de terapia, e nem que é culpa de Deus que nossos entes de foram. Nós estamos aqui por quê partilhamos de algo mais forte, compartilhamos de uma dor que poucos compreendem. Essa dor nos fortalece, e nos dá uma razão para lutar mais e mais a cada dia. Eu posso apostar que é isso que tira vocês dois da cama todos os dias. — O sotaque de Hans era pesado mas muito bem compreensível. — Somos mais do que lutadores, mais do que pobres coitados. Somos Soldados. Soldados de Ferro. Não, melhor... Aço.... NÃO, MELHOR AINDA...— Chumbo. — Respondia uma voz gutural atrás dos meninos.— ARRREEE! — Ambos exclamavam assustados. Eles se viram e dão de cara com Gravys. Com suas asas abertas e vestes cinzas.— James, John. Bem vindos. — Disse Gravys.— Quem é você, pela Santa Virgem?— Me chamo Gravys.— Precisava mesmo dessa entrada triunfal? — Perguntou Hans.— O Padre disse que seria engraçado.— E eu tinha razão — Respondia o padre, batendo a cinza do cigarro num cinzeiro na mesa de café.— Vocês dois receberam o chamado dos Céus. Unam-se a nós na caçada aos demoníacos terrenos, assim como o Baphomet recebeu a missão de deter o Grande Leviatã.— O que são demoníacos? — Perguntou James.— Seres humanoides, mas que são na verdade criaturas do inferno. Eles estão montando terreno para voltar à terra. — Respondeu Hans.— Nós três os enfrentamos no passado, mas eles voltaram — Acrescentou Arthur.— A cada vez que eles voltam, um grupo de homens é escolhido para enfrentar essas criaturas. Enfestaram os campos de batalha nas duas guerras mundiais, e em vários outros episódios de colapso entre os Homens. — Disse o Padre apagando e acendendo mais um cigarro.— A nossa missão é simples — Gravys chamava a atenção de volta para ele — Detectar e deter. Isso não impede que vivam suas vidas normalmente. Mas vocês a partir de agora devem ficar atentos. Se aceitarem a missão, é claro.— Bom... Como podemos recusar uma coisa dessas? — Dizia Jim. — É um chamado dos Céus. É claro que topamos. — John concordava com a cabeça, estava levemente intimidado pela presença de Gravys.— Ótimo. Sentem-se, tomem chá.— Er, na verdade... Senhor... Gravys... Nós temos aula amanhã, sabe? E seria bom se voltássemos para Indianópolis. Tipo, agora.— Ó, eu compreendo. Claro. Já é de fato bem tarde. De qualquer forma, entraremos em contato. Obrigado, meus jovens. — Os 3 homens acenem para os garotos que rapidamente desaparecem de suas vistas.— Confia neles mesmo, Padre? — Perguntou Arthur.— Eu confio neles mais do que confio em mim mesmo para essa missão, Arthur. Não se preocupe.— Os meninos são bons, os vi lutando agora — Acrescentou Hans. — Serão de enorme ajuda. — Os meninos foram escolhidos, senhores. Assim como vocês. — Disse Gravys. — Eles são soldados agora, e todos nós somos uma equipe destinada a livrar o mundo dos demoníacos mais uma vez. — A sala fica em silêncio, até que Arthur quebra o gelo. — Chá, Gravys?— Claro. Sem açúcar, por favor.
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