Soldados de Chumbo

8 Capítulo 8 - A Festa


No dia seguinte, John e James se encontram no corredor da Indy High, Jim carrega os livros do período da manhã, avista o amigo no final do corredor, usando uma camisa xadrez verde e vermelha, com suspensórios. Todos falavam que viram dois super heróis na TV ontem a noite.
— Me dá um bom motivo pra eu fingir que não te conheço! — Diz Jim.
— Não enche, é meu estilo.
— Legal, Billy Ray.
— Billy Ray! Boa, Roy — Diz um colega que passava.
— Obrigado por isso.
— Não foi de propósito.
Ambos começam a andar pelo corredor, conversando baixinho sobre a reunião que tiveram ontem.
— Sendo assim, Johnny, acho que podemos continuar — agindo como justiceiros — e mesmo assim teremos tempo para pegar essas criaturas. Sei que sua fé não é das mais fortes, mas peço que acredite em mim. Eu confio no Padre Maurice, e... John? — Jim se vira e percebe que seu amigo ficou no meio caminho. Ele dá alguns passos atrás e nota que John observa a sala de ensaio da Orquestra. — Bem bonito, o que é?
— Haydn, sinfonia 104.
— Wow, não achei que você fosse saber responder. Sem ofensas.
— Não me ofendeu. Eu sei, sou caipira. Mas gosto de ouvir música clássica. Me acalma.
— Country não te acalma?
— Muitas coisas me acalmam, Arch. — John ouve atentamente à peça sem desviar os olhos de Sarah. — Principalmente o rosto dela.
— Meu Deus, Johnny. Seja Homem e chame ela pra sair.
— Eu vou, só preciso esperar o tempo certo.
— Palhaçada, irmão. Qualquer hora é o tempo certo. Vá até ela, seja cordial, olhe nos olhos dela e diga: Quer sair comigo? É simples. Quer ver?
James olha atentamente ao corredor e avista Daphne Oiller. Uma moça inteligente e bonita que passava pelo corredor. James pula na frente dela.
— Oi, Daphne? Não é? Me chamo James. Quer sair comigo qualquer dia desses? Tomar um sorvete ou coisa do tipo?
— Oi? — Responde a garota, sem uma reação mais preparada.
— OI, tudo bem? Sou James, James Roy. Está afim de sair comigo?
— Ah, bom... Eu tenho namorado... James? Então, não. Desculpe.
— Não precisa se desculpar, obrigado pela atenção. — Ela continua andando enquanto Jim se volta ao amigo. — Viu? Fácil.
— Você levou um fora.
— Ela tem namorado, John. Não ouviu a conversa?
— Na verdade, não. Estou prestando atenção ao ensaio.
— Ok. Vamos pra aula, certo? Estamos quase atrasados.
Depois do almoço, John e Jim estão sentados no meio da sala, John encara a janela observando os pássaros, Jim responde as perguntas do professor Turner como se fosse a coisa mais fácil do mundo. Sarah entra na sala.
— Desculpe, senhor Turner. O maestro Gillian nos segurou a mais no ensaio hoje pra uma reunião e--
— Não se preocupe, Srta. Dunstable. — Ali, tem um lugar vago na frente do Sr. Smitthensen.
— "BILLY RAY!" — Gritou um dos alunos.
— Claro, professor. — A menina se aproxima da mesa e se senta, logo imediatamente virando para John. — O que achou do ensaio? — John demorou a entender que ela estava falando com ele.
— Oi? Como?
— O ensaio. Haydn, o que achou?
— Ah, sim. Eu não pude assistir tudo, tínhamos aula.
— Eu reparei, olhei pra janela algumas vezes e não te vi. — Ela cora. — Digo, porque você sempre está assistindo.
— Claro — John dá um sorriso malicioso.
— Olha, vou dar uma festa hoje a noite na minha casa. Chamei uns amigos, Kyle se ofereceu pra ser o DJ. — Kyle era um valentão que vivia pegando no pé de John, que sempre deixou pois se John fizesse qualquer coisa, poderia matar o garoto com apenas um tapa. — Te vejo lá?
— Ah, claro. — John olha para James, que o encara com um sorriso engraçado e uma careta maliciosa.
— Você também, Jimmy. Bem vindo de volta, por falar nisso.
— Obrigado, Sarinha. Estarei lá, eu e o Billy Ray.
— Se eu sou o Billy Ray você é a Miley.
— Eu sou a porra do Hank Williams, meu irmão. — Sarah ri.
— Vocês são mesmo unha e carne. Depois de tantos anos.
— Longos anos, Sarah. — Brincou John.
A noite, John e James aparecem na frente do prédio onde Sarah mora.
— Sabe em qual andar ela mora?
— No último. O pai dela é dono da sacada. — Responde Jonh.
— Você sabe até disso? Seu stalker descarado — James ri.
— Cala a boca. Saiu até no jornal.
— Quem que lê jornal, Hev?
— EU, animal. Não confio na porra da CNN. Indiana Post é mais confiável.
— Ok, dane-se. Vamos de elevador ou você vai me carregar até lá em cima igual Lois e Clark?
— Você é ridículo. Vamos de elevador.
James vestia uma jaqueta de couro, que escondia um coldre com uma pequena pistola. John usava uma outra camisa xadrez, uma gravata bolo e uma fivela relativamente discreta.
— Vamos nessa.
Na festa, a música já estava alta e a festa já estava em seu máximo vapor. Nunca antes James havia indo a uma festa, que dirá John. Sarah surge do meio da multidão para receber os dois.
— Ah, vocês vieram! — Sarah usava um vestido azul escuro, o cabelo cacheado solto nos ombros, um batom claro e salto baixo. Combo perfeito para fazer John se sentir fraco nos joelhos. — Venham aqui. Jim, você está naquele estágio do exército, né?
— Se quiser chamar assim... — Jim ri enquanto pega um copo de refrigerante.
— Que legal, quero te apresentar a uma amiga, ela acabou de voltar da Academia de Prodígios de Oxford. O nome dela é Beth. — A garota caminha os dois até uma moça mais baixa que ela, loira de cabelo ondulado, olhos verdes e um sorriso encantador. — Betty, esse é o cara que te falei.
Ela carrega um copo de refrigerante e estende a mão para cumprimentar os meninos.
— Elizabeth Nüll. Prazer.
— Jim Roy. Esse é meu amigo John.
— Beth estava me contando agora que ela vai trabalhar no centro de pesquisa do quartel Nº1733. Qual a sua unidade, John?
— Coincidentemente, a mesma.
— Sua unidade? — Pergunta Elizabeth para James.
— Sou treineiro especial do exército. Hora extra pra conseguir bolsa pra faculdade.
— Entendi. Que interessante.
— Beth estava me contando que vão começar as pesquisas em cima de um novo elemento que surgiu agora a pouco nos Estados Unidos. Ainda é "segredo".
Agora era a vez de John fazer caretas para Jim.
— Que interessante mesmo, hein, Beth. Não seria nada parecido com experimentos de Super Soldados, seria?
— Por incrível que pareça, sim. Como sabe?
John bate a mão no ombro do amigo.
— Até mais tarde, Hank Wailliams do meu sac-- O som é interrompido.
— ALÔ, meus queridos. Aqui é o DJ Kyle Drill. Atenção ao telão. Temos um convidado especial na sessão de entretenimento da festa, os vídeos do teste pro time de futebol do John Smiththensen.
— Filho da puta. — Disse John.
— Quando você fez testes pro time de futebol? — Perguntou James.
— Semestre passado. -John cochicha para o amigo — Precisei fingir que levava porrada pra não estragar o disfarce.
— Caramba. Sofrimento e humilhação a troco de nada. O que diabo tava pensando?
— Não sei. Na moral, não sei. A Sarah estava assistindo, lembra, Sarah?
— Foi doloroso de ver. Digo, por você, na verdade.
No telão, começam a ser exibidas filmagens de John caindo, sendo derrubado, sendo esmagado e atropelado.
— QUE SHOW, HEIN BILLY RAY — Kyle começa e rir. As mãos de John se fecham, e ele sente uma profunda raiva, ele experimenta avençar na direção de Kyle, mas é parado por James.
— Não.
— Me solta, Jim.
— Você vai matar esse cara, não faz isso. Você está de cabeça quente. Eu lido com ele. Já fiz missões na Somália e no Iraque. Enfrentei gente mais assustadora que o Kyle. Não vou machucar muito ele. — John ainda sentia raiva, mas deixa passar. — Vai lá fora tomar um ar. Disse que tem sacada aqui, certo? Vai lá, irmão.
John obedece ao bom senso de Jim, e sobe as escadas até a sacada do prédio. James põe o copo numa mesa que estava ali por perto.
— Com licença, Elizabeth. Preciso resolver uma coisa. — Ele se afasta da moça e segue em direção a Kyle. Ao chegar atrás da mesa de mixagem aonde está o valentão, James o encara por alguns segundos.
— O que foi, Roy? Vocês não senso de humor n-- Antes que ele pudesse terminar a frase, Jim o agarrou pelo braço, torceu-o e colocou seu rosto na mesa de mixagem, a música pára. Todos param de dançar e de conversar e colocam sua atenção toda na situação. Kyle grita.
— Você torceu meu braço. Deslocou ele, seu merda.
— E farei isso com o outro se não parar de palhaçada, seu filho da puta. Se dirija ao meu amigo de novo e eu mato você. Entendeu?
— Sim, pelo amor de Deus. — James põe o braço do valentão de volta no lugar, e repara que todos olham para ele, inclusive Elizabeth, meio assustada. Ele pega o microfone, e liga a música.
— Continua... — A festa volta a rolar.
Na sacada, John respira ar puro e tenta esfriar a cabeça.
— Não vai voltar pra festa? — Ele se vira para responder.
— Oi Sarah. Claro, só me dá um segundo, tá? Não gosto desse tipo de brincadeira.
— Olha, ignora o Kyle. Ele não é metade..--
— Metade do quê?
— Metade do cara que você é. Você é inteligente, bonito, tem bom gosto. Não conheço ninguém que goste tanto de música clássica quanto você. E não entendo porque está aqui. É alto demais.
— Você tem medo de altura?
— E quem não tem?
— Eu. — Ele fica levemente desconfortável. Mas ignora esse sentimento — Vem aqui. Eu te seguro.
— Você não pode me segurar se eu cair.
— Você se surpreenderia, na verdade.
John puxa a garota para perto dele. Quase com a intenção de beijá-la.
— Olhe isso. — John se afasta da menina e sobe no parapeito da sacada.
— MEU DEUS. John, não faz isso, desce daí. Você vai cair.
— Não vou. — John olha fixamente para ela. Ela está quase em pânico ao ver o rapaz naquela situação.
— DESCE DAÍ, JOHN SMITTHENSEN JÚNIOR!! VOCÊ VAI CAIR.
— Não... Vou... — John flutua sobre o prédio.
— O qu-? — Antes que ela pudesse entrar em choque, John a puxa para perto de si, segurando-a com força para que ela não caia. — É você?
— Eu gosto de música clássica, Sarah. Mas eu gosto mesmo é de você. — Ele a beija. Ela demora um segundo, mas retribui o beijo de John, mais apaixonada do que ele poderia querer.

— Faz tempo que eu espero um beijo seu, John Smitthensen Júnior. Muito tempo. — Ela fica nos braços dele. Eles continuam se beijando.


De volta à festa, James se reaproxima de Beth.
— Desculpe por isso.
— Você não é só um treineiro do exército, não é?
— Você é inteligente. — James dá um gole no refrigerante que pegou de volta na mesa. — Não.
— Nesse caso, será uma honra trabalhar com você, Agente Especial "Archibald". — Ela mais uma vez estende a mão para Jim. Ele retribui.
— Até segunda-feira.