Soldados de Chumbo

6 Capítulo 6 - Peste Negra


A vista da fazenda não podia revelar muita coisa, porém conforme se aproximavam do local, viam as ambulâncias e viaturas deslizando pela cidade. As sirenes ligadas, os sons de tiro. Algo estava muito errado naquela noite de Indianápolis.

— Voa mais baixo, Johnny. Precisamos chegar naquela esquina, aparentemente está vindo tudo dali. — John segurava o amigo pelos braços e iam descendo até que aterrissaram em um telhado. James sacou um binóculo portátil e avistou do outro lado da rua, na esquina, um banco cercado pela polícia. — É o banco. Deve estar sendo assaltado.

— O que podemos fazer?

— Bom, se eles estiverem fortemente armados, evite levar tiros. Vamos descer os dois, entramos com tudo dentro do banco e quebramos os caras.

— E se houver reféns?

— Você é rápido, solte todos e proteja-os. Vou pegar o máximo de criminosos que puder. Tentarei não errar nenhum tiro.

— Você vai mesmo atirar? Já fez isso antes?

— O tempo todo.

— Não, digo... Matar uma pessoa. É contra a nossa fé.

— Eu sei disso, John. Mas somos nós ou eles. — Jim pega as pistolas e coloca em coldres em baixo de seus braços, quase espremidos num colete a prova de balas. Ele veste uma máscara preta de combate — Quantos andares tem esse prédio?

— 3, eu acho.

— Então não preciso de carona.

— O quê?

— Te vejo lá embaixo, irmão. — Jim sai correndo e pula do prédio. No ar, ele saca as pistolas e aterrissa no chão e num movimento preciso de parkour, está em prontidão. John cobre o rosto com uma bandana e corre atrás de Jim, saltando também. Aterrissa no chão e faz um leve estrago. De repente, todos estão os encarando. As câmeras voltadas para eles.

— Quem são esses? — Ouve-se uma voz.

— Não sei. — Responde outra. Existe um leve alvoroço no centro da cidade. O capitão da polícia se aproxima de James.

— Quem são vocês?

— Viemos ajudar, Capitão.

— Ajudar como? Vocês garotos deveriam estar na cama. Aqui não é lugar para crianças. Saiam daqui antes que se machuquem. — Eles ouvem uma grande explosão. A fachada do banco é destruída pelos criminosos e um deles sai de dentro do banco com uma arma imensa, e começa a atirar. Ao terceiro disparo, Jim já pula por cima de um carro em chamas e com apenas um tiro certeiro, acerta o criminoso por entre os olhos. O capitão estava pasmo.

— Meu Deus. O que são vocês?

— Deixe-nos ajudar, capitão. Somos treinados e capazes.

— Eles tem reféns lá dentro.

— Entendo. — Jim olha para John. — Nós somos, er... Heveros e Arch. Sim são nossos nomes.- "Heveros... Gostei" Pensou John. — Vamos ajudar. Hev... — John demora para entender que é dele de quem James está falando.

— Sim...Er... Arch?

— Vá pelos fundos e solte os reféns, vou enfrentá-los daqui.

— Certo. — John salta em direção ao céu, deixando apenas alguns pequenos escombros de asfaltos.

— MELHORA ESSA DECOLAGEM, CACETE!!! — Grita o amigo. — Os policiais, civis e bombeiros olham para o chão e para o jovem decolando no ar. Ele vai até o outro lado do banco e entra pelo teto, surpreendendo os bandidos. Ele conta 7 elementos armados, 3 reféns.

— Noite!

— Atirem. — Disse um dos capangas. As balas chegam no susto, mas não penetram John. Ele sente cócegas. "Calibres baixos, graças a Deus" Pensava ele. Ele vai até o primeiro e acerta um soco que faz o homem sair pra fora do banco, enquanto James entra pela porta da frente com as pistolas, ele acerta um, dois, três.

John vai até os reféns e começa a soltá-los.

— Não se preocupem, estamos aqui pra ajudar. — Os reféns se levantam e começam a correr em direção à saída. Quando John ouve uma arma disparando em direção aos reféns. Ele consegue chegar a tempo e segura a bala com uma das mãos. — Ufa, hein meu chapa. Corre lá, na moral. — O homem assustado continua a correr, a ambulância já estava a postos para receber os reféns.

— Arch! — Gritou John. Jim já havia liquidado os outros.

— Faltava um, foi pros fundos. Vamo!! — Os dois perseguem o homem que segue atirando para trás. — John, me dá cobertura. — John entra na frente de James, tomando os tiros pelo amigo.

— Atira, Jim. — Foi o que fez, James acerta a perna do criminoso que cai logo na entrada de uma porta escura. Ainda armado. Os dois se aproximam.

— Largue a arma que talvez deixemos você inteiro pra polícia. — O homem não respondia, mas pôs o dedo no gatilho mais uma vez.

— Talvez não... — Jim aponta a arma na direção do bandido, que misteriosamente é sugado para a escuridão da sala.

— Mas o qu--? — Questiona John. — Você viu isso?

— O cara sumiu do nada. — De dentro da sala escura, era possível ver o homem gritar, sons de lâminas abafaram as lamúrias. Uma poça de sangue chega à porta.

— PUTA QUE PARIU... — Diz John. — Que merda é essa, Roy? Que porra é essa? Vamos vazar daqui, cara.

— ESPEREM! — Vinha uma voz de lá de dentro. Os dois esperaram, levemente assustados. — James Archibald Roy? John Smitthensen Jr? — Os rapazes se entreolham e sabem que coisa boa não deve vir dali.

— Sim? — Eles respondem.

De dentro da sala escura, pisando na poça de sangue, surge um homem alto, vestido completamente em preto, coberto por uma densa capa de chuva, um chapéu e uma velha máscara de médico medieval.

— Arch... O homem corvo sabe nossos nomes. — Disse John.

— Quem é você? — Disse James.

— Eu sou um amigo de um amigo. — O homem carregava uma machete, ensanguentada. Ele a guarda numa bainha. — O Padre Maurice quer vê-los?

— Padre Maurice é seu amigo?

— Ele não concorda com meus métodos, nem um pouco, mas sim. Somos amigos.

— Quem é você? — Perguntava John mais uma vez.

— Meu nome é Peste Negra. E é isso que eu faço com criminosos. — Ele retira o chapéu e a máscara. — Mas também sou Hans. Professor da Universidade de Chicago.

— Bem que eu notei o sotaque alemão — Disse John.

— O que faz aqui? — Disse James.

— Já lhes disse, vim a pedido do Padre Maurice. Ele quer vê-los.

— Como ele sabia que estávamos aqui? — Perguntou James.

— Ele os viu na TV, e me mandou para chamá-los. Podem confiar em mim, garotos.

— Eu confio no Padre Maurice, mas não em você. Por enquanto.

— Justo. E você, Garth Brookes?

— Isso foi um baita de um elogio, caso queira saber. — John analisa a situação. — Bom, vamos ver o Padre Maurice, seja lá quem ele for. — Ele se vira para o amigo.

— Eu te explico no caminho. — Disse James, guardando as pistolas.