Notas iniciais
Música: Lost Boys Banda: The 69 eyes Link: https://www.youtube.com/watch?v=MRq2J2M2ap8 Aparições: Atirador. Logo depois que o nyah voltou minha internet caiu. Motivo da queda? Copa. Bandeirinhas da copa + vento e chuva = cabo da internet desconectado.

[1876 – Londres]

Nos meses subsequentes ao falecimento e enterro de Henry Scott, os três mosqueteiros e Johanna se aproximaram cada vez mais. O plano era construir uma amizade com a moça pois assim seria mais fácil para Martino seduzí-la. O que os rapazes não contavam era com a facilidade de conviver com a senhorita Redstar. Ela era totalmente diferente das outras mulheres que conheceram.

Antelmo, sentado no parapeito da janela, sem tirar os olhos da paisagem de Londres, perfura o silencio da sala.

– Estou quase me arrependendo pelo que faremos com a Jhô. Ela não merece além de ser, de longe, a mulher mais impressionante que já conheci! E olhem… Eu já conheci inúmeras mulheres.

– Eu admito que também estou me sentindo mal por conta disso. Concordo com você, ela é incrível e foi muito generosa conosco estes dias todos. A Johanna sabe de nossa situação financeira e, ao contrário de outras pessoas, não se afastou da gente e ainda nos ajudou muito. — Diz Ansur deitado, largado, no sofá.

Martino está sentado na poltrona, tomando seu adorado whisky, e demora alguns segundos para participar da conversa. Toma outro gole da bebida e diz:

– Pensei que apenas eu estava incomodado com a situação. Que tal procurarmos outra vítima? Ou arranjarmos dinheiro de outra maneira, uma mais digna talvez? Apenas para variar um pouco.

– Fico mais aliviado! — Diz Ansur.

– Estamos todos mais aliviados! — Corrige Martino.

– Então, estamos combinados! O golpe que daríamos na Jhô foi oficialmente cancelado! — Finaliza Antelmo que se levanta da janela e se senta em uma poltrona vaga.

– Meu irmão, você continua a chamando de Jhô pelas costas dela. A Johanna já lhe disse, algumas vezes, que detesta este apelido!

– Irmão meu! Mentimos para ela sobre nossa condição de vampiros; mentimos para ela sobre a razão inicial de nossa aproximação; iríamos dar um golpe na moça e… Você está preocupado com o fato de eu chamá-la por um apelido que ela não gosta?!

– Pela primeira vez na vida Antelmo diz algo sensato! Agora posso morrer em paz! — Comenta Martino aos risos.

Martino está feliz, nada mais o impede de ter um romance de verdade com Johanna. Sem intenções escusas por detrás dos elogios e afeto. Não se sentirá um lixo toda vez que insinuar interesse pela moça.

Desta vez é Ansur que quebra o silêncio da casa.

– Vocês já sentiram algo de estranho na Johanna?

– Claro que não! — Respondem os outros dois no mesmo instante. Ambos se assustam com a pergunta.

– Estranho como? Você está ficando maluco? — Questiona Tino.

– Eu não sei. Sinto umas vibrações diferentes vindo dela e as vezes me parece que ela vem de outra época. Age como se fosse mais velha, mais sábia. Como se tivesse outra criação, outros paradigmas… Pode parecer ridículo, porém tenho a impressão de que é ela que está nos fazendo de idiotas e mentindo descaradamente em nossa cara.

– Somente você percebeu, são coisas de sua cabeça irmão!

– Ou vocês não perceberam porque estão cegos com os encantos da senhorita Redstar. Algo nela está errado…

– Você desconfia da Johanna?! — Questiona Antelmo.

– Não… Vocês estão certos… Deve ser apenas uma impressão equivocada! Mesmo assim, mesmo desistindo do plano, precisamos nos afastar dela.

Tino e Antelmo ficam pálidos e mudos. Desesperados apenas com a ideia de se afastarem da mulher.

Ansur percebe que o irmão e o amigo tem interesses que vão além de amizade pela moça. Decide não comentar a evidência dos sentimentos dos dois, contudo joga-lhes a verdade em suas caras.

– Somos vampiros! Esqueceram?! Vão viver mentindo para ela até quando? Até quando ela perceber sozinha? Ou preferem contar? Acham mesmo que ela acreditaria? E mesmo se acreditasse… Não acham que ela fugiria de nós apavorada?!

Nenhum dos dois tinham, sequer, feito estas considerações. Provavelmente o vírus, mais conhecido como amor, tenha afetado seus cérebros. Ficaram mais pálidos, mudos e desesperados.

Ansur, ao perceber que a realidade e racionalidade recaíram sobre os outros dois, fica mais tranquilo. Ter seu querido irmão e seu melhor amigo apaixonados e disputando a mesma mulher poderia ser o fim da perfeita amizade que tinham.

***

♫Música♫

– Pensei durante toda tarde e ainda não consegui encontrar outra saída para nossa falência!

Antelmo, que nunca conseguiu ficar abatido ou cabisbaixo por muito tempo, tenta acalmar o irmão.

– Fique tranquilo! Encontraremos uma saída. Deixemos nossos problemas financeiros para amanhã. Hoje vamos nos ocupar com nossas vestimentas e com o grande jantar na mansão da família Falkins! Devemos agradecer a Jhô por ter nos dado convites!

– Por favor, se comporte neste jantar Antelmo! Esta é uma festa para apresentar a filha dos Falkins à sociedade londrina, são todos muito distintos, sérios e hipócritas. Eles não gostam de escândalos, além disso mancharia a apresentação da inocente garota. Não será como nos eventos que costumamos frequentar.

Neste momento, alguém bate na porta. Martino que acabara de aparecer na sala, estava abotoando os punhos da camisa que vestia, aproveita para atender o visitante.

– Despache quem quer que seja o quanto antes, caso contrário nos atrasaremos para a festa. — Adverte Antelmo.

Martino abre a porta, ao perceber quem estava ali em sua frente se apavora e empalidece. Mais pela surpresa do que pela rapidez do ato não consegue desviar. Um ruído estrondoso e seco pode ser ouvido pela vizinhança. Martino acabara de ser baleado, um tiro direto no meio do peito, a centímetros do coração!

Os gêmeos, graças as habilidades vampíricas, chegam até a porta quase que imediatamente. Ficam igualmente espantados ao ver quem estava com a arma na mão, pessoa que a esta altura já estava correndo em retirada.

O recado fora dado. Agora, a falência era o menor dos problemas dos três mosqueteiros.

***

Alguns minutos depois Martino já estava recuperado do estrago feito pelo projétil. Porém, o estrago psicológico feito pela visita não seria resolvido tão facilmente.

– Caralho! Ainda bem que você é um vampiro, teria sido fatal em um humano! Estamos mais que ferrados agora e não temos muito tempo! — Diz Ansur andando de um lado para o outro no quarto de Tino.

Tino, mesmo recuperado e já sem a marca da bala no corpo, prefere continuar deitado em sua cama com os olhos fechados restaurando suas forças, com dificuldades pois não se alimentava de sangue há algum tempo.

– Martino, Antelmo… Eu sei que tínhamos cancelado o golpe…

Tino abre os olhos, Antelmo paralisa no lugar e Ansur continua a dizer.

– Não podemos nos dar ao luxo de perder nosso escasso tempo procurando outra alterativa. A herança da Johanna é nossa única salvação. Eu também estou desolado, mas se quisermos viver… Aquele tiro foi apenas um aviso, o próximo ataque será fatal para nós três.

Notas finais
Por favor, avise sobre os erros. Hoje terão mais erros porque fiquei com preguiça de revisar.