Sol e Lua
19 Uma Nova Ameaça
Notas iniciais
Byakuya caminhava ao lado de Aiko pelas ruas da Seireitei, ignorava que alguns olhares curiosos estavam sobre eles e a expressão de preocupação com ela era evidente. A jovem parecia estar andando sem rumo, tanto que após alguns minutos em uma ruela mais deserta, ele a puxou pelo braço fazendo com que parasse.
Aiko o olhou por poucos segundos, até permitir que finalmente uma lágrima caísse em sua pele imaculada. Ele não se importou com mais nada e suas mãos foram de encontro ao rosto dela, acariciado-a com as pontas dos polegares. Entendia exatamente o que ela estava sentindo, pois, sabia o quanto Aiko amava Masanori.
– Quer ir comigo até um lugar secreto? – Perguntou ele olhando no fundo dos olhos dela.
– Secreto? – Sussurrou, tentava conter o choro com toda a sua força de vontade.
– Sim. Às vezes quando eu fugia do meu avô, ia para lá... Será que consegue me acompanhar?
Byakuya soou desafiador, então, desapareceu diante dos olhos dela usando shunpo. Aiko reparou que aquilo era uma tentativa de animá-la, sobretudo quando ele não falava facilmente de seu passado. Com um salto, ela foi atrás de Byakuya, se esforçava para ao menos, tentar ser tão rápida quanto ele.
Era difícil para o taichou admitir, mas ao olhar para trás, viu que ela estava ainda melhor usando shunpo e se orgulhava por isso. Queria que Aiko pudesse ultrapassar qualquer limite e tinha certeza de que a jovem shinigami ainda tinha muito para mostrar.
Após dez minutos, ele parou diante de uma montanha, no topo, havia uma pequena cabana abandonada. Com agilidade, saltou usando toda a força de suas pernas e usava os pés para conseguir mais impulso nas rochas durante a subida.
Aiko meneou a cabeça, odiava ter que saltar daquele jeito e lembrou-se no mesmo momento de Las Noches. Pelo menos, poderia usar as rochas para segurar-se e também impulsionar-se quando necessário.
Um pouco desajeitada, ela conseguiu chegar no topo, arfando. Aquela cabana de certa forma lembrava um pouco as de Rukongai, feita de madeira e com avarias causadas pelo tempo. Estava curiosa para saber o que encontraria lá dentro, então, seguiu Byakuya que empurrou a porta com cuidado.
Era bem pequena, com apenas um cômodo, sendo que havia uma mesinha e uma cama improvisada lá. Sobre a mesa estavam uma lamparina e uma caixinha de fósforos que Byakuya usou para iluminar o lugar e assim, puderam ver um caderno de capa dourada, tomado por pó.
– Há quanto tempo não vem aqui, Byakuya-sama?
– Bastante tempo – respondeu ele. – E é a primera vez que mostro esse lugar para alguém.
– Sabe que eu poderia morar aqui? – Ela retirou o lençol branco da cama e foi até a pequena janela para sacudir a poeira, e fez o mesmo com o travesseiro. Após arrumar novamente, sentou-se sobre o colchão um pouco duro. – Aposto que você escrevia naquele caderno.
– Um pouco... Era meu jeito de fugir da realidade.
– Acho que preciso fugir também... – Ela deixou escapar mais uma lágrima e esfregou os olhos com força.
– Hey – ele sentou-se ao lado de Aiko e a abraçou. – Não fique contendo as lágrimas. Você não pode prender seus sentimentos assim, Aiko. Chore, se quiser.
– Eu... Não... – Ela afundou a cabeça no peito dele e deixou-se chorar. Não conseguia esquecer o estranho olhar do pai e o modo como ele havia falado com ela diante de todos. Queria voltar até a Casa Kannogi e encará-los, dizer todas as verdades que ficaram presas em sua garganta. – Só por hoje, quero ter o seu colo... Por favor, me abrace com força.
– Eu não vou sair daqui, fique tranquila – o taichou começou afagar os cabelos dela, enquanto a abraçava fortemente. – Prometo que tudo vai ficar bem. Ninguém vai tirá-la do Gotei Juusan e muito menos forçá-la a casar.
– Eu não estou preocupada com o casamento – ela ergueu a cabeça e olhou para Byakuya. – Na verdade, estou sentida com o meu pai... Será que não o conheci de verdade até então? Aquele é o verdadeiro Kannogi Masanori?
– Acredito que o seu pai apenas fez aquilo para não criar desavenças outra vez com o irmão. Confesso que fiquei bastante surpreso com a promessa de ambos... Normalmente todas as famílias nobres ficam sabendo quando acontece algo assim.
– Por mim, ele e meu tio que se matem então! Falta de consideração é pouco... Sei que é um costume e todo esse blablabla, mas comigo não! Só me caso com...
– Com? – Byakuya apertou os lábios em um pequeno sorriso quando Aiko parou de falar e ficou com as bochechas coradas, um contraste e tanto visto que a pele dela era tão alva.
– Acho que eu posso sonhar, não? – Ela sorriu e escondeu o rosto no peito dele, sua voz passou a sair abafada. – Sei que é um sonho impossível.
– Se fosse impossível, – ele procurou a orelha direita dela e sussurrou – acha que eu teria levado tudo isso adiante? Eu jamais seria capaz de brincar com os seus sentimentos, minha adorada princesa.
Aiko sentiu uma fisgada no ventre, em seguida, um arrepio percorrer suas costas e a sensação de faltar ar em seus pulmões. Era como se o seu coração tivesse parado por alguns segundos, para voltar a bater em um ritmo tão frenético que parecia querer saltar pela boca. Achou por um momento que estava sonhando, pois, aquilo com toda a certeza era o que ela sempre quis ouvir – ou uma parte de tudo o que queria que saísse pela boca dele.
Byakuya notou a surpresa de Aiko quando ela o olhou em dúvida, os olhos verdes estavam brilhantes por causa das lágrimas, deixando-a com um ar de doçura e inocência que somente ela possuía. Os lábios róseos dela pareciam suplicar por um beijo e ele não resistiu, encostando os seus suavemente. Queria de alguma forma acalmá-la com o seu beijo, transmitir confiança e certeza de que o amor dele era genuíno e que a cada dia aumentava. Conforme sua língua ia acariciando a dela e ficando envolvido naquele ato, recordou exatamente de quando mal sabia se podia corresponder ao amor dela. Enquanto Aiko se entregava totalmente a ele naquilo, chegou à conclusão de que um dia ter comparado o sentimento que tinha por ela a um amor fraterno era quase loucura. E a maior prova era o que sentiu quando viu Yuichi tocando nela ou antes até, ao saber que ambos estavam prometidos um ao outro. Ela pertencia a ele e ninguém a tomaria de seus braços jamais.
Byakuya abriu os olhos e estranhou não ter visto Aiko ao seu lado na cama. Havia sido um pouco difícil dividirem um colchão tão pequeno, mas ela havia se encaixado tão perfeitamente no corpo dele, que estava sentindo falta daquela conexão.
Ao sair pela porta, o taichou calculou que deveriam ser sete horas da manhã, e claro, ela havia voltado para o seu posto. A admiração que tinha por aquela garota parecia não ter mais fim, pois sabia o quanto ela gostava de ficar ao seu lado.
Antes de voltar para a realidade, Byakuya entrou novamente na cabana e pegou o caderno que estava sobre a mesa.
Juusanbantai
Ukitake recebeu Aiko em seu escritório pontualmente às nove da manhã e reparou que ela estava com olheiras profundas. A primeira coisa que lhe veio à cabeça foi Kuchiki Byakuya, já estava acostumado a vê-la triste por causa dele, contudo, fazia algum tempo que não acontecia. Como queria conversar com ela, pediu para que servissem chá e bolinhos, assim, ambos sentaram-se diante de uma mesinha e começaram a conversar.
Ela entregou todos os relatórios que Unohana enviou e explicou cada detalhe a respeito do procedimento de limpeza e esterilização de todo o Juusanbantai naquele mês, que seria efetuado em três dias. Era algo bastante comum, entretanto, Unohana gostava de deixar tudo muito claro e enviar folhetos atualizados para os membros de cada bantai a respeito também de limpeza e assepsia para o dia-a-dia.
– Alguma dúvida, taichou? – Indagou ela após beber um gole do chá.
– Não. Se esse novo produto que você me falou não vai causar nenhum tipo de alergia após a esterilização, fico tranquilo.
– Certo! Ah, taichou... O Bonzai que o senhor me deu está crescendo e estou cuidando muito bem dele, viu? – Comentou orgulhosa.
– Que bom, Aiko-chan. Agora, vai me contar o que está acontecendo? Ou melhor, o que o Kuchiki-san fez com você...
– Ele não me fez nada, taichou! – Ela suspirou. – Se é que dá para acreditar, faz um tempo que não nos desentendemos. Está tudo perfeito entre o Kuchiki-sama e eu.
– E então? – Ele continuava desconfiado, parecia não acreditar em Aiko. – Por que não confia em mim, hein?
– Taichou, – Aiko o olhou nos olhos – o senhor é de uma família nobre, então acho que vai me entender... Prometo que vou contar tudo o que está acontecendo, mas antes, pode me dizer qual a atual situação da Central 46?
– Bem, ela foi remontada e estão atuando normalmente, Aiko. O que você quer saber, exatamente?
– As famílias nobres conseguem favores com eles?
– Não sei dizer – ele comeu um bolinho e procurou os olhos da jovem. – Talvez possa acontecer. Já ouvi algumas histórias.
– A Central 46 pode permitir que um shinigami não exerça mais suas funções para viver de forma “normal”?
– É uma pergunta bem delicada e não posso responder de forma leviana, mas acho que se for muito importante para você, eu tentarei falar com o Yama-Jii.
– Ficarei agradecida demais, Ukitake-taichou! Agora, vou contar para o senhor o que está acontecendo... Assim, também entenderá minhas perguntas.
Dois dias depois
As borboletas infernais anunciavam entre os batalhões sobre uma estranha energia que fora sentida próxima ao Ichibantai. Nem mesmo a guarda do soutaichou conseguiu segui-la com sucesso, perdendo o rastro facilmente. Todos deveriam ficar em alerta.
A primeira ideia que veio à cabeça de Aiko naquela manhã foi algum experimento de Kurotsuchi Mayuri ter escapado do laboratório. Será que alguém mais havia pensado a mesma coisa? Ela estava disposta a averiguar, contudo, não podia deixar o Centro Médico naquele momento, já que um oficial do Sanbantai estava passando por uma cirurgia espiritual e ela era responsável.
Ainda estava arrasada pelo episódio em sua casa, tanto que após a reunião com Ukitake, não fez mais nada a não ser dedicar-se aos seus deveres no bantai. Após cumprir com seus deveres, ela se dirigiu até o refeitório.
– Bom tarde – cumprimentou a todos desanimada. – Alguma novidade sobre o tal invasor?
– Não – respondeu Isane. – Aliás, o Byakuya-taichou pediu para cuidar pessoalmente dessa ameaça e o soutaichou concordou. Ainda assim, devemos tomar cuidado.
– Estranho, o Kuchiki-taichou se envolver em algo assim, – Aiko pediu um suco e o prato daquele dia para a responsável pela cozinha, em seguida continuou – será mesmo uma ameaça tão grande?
– Para alguém como Kuchiki Byakuya se interessar, acredito que sim, Aiko-san.
– Yonseki... Yonseki!
Um shinigami adentrou correndo no refeitório, chamava por Aiko arfando. Ela reconheceu aquele homem, era do Rokubantai.
– O que aconteceu, Yun-san?
– Tenho uma mensagem para você.
– Venha comigo, por favor... Com licença, Isane-san! – Ela conduziu o shinigami até a sua pequena sala, fechou a porta e ofereceu assento a ele. – O que aconteceu?
– O Abarai-fukutaichou quer vê-la imediatamente, Kannogi-yonseki. E pediu para que levasse os remédios que foram solicitados ao Yonbantai há três dias.
– Remédios? – Por um minuto ela não entendeu. – Ah, sim! Vou lá correndo. Obrigada, Yun-san.
Aiko correu até o Rokubantai e viu Renji ocupando a mesa de Byakuya, algo bastante estranho. Ele carimbava uma pilha de documentos distraído e sequer reparou na presença da oficial. Para não assustá-lo, ela se aproximou da mesa e chamou baixinho.
– Abarai-san?
– Kanoggi-yonseki! O taichou pediu que você fosse encontrá-lo com urgência...
– Claro, mas onde ele está?
– Mundo Real – sussurrou Renji.
– O quê? – Ela sentou-se, estava confusa. – Para eu sair daqui, preciso avisar ao menos a minha fukutaichou.
– Eu não queria preocupá-la... O taichou levou dois oficiais para a missão, ambos voltaram feridos e um deles me deu o recado, informando que ele está ferido nesta coordenada. – Renji entregou um papel com as coordenadas exatas de onde Byakuya estava. – Não é do feitio dele, você sabe.
– Alguém mais sabe disso? – Aiko tentou se manter calma, contudo, no fundo estava começando a entrar em desespero. – Quero dizer, que ele está investigando no Mundo Real também?
– Você conhece o taichou melhor do que eu, Kannogi-san!
– Estou indo – ela suspirou. – Se perguntarem por mim, diga que entreguei os remédios solicitados e mais nada.
– Hai, tome cuidado, tá? Sabe-se lá o motivo do taichou para ter chamado apenas você, mas, tem a minha confiança.
– Obrigada, Abarai-san.
A yonseki saiu em disparada para o senkaimon aberto por Renji com a chave da família Kuchiki e um dispositivo que serviria de GPS. Precisava correr o máximo que sua velocidade permitia, porém, a sua intuição dizia que Byakuya estava a salvo.
Foi dificil encontrar o lugar, ainda não sabia utilizar perfeitamente aquele dispositivo. Assim que o GPS sinalizou, ela finalmente sentiu a presença de Byakuya, estava no interior de um prédio abandonado. Ao entrar, ela viu o taichou sentado no chão frio, encostado em uma parede. Não conseguiu acreditar no que seus olhos viam, Byakuya tinha o lado direito do corpo exposto, mostrando um corte profundo no peito.
– Amor, o que houve?
Aiko correu até ele e largou a bolsa de primeiros socorros no chão, se ajoelhando. Precisava limpar o sangue para medir a profundidade do corte e ia iniciar os procedimentos, contudo, Byakuya pegou no braço direito dela.
– Não perca tempo limpando, Aiko... Cure, por favor – ele disse com firmeza, fleumático, como se não estivesse naquela situação, tampouco sentindo dor.
– Mas, Byakuya... Isto pode infeccionar! – Protestou, certa de que seria em vão. – Tudo bem, porém, beba isto para a dor... Ao menos isso!
O taichou bebeu o líquido que ela ofereceu e ficou observando enquanto o curava, com as mãos espalmadas diante do ferimento que lentamente se fechava. Aiko se esforçava, precisava de energia equivalente a usada na conjuração de um kidou de nível oitenta.
– Você não vai perguntar nada? – Ele desconfiou, era bastante atípico Aiko não fazer perguntas.
– Sei que não diria, – ela ofegou – ao menos, não toda a verdade.
– Se engana, eu... – Byakuya sentiu uma dor aguda no peito, entretanto, continuou. – Encontrei o portador da energia que ameaçou a Seireitei, é certo que se trata de um shinigami. Travamos uma pequena batalha com as zanpakutous e por um instante, a velocidade dele foi maior que a minha...
– Difícil de acreditar.
– Infelizmente, não consegui maiores informações... Mas, se tratando de uma ameaça à Soul Society, preciso encontra-lo logo.
– Viu o rosto? – Ela achou esquisito o fato de Byakuya estar tão obstinado em encontrar o estranho. Nunca viu o taichou tão interessado em nada parecido antes.
– Não... Ele usa vestes negras, capuz e o rosto coberto por uma máscara. Típico de quem quer se esconder.
O ferimento de Byakuya já estava totalmente fechado e ela havia empregado uma técnica forte o suficiente para que qualquer ferida interna também fosse curada. Sentia-se exausta e ele reparou, tanto que a abraçou forte e beijou sua testa. Havia acertado na decisão de chama-la, pois, sabia que ninguém mais cuidaria dele daquela forma.
Após alguns instantes, Aiko recuperou um pouco as energias e já estava em pé. Queria muito que o taichou fosse embora com ela para descansar como deveria depois de um ferimento como aquele, contudo, ouviram um estouro no prédio e o solo tremeu.
Byakuya rapidamente colocou-se na frente de Aiko e sacou sua zanpakutou, sabendo que não teria tempo depois.
– O que é isso?
– Fique atrás, Aiko! – Instruiu Byakuya. – Agora tenho certeza de que seja quem for, o problema é comigo.
– Não se superestime – uma bela voz masculina ecoou pelo lugar, logo, ambos viram o estranho que atacou Byakuya anteriormente diante deles. – Estou aqui por um motivo bem melhor, Kuchiki Byakuya.
– Tsc... Já fomos apresentados?
– Quem sabe? Agora, deixe a Kannogi-yonseki tomar a frente e não ouse fazer um movimento sequer, ou ela morre.
– A Kannogi não vai dar um passo sequer – disse Byakuya seguro de si. – Mostre-se logo para que possamos lutar abertamente!
– Ainda não é hora – ele riu. – Aliás, o que explica um taichou de um bantai e uma oficial de outro completamente diferente sozinhos por aqui?
– Você está bem informado, mas, não o suficiente para saber que a minha obrigação é dar apoio para qualquer um que precise. Agora, chega de conversa, farei o que você deseja.
Aiko deu alguns passos em direção do estranho, podia ver que a zanpakutou dele estava na bainha. A reiatsu dele era um tanto intimidadora, todavia, a oficial não se incomodava. Acreditava em si mesma, assim, pegou a sua zanpakutou e fez com que assumisse a forma shikai. Ela então, girou os sai por entre as mãos e se colocou em posição de combate.
Byakuya não entendia até onde ela queria chegar, mas queria esperar até o último momento.
– Hmm, a princesa quer lutar? – A voz soou irônica. – Perfeito!
– Bankai... Siga o seu curso, Mizuki!
Aiko bradou com toda a sua fúria e nesse instante, o solo começou a tremer. Assim que as fissuras se abriam no chão, os incotáveis jatos de água que se transformavam em réplicas perfeitas do espírito de Mizuki surgiam portando os sai. Ao comando de Aiko, elas foram de encontro ao oponente, cercando-o por todos os lados.
– Hipnotize, Arkhe...
Diante dos olhos de Aiko e Byakuya, antes de ser atacado, a zanpakutou do estranho se transformou em uma lira prateada, suas cordas reluziam. Ele começou a dedilhar o instrumento no mesmo instante em que o ataque de Aiko fora em sua direção para cortá-lo.
Uma bela melodia se fez naquele lugar e Aiko ficou sem ação, aquelas notas penetravam em sua mente, fazendo com que não conseguisse se concentrar em mais nada, a não ser nelas. Byakuya não entendeu o que estava acontecendo, o ataque de Aiko se desfez e a zanpakutou voltou para a forma normal nas mãos dela.
– Surpreso, Kuchiki Byakuya? – O estranho continuava tocando e Aiko não tinha reação alguma. – Ela nunca será capaz de me atacar enquanto estiver ouvindo a minha música.
– Aiko! – Chamou Byakuya. – Está me ouvindo?
– A princesa está sob o efeito das notas da minha zanpakutou... Nesse momento deve estar sonhando acordada, bem longe da realidade.
Byakuya apertou o punho da sua zanpakutou com força e olhou para o instrumento nas mãos daquele homem ainda desconhecido. Precisava libertar Aiko, havia entendido que a música funcionava como uma espécie de alucinógino e temia pelos danos que pudesse causar à ela.
– Disperse... Senbonzakura.
As incontáveis pequenas lâminas de seu shikai foram ao comando da mão dele na direção do adversário, visando acertar as cordas da lira. Antes que elas tocassem no seu alvo, uma barreira surgiu impedindo-as de ultrapassarem. O estranho havia conjurado um bakudou de nível oitenta e um sem canto e sem nem mesmo anunciá-lo.
– Diga-me, Byakuya... Gostaria que a minha Arkhe executasse um requiem para a sua amada princesa?
– Você vai continuar se escondendo atrás de uma máscara? – Ele ignorou o comentário, estava na hora de terminar com aquilo. – Bankai.... Senbonzakura...
– Estou apenas me divertindo.
Antes que Byakuya terminasse de anunciar sua técnica, o inimigo desapareceu diante de seus olhos. Aiko caiu de joelhos no chão e elevou as mãos até a cabeça, sentia uma dor insuportável.
O taichou notou que a reiatsu do inimigo havia desaparecido, então, seria inútil ir atrás dele. Após aproximar-se de Aiko, ele se abaixou e a abraçou.
– Ora, ora... – Uma voz conhecida fez com que Byakuya olhasse para trás surpreso, entretanto, ele não deixou de abraçar a shinigami. – O que meus olhos estão vendo aqui?
– Você! – Disse o taichou entredentes. – O que faz aqui?
– Pergunto o mesmo para vocês, Byakuya.
Yoruichi estava de braços cruzados, o olhar fixo na cena que presenciava. Após alguns instantes, ela suspirou e se aproximou. Aiko imediatamente ergueu o corpo e se afastou de Byakuya, estava envergonhada.
– Yourichi-san... – Aiko reverenciou. – Estavamos...
– Eu já sei o que aconteceu na Seireitei e estava passando por aqui quando vi alguém saindo... Tentei seguí-lo, mas...
– Ele foi mais rápido que você – completou Byakuya pensativo. – Quem é aquele homem?
– Se me contarem o que houve aqui, quem sabe eu não possa ajudar.
Byakuya menou a cabeça e deu de ombros. Em pouco tempo falou tudo o que sabia e havia acontecido naquele prédio, Yoruichi ouviu tudo em silêncio, apenas assentindo com a cabeça quando necessário. Era difícil imaginar que alguém pudesse ser tão rápido quanto ela, sobretudo, um desconhecido.
Aiko manteve-se calada enquanto Byakuya e Yoruichi discutam sobre a zanpakutou que ele viu. Após alguns minuto, ela tocou no braço do taichou.
– Kuchiki-sama... Posso conversar em particular com a Yoruichi-san?
– Vou esperar lá fora, depois, voltaremos juntos para a Soul Society.
– Sim! – Aiko esperou que ele saísse e olhou seriamente para a mulher diante dela. – Yoruichi-san, você deve saber o que é estar no meu lugar, ter que carregar um fardo como o nome Kannogi nas costas não está mais sendo fácil. E eu tenho medo de tomar decisões que manchem o nome da família, assim como a minha imagem como shinigami.
– Eu compreendo mais do que imagina – falou Yoruichi docemente.
– Bem, eu não sei muito bem o que pensar... Mas, se eu lhe pedir um favor extremamente confidencial, você faria?
– Se estiver ao meu alcance, claro!
– Então, teria como investigar algo para mim? – Ela hesitou e respirou fundo. – É sobre o passado da minha família. Sendo clara, a respeito do meu tio Fujitaka e seu filho, Yuichi. Preciso de tudo o que descobrir sobre eles e o que fizeram por todo o tempo em que estiveram afastados da minha família.
– Me dê algum tempo, Aiko... Já vi que não é para o Byakuya ter ciência disso, sendo assim, mandarei notícias quando puder. E não se preocupe, ninguém vai saber que vi vocês dois abraçados – ela riu de forma espalhafatosa. – Quem diria...
– Obrigada – agradeceu Aiko com as bochechas coradas. – E obrigada pela discrição também.
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