Sol e Lua

14 Contra Ordens E Pedidos


A sorte estava ao seu lado, conseguiu encontrar Urahara Kisuke a tempo e contrariando as suas recomendações, Aiko saltou para a Garganta, em alguns minutos, caiu em um deserto desconhecido. A presença dos shinigamis escolhidos para aquela missão ainda estava forte ali, esperava não ser descoberta tão rápido. Era um mundo diferente de todos aos quais estava acostumada, não havia viva alma vagando e ao longe, avistava uma imensa construção. A reiatsu de sua taichou, fukutaichou e de Byakuya concentravam-se lá, então, era seu destino.

A shinigami começou a correr, até que, uma tempestade de areia se formava ao seu redor, parecia querer engoli-la com voracidade. Tentou livrar-se usando shunpo, no entanto, a areia concentrou-se em um só local à sua frente, parecia ter vida própria. Aiko não acreditou quando uma criatura gigantesca e monstruosa se formou.

– Isto é um hollow? — Perguntou para si mesma estudando-o com o olhar.

– Mais um intruso! Aizen-sama não gosta disto...

“Aizen...”

Aiko não poderia perder tempo, ignorou a criatura e saltou sobre ele, no entanto, este abriu a boca e a cobriu com o seu corpo. Ela quase não conseguia respirar por causa da pressão da areia contra si, protegia os olhos com a mão esquerda, com a outra, sacou a sua zanpakutou.

– Flua, Mizuki!

Não quis manifestar o shikai, apenas invocando o espírito da água, imaginou algo perfeito. Ao seu redor, fez com que incontáveis correntes de água se formassem, misturando-se à areia por ser menos densa e arrastando-a. Ao erguer a zanpakutou, no mesmo instante em que a criatura apareceu novamente diante dela, Aiko fez com que uma onda imensa surgisse à sua frente e o consumisse. Ela respirou aliviada e saiu correndo dali, algo lhe dizia que aquele monstro voltaria a qualquer momento. O mais estranho era que, quanto mais ela corria, mais longe a construção avistada estava.

“Isto parece uma ilusão... Mas não, sinto a presença do Byakuya-sama. Estou perto.”

Após correr incansavelmente, ela chegou diante do muro que cercava Las Noches. Teve que reunir forças e então saltar, esperava conseguir chegar ao outro lado. O muro não acaba mais, porém, e ela alcançou o topo e segurou-se. Já em pé, avistou a torre em que o taichou estava, não teve tantos empecilhos para chegar lá, era estranho demais. No interior da masmorra, pôde perceber o estrago causado provavelmente pela Sode No Shirayuki. Entendia o motivo para Byakuya ter chegado ali tão rapidamente, ainda mais quando viu Rukia aos cuidados de Hanatarou. Como Byakuya pediu para o oficial se afastar, ela não saiu de onde estava, jamais o interromperia. Diante dele, Zommari Le Roux apresentava-se como o sétimo Espada. Era um ser corpulento, de cor escura. Ele demonstrava ser calmo, queria saber o nome de Byakuya. Aqueles minutos foram os mais longos da vida de Aiko, não acreditava que o homem que lá estava era o mesmo que dedicara tanto carinho para ela. Mostrava-se frio, insensível e arrogante... Extremamente arrogante. Ela não entendia o porquê de um shinigami não dizer o nome para seu adversário, na sua concepção, tal questão envolvia até a honra. Kuchiki Byakuya ao contrário dela, não disse o seu nome por achar que estava em um nível superior ao do adversário. A princípio o poder de Zommari não era tão surpreendente, até que ele começou a irritar-se com a prepotência do taichou. Ela ficou calada, em pânico... O homem que amava estava disposto a cortar cada um de seus tendões para não ficar sob o controle do inimigo, só não esperava que o Espada pudesse brincar com Rukia. Aiko pensou em intrometer-se quando reparou que a irmã de Byakuya estava sob o comando da Brujería, espada do Arrankar. Precisamente, ele chamava aquela habilidade de Amor, sendo que ao atingir a cabeça da shinigami, ele pôde controlá-la inteiramente. Rukia atacou Hanatarou e o feriu gravemente, aquilo não poderia continuar, contudo, se aparecesse diante do inimigo, também poderia ser um alvo fácil. Seu coração ficou dividido, até que com o bakudou número sessenta e um, Rikujyou Kourou, o taichou assumiu controle da situação e prendeu Rukia com as seis barras de energia, aquilo a pararia.

Os acontecimentos que Aiko presenciou dali por diante ficariam guardados em sua memória, estava tudo destruído pela bankai de Byakuya. Ela fechou os olhos para não ver seu amado taichou dando o golpe final no Espada, achava que jamais teria coragem de matar alguém que pediu clemência.

Quase uma hora depois, Byakuya estava calado, seus dois membros esquerdos, mão e tornozelo sangravam. Ele ignorou a sua presença, estava olhando para o horizonte.

Assim como Isane e Unohana, ela dava atenção para Rukia e Hanatarou e algum tempo depois, após todos os estágios de tratamento, Aiko resolveu tentar novamente aproximar-se do taichou.

– Sei que não há nada que eu diga que possa justificar... Não vim aqui por medo e sim, para ajudar.

– Você cometeu um crime grave, já deve saber que será punida.

– Ponderei a respeito e aceitarei meu castigo, acredite. Agora deixe-me cuidar de você...

– Estou bem.

Byakuya tentava se controlar para não dar uma lição de moral na oficial, pensava que aquilo era trabalho para Unohana. Tinha ciência de que talvez no Hueco Mundo, Aiko estaria segura junto dele e talvez fosse uma atitude até infantil dar um gelo nela, mas ele faria ainda assim.

Unohana e Isane continuavam o tratamento dos feridos após trinta minutos, por ordens da taichou, Aiko foi procurar Byakuya novamente. Ele era teimoso demais, estava sentado sobre uma pedra, ignorava o sangue que perdia. Ela teria que tomar uma atitude mais séria.

– Taichou, estou aqui para cumprir uma ordem. Preciso que colabore e me deixe cuidar de você – ela começou com firmeza. – Você precisa estar bem, não sabemos quem ou o quê pode aparecer no nosso caminho.

– Nosso? Você vai ficar fora disso.

– Bem, você me conhece! Já falei com a Unohana-taichou, está tudo bem.

– Mas, para mim não está. – Ele odiava ser contestado, por mais sincera que fosse a intenção da jovem, não poderia ignorar que ela o desobedeceu apesar de não ser seu superior direto.

– Aquilo não foi uma ordem, lembra? – Ela pegou a mão direita dele com certo receio. – Por favor, Kuchiki-sama, não me force a voltar.

– De qualquer jeito, você vai voltar para a Soul Society assim que nós sairmos daqui. Só irá para o campo de batalha por ordens do seu bantai, entendeu?

– Sim senhor! – Aiko o reverenciou e sorriu. – Agora, trate de descansar.

Ela o olhou, Byakuya não podia ignorar o brilho em seu olhar, estava decidida. Relutante, ele ficou apenas observando enquanto Aiko limpava os seus ferimentos e com as técnicas aprendidas, logo iniciou o primeiro estágio de tratamento. Sua maior preocupação era com os tendões dele, Byakuya precisaria de muito tempo de descanso para que pudessem voltar ao normal. Estavam longe da visão dos outros, a shinigami queria abraçá-lo, todavia, diante dela via um superior naquele momento.

– Não há necessidade de descanso...

– Também não precisa ser tão indiferente! – Protestou Aiko batendo o pé.

– Não estou indiferente, aqui, você é uma oficial e nada mais.

– E pensa que eu não sei? Se fosse o contrário, eu teria tomado a liberdade de tocá-lo... Liberdade que conquistei, afinal, me entreguei a você.

– Tsc! Às vezes eu mesmo tenho vontade de castigá-la.

– É? – Ela aproximou-se e sussurrou próxima ao ouvido dele. – Me castigue como ontem à noite!

– Você perdeu o juízo — falou mais tranquilo.

– O que acha de quinze minutos de descanso? Venha...

– De quem você herdou esta teimosia? Ninguém da sua família é assim...

Ela o puxou delicadamente pelo braço bom antes que pudesse continuar resmungando e o conduziu até uma formação de rochas que havia um pouco longe dali. Parecia uma caverna, com uma abertura no alto que deixava o céu em evidência. Era surpreendente o fato de ele não ter questionado mais nada, sobretudo, quando estavam todos em alerta. Lá dentro, havia um buraco grande e ela teve uma ideia.

– Flua, Mizuki!

Byakuya ergueu a sobrancelha esquerda quando viu Aiko segurando a zanpakutou. Com um corte no ar, ela fez com que uma onda de água se formasse e ao seu comando, essa foi em direção ao buraco, preenchendo-o para que formasse um pequeno lago. O taichou meneou a cabeça, estava espantado com a criatividade dela.

A água era pura e cristalina, ao aproximarem-se, podiam ver os seus reflexos. Aiko retirou da bolsa um copo de plástico, ajoelhou-se e pegou um pouco de água, estava sedenta. Assim que o encheu novamente, entregou para Byakuya. Ele bebeu dois copos cheios, em seguida, ajoelhou-se na beira do lago também e lavou o rosto. Estava cansado, tanto que por instantes, se rendeu e jogou o corpo para trás, deitando-se no chão. Aiko com cuidado, tirou a bolsa do ombro e a colocou sobre o chão, para que pudesse então deitar-se ao lado dele, um pouco distante. Byakuya estendeu o braço, ela não precisou mais do que isto para entender o recado. Por alguns minutos, os dois apenas observaram o céu pela abertura, era tão opressor, não escondiam a preocupação que os assolava. A oficial temia demais pela vida dele, ainda mais quando viu com os próprios olhos o que ele estava disposto a fazer para ganhar um combate.

– Byakuya-sama – ela falou ao pé do ouvido dele. – Eu amo você... Não se esqueça, nem por um segundo.

Aiko sabia que não teria resposta, mas estava resignada. Qualquer demonstração de sentimento por parte dele, por menor que fosse, já bastava para o coração dela se acalmar. Tinha esperança de um dia conquistá-lo inteiramente, o tempo deveria ser o seu eterno aliado naquela situação. Byakuya virou-se para o lado, assim, ficou com o rosto rente ao dela, seus lábios quase tocando-se. Ele a olhava enternecido, não seria capaz de esquecer tão fácil do amor dela.

– Um dia... Quando tivermos um pouco de paz, sem a ameaça que Aizen Sousuke representa, poderei dedicar parte de mim a você. Não sei o que encontraremos daqui por diante, mas, também quero que você saiba que eu a amo. Mais do que eu achei que me permitiria.

– Eu não seria capaz de pedir que calculasse a proporção do seu sentimento, meu querido taichou. Só preciso saber que após a tormenta, eu terei os seus braços para descansar. Poder jantar com você em um dia de folga, treinar, escrever... Parece tão pouco, contudo, é o suficiente para que eu possa ser feliz.

– Eu gostaria de fazer mais, entretanto...

– Não. – Aiko selou os lábios dele com um beijo. – Somos shinigamis, nosso dever virá sempre em primeiro lugar. Tenho esta consciência, você não deve explicar nada.

– Aiko, – ele a fitou nos olhos – você seria capaz de vir para o Rokubantai se eu pedisse?

– Nunca – respondeu ela confiante. – Nem por todo o seu amor.

– Não sabe o quanto ouvir isso deixa tranquilo.

Byakuya a admirava profundamente, ela tinha convicções fortes, amava o que fazia acima de tudo. Não entendia como alguém tão jovem era capaz de conciliar tantas coisas ao mesmo tempo. Aiko era o alguém que ele sempre quis ser quando jovem, decidida e disposta a encarar todos pelo que ela acreditava. Queria ser uma shinigami por motivos louváveis, seguir o seu sonho, enquanto ele, nunca almejou aquela posição. Aiko merecia qualquer glória que viesse a ganhar. Até aquele momento, lembrava-se de quando ela falou “bankai”, por muito tempo ficou imaginando o que viria, tinha ciência de que ela não blefaria ou brincaria com algo tão sério.

– Taichou...

– Sim? – Ele estranhou a forma séria como ela o chamou.

– Acha que podemos ficar mais um pouco?

– Muito pouco.

– Taichou – ela insistiu, agora sorria. – Posso considerar-me durante este curto período, dispensada do meu trabalho de cuidar de você como oficial?

– Hum, não vejo problema.

Ele respondeu docemente, Aiko encostou os lábios nos dele e o beijou. Byakuya correspondeu com mais intensidade, suas mãos perderam-se por dentro do shihakushou dela, agradecia por ela ter o curado, mesmo contra à sua vontade no início. Começava a estranhar o próprio comportamento, estava voltando a ser apenas um homem normal, sem precisar erguer uma barreira intransponível ao seu redor. Até pensava estar perdendo um pouco o juízo pelo que estava fazendo, naquela situação e num lugar onde alguém poderia vê-los. Só que envolvido no beijo dela, esqueceu tudo por alguns instantes. Ele explorava as curvas do corpo dela, apertava-a contra o seu próprio corpo. Como Aiko rejeitaria aquelas carícias, se tudo o que mais desejava era tê-lo daquela forma? Ela tentava conter a força que imprimia ao tocá-lo, não queria machucá-lo, mas ele não parecia se importar. Kuchiki Byakuya mais uma vez a tomou, era sua novamente. Aiko sentiu satisfação total naquele instante, não escondia o seu prazer, jogou o pescoço para trás, segurando-se nos ombros dele. Apesar do dever, ambos ignoravam tudo, concentravam-se apenas um no outro. Ele era perfeito em todos os sentidos, seus beijos repletos de carinho, tinha um olhar que traduzia o seu sentimento. Sentia-se livre junto de Aiko, para fazer o quisesse, como nunca fizera antes. Ele permitia-se demonstrar sua satisfação, arfava, olhava-a com paixão, beijava-a com um entusiasmo que não parecia pertencer a um ser como ele. Descobria novamente no corpo dela o seu regozijo. Aiko tinha vontade de ficar unida a ele para sempre, apertava-o contra o seu corpo. Suas almas mais uma vez estavam ligadas, uma possuindo parte da essência da outra. Byakuya trouxe Aiko para cima de seu corpo, ela encaixou-se delicadamente sobre ele, não escondia a sua inexperiência, tanto que corou ao fitá-lo. Ele segurou o rosto dela e a beijou, queria que se sentisse segura e à vontade. Ela tinha que admitir que agora possuía uma visão privilegiada de parte do corpo dele, reparou no quanto ele retorcia-se a cada vez que ela se movia bruscamente e parava, no âmago, queria provocá-lo. Ao parar novamente, ela aproveitou para beijar o peito dele, até chegar no pescoço, enchendo-o de pequenos beijinhos molhados, enquanto Byakuya tentava forçar os movimentos por parte dela, pegando em sua cintura. Vencido pelas provocações de Aiko, ele forçou o corpo dela para o lado, então, tomou o controle para si, movimentando-se com rapidez. Ela reparou um meio sorriso no rosto dele, junto a um olhar lascivo quando inverteu a posição, aquilo fez com que sentisse uma contração no ventre. Tratando de entrelaçar com forças as pernas no corpo dele, Aiko mais uma vez se perdeu naqueles beijos repletos de calor, mesmo que mal pudesse respirar. Quando ele forçou o seu corpo contra o dela de um jeito brusco, ela deixou escapar um sussurro, não sabia bem o que ele havia encontrado, mas pela primeira vez sentiu a necessidade de falar algo.

– Não pare, por favor...

– Eu não pretendo – murmurou ele. – Só quando você quiser...

O solo parecia até estar tremendo debaixo deles, tamanho era o desejo que tinham um pelo outro. O último gemido dela foi abafado por um beijo, ela apertou o corpo de Byakuya e de repente, se soltou, sem forças, ofegante. Ele também não escondeu quando chegou ao ápice que o prazer lhe proporcionou, suspirou largamente e em seguida, respirava em dificuldade. Podiam ouvir o coração um do outro, os dois na mesma sintonia, batendo tão forte como se fossem explodir a qualquer momento. Byakuya elevou o corpo e olhou para o lago, ela com muito esforço, também se ergueu e segurou nele, que a envolveu com os braços. Após um beijo, ela levantou-se completamente nua e estendeu a mão para o taichou. Ele a olhou com atenção, estava fascinado pelo corpo dela. Os dois entraram na água, incrivelmente, estava quente. Aquilo não era obra da natureza, Aiko tinha certeza.

“Obrigada... Mizuki.”

– Sua zanpakutou é intrometida demais – comentou ele como quem não queria nada.

– Shh! Assim você a magoa! – Aiko beliscou o ombro dele e em seguida, enlaçou as pernas em sua cintura e o abraçou. – Em todos os momentos mais bonitos da minha nova vida, você estava comigo. Agora, tenho mais um para recordar.

– Eu tenho que admitir... Isto foi perfeito – ele disse sem jeito, não sabia lidar com sentimentos, nem mesmo transformá-los em palavras. – Agora, temos que voltar... Fui imprudente deixando isso acontecer aqui, mas não me arrependo.

– Sim, perdemos o juízo. – Ela riu, continuava com os braços ao redor do pescoço dele. – Diga à taichou que eu fiz tudo direitinho, assim, somo mais pontos.

– Não se preocupe. – Quando ela foi tomar impulso para sair, Byakuya a puxou e abraçou por trás, fortemente. – Obrigado... Por nunca ter desistido.

– Do quê, Kuchiki-sama?

– De mim...

– Se eu disser para você que somente uma vez eu pensei em desistir – confessou ela. – O que você me dirá?

– Que eu realmente magoei você...

– Amor...

Ele já estava amarrando o shihakushou quando ouviu a voz de Aiko chamando-o daquela forma, aquilo fez o seu coração transbordar de felicidade. Ela tinha o direito de chamá-lo do seu jeito, nunca pareceu tão segura ao chamá-lo de Byakuya.

– O que houve? – Perguntou com a voz branda.

– Você se sente melhor?

– Logo estarei recuperado.

– Uhum! – Ela terminou de vestir-se, colocou a bolsa a tiracolo e pegou a zanpakutou. – Vamos?

– Sim.