Sol e Lua
18 Casamento ou Condenação?
Kannogi Aiko abriu os olhos, um pouco zonza, demorou algum tempo para dar-se de conta que estava no quarto de Byakuya. O perfume dele nos lençóis e no travesseiro era inebriante, parecia até que estava sonhando depois de um pesadelo horrível. Nada fazia sentido em sua cabeça, como havia chegado lá?
Ao lado na cama, estava a sua caixa, rapidamente ela abriu e se certificou de que estava tudo ali. Então, por qual motivo foi atacada no Rukongai?
Assim que ergueu seu corpo para ficar sentada, ela viu Byakuya entrando pela porta, ele trazia uma bandeja e a deixou em cima da cama. Havia um copo de leite e biscoitos, em uma forma estranha, como se fosse um boneco. Ela olhou incrédula para aqueles biscoitos e em seguida, sorriu sem jeito para Byakuya, que, sentou-se ao seu lado.
– Coma – parecia uma ordem.
– Eu nunca vi um biscoito tão esquisito... Isso tem braços e pernas mesmo? – Ela pegou um biscoito e mordeu, tinha gosto de chocolate. – Apesar da aparência, é gostoso.
– O que tem a aparência? – Ele pareceu ofendido. – A cozinheira da casa faz esses biscoitos desde quando eu era criança.
– Eu daria tudo para ter conhecido você criança, meio impossível por nossa diferença de idade, eu sei – Aiko pegou o copo de leite e bebeu, estava faminta. – Afinal, que coisa é essa figura?
– É “O Embaixador das Algas” – respondeu solenemente. – Minha criação.
– Pára...
Aiko precisou deixar o copo de leite em cima do criado-mudo, não conseguiu conter o riso, que logo se transformava em uma gargalhada sem fim. Byakuya a repreendeu com o olhar, não via problema algum no formato de sua criação. Não aguentando mais a risada dela, ele pegou um biscoito e jogou na cabeça de Aiko.
– Não foi uma piada, então pare de rir! – O taichou não parecia o mesmo de sempre, sua expressão estava agradável, a seriedade havia desaparecido. – Faça algo melhor então!
– É um desafio? – Aiko continuava rindo, um pouco mais contida. – Está bem, não vou rir mais do “Senhor Alga”.
– Embaixador – grunhiu ele. – E eu já mandei parar de rir... Você me deve explicações.
– Você também deve – Aiko pegou a caixa e retirou o retrato de seus pais adotivos de dentro. – Fui até a casa onde cresci para pegar isso, então enquanto eu conversava com a minha zanpakutou, senti uma presença atrás de mim. Através da sombra, vi que alguém ergueu uma katana contra mim, então, me defendi no mesmo momento. Pela compleição parecia um homem, estava vestido de preto, lembrava até um membro da Onmitsukidou. Trocamos alguns golpes, tentei questionar e não obtive resposta. Depois, não sei o que ele fez, só lembro de ter visto sua lâmina cortando o ar e minha visão ficou turva. Devo ter desmaiado nesse momento.
– Estranho... Você não lembra de ter sido atingida? – Indagou Byakuya pensativo.
– Não, em nenhum momento. Nem sei o que levaria alguém a me atacar e não fazer absolutamente nada... Ainda se eu tivesse algo de valor, mas nem isso.
– Vou investigar, por hora, não diga nada a ninguém a respeito. Diga que foi ao Rukongai fazer o de sempre.
– Claro... E obrigada por ter se preocupado comigo a ponto de ir até lá. Você sempre me salvando – Aiko sorriu ao ver que Byakuya acariciou seu rosto. – E me perdoe por ter zombado da sua obra de arte...
– Você vai começar a rir de novo? – Ele revirou os olhos quando Aiko tornou a rir ao lembrar do biscoito. – Some daqui, Aiko... O Ukitake deve estar procurando por você ainda e eu não quero problemas. Quanto ao retrato, vou mandar fazer uma moldura e colocaremos juntos no altar assim que pudermos.
– Certo! Vou indo então, provavelmente vamos nos ver apenas no jantar com a minha família... Sentirei sua falta, Byakuya-sama.
– O tempo passa rápido, vai ver... E bem, leve os biscoitos com você.
– Obrigada, vou levar sim.
Aiko levantou-se e abraçou Byakuya por trás, beijando-o no rosto. Por mais agradável que tivesse sido aquele momento, precisava voltar para a realidade e tentar compreender o que havia acontecido naquela tarde. Não fazia idéia de como pôde ter desmaiado sem ter sido atingida e se não fosse Byakuya, ainda estaria lá provavelmente.
Ao voltar para o Yonbantai, Aiko ouviu a voz de Ukitake. Precisava reunir o máximo de coragem para falar com ele e se desculpar pela sua falta, assim como inventar algo convincente para justificar. Só de olhar para o sorriso gentil dele, sabia que pesaria ainda mais em sua consciência mentir, contudo, não desobedeceria Byakuya.
Casa Kannogi — Dias depois
Aiko não entendia o motivo de sua mãe ter mandado tantas pessoas ajudarem-na com o banho e as vestimentas para aquele jantar, se pudesse, teria ficado com seu shihakushou. Estava se olhando no espelho, vestia um Furisode branco de seda com detalhes vermelhos, estampado com flores e amarrado por um obi vermelho elaborado. Não queria que ninguém mexesse em seu cabelo, mesmo que estivesse crescendo, demoraria um pouco para atingir o comprimento que ela gostava. Por insistência de sua mãe, colocou em cada lado presilhas douradas cravejadas por pequenos rubis e diamantes. Optou por um par de brincos em forma de estrelas também de ouro e deixou que Akiko colocasse em seu dedo indicador esquerdo e anelar, anéis delicados feitos de ouro branco e amarelo. Estava deslumbrante e sequer havia passado maquiagem. Como não queria exagerar, usou uma sombra rosa, lápis de olho e um batom também rosa.
– Mamãe... Por que a senhora acha que preciso me arrumar tanto? Quem além do Kuchiki-taichou será convidado essa noite?
– É uma longa história, querida – Akiko pegou as mãos de Aiko e apertou. – Seu pai tem um irmão e eles não se falavam há anos, uma briga sem motivo ao meu ver. Um dia explico melhor... Só que esse irmão procurou por nós e depois de muita conversa, eles se reconciliaram.
– Então eu tenho um tio também? – Ela não estava gostando da expressão de sua mãe, já a conhecia o suficiente para saber que havia algum problema naquilo.
– Sim, um tio que é casado e tem um filho... E todos virão essa noite para o jantar. Seu pai quer apresentar você a eles e pediu para que ficasse impecável.
– Parece que a senhora está escondendo alguma coisa, o que é?
– Não sei, meu amor – Akiko olhou nos olhos da filha. – Só achei seu pai um pouco estranho. Ele reencontrou o irmão há uma semana e desde então, está diferente, eu não sei explicar.
– Eu ainda não vi meu pai, mas saberei se ele estiver estranho. Ainda bem que o Byakuya-sama virá essa noite, assim, ficarei ainda mais alegre!
– Você o chamando pelo primeiro nome? – Reparou Akiko surpresa. – Aconteceu algo que eu não sei?
– Não, claro que não – ela corou. – Só estamos nos entendendo e cultivando uma boa amizade.
– Aiko, – a mulher pegou o queixo da filha e sorriu docemente – eu não criei você, é verdade, mas eu a coloquei nesse mundo. Por isso, não precisa esconder nada de mim, pois a minha felicidade é a sua felicidade. Se realmente existir algo entre você e o Byakuya, eu serei a primeira a apoiá-los.
– Jura, mamãe?
– Claro que sim... Ele é um homem bom e digno de você, minha filha. Sei que é mais complicado do que parece, pelo que vocês são, mas creio que tudo vai se ajeitando com o tempo. E conhecendo ele como conheço, acredito que já esteja lá embaixo esperando por você. Fique com ele enquanto me apronto para o jantar com o seu pai, está bem?
– A senhora é maravilhosa – Aiko abraçou a mãe com força. – Amo você...
– Também amo você, minha princesinha.
Como sua mãe havia dito, Kuchiki Byakuya havia chegado e a esperava no jardim. Aiko não conseguia tirar os olhos dele, estava impecável em um kimono vinho, envolvido por um obi dourado na cintura. Os cabelos ornados com um kenseikan dourado, entretanto, uma mecha solta caindo sobre o rosto. Ela se aproximou e fez uma reverência, ele retribuiu com um pequeno sorriso. Timidamente, ofereceu a mão para Aiko.
– Você está linda – sussurrou Byakuya sem jeito. – Gosto de vê-la assim, e nem a lua em toda a sua magnificência esta noite consegue se equiparar ao seu brilho e beleza.
– Assim eu fico sem palavras, Byakuya-sama – ela pegou a mão dele, contudo, não resistiu e o abraçou. – Obrigada pelo elogio.
– Eu gostaria de ficar abraçado com você por toda a noite, mas...
– Eu sei, só queria sentir um pouco do seu calor, mesmo que por segundos. Senti a sua falta, sabia?
– Também senti a sua... Meus dias não são os mesmos sem você me deixando com dor de cabeça – ele disse em tom de brincadeira. – Sinto falta até das discussões.
– Estou ouvindo direito? – Ela fingiu limpar o ouvido direito. – Kuchiki Byakuya dizendo que sente falta de discutir comigo? Pena que eu não pude gravar isso... Poderia esfregar na sua cara depois para sempre!
– Pois é, olha a que ponto eu cheguei. Você mudou meu mundo completamente...
– Bem, confesso que eu sinto falta do seu mau humor e da sua implicância comigo, então, é recíproco, amor.
– Fico feliz – ele suspirou. – Acha que demora muito ainda para os convidados chegarem? Confesso que eu só vim por sua causa, hoje foi um dia agitado no bantai. Inclusive, preciso falar de trabalho com você mais tarde.
– Receio que o jantar hoje vai se estender, mas eu dou um jeito de escaparmos para o escritório depois da sobremesa, okay?
Byakuya fez que sim com a cabeça e se afastou um pouco de Aiko quando viu que três pessoas estavam chegando. Era uma surpresa e tanto, afinal, não via aquele homem há muito tempo. Achava que era impossível uma reconciliação entre irmãos quando se tratava de heranças e política, contudo, estava errado pelo visto. Aiko entrou quando ouviu seus pais a chamando e Byakuya a seguiu. Após cumprimentar os pais dela, sabia que não escaparia das formalidades com aqueles que adentraram na sala espaçosa. Aiko e seus pais fizeram uma longa reverência para a tríade diante deles, Byakuya no entanto, apenas cumprimentou com a cabeça. Estavam perante um homem um pouco mais novo que Masanori, os cabelos pretos presos no alto da cabeça, vestido com elegância. Kannogi Fujitaka tinha uma expressão séria, os olhos astutos como os de uma águia intmidavam a jovem Aiko.
Ao lado dele, estava a sua mulher Fumye, vestida como se fosse uma rainha com um traje vermelho e dourado, carregada de jóias e maquiagem. Aiko a olhou dos pés a cabeça e chegou à conclusão de que aquela jovem mulher não precisava de tudo aquilo para ser bela.
– Você deve ser a Aiko-chan – a bela voz de seu primo até então desconhecido ecoou, ele era muito bonito, um pouco mais alto que Byakuya, vestido tão impecável quanto, com um kimono preto condecorado a detalhes bordados em dourado. Uma parte de seu longo cabelo estava solta, enquanto outra ficava presa no alto da cabeça com um elaborado prendedor de ouro. Os olhos negros estavam vidrados em Aiko, tanto que a deixava constrangida. – Eu sou seu primo, Yuichi... Finalmente estou tendo a honra de conhecê-la! Você é muito mais bela do que meu tio descreveu.
– É um prazer, Yuichi-san – ela sorriu sem graça. – Eu não sabia que tinha um primo tão jovem.
– Temos a mesma idade, Aiko-chan e bem, tenho certeza que teremos muito tempo para nos conhecermos melhor! Vamos ficar aqui essa noite, então, quero saber tudo ao seu respeito.
– Yuichi, – Fujitaka tocou no ombro do filho e se aproximou de Aiko – não deixe a sua prima sem graça... Peço perdão, Aiko, mas sofremos muito quando perdemos você e falavamos sempre a seu respeito para ele. Acredito que seja natural querer conhecê-la bem, afinal, vocês deveriam ter crescido juntos.
– É claro, tio... Estou muito feliz em conhecê-los. Sejam bem vindos! – Ela reverenciou mais uma vez. – Já conhecem o Kuchiki-sama?
– Oh, sim. – Fujitaka olhou para Byakuya e sorriu. – Há quanto tempo, Kuchiki-dono, é um prazer revê-lo.
– Digo o mesmo, Kannogi-dono. Espero não estar atrapalhando a reunião de vocês...
– Claro que não – Akiko pegou a mão de Byakuya. – Você faz parte da nossa família desde que trouxe Aiko para nós... Sendo assim, você nunca vai atrapalhar nada aqui. É bem vindo e será sempre! A minha filha aprecia demais a sua companhia, querido, e eu desejo de todo o meu coração que você esteja sempre perto dela.
– Akiko! – Masanori a olhou com desaprovação, realmente não parecia o mesmo homem. Aiko reparou que ele não estava alegre como sempre, seu rosto envolvido em uma seriedade nunca vista antes por ela. – Assim você deixa o Byakuya constrangido...
– Está tudo bem, Kannogi-dono...Para mim será sempre um prazer estar na companhia da sua filha.
– Bem, o jantar já está servido... Jantaremos lá fora no jardim, está uma noite maravilhosa! – Akiko ofereceu o braço para o marido. – Por favor, me sigam.
Byakuya se colocou ao lado de Aiko, entretanto, Yuichi cortou a sua frente e ofereceu o braço para a prima. Aiko olhou para Byakuya e ele assentiu com a cabeça, contudo, estava incomodado com aquilo. Se não estivesse na Casa Kannogi, teria colocado aquele jovem em seu lugar por quase chocar-se com ele, demonstrando uma grande falta de educação. Assim que Yuichi pegou o braço da jovem, ele olhou para trás na direção de Byakuya que os seguia e ergueu a sobrancelha direita. Byakuya podia jurar ter visto um sorriso de provocação no rosto dele.
Durante o jantar, os dois irmãos falavam como se não tivessem passado um dia sequer separados, pareciam muito unidos. Yuichi não tirava o olhar de Aiko, contudo, ela estava sentada ao lado de Byakuya e conversava com ele sobre suas funções como Yonseki. Fumye e Akiko não estavam muito contentes, exceto por falarem de suas casas, era visível que não tinham grandes afinidades.
Após o jantar ter sido servido, Masanori pediu que todos fizessem um brinde à reconciliação de sua família e fez um pequeno discurso sobre o que ter o irmão ao seu lado outra vez significava. Aiko olhou para o rosto do pai, tentava identificar o que havia de errado, ele não falou com ela durante todo o jantar e já estavam para servir a sobremesa.
– Fujitaka – Masanori tocou o ombro do irmão e sorriu. – Quer que eu comece?
– Por favor, irmão – assentiu. – Falarei logo em seguida.
Byakuya reparou na troca de olhar entre os dois homens, assim como no sorriso que surgiu no rosto de Yuichi. Por debaixo da mesa, ele segurou a mão de Aiko e apertou com força. Ela não entendeu o motivo daquilo, porém, sabia que não era boa coisa o que estava para vir. Precisava sair dali, começava a ter um péssimo pressentimento e a aflição estampada na face de sua mãe confirmou.
– Papai, me perdoe por interromper qualquer coisa, – ela estava tremendo por dentro, sabia que estava sendo incoveniente – só que o senhor sabe como meu trabalho mal me dá tempo para estar aqui com vocês e eu realmente preciso trocar algumas palavras com o Kuchiki-taichou em particular antes da sobremesa. Prometo que depois darei toda a atenção que todos os merecem.
– Aiko, – Masanori franziu o cenho – não posso permitir que saia agora, tenho certeza que este não é o momento para que tratem de trabalho. Você vai ficar e ouvir o que eu tenho para falar.
– O senhor sempre entendeu a respeito do meu trabalho e prometeu que jamais interfiriria em nada, papai – ela falava com todo o cuidado. – Sabe que eu faço mais do que posso até para visitá-los com frequência. Por favor, seja compreensivo...
– Akiko – a voz de Fumye interrompeu a shinigami. – Ainda não teve tempo para ensinar a sua filha como deve se comportar na presença dos homens da família? E também sobre como deve agir perante o pai...
– Eu não precisei ensinar nada para a Aiko, ela é uma mulher feita e sabe muito bem o que faz e como age. Tenho certeza de que se a minha filha está insistindo para sair por alguns instantes, é porquê o assunto é muito importante. E por favor, não fale sobre o que não lhe diz respeito, Fumye – Akiko falou com educação, apesar de querer ter expulsado aquela mulher da sua casa somente por falar daquele jeito sobre Aiko. – Masanori... Depois eu converso com Aiko.
– Não! – Masanori disse entredentes. – A Aiko vai ouvir o que tenho para dizer e agora mesmo.
– Fale, meu pai – ela abaixou a cabeça e suspirou. Sua mão continuava segurando firme a de Byakuya sem que ninguém pudesse ver.
– Quando você e seu primo eram recém nascidos, meu irmão e eu prometemos que um dia ambos seriam unidos em matrimônio. Eu sinceramente esperei pela nossa reconciliação durante todos estes anos e como a palavra de um Kannogi tem valor, farei com que essa promessa seja cumprida – explicou o homem sem cerimônias enquanto encarava Aiko seriamente. – Você e Yuichi vão se casar tão logo tudo fique acertado entre nós.
– Eu não estou ouvindo bem! – Aiko levantou-se e bateu com as mãos na mesa. – Acha mesmo que vocês têm o direito de decidirem com quem eu devo ou não me casar? Só pode ser brincadeira...
– Aiko, já passou dos limites por hoje. Eu sou o seu pai e tenho todo o direito de decidir qualquer coisa que for para o seu bem – ele finalmente sorriu, mas definitivamente não era o mesmo Masanori de sempre. – E você tem sorte, pois, seu primo não fez qualquer objeção sobre suas funções como oficial no Yonbantai. Portanto, você vai poder continuar exercendo sua função sem o menor problema. Que homem permitira tal coisa?
– Não existe isso de permitir, querido pai – ela conteve as lágrimas, mais do que nunca precisava ser forte. – Eu jamais poderia deixar de ser shinigami, mesmo que tentassem me obrigar. E nem o senhor teria como fazer nada a respeito... Eu já lhe disse uma vez, não existe ex-shinigami.
– Querida, acredite, eu tenho meios de fazer com que você seja dispensada... Só que o meu amor por você não permitiria isso, afinal, sei o quanto você gosta de ajudar os outros e lutar pelo que acha certo. Então, faça com que tudo fique mais fácil e aceite seu destino. Toda princesa tem o destino traçado quando nasce e se nunca falei sobre isso, é porquê achei que jamais seria possível esse casamento.
– Não o reconheço, pai – Aiko meneou a cabeça. – Pois eu vou voltar para o meu posto e só piso aqui quando desistirem desta loucura! E juro, se alguém tentar fazer qualquer coisa contra a minha vontade, vou com toda a certeza exercer meus direitos como shinigami... Ainda mais sendo oficial! Se me dão licença...
Aiko sorriu e lançou um olhar desafiador para o pai e o tio. Assim que ela deu as costas, Yuichi foi atrás dela. Byakuya se levantou e não disse uma palavra sequer, apenas fez uma mesura antes de sair daquele recinto. Sabia muito bem onde para onde Aiko iria, contudo, se deparou com uma cena que o tirou do sério e aquilo não era de seu feitio. Yuichi estava segurando Aiko pelo braço para que ela não saísse pela portal principal. A garota forçou seu braço, mas ele não a soltou.
– Deixe-a ir – Byakuya ordenou. – E nunca mais encoste nela.
– Você não dá ordens por aqui – Yuichi riu e puxou Aiko. – Acho que eu posso tocar o braço da minha noiva.
– Parece que você não entendeu, garoto – o taichou deu alguns passos e estendeu a mão para Aiko. Ela se soltou usando um pouco mais de força e pegou a mão de Byakuya. – Esta pode não ser a minha casa, entretanto, eu sou superior da Aiko... Ninguém encosta um dedo em um subordinado meu. Eu só não o coloco no seu lugar justamente por respeito à família Kannogi...
– Está tudo bem, Kuchiki-sama – ela soltou a mão dele e ficou ao seu lado. – Obrigada por me proteger, mesmo eu achando que meu primo apenas se exaltou um pouco... Não é, Yuichi?
– É sim, Aiko-chan – Yuichi mudou completamente e voltou a falar com a simpatia de quando se viram pela primeira vez. – Me perdoem... Eu apenas não queria que a noite acabasse desta forma e fiquei com medo de não vê-la outra vez. Não quis desrespeita-la e nem machuca-la.
– Está perdoado, primo – ela foi em direção à porta. – Sinto muito, mas não há nada que eu possa fazer. Sei que não estou quebrando sentimento algum seu, já que não nos conhecemos... E também peço perdão se minha recusa foi vista como ofensa. Porém, eu realmente não vou aceitar um casamento forçado.
– Eu vou falar com nossos pais – garantiu docemente. – Vão em paz.
– Obrigada, Yuichi – ela sorriu. – Vamos, taichou?
Byakuya olhou para Yuichi por alguns segundos antes de sair ao lado da jovem. Teve uma grande prova de autocontrole, talvez tivesse sido a primeira vez que fora tomado por um sentimento estranho de posse sobre Aiko, algo até maior do que ciúmes.
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