Soho Dolls
30 Capítulo 29 - Changes
Notas iniciais
Já fazia mais de uma hora que estava acordada fitando o teto branco de meu quarto seguindo com o olhar a trilha de mofo que ali se fazia enquanto deixava tudo que havia acontecido nas ultimas trinta horas passar por minha mente... Eu estava sem animo para sair daquele quarto e ter que encarar a árdua realidade que me esperava, tentava entender o que tinha feito de errado para que meu conto de fadas tivesse acabado daquela forma. O que tinha tudo para dar certo, eu consegui arruinar em apenas alguns minutos, era inquestionável o certo dom que eu tinha de estragar as oportunidades que me apareciam... Era de se esperar que Damon estivesse zangado comigo afinal, se eu não tivesse começado a beijá-lo nós não teríamos começado a fazer amor no sofá e Emily e Annabelle não iria ter nos flagrar. Se eu pudesse pelo menos voltar no tempo eu faria qualquer coisa para ter evitado aquele incidente mas como sabia que era impossível, tentei de alguma forma, sem sucesso, me conformar com aquilo....
Naqueles últimos dias Damon me lembrou do real motivo pelo qual me apaixonara por ele, seu cavalheirismo e romantismo fizeram aquele sentimento mostrar-se mais forte em meu peito e eu não estava disposta a simplesmente esquecer isso por um erro meu. Quando se tratava de Damon eu não queria cometer um deslize se quer, não queria que ele tivesse motivos para reclamar de mim e ter o “atacado” no sofá não tinha sido uma atitude positiva de minha parte...
Eu queria ser perfeita para ele da mesma forma que ele era para mim. As palavras doces de Damon, seus carinhos. Cada toque, cada beijo... Eu até duvidava que o que acontecera fosse real, mas em minhas roupas de cama estavam a evidencia de que tudo realmente acontecera; o cheiro de Damon impregnado em meus lençóis fazendo-me reagir devido à combinação perfeita de dopamina e estrogênio que eram liberados pelo meu corpo. Virei-me na cama abraçando aquele tecido enquanto inalava o cheiro delicioso de meu moreno e recordava-me do que havia acontecido ali e ao mesmo tempo remoía a culpa que infelizmente não me deixava.
– Aleluia está acordada! – A voz escandalosa e afeminada de Marcos puxou-me violentamente para a realidade me fazendo virar sobre a cama para dar atenção à plateia que havia entrado em meu quarto.
– Bom dia para você também! – Disse tentando soar o mais amigável possível para que não deixasse transparecer o quão desapontada eu estava.
– Ele vem aqui há horas para tentar te acordar, Elena... – Rebekah disse revirando os olhos enquanto sentava-se em sua cama perto de mim.
– É claro que eu venho, eu estou curiosíssimo, estava prestes a começar a roer as unhas se você não acordasse logo! Me conte tudo nos mínimos detalhes, Dona Elena, e não adianta falar que não tem nada para nos contar porque eu vejo nesses dois olhinhos que tem! – Marcos apertou de leve a ponta de meu nariz com o polegar e o indicador fazendo-me sorrir com seu gesto carinhoso. Uma parte de mim alegrou-se ao perceber que nossa amizade ainda continuava intacta e que ele não havia se aborrecido por eu ter mexido com a sua sexualidade daquela forma no dia anterior, provavelmente ele havia passado a noite inteira fazendo festa com seus amigos só para reerguer seu orgulho abalado.
– Eu pensei que você fosse passar o final de semana fora... — Rebekah disse encolhendo os ombros.
– Na verdade eu ia, mas a filha de Damon junto com a sua irmã chegaram nos pegando no flagra e então nosso final de semana foi por água a baixo. – Disse suspirando profundamente.
– Como assim "pegando no flagra?" — Rebekah perguntou.
– Quer dizer que as duas pegaram vocês dois mandado a ver? — Marcos perguntou não conseguindo conter seu típico tom de piada e eu apenas concordei revirando os olhos enquanto me sentava abraçando meus joelhos e escondendo meu rosto entre eles.
– Meu Deus, nos conte isso direito, por favor! — Meu amigo pulou em minha cama ajeitando-se animadamente perto de mim para ouvir minha história. Por mais constrangedor que fosse eu sabia que mais cedo ou mais tarde teria que compartilhar meu catastrófico jantar romântico com alguém, e chegava até a ter esperanças de que assim que contasse a Marcos ou Caroline eles iriam conseguir fazer eu me sentir melhor sobre o assunto, não precisava ser necessariamente cem por cento mas amenizar um terço dessa culpa já era o suficiente e me faria eternamente grata...
– Eu e Damon tínhamos acabado de jantar e então fomos para a sala onde sentamos no sofá e ficamos conversando e bebendo o restante do vinho que ele havia aberto, só que durante a conversa nós começamos a nos beijar e logo demos continuidade ao beijo... – Fiz uma breve pausa escondendo meu rosto novamente em meus joelhos ao recordar da cena antes de continuar a falar. – Então as duas chegaram e nos flagraram fazendo amor no sofá da sala. – Um breve silencio desconfortável formou-se entre nós três e quando ergui o rosto para olhá-los, os encontrei olhando um para o outro tentando segurar o riso. Marcos foi o primeiro a se manifestar, um grito fino e escandaloso ecoou pelo quarto que veio seguido de um ataque de riso, Rebekah sem conseguir se segurar também começou a rir. – Qual é a graça? – Perguntei entre dentes sentindo meu rosto ferver devido á raiva que estava sentindo. Não fora uma boa ideia ter contado isso a eles.
– A historia, essa é a graça, sinceramente, eu gostaria de ser uma mosca para ver essa cena... Vocês dois no bem bom no sofá e então a perua junto com seu projeto de perua pegando vocês no flagra e acabando o clima. Parece até filme de tão épico!
– Sua bicha louca, como pode achar graça disso? – Sem conseguir me controlar, fui para cima dele e comecei a estapeá-lo mas como Marcos era muito mais forte que eu, rapidamente fui contida.
– Ficou brava porque elas chegaram antes de vocês gozarem é isso? – Ele me provocou aproveitando que eu não poderia descontar minha frustração por ele estar segurando meus pulsos com força. – Eu imagino o tamanho da frustração sexual de vocês dois! – Eu apenas o fuzilei com o olhar tentando controlar a fúria que crescia dentro de mim.
– Agora será que tem como eu desabafar sem que vocês dois achem que eu sou uma palhaça?
– Tem mais?
– Sim, claro que tem! – Disse entre dentes. – Marcos, preste atenção, foi uma garotinha de doze anos que me viu montada no colo do pai dela, imagine o quanto ela não deve estar traumatizada e me odiando nesse momento...
– Mas também Elena, com tantos lugares naquele apartamento para que transar justamente no sofá da sala?
– Marcos, não está ajudando, sabia ? – Definitivamente não tinha sido uma boa ideia ter contado para Marcos sobre o incidente, ao invés de amenizar aquela culpa agonizante do meu peito ele estava me deixando com mais remorso ainda, como se fosse possível.
– Mas Lena, é verdade...
– Eu sei ok? Eu sei! — Voltei a me sentar abraçada em minha almofada, suspirando fundo mais uma vez e desviando o olhar de meus amigos que estavam em minha frente. Pela primeira vez eu estava me sentindo constrangida por estar falando sobre minha vida sexual tão abertamente. Eu sabia que se tivesse sido flagrada com outro homem no meio de um programa provavelmente eu iria rir da situação junto com Marcos, mas como o homem era Damon as circunstancias eram completamente distintas... – Eu contei pra vocês com a esperança de que vocês fizessem eu me sentir melhor, mas ao invés disso estou ainda mais culpada... Muito obrigada pela compreensão. – Marcos e Rebekah ficaram em silencio pensando no que haviam feito.
– Desculpe Lena, não sabíamos que isso era tão importante para você... – Rebekah disse chegando mais perto.
– Mas é! – Disse rispidamente. – Foi a filha de Damon e a irmã dele que nos flagraram, as pessoas mais importantes na vida do homem que eu amo... Vocês fazem ideia o quanto a opinião das duas é relevante para minha relação com ele? A Emily é um fato que ela me odeia e agora então provavelmente não vá mais querer olhar em minha cara, e Annabelle depois de ontem a noite ficou evidente que também não gosta de mim... As probabilidades de Damon enfrentar sua família por minha causa são mínimas e eu sinto que acabei de destruir a única oportunidade que tinha de construir uma historia com ele.
– Mas porque você está se sentindo assim?
– Porque eu poderia ter o parado, eu poderia ter dado continuidade no quarto mas não, eu preferi prosseguir justamente no sofá da sala... Se eu tivesse me levantado de seu colo para irmos para qualquer outra peça da casa isso não teria sido tão “grave”... Céus como eu posso ter sido tão fraca? – Minhas mãos passeavam pelos meus cabelos em um gesto característico de quando estava nervosa, por mais insignificante que isso parecesse eu não conseguia deixar de me abalar...
– Elena, você nunca ouviu falar que quando um não quer dois não fazem? Se isso aconteceu não foi exclusivamente por sua culpa, Damon também teve uma grande contribuição, se ele não quisesse que fosse no sofá ele não iria fazer e te levaria para o quarto... Isso foi descuido dos dois, pare de pegar tudo para ti, vocês dois são culpados. – Marcos tinha razão, mas nem mesmo depois de ter admitido que ele estava certo eu conseguia me sentir melhor.
– Ontem eu pedi para Damon me ligar depois que conversasse com Emily mas ele não ligou, talvez eu deva interpretar isso como um sinal de que ele esteja bravo ou confuso...
– Ou talvez ele só esqueceu! – Rebekah falou tentando me consolar. – Elena, não sofra por antecedência, você não sabe o que aconteceu lá depois de ter ido embora. Espere a confirmação de que ele realmente acha que foi sua culpa o que aconteceu... – Outro suspiro pesado saiu de meu peito à medida que tentava me dar por vencida de que Rebekah e Marcos tinham razão.
– Será que agora já podemos rir e fazer piada da historia? – Marcos revirou os olhos entediado.
– Vai mudar alguma coisa se eu disser que não? – Perguntei ainda mal humorada e Marcos negou com um sorriso malandro me fazendo revirar os olhos. — Então faça!
– Aliás, mesmo sabendo que Emily poderia chegar a qualquer momento porque diabos vocês foram inventar de transar no sofá da sala?
– Na verdade nem passou pela minha mente que ela pudesse chegar a qualquer momento, nós estávamos tão absortos que nos esquecemos que estávamos no sofá da sala...- Dei de ombros tentando tratar a situação com descaso.
– Bom, pelo menos ela chegou no meio do ato e não nas preliminares, não é? Emily iria ficar muito mais traumatizada se pegasse o pai com a boca em outros lugares... – Ele comentou rindo com malicia, automaticamente meus olhos reviraram e eu joguei com força minha almofada em meu amigo.
– Você não presta, Marcos! – Rosnei. – Argh eu queria ser menos vulnerável quando se trata de Damon, quando ele me toca parece que até meu nome eu esqueço vocês não fazem ideia... – Murmurei baixinho puxando meus joelhos mais uma vez contra meu peito.
– Na verdade nós fazemos ideia sim, seus gemidos não eram nada baixos na sexta de noite. – Meu queixo pareceu ter caído, eu abri e fechei a boca seguidas vezes enquanto procurava o que falar, meu rosto estava quente me fazendo imaginar qual era o tom de vermelho que minhas bochechas se encontravam.
– Totalmente desnecessário o seu comentário! – Disse entre dentes o fuzilando com o olhar.
– Mentira, Lena! – Rebekah se manifestou. – Não estavam tão altos, foi ele quem ficou escutando por trás da porta!
– Sua cretina! – Ele se defendeu. – Você também escutou!
– Claro porque você me obrigou mas em minha defesa, eu só fiz companhia, você quem ficou escutando!
– Seu pervertido! – Sibilei pausadamente, sem conseguir me controlar fui para cima dele o estapeando mais uma vez. – Meu Deus, Marcos, eu juro que vou te quebrar inteiro seu pervertido! –Minhas mãos faziam barulho quando eu o batia e sua pele branca assumia um tom claro de rosa pelos meus tapas. – Vou te dar um filme pornô já que você gosta de ficar ouvindo os outros gemendo!
– Escutei mesmo, se vocês quisessem privacidade era melhor ter ido para outro lugar! – Ele defendeu-se rindo enquanto tentava se livrar de mim. – E isso foi por você ter me molestado naquela tarde!
– Você me paga, Marcos! – O corpo de meu amigo foi padecendo, ele estava perdendo as forças e eu me aproveitava de seu ataque de riso para descontar a raiva que estava sentindo nele.
– Elena, seu celular está tocando. – Rebekah disse enquanto assistia eu ter transformado minha cama em um rinque de luta livre, rapidamente eu sai de cima de Marcos e fui atrás de meu celular que estava na cabeceira da cama. – Não pensei que eu esqueci isso! – Disse severamente para meu amigo que tentava se recompor. Segundo ao identificador de chamadas, era Damon quem me ligava, no mesmo instante que li seu nome senti meu coração bombardear o sangue mais depressa para o meu corpo enquanto sentia a adrenalina misturada com nervosismo gelar minhas veias.
– Salvo pelo gongo! – Disse ofegante. – Eu só quero saber de onde essa mulher tira tanta disposição... – Ele ajeitou-se na cama enquanto se abanava rapidamente com a mão.
– É Damon! –Disse baixinho ignorando o comentário de Marcos.
– Então atenda logo! – Rebekah me apressou e com um longo suspiro eu pressionei o botão aceitando a ligação e coloquei o aparelho no ouvido.
– Hey! – Respondi animadamente escondendo nervosismo em minha voz.
– Bom dia, meu anjo! – A voz serena e animada de Damon levou instantaneamente embora metade de minhas preocupações, ele parecia tranquilo, como se nada tivesse acontecido.
– Como estão as coisas por ai?
– Estão bem, por incrível que pareça... – Um riso rouco encheu meus ouvidos fazendo um sorriso bobo aparecer em meus lábios. A rouquidão de sua risada e de sua voz denunciava que ele havia acabado de acordar e instantaneamente o imaginei com a feição desgrenhada e sonolenta e cabelos bagunçados usando apenas uma bermuda larga sorrindo daquela forma estupidamente sexy ao conversar comigo. – Acho que a partir de agora Emily vai começar a nos aceitar melhor, ontem de noite nós conversamos um pouco e ela me pareceu um tanto compreensiva...
– É ótimo ouvir isso, Damon... – Respirei fundo sentindo-me mais aliviada. – Mas também não é só ela que deve nos entender, temos que ser compreensivos com Emily porque não deve ter sido fácil ter presenciado nós dois no sofá da sala da casa dela.
– Sim, eu sei, estou tentando ser o mais compreensível possível com ela, mas ainda assim marquei um almoço nesse domingo para nós três, o que acha? – Minha garganta pareceu fechar, eu não esperava que Damon marcasse um encontro para nós três tão cedo principalmente depois do que acontecera, não estava convicta de que estava pronta para mais um almoço em “família”.
– Damon, você não acha que é cedo demais para um contato desse porte? Eu acho que deveríamos começar aos poucos, um almoço não é grandioso demais?
– Eu acho que não, Lena, Emily se dispões a ir conosco e eu me prontifico a fazer dar certo... É só um almoço, meu anjo. – O tom de sua voz era um tanto divertido, ele já havia percebido que eu tinha um certo medo e receio de sua filha. – Não vai ser tão ruim assim afinal nós vamos poder ficar juntos... – A ideia de passar o domingo junto a Damon era tão tentadora que eu chegava até esquecer que sua filha iria estar junto, não me importaria com a presença de Emily tendo Damon ao meu lado.
– Seus métodos de persuasão são muito baixos, Doutor...
– Isso quer dizer um “sim”? – Era possível perceber o sorriso vitorioso que em seus lábios mesmo não estando em sua frente para presencia-lo, Damon era terrivelmente previsível e orgulhoso as vezes.
– Sim... – Suspirei dando-me por vencida. – Em menos de duas horas estou ai, ok?
– Obrigado, Lena. – Damon disse animadamente e antes que ele pudesse questionar mais alguma coisa, desliguei o telefone.
– E ai, o que ele queria? – Rebekah perguntou entusiasmada.
– Vou sair para almoçar com ele e a filha... – Eu derrubei a cabeça entre minhas mãos parando para pensar na besteira que havia feito ao aceitar o convite.
– Viu, eu não disse que estava tudo bem e que você estava fazendo drama? – Marcos disse cruzando os braços presunçoso.
– Calado! – Disse rispidamente para ele. – Eu ainda estou furiosa com o Senhor!
– E agora você vai fazer o que?
– Me arrumar porque tenho menos de duas horas para ir para Manhattan... – Antes que pudesse desistir, me levantei da cama e fui até meu armário escolher uma roupa para vestir.
A cada peça que eu olhava era uma desculpa que passava em minha cabeça para adiar aquele almoço, em minha mente as lembranças ainda frescas da vez em que eu a conheci se juntavam com o acontecimento da noite passada e me faziam ficar ainda mais insegura com o que me esperava. Eu não estava preparada para aquele almoço, isso era um fato, talvez eu nunca estivesse pronta para me relacionar com Emily e se pudesse prever todas as vezes que fosse vê-la iria, de alguma forma, tentar adiá-las. Era irrisório, insignificante e mesquinho de minha parte me sentir de tal maneira perante a uma garotinha de doze anos mas infelizmente ela não era apenas uma simples garotinha de doze anos e sim a filha do homem que amava, e eu estava fazendo esse enorme esforço única e exclusivamente por Damon porque como havia me prontificado a fazer “nós” dar certo, Emily era um dos quesitos e prioridade disso tudo. Ele amava sua filha e para que tenhamos uma relação saudável era preciso que eu me desse bem com ela...
O clima estava mudando em Nova Iorque, era possível ouvir o vento gritar e balançar as janelas velhas do meu quarto no bordel... Estava começando a esfriar então coloquei uma roupa leve mas propicia para a estação. Separando uma calça branca e uma camisa mullet transparente para colocar por cima da uma regata preta, eu fui tomar banho e me arrumar tentando deixar de ser menos covarde e criar coragem para ir encontrar com Damon e sua filha rebelde.
“Eu não vou deixa-la me intimidar. Eu não vou deixa-la me intimidar.” Eu repetia essas duas frases mentalmente como um mantra, não podia e eu não a deixaria me intimidar... Emily era apenas uma adolescente de doze anos e eu tinha que encara-la como tal.
(...)
– Então Elena, conta pra Emmy como você gosta de patinar… — Damon sorriu discretamente pra mim, encorajando-me a socializar com a filha dele e quebrar aquele muro tão resistente entre nós duas. Nós já havíamos começado a almoçar e o único barulho em nossa mesa era o tilintar dos talheres no prato de porcelana, o silencio não era nada acolhedor e chegava a me sufocar. Emily não estava confortável com a minha presença e eu não me sentia bem com isso, era claro que ela não estava ali por livre arbítrio e que Damon havia a obrigado a ir almoçar conosco .
– É, eu gosto sim… — Falei pra ela tentando sorrir, mas sua expressão era tão fechada que impossibilita até mesmo isso. . Aliás, eu gostava de patinar? Lembrava-me de patinar com meus pais no Rockefeller Center no inverno, sabia patinar e fazer alguns movimento mas nunca cheguei a frequentar uma aula de patinação artística. Enfim, eu me obrigara a começar a gostar de patinar...
– Legal. Eu também gosto. – Ela diz logo após Damon ter lançado um olhar zangado a ela.
– É, eu sei. – Sorri, dessa vez com mais sucesso, o qual com toda certeza não foi provocado pela sua expressão. – Eu costumava a patinar com meus pais no Rockefeller Center mas nunca cheguei a fazer uma aula de patinação então definitivamente eu não patino tão bem como você. – Disse amigavelmente mas ela pareceu não se importar. — E você patina com o seu pai?
– Patinava. – Ao perceber que ela iria responder apenas isso, Damon lançou o mesmo olhar que antes e ela acrescentou rapidamente; — Agora ele usa o tempo que tínhamos para patinar para sair com você... – Emily deu de ombros como se quisesse que entendêssemos que não era sua intenção ter sido tão rude mas era evidente seu desdém em relação a mim. Eu fiquei sem saber o que falar, encarei meu prato, que ainda estava cheio, sentindo meu rosto ruborizar mais uma vez no dia.
– Emily, já falamos sobre isso. – Damon elevou seu tom de voz para falar com a filha.
– Eu só respondi, pai, Elena me perguntou e eu acho falta de educação não responder com sinceridade. – Ela deu de ombros.
– Na verdade eu te entendo Emily e não vou te privar de sair com seu pai, principalmente porque eu sempre gostei de sair com o meu e sinto muita falta disso. – Eu disse rispidamente tentando me impor diante dela, “Eu não vou deixa-la me intimidar. Eu não vou deixa-la me intimidar.”.
Percebi o choque no rosto da Emily segundos antes de ela tentar esconder com uma expressão indiferente, sem ser bem sucedida. Ela sabia exatamente a dor de perder a mãe, já que Katherine tinha sido tirada dela tão cedo, então Emily me entendia melhor do que qualquer outra pessoa. Talvez esse ponto em comum entre nós seria a brecha necessária para que nossa relação pudesse dar certo, eu não me importaria em lhe dar o apoio que ela precisasse pela ausência de Katherine pois sabia o quanto ele era necessário quando se perdia a mãe naquela fase da vida. Se Emily permitisse, eu seria aquela pessoa que ela pudesse sempre contar e que sempre estaria ao seu lado.
– Poderíamos ir patinar um dia, o que acham? – Damon sugeriu tentando quebrar o clima pesado que havia formado.
– Boa ideia, pai. – Emily respondeu com um falso entusiasmo me deixando confusa pela sua mudança repentina de humor. – Você trabalha em um bar da região, Elena? – Sua pergunta me pegou totalmente desprevenida me fazendo olhar incrédula para Damon, meus olhos estavam suplicantes como clamasse silenciosamente por ajuda para o homem ao meu lado.
– Na verdade... – Comecei a tentar me explicar enquanto Damon parecia não fazer ideia do que responder a filha. – Na verdade eu não trabalho mais lá, Emms, estou à procura de um trabalho melhor , quero juntar dinheiro para que eu possa terminar minha faculdade e o que estava ganhando no bar não era o suficiente para isso. – Tentei adaptar minha real situação de uma forma que se condissesse com o contexto
– Entendi! – Ela assentiu. – Mas era um bar famoso? Provavelmente tia Anna possa conhecer...
– Não... Acho improvável, ele era um bar pequeno e reservado que fica perto de minha casa. – Disse de imediato falando a primeira desculpa que veio em minha cabeça.
– E onde você mora? — Desesperadamente, eu levo minha mão até a coxa de Damon por debaixo da toalha, apertando-a forte em um pedido silencioso de ajuda.
– Elena mora em um bairro pequeno, filha, você não conhece... – Damon disse rapidamente me acobertando.
– Nossa, mas então como vocês se conheceram?
– Alaric tem seus contatos, o bar em que Elena trabalhava era de um amigo dele e então em um dia após saímos do hospital ele me chamou para sairmos e eu fui e acabei conhecendo Elena. – O tom de sua voz era extremamente convincente, até parecia que ele havia ensaiado por horas essa mentira antes de contar a Emily. Felizmente ela pareceu aceitar e eu pude me permitir relaxar na cadeira.
– Entendi... Que mundo pequeno, não é mesmo? – Damon sorri assentindo e olha para mim com um sorriso carinhoso me dando um beijo castro nos lábios. – Bom, estou satisfeita, posso esperar vocês lá fora?
– Claro! – Damon a liberou e ela saiu da mesa seguindo para a porta do restaurante.
– Devemos nos preocupar com essa curiosidade repentina? – Perguntei a Damon assim que Emily tomou uma distancia segura que não conseguisse nos ouvir.
– Sinceramente, eu não sei! – Damon deu de ombros. – Talvez ela só esteja querendo se aproximar de ti...
– Obrigada por me ajudar, por sinal, ela parece ter aceitado bem...
– Se ela não tivesse aceitado eu juro que iria mandar minha filha para trabalhar na área de investigação por que a historia foi muito bem contada... – Damon riu divertido.
– Que bom que foi convincente... – Suspirei fundo.
– Já está satisfeita? – Perguntou olhando para meu prato e eu assenti silenciosamente. – Se quiser ir fazer companhia a Emily lá fora enquanto eu pago a conta, eu acho uma boa ideia vocês tentarem interagir em que eu esteja por perto.
– Vou confiar em você, ok? – Emily me pareceu um pouco mais tolerante durante o almoço, talvez Damon estivesse certo em relação a ela e eu sentia que precisava acreditar e apostar nisso.
– Pode confiar, anjo. – Damon sorriu tentando me passar tranquilidade e antes de me levantar selei nossos lábios demoradamente.
Levantei-me da cadeira e em passos confiantes refiz o caminho que Emily havia feito, eu não fazia ideia do que iria conversar com ela e pensando nisso achei melhor improvisar, nós tínhamos que ter mais alguma coisa em comum para que pudéssemos debater...
Parando diante a porta do restaurante, avistei a menina que procurava sentada em um banco perto de um lago artificial, ela parecia tão inocente, tão indefesa... Tão sozinha...
Emily carregava um semblante triste que só era possível perceber quando se examinava com cautela sua expressão, já que ela sabia esconder muito bem aquele sentimento, por mais que Damon fosse um ótimo pai era evidente que Emily sentia falta da mãe, e eu me identificava demais com ela, apesar de que eu era mais velha quando o acidente que matou meus pais aconteceu... Eu sabia exatamente o que ela sentia, aquela sensação de estar completamente sozinha no mundo, aquela saudades que corria o peito, aquele buraco que jamais seria preenchido por outra pessoa, aquela dor que independente de quanto tempo passasse nunca sairia dali, porém não tinha outra solução pra qualquer um além de conformar e tentar continuar a vida normalmente, mesmo que 'normalmente' não fosse mais tão normal assim... Emily devia mesmo ser uma boa menina, como Damon me dizia, mas em minha mente eu ainda tinha uma imagem negativa dela porque infelizmente era o que ela havia me passado pelos seus atos.
Caminhei até ela e parei ao seu lado olhando para o mesmo ponto do lago que ela.
– Posso me sentar? – Emily olhou para mim e acenou positivamente a cabeça, me sentei do lado dela e vasculhei em minha mente alguma coisa para conversarmos. –Emily, desculpe pelo que você viu ontem, eu não imaginava que você fosse chegar... – Eu disse desajeitadamente parecendo uma criança falando com um professor enquanto fitava meus dedos sobre meu colo.
– Elena, por favor não vamos falar sobre isso eu já estou bem traumatizada com o que vi e com muito nojo de sentar no sofá da minha própria casa, então se pudéssemos pular esse assunto eu ficaria gratíssima. – Pela terceira vez no dia, meu rosto esquentou e eu me senti uma inútil que nem para puxar assunto com uma garotinha de doze anos servia.
– Ok... Só queria que você soubesse que não era minha intenção que você visse aquilo.
– Tudo bem, Elena, eu já entendi... – Ela disse rispidamente e virou se rosto para evitar olhar para mim. Sinceramente, o que eu havia feito para aquela pirralha para ela me detestar tanto?
– Sabe Emily, eu realmente gostaria de saber o motivo pelo qual você me trata dessa maneira, eu queria muito me dar bem contigo, eu gosto muito de seu pai, Emily, e gostaria que você entendesse isso... – A menina ao meu lado ficou estática e eu só conseguia ouvir sua respiração irregular.
– Hey, achei vocês! – Damon apareceu atrás de nós nos fazendo pular no banco de susto. Emily colocou-se de pé rapidamente ao ouvir a voz do pai e sem direcionar o olhar a mim disse baixinho;
– Espero vocês no carro... – Sem esperar que respondêssemos ela saiu nos deixando sozinhos no local.
– Aconteceu alguma coisa?
– Não, está tudo bem, eu só me desculpei por ontem à noite e ela pareceu não aceitar muito bem meu pedido de perdão... – Dei de ombros omitindo alguns fatos sobre nossa breve conversa, Damon não precisava saber que sua imaculada filha tinha um alto nível de má criação com os desconhecidos. – Mas tudo bem, vamos ter paciência e entender que não está sendo fácil para ela...
– Obrigado por ser tão compreensiva, Lena. – Damon sorriu carinhosamente para mim e me puxou para seus braços me abraçando fortemente, toda aquela indignação que estava em meu peito converteu-se por aquele sentimento de adoração que eu tinha por ele, meu interior pareceu ter se desmanchado naquele instante em que ele disse com tanto carinho meu apelido e me abrigou em seus braços.
– Hey, eu disse que estava disposta a dar certo... – Eu encostei meu rosto em seu peito inalando o cheiro de amaciante misturado com seu perfume no tecido de sua camisa.
– Estive pensando enquanto pagava a conta, o que acha de sairmos nós três agora, estou com o dia livre por incrível que pareça.
– A ideia é bem tentadora mas eu acho que seria melhor se você aproveitasse essa sua tarde livre para ficar com Emily, Damon... E além do mais, você me prometeu que iria passar mais tempo com ela. – Doía meu peito de negar sair com ele principalmente quando eu estava tão aconchegada em seus braços, mas Emily, infelizmente, era mais importante que isso.
– Tudo bem então, vou deixar Emily em casa e vou te dar uma carona... E não adianta reclamar, eu quero te levar até em casa!
– Ok, uma carona não vai fazer mal... – Eu sorri erguendo meu rosto procurando seus lábios para juntar com os meus.
O caminho até o apartamento de Damon foi silencioso, o humor de Emily pareceu ter mudado no instante em que seu pai lhe deu a noticia de que eles iriam passar o dia juntos... Era doloroso para mim ter que desperdiçar a oportunidade de passar um dia com Damon daquela forma, mas era por uma boa causa, assim eu esperava.
O tempo do apartamento de Damon até o bordel pareceu ter sido feito em segundos, aquele precioso tempo que eu tinha junto com ele passara mais rápido que o esperado.
– Obrigada pela carona... – Eu disse me virando para ele enquanto desatava meu cinto de segurança.
– Não precisa agradecer, você sabe disso. – Ele sorriu gentilmente enquanto me imitava. – Obrigado mais uma vez por ter ido nesse almoço... – Eu sorri suavemente e apenas assenti. – Não saía sem se despedir, Dona Elena. – Um sorriso um tanto malicioso iluminou seu rosto me fazendo sorrir da mesma forma que ele.
– Nem se quer pensei nisso, Doutor... – Eu me aproximei dele com aquele sorriso ainda e encostei nossos lábios dando inicio a um beijo caloroso.
Damon levou uma de suas mãos para minha cintura me puxando mais para si enquanto que com a outra, emaranhou seus dedos em meus cabelos segurando minha cabeça no local para guiar o beijo. Deixei que o beijo se intensificasse o quanto desejássemos, não o privei de ter assumido um beijo como aquele porque não sabia quando iriamos nos ver novamente, deixei que matássemos as saudades que nem se quer ainda estávamos sentindo. Eu acariciava seu rosto e fazia carinho em seus cabelos enquanto sentia meu corpo inteiro reagir por aquele contato intenso que havíamos imposto entre nós.
Não sabia ao certo quanto tempo ficamos nos beijando, mas meus pulmões começaram a clamar por oxigênio. Nós tínhamos consciência de que não iriamos passar de beijos então lentamente fomos diminuindo a intensidade do beijo até terminarmos o beijo com vários selinhos demorados e de testas encostadas.
– Quando vamos nos ver novamente? – Perguntei ofegando e de olhos fechados enquanto acariciava seus cabelos da nuca.
– Eu não sei... – Ele disse baixinho. – Eu tenho plantão nesse final de semana e no outro, poderíamos marcar de almoçar juntos, o que acha?
– Soa perfeito para mim. – Concordei o beijando mais uma vez. – Tchau, Damon...
– Tchau, Lena. – Antes que eu pudesse me afastar, ele me puxou mais uma vez para si e me beijou demoradamente.
Depois de muitos beijos trocados, eu desci de seu carro e entrei em casa o deixando partir...
– Aham, chegou quem faltava! – Uma voz masculina disse presunçosamente assim que eu entrei pela porta da sala. Instantaneamente reconheci o dono da voz, sem nem precisar pensar muito para identificar... Longan.
– Logan... O que faz aqui? – Perguntei friamente estranhando o fato de ele ter ido nos visitar no meio do mês e nem se quer era dia de pagamento.
– Vim para uma pequena reunião de negócios... – Ele disse maliciosamente. – E essa casa é minha não se esqueça disso, eu venho aqui quando quiser. Agora sente-se ai que eu tenho que falar com todas vocês... – Pelo tom de voz que ele usava algo muito ruim nos esperava principalmente para todas as meninas estarem reunidas na sala...
Sem contestar, eu me sentei ao lado de Rebekah e procurei entre todos os presentes o rosto de meu amigo, que por sinal não estava ali.
– Cadê Marquinhos? – Sussurrei para só ela ouvir.
– Foi embora... Assim que soube que o Logan estava vindo aproveitou para ir embora antes de ele chegar. – Logan e Marcos não tinham uma relação saudável, meu chefe não respeitava a orientação sexual de meu amigo e sempre o humilhava quando o via...
– Ok, já que todas estão aqui vamos começar logo. – Logan disse interrompendo minha conversa paralela com Rebekah. – Eu e minha irmã aqui, — Apontou para Meredith que estava sentada atrás dele. – Estivemos conversando e concordamos que as coisas estão muito fáceis para vocês, teremos novas regras nesse estabelecimento, meninas... Escutem com atenção e só depois se manifestem. – Só a voz de Logan era o suficiente para me irritar, eu sentia uma repulsa imensurável em relação a ele e tê-lo falando em minha frente, impondo regras em meu cotidiano conseguia aumentar meu ódio. – Primeiramente devo informar vocês que vou passar uns dias ou meses convivendo diariamente com vocês, meu apartamento está em reforma e como tenho essa casa onde me acolhem tão bem, decidi não gastar dinheiro com hospedagem... – Deu de ombros. Eu não conseguia acreditar no que meus ouvidos estavam ouvindo, aquilo deveria ser uma brincadeira de mau gosto ou um certo tipo de pesadelo... Se aquela casa já era um inferno, com Logan morando nela iria piorar.
– Em segundo lugar; nós vamos ter uma nova maneira de trabalhar aqui. – Meredith adicionou. – Os programas serão tabelados e terão um novo preço; meia hora dentro do quarto são duzentos dólares, uma hora trezentos e cinquenta. E todos os programas que vocês fizeram na noite vão ser anotados para que tenhamos mais controle com as finanças.
– Vocês vão ter que trabalhar na limpeza da casa, isso é obvio, estamos gastando demais com futilidades e no fim do mês essa casa está nos dando mais prejuízo a lucro. – Logan disse andando pela sala. – Eu vou chamar mais garotas para trabalhar aqui e alguns homens também, afinal não é apenas do sexo masculino que sobrevive esse mercado e quanto mais variedade mais dinheiro...
– Você vai colocar homens para morar debaixo do mesmo teto que nós? – Perguntei perplexa.
– Algum problema com isso, Elena?
– Vários, Logan! Pare para pensar em nós pelo menos uma vez na sua vida, a convivência vai se tornar mais difícil do que já é!
– Então problema é seu e de todas as meninas, eu não vejo problemas em termos homens trabalhando no bordel então nós vamos ter homens trabalhando no bordel! – Riu presunçoso me fazendo trincar os dentes. – Outra coisa... – Sorriu com malicia mais uma vez. – Eu acho que vocês trabalham vestidas demais, a partir dessa noite vocês usarão apenas lingerie sem nenhuma outra peça cobrindo o maravilhoso corpinho de vocês... Vamos apimentar as coisas por aqui e ousar um pouco mais. Vamos também qualificar vocês com cursos de massagens, danças e essas coisas eróticas que vemos por ai... Esse é um tipo de investimento que nos trará mais lucro então não reclamem. – Era informação e mudanças demais para um dia só, eu sentia minha cabeça rodar e em minha mente a única coisa que eu via era Damon. Eu não podia continuar naquele lugar, não podia fazer isso com ele, eu prometera que iria sair daquela vida e ser somente dele. Sem raciocinar direito, eu me coloquei de pé enfrentando o homem em minha frente.
– Para mim chega, estou farta de tudo isso!
– O que?! – Ele perguntou com um tom de deboche.
– Isso mesmo que você ouviu, Logan, eu estou fora, estou indo embora disso aqui.
– Se você acha que vai sair daqui está muito enganada Elena, eu acabei de perder Caroline e isso foi um grande prejuízo para mim, não vou te deixar sair daqui tão facilmente principalmente porque você é a minha melhor garota...
– Você não pode fazer nada enquanto a isso, eu entrei nesse lugar porque quis e é dessa forma que vou sair! Eu vou embora sim, Logan. – Eu estava furiosa, Logan não mandava em mim daquela forma e nem que eu tivesse que morar na rua eu não continuaria naquele lugar. Decidida a ir embora, eu pego minha bolsa do sofá e dou as costas para o energúmeno em minha frente, mas rapidamente sou detida por um aperto forte em meu braço.
– Não dê as costas para mim, sua vadia.
– Eu não tenho medo de você! – Retruquei.
– Eu acho que deveria ter!
– Ah e por quê? Você vai me bater de novo? Acho que a policia iria adorar saber que fui agredida inúmeras vezes por um cafetão que emprega menores de idade em seu bordel... – Eu já estava acostumada a enfrentar Logan, mas nunca ocorreu em minha mente ameaça-lo nesse nível... Eu definitivamente não queria continuar naquele bordel.
– Você não ousaria...
– Experimente me bater mais uma vez, as marcas em meu corpo servirão de provas e eles não vão pensar duas vezes antes de vir te prender. – Disse entre dentes. A mão livre de Logan foi para meus cabelos onde emaranhou seus dedos neles os puxando com força para trás.
– Abra sua bolsa! – Ele disse rispidamente mas eu não obedeci. – Agora! – Meu corpo foi sacudido com força enquanto seus dedos puxavam meus cabelos da mesma forma. Involuntariamente uma lágrima escorrera pelo canto de meu olho pela dor física que ele estava me causando, sem demorar mais eu abri lentamente minha bolsa sentindo que era o melhor a se fazer no momeno e ele a arrancou de minha mão procurando alguma coisa dentro dela. Um sorriso glorioso deixou sua expressão ainda mais maléfica quando ele encontrou meu celular e o guardou no bolso do jeans. – Quero ver você sair daqui agora, sem seu celular, sem seus contatos... E opa, sem seu direito de sair dessa casa até aprender a se comportar direito.
– Devolva meu celular! – Exigi.
– Eu falei que você não vai embora daqui tão cedo! – Ele voltou com a mão para o meu braço mesmo estando me segurando pelos cabelos e sem a menor delicadeza me puxou de volta até onde as meninas estavam me jogando com força em uma poltrona velha com pouco estofado. – Agora aprenda a escutar enquanto eu dou as ordens! – Seu indicador estava em meu rosto e ele falava a milímetros de mim.
– Você não pode me manter presa aqui!
– Ah sim, eu posso, nem que eu tenha que ficar o dia inteiro aqui para te impedir de sair. Não duvide de mim, Eleninha, eu já mostrei muitas vezes do que sou capaz.
– Você é um nojo, infeliz, doente, verme!
– Isso, vai, xinga mais.... Eu sei que sou tudo isso mas você ainda é uma vadia e inútil que tem que abrir as pernas para ter como viver. – Suas palavras atingiam-me como facas, mas eu não iria chorar, não na frente dele, meus olhos se encheram de lágrimas mas rapidamente tencionei meu maxilar respirando fundo tentando controlá-las. – E então, quem vai ser a próxima? – Logan virou-se de frente para as meninas que assistiam aquilo amedrontadas.
... Logan continuou a falar sobre suas novas regras mas eu não conseguia prestar atenção, meu coro cabeludo latejava devido a força que ele puxara meus cabelos e as lagrimas insistiam em querer aparecer em meus olhos... Eu não podia chorar, eu não iria chorar. Eu estava perdida, precisava arrumar um jeito de sair daquele lugar
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